O Instituto Onça-Pintada (IOP) ou Jaguar Conservation Fund é uma organização não governamental brasileira fundada em junho de 2002 pelo casal de biólogos Leandro Silveira e Anah Tereza de Almeida Jácomo. A instituição possui sede no município de Mineiros, no estado de Goiás, e atua por meio de pesquisas científicas, programas de conservação in situ e ex situ, educação ambiental e parcerias estratégicas.

O instituto é mantido com doações de empresários ou pessoas físicas e por meio de recursos particulares do casal de biólogos. Em fevereiro de 2022, o instituto busca formar parcerias com instituições pública e privadas com o objetivo de desenvolver um projeto constante de conservação da espécie ao longo do Rio Araguaia, o terceiro maior rio do Brasil, desde a divisa entre Goiás e Mato Grosso, passando pelo Tocantins, até o Pará, a iniciativa deve criar um dos maiores corredores de biodiversidade do mundo, com 3 mil quilômetros de extensão e área de 13 milhões de hectares, em que esses animais poderão circular livremente, inclusive entre os dois maiores biomas brasileiros: a Amazônia e o Cerrado.

Em 2018, havia 14 onças-pintadas no local, destas, quatro são filhotes, dois são jovens e oito são adultos. Na última década, 35 felinos passaram pelo lugar. Apesar do estatuto de conservacionista, as onças-pintadas que chegam recém-nascidas ao criadouro não retornam à natureza porque a principal ameaça a elas, segundo pesquisas do próprio instituto, são os pecuaristas, segundo Anah, devolver o animal ao habitat é "contrassenso devolver à natureza um animal que já veio para o cativeiro fruto desse conflito".

Reconhecido mundialmente por seu trabalho voltado à preservação do maior felino das Américas, o IOP baseia sua atuação em três pilares fundamentais: pesquisa científica, educação ambiental e manejo da fauna. O trabalho do Instituto se estende pelos principais biomas brasileiros, incluindo Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga e Mata Atlântica. Além da atuação direta com os animais, a organização desenvolve projetos voltados à mitigação de conflitos entre a onça-pintada e produtores rurais, promovendo a conscientização ambiental e a coexistência pacífica.

Histórico e Atuação

A trajetória do Instituto Onça-Pintada teve início com os estudos de seus fundadores, Leandro Silveira e Anah Tereza de Almeida Jácomo, que se dedicam à pesquisa da espécie desde 1989. Em 2002, o IOP foi oficialmente criado, consolidando-se como a primeira instituição focada exclusivamente na conservação da onça-pintada no mundo. Dois anos depois, em 2004, foi fundado o Jaguar Conservation Fund nos Estados Unidos, uma iniciativa internacional criada para facilitar a arrecadação de recursos e doações estrangeiras voltadas à proteção da espécie.https://revistacultivar.com/news/JBS-and-Instituto-Onca-Pinta-intend-to-create-one-of-the-largest-biodiversity-corridors-in-the-world.

Leandro Silveira, biólogo e cofundador do Instituto, possui mestrado em Biologia pela Universidade Federal de Goiás, com pesquisa sobre a comunidade de carnívoros do Parque Nacional das Emas, e doutorado em Biologia Animal pela Universidade de Brasília, onde desenvolveu um estudo comparativo sobre a ecologia da onça-pintada e da onça-parda no Cerrado. Desde a fundação do IOP, lidera as atividades científicas da instituição, coordenando projetos de pesquisa em todos os biomas brasileiros . Sua produção científica é amplamente reconhecida, com mais de 7.200 citações em trabalhos acadêmicos, consolidando-o como um dos principais pesquisadores em ecologia e conservação de onças-pintadas.

Anah Tereza de Almeida Jácomo, bióloga e cofundadora, possui mestrado em Biologia pela Universidade Federal de Goiás, com pesquisa sobre o nicho alimentar do lobo-guará, e doutorado em Biologia Animal pela Universidade de Brasília, onde estudou a ecologia e conservação do queixada no Parque Nacional das Emas e em áreas rurais do entorno. No IOP, além de atuar nas frentes de manejo e conservação, coordena o programa Certificado Onça-Pintada.

Pesquisa Científica e Liderança

O Brasil é reconhecido como o berço da pesquisa científica sobre onças-pintadas, e o Instituto Onça-Pintada é uma das principais instituições responsáveis por essa liderança. A organização é citada como uma das instituições brasileiras mais influentes em pesquisa e conservação de onças, ao lado de instituições como Pró-Carnívoros, Wildlife Conservation Society (WCS) e Panthera . A produção científica do IOP contribui significativamente para o Brasil manter sua posição como o país com maior número de publicações sobre a espécie.

O Instituto utiliza tecnologias avançadas de monitoramento, incluindo coleiras GPS e armadilhas fotográficas, para investigar o movimento, comportamento e ecologia das onças-pintadas em seus habitats naturais. Essas pesquisas geram dados essenciais para o desenvolvimento de estratégias de conservação eficazes em todos os biomas onde a espécie ocorre.

Projetos e Iniciativas de Conservação

O Instituto Onça-Pintada desenvolve uma série de projetos de pesquisa e conservação que abrangem diferentes regiões e desafios enfrentados pela espécie. Entre as iniciativas de maior destaque, encontram-se:

Corredor da Onça

Identificado pelo Instituto como o maior e mais relevante corredor ecológico para a espécie e suas presas, o Corredor da Onça possui mais de 3.000 km de extensão, conectando os biomas Amazônia e Cerrado ao longo da bacia do Rio Araguaia-Tocantins. Por meio do uso de armadilhas fotográficas e coleiras GPS, o projeto monitora os deslocamentos das onças na região, onde estima-se uma população de mais de cinco mil indivíduos.https://www.institutooncapintada.org.br/

Em 2022, o IOP firmou uma importante parceria com instituições da iniciativa privada para fortalecer a conservação neste corredor. O projeto conjunto visa orientar e engajar mais de 2.000 produtores rurais da região, conscientizando-os sobre a importância da preservação da onça-pintada e fornecendo equipamentos de monitoramento, como coleiras GPS e armadilhas fotográficas, para acompanhar a população de felinos e promover a coexistência harmônica.

Criadouro Conservacionista

O Instituto mantém um Criadouro Conservacionista, autorizado pelos órgãos ambientais competentes, que abriga o maior plantel de onças-pintadas em cativeiro no Brasil com objetivos de conservação. O trabalho realizado no local inclui reprodução controlada, estudos genéticos e suporte a projetos de reintrodução. O espaço é reconhecido mundialmente como o maior plantel reprodutivo da espécie, apresentando os melhores índices de sucesso reprodutivo, com mais de 60 nascimentos registrados.

O criadouro também abriga outras espécies de animais silvestres, geralmente encaminhados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), como veados, macacos e lobos-guará, todos vivendo em harmonia no local. O Instituto adota um protocolo único de reabilitação animal e tem realizado projetos de reintrodução com sucesso, incluindo filhotes nascidos em liberdade após a soltura de seus pais.

Certificado Onça-Pintada

Considerando que 84% da área de ocorrência atual da onça-pintada encontra-se em propriedades privadas, o IOP desenvolveu o Certificado Onça-Pintada, uma iniciativa pioneira que aproxima o agronegócio das práticas de conservação. Este selo reconhece o trabalho de empreendimentos rurais localizados em áreas de ocorrência da espécie que adotam práticas sustentáveis e contribuem para a sua proteção. A proposta visa converter áreas particulares em habitats mais seguros para as onças, mitigando abates em retaliação a ataques ao rebanho doméstico e criando uma rede de propriedades comprometidas com a conservação . Mais de 400 mil hectares já foram certificados por meio deste programa.

Pesquisa no Pantanal

No Pantanal, o Instituto Onça-Pintada conduz pesquisas com o uso de coleiras GPS para entender o comportamento das onças-pintadas, suas áreas de circulação e as interações com o rebanho doméstico. A iniciativa busca mitigar os conflitos entre a espécie e os pecuaristas locais, que existem há mais de dois séculos na região. O Pantanal abriga a maior população de onças-pintadas reintroduzidas com monitoramento por GPS, com filhotes nascidos em liberdade.

Outras Iniciativas

O IOP também conduz pesquisas na Caatinga, onde descobriu uma população significativa de onças-pintadas, e na Ilha das Onças, no Amapá, onde investiga a sobrevivência da espécie em ambientes de recursos limitados, revelando a maior densidade de onças já registrada. Além disso, projetos como a "Força-tarefa Onças do Cerrado" e "No Rastro da Onça" buscam mapear a distribuição da espécie em todo o território nacional, utilizando a ciência cidadã e a colaboração de especialistas.

O programa "Imersão no Mundo das Onças" oferece a ecovoluntários a oportunidade de participar das ações de conservação da onça, incluindo atividades no criadouro, expedições pelo Corredor da Onça e palestras, unindo conhecimento e sensibilizando mais pessoas para inspirar atitudes que favoreçam a proteção da espécie.

A Onça-Pintada e a Biodiversidade

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino do continente americano e o maior predador terrestre do Brasil. Como predador de topo de cadeia alimentar, desempenha um papel essencial na regulação do tamanho das populações de suas presas, contribuindo para a manutenção do equilíbrio dos ecossistemas. A presença da espécie em um determinado local é reconhecida mundialmente como um indicador de qualidade e saúde ambiental.

Apesar de sua importância ecológica, a população de onças-pintadas já foi reduzida em mais de 50% de sua distribuição geográfica original, devido à caça ilegal, fragmentação de habitat e conflitos com atividades humanas. Atualmente, a espécie encontra-se ameaçada de extinção em quase todos os biomas brasileiros. Diante deste cenário, a conservação da onça-pintada promovida pelo IOP favorece direta e indiretamente as florestas, os rios e todas as espécies que compõem o seu habitat.

Reconhecimento e Impacto O Instituto Onça-Pintada é amplamente reconhecido por sua contribuição à conservação da biodiversidade brasileira. Seu trabalho tem sido documentado por importantes veículos de mídia, incluindo a BBC, que produziu documentários sobre o Instituto e seu trabalho de conservação. A organização alcança milhões de pessoas através de suas redes sociais, promovendo educação ambiental e conscientização sobre a importância da preservação da onça-pintada.

A instituição é mantida com doações de empresários, pessoas físicas e recursos particulares do casal de biólogos fundadores. O Instituto não é aberto à visitação pública regular, priorizando o bem-estar dos animais e o ambiente de conservação, embora ofereça eventos especiais que envolvem o público em determinadas ocasiões.

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