thumb|150px|Placa eletrônica de circuito impresso A é uma subárea da Engenharia Elétrica que lida com grandezas elétricas de pequena amplitude e de elevadas frequências, os chamados sinais elétricos ou eletrônicosBraga, N.C. Eletrônica Digital Vol I. São Paulo: NCB, 2012.. A engenharia eletrônica cuida da energia elétrica sob os aspectos de computação, controle, e telecomunicação.

O estudo da engenharia eletrônica fornece meios para o desenvolvimento de componentes, dispositivos, sistemas e equipamentos como: transistores, circuitos integrados e placas de circuito impresso.Boylestad, Robert L., Nashelsky, Louis. Dipositivos Eletrônicos e Teoria de Circuitos 8º ed. São Paulo: Pearson, 2005. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, os cursos de engenharia eletrônica são em grande parte baseados nos conteúdos da engenharia elétrica.GUSSOW, M. Eletricidade Básica - 2ª ed. São Paulo: Bookman, 2008.

No Brasil seus requisitos são definidos em normas do MECDiretrizes Nacionais Curriculares das Engenharias e pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea/Crea).CONFEA - Conselho Federal de Engenharia e Agronomia. Resolução nº 218 , 29 jun, 1973. Discrimina atividades das diferentes modalidades profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia.

Parte dos cursos tem se voltado para o foco no desenvolvimento de produtos eletrônicos, se baseando fortemente em competências de projetoAHMED, A. Eletrônica de Potência. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2000. além dos conteúdos teóricos/técnicos.Informações sobre o curso de Engenharia Eletrônica da UnifeiFILONI, E. Eletrônica: Eletricidade -16ª edição. São Paulo: Érica, 2018. História thumb|left|150px|Chip FTDI num Arduino A engenharia eletrônica surgiu a partir do desenvolvimento tecnológico nas indústrias do telégrafo, no final do século XIX;CRUZ, E. C. Eletrônica aplicada - 2ª edição. São Paulo: Érica, 2009. e do rádio e telefone no início do século XX.RASHID, Muhammad H. Eletrônica de Potência, Dispositivos, Circuitos e Aplicações. 4 ed. São Paulo: Pearson, 2014. A maior parte do desenvolvimento dessa disciplina ocorreu durante o período da segunda guerra mundial, com o advento do radar, do sonar,Ronan, Colin. A. História Ilustrada da Ciência. Universidade de Cambridge. III - Da Renascença à Revolução Científica. São Paulo: Circulo do livro, 1987. dos sistemas de comunicação e de outros sistemas com fins de aplicação bélica.LANDER, Cyrill W. Eletrônica Industrial, Teoria e Aplicações. 2 ed. Editora Makron Books, 1996. Durante os anos que precederam a segunda guerra o assunto era conhecido como "engenharia de rádio" e apenas no final dos anos 50 o termo engenharia eletrônica começou a surgir.Radio Engineering PrinciplesFloyd, T. Sistemas Digitais 9ª edição. São Paulo: Bookman, 2007.

Em 1948 surgiu o transistor e em 1960 o circuito integrado (CI) viria a revolucionar a indústria eletrônica.Daniel Todd The World Electronics Industry, p. 55, Taylor & Francis, 1990 ISBN 978-0415024976Silicon Destiny

Historicamente considerada mera subdivisão da engenharia elétrica, especialmente durante a "era da válvula", ganhou autonomia plena com o advento da "era do semicondutor",Frenzel, J. Eletrônica Moderna - 1ª edição. São Paulo: AMGH, 2015. rapidamente sucedida pela era da miniaturização em larga escala.Malvino, Albert P., Bates, David J. Eletrônica, Vol 1. São Paulo: McGrawHill, 2016.Brindley, Keith. Starting Electronics 4th edition. NC: Newnes, 2011.

A história da Eletrônica no Brasil

A história da eletrônica brasileira surge na década de 20 do século XX, com a instalação das primeiras empresas de produtos eletrônicos: uma fabricante de rádios elétricos (marca Proteus), em 1923; a primeira indústria nacional de motores, a Motores Elétricos Brasil, em 1928; no ano seguinte, a GE, como fabricante de lâmpadas.

Em 1940, as empresas do recém-criado setor eletroeletrônico chegavam a contar com cerca de cinco mil trabalhadores, aproximadamente 0,6% do total dos empregos da indústria de transformação.

A partir de 1950, vigorou no Brasil uma política de industrialização por substituições de importação. Isso levou o país a apresentar uma taxa de crescimento média de 7,4% ao ano do PIB até 1980. Em específico, a expansão da indústria eletroeletrônica chegou a atingir uma taxa média de crescimento de 21% ao ano entre 1970 e 1974. O setor eletroeletrônico passou de 2,9%, em 1959, para 6,2%, em 1970, chegando a 10% de participação na indústria de transformação em 1978. O nível de ocupação da indústria alcançou um recorde de 90% em 1973.Abinee, A Voz da Indústria Elétrica e Eletrônica do Brasil, São Paulo: Bellini Cultural, 2008.

Subdivisões

A engenharia eletrônica liga-se atualmente a várias subdivisões e ramos de engenharia, em constante avanço tecnológico. Algumas das especialidades e áreas de estudos incluem:

Engenharia de Controle e Automação : Comumente chamada de "mecatrônica", é a área dentro da engenharia voltada ao controle de processos industriais e equipamentos automáticos. Engenharia de Telecomunicações : Um engenheiro de telecomunicações é responsável por desenhar, projetar e supervisionar instalações de equipamentos de telecomunicações, como complexos sistemas eletrônicos de comutação e fibra óptica. Radiofonia Satélites Telefonia Telemática Televisão Engenharia de Computação: Especialidade que combina a engenharia eletrônica e a ciência da computação. Engenharia de Hardware Engenharia de Software Engenharia de Instrumentação: Lida com dispositivos de medição de grandezas físicas como pressão, vazão e temperatura. Outras áreas de estudo: Microeletrônica Sistemas Analógicos Sistemas Digitais Sistemas Híbridos Processamento de sinais

O curso

O curso de engenharia eletrônica é do tipo bacharelado e possui duração mínima de 5 anos, sendo oferecido também, na forma de pós graduação. Assim como todo curso de engenharia, possui foco nas ciências exatas, assim, dando ênfase em matérias como matemática, física, química e computação. Grande parte das universidades, possui algumas matérias como sendo essenciais, alguns exemplos são: circuitos elétricos, calculo, circuitos lógicos, eletrônica analógica e digital, física, algoritmos e estruturas de dados e programação embarcada, sendo grande parte das matérias, focadas em hardware.

O Instituto Tecnológico de Aeronáutico (ITA), foi a primeira instituição de ensino a oferecer o curso no Brasil, em 1951, atualmente, diversas universidades brasileiras, particulares ou federais, oferecem o curso de engenharia eletrônica, sendo em alguns casos, chamado de engenharia elétrica com ênfase em eletrônica.

O profissional

Uma vez formado, o engenheiro eletrônico está qualificado para lidar com sistemas eletrônicos de diversos tipos, planejando, projetando, instalando, operando e promovendo a manutenção. No mercado de trabalho, o profissional pode atuar na indústria realizando pesquisas, liderando e supervisionando equipes e obras. Pode, ainda, trabalhar diretamente com sistemas, desenvolvendo, fazendo estudos de viabilidade e projetando componentes e equipamentos. Dentre algumas funções do engenheiro eletrônico, estão:

Instala, opera e faz a manutenção de sistemas e equipamentos. Projeta e desenvolve componentes, equipamentos e sistemas eletroeletrônicos empregados em automação industrial. Desenvolve sistemas de geração, transmissão e distribuição de eletricidade e eletrônica. Realiza vistorias, perícias e avaliações de obras e serviços técnicos e tem a responsabilidade de emitir laudos e pareceres. Estuda a viabilidade técnica e econômica de projetos. Desenvolve sistemas embarcados.

Por isso, é uma área que participa efetivamente do desenvolvimento de novas tecnologias. O bacharel em Engenharia Eletrônica também pode atuar em projetos e prestar assistência em circuitos ligados à eletrônica digital, que abrange microprocessadores e computadores.

Competências do profissional As novas diretrizes curriculares nacionais (DCN's) para os cursos de engenharia direcionam a formação dos novos profissionais em uma abordagem baseada em competência. As DCN's definem então 8 competências básicas para todos os engenheiros e requisita que cada instituição de ensino superior defina àquelas mais adequadas para o perfil do seu egresso.

Uma das primeiras definições de competência disponíveis para a formação do profissional de engenharia eletrônica, em acordo com as novas DCN's e as atribuições do item 9 do CREA, é dada por 12 competências. Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia Eletrônica - Competências e Habilidades Ao fim das descrições são apresentados os níveis esperados dos engenheiros segundo a Taxonomia Revisada de Bloom, entre parênteses.

Usabilidade: formular e conceber soluções desejáveis de engenharia, analisando e compreendendo os usuários dessas soluções e seu contexto (4C); Matemática, Física e Química: analisar e compreender os fenômenos físicos e químicos por meio de modelos simbólicos, físicos e outros, verificados e validados por experimentação (3B); Projetista: conceber, projetar e analisar sistemas, produtos (bens e serviços), componentes ou processos (6C); Gestão de Projeto: implantar, supervisionar e controlar as soluções de Engenharia (5B); Comunicação: comunicar-se eficazmente nas formas escrita, oral e gráfica (3C); Trabalho em Equipe: trabalhar e liderar equipes multidisciplinares (5C); Legislação e Ética: conhecer e aplicar com ética a legislação e os atos normativos no âmbito do exercício da profissão (3B); Autoaprendizagem: aprender de forma autônoma e lidar com situações e contextos complexos, atualizando-se em relação aos avanços da ciência, da tecnologia e aos desafios da inovação (5D); Desenvolvimento de Hardware: conceber, projetar, fabricar e testar produtos eletrônicos, escolhendo os melhores processos, métodos e técnicas para o desenvolvimento de um produto eletrônico (6C); Programação de Dispositivos: organizar, codificar, programar, implementar e testar algoritmos para microcontroladores e lógicas para FPGAs, escolhendo os melhores processos, métodos e técnicas para o desenvolvimento (5C); Instrumentação: implementar, escolher e testar circuitos para leitura de sensores, conhecendo os princípios de instrumentação e condicionamento de sinais (5B); Conectividade: implementar, escolher e testar sistemas de comunicação, conhecendo os princípios de redes e transmissão de dados (5B).

A carreira

No Brasil, os salários são em média de 7500 reais. As áreas de atuação são amplas e como exemplo estão: biomedicina, tecnologia de informação, telecomunicações, automação industrial, computação, automobilística, agrícola, microeletrônica, construção naval e até mesmo petróleo e gás. No exterior, países como Estados Unidos, China, Alemanha e japão são os que mais contratam profissionais da área.

Ver também

Engenharia elétrica Engenharia eletrotécnica

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