Jefferson de Oliveira Galvão (São Vicente, 2 de janeiro de 1983), mais conhecido simplesmente como Jefferson, é um empresário e ex-futebolista brasileiro que atuava como goleiro.
Apelidado de Homem de Gelo, tamanha sua frieza durante os jogos e treinos, foi considerado um dos melhores goleiros do Brasil de sua época, especialmente durante a década de 2010. O arqueiro iniciou a carreira profissional no Cruzeiro e chegou a se aventurar pelo futebol europeu, atuando em duas equipes da Turquia, mas tornou-se ídolo no Botafogo, clube que defendeu por doze anos, entre 2003 e 2005, antes de ser negociado com o Trabzonspor, e depois de 2009 a 2018. Com 459 partidas pelo Glorioso, Jefferson é o terceiro jogador que mais vezes vestiu a camisa do Botafogo, atrás apenas dos dois maiores atletas da história do alvinegro, Nilton Santos e Garrincha. É também o recordista de aparições no Estádio Nilton Santos, com 148 jogos disputados.
Pelo Botafogo, foi três vezes campeão estadual e conquistou também a Série B. Durante sua segunda passagem pela equipe carioca, foi eleito por duas vezes o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro, em 2011 e 2014. Também em duas ocasiões, foi considerado o melhor de sua posição no Campeonato Carioca, em 2010 (ano em que recebeu também o prêmio de melhor jogador da competição) e 2013. Após anúncio no início do ano, aposentou-se do futebol profissional no dia 26 de novembro de 2018, aos 35 anos, depois de três temporadas perseguido por lesões que o impediram de jogar regularmente.
Jefferson também foi goleiro da Seleção Brasileira, a qual defendeu em 22 oportunidades. Foi tricampeão do Superclássico das Américas, com destaque para a edição de 2012, quando foi pela primeira e única vez o capitão do Brasil no jogo de ida, e para a conquista de 2014, quando pegou um pênalti cobrado por Lionel Messi. Em competições oficiais, foi o goleiro titular na Copa América de 2015 e, como reserva, conquistou o título da Copa das Confederações de 2013 e disputou a Copa do Mundo de 2014, tornando-se o 47.º jogador do Botafogo a disputar o Mundial pela Seleção.
Infância e juventude Jefferson passou a infância no interior de São Paulo, nas cidades de São Vicente, onde nasceu, e Assis, para onde se mudou aos seis anos de idade e iniciou sua história no futebol. Criado sem o pai, é filho de Sônia Maria de Oliveira, copeira no Fórum de Assis, e caçula de outros três irmãos. Sem condições financeiras, a família chegou a sofrer com os abusos e agressões do então padrasto de Jefferson, que batia em sua mãe, até que eles se mudaram para um pequeno apartamento de três cômodos em um conjunto habitacional chamado Cohab (Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo), no qual Jefferson precisava dormir no corredor a fim de priorizar as mulheres da casa. Apesar de todas as dificuldades, o goleiro garante nunca ter passado fome.
Ainda muito jovem, antes de adentrar o mundo do futebol, o goleiro chegou a ser artista circense, fazendo bico como assistente de palhaço para ajudar a família financeiramente. Segundo o jogador, os momentos no picadeiro contribuíram para que ele se afastasse do crime e das drogas. Aos 10 anos, com facilidade para correr e a elasticidade adquirida no circo, Jefferson chegou a praticar atletismo, como velocista, e fazia capoeira. No início da adolescência, escolheu se dedicar exclusivamente ao futebol, quando já frequentava a escolinha do professor Clélio Augusto Vieira.
Carreira Categorias de base Considerado um dos melhores goleiros do Brasil, Jefferson começou a sua trajetória no futebol, curiosamente, como atacante, nas divisões de base da Ferroviária de Assis, clube do interior de São Paulo. À época, ele acreditava que a posição de goleiro não rendia frutos, uma vez que os atacantes "ganhavam melhor e eram mais famosos". Ainda no time paulista, porém, foi convencido a trocar de função devido à sua estatura elevada.
Em 1997, aos 14 anos, se transferiu para o Cruzeiro. Apesar de já ter mudado para a posição de goleiro, no dia em que foi descoberto por olheiros do clube mineiro, em um torneio amistoso em Foz do Iguaçu, Jefferson estava atuando na linha porque o meia-esquerda da Ferroviária não pôde participar da competição. Ainda assim, o treinador Clélio Augusto Vieira convenceu os observadores cruzeirenses a levá-lo para um período de testes. Após disputar um mundialito amistoso pela Raposa, em Alegrete, o goleiro foi aprovado e integrado às categorias de base do Cruzeiro.
Três anos depois, ganhou a oportunidade de treinar durante uma semana ao lado da equipe profissional. Seu desempenho agradou e o técnico Luiz Felipe Scolari decidiu promovê-lo definitivamente, mesmo contra a pressão de alguns dirigentes. Segundo Felipão, o goleiro estava sendo vítima de preconceito racial.
Cruzeiro Jefferson jogou pelo time mineiro de 2000 a 2002. Sua estreia como profissional aconteceu no dia 23 de agosto de 2000, contra o Bahia, na Fonte Nova, em duelo válido pela Copa João Havelange. Aos 17 anos, o goleiro encarou o desafio após as lesões dos concorrentes André Döring e Rodrigo Posso. Por ser muito novo, a diretoria do Cruzeiro contratou o goleiro Fabiano, emprestado pela Portuguesa. No entanto, Jefferson permaneceu em alta com o técnico Felipão e fechou o ano com 17 partidas pela equipe mineira.
Ao final da temporada de 2000, no entanto, o Cruzeiro contratou Bosco para o gol e Jefferson voltou à reserva no ano seguinte. Do banco dos suplentes, foi campeão da Copa Sul-Minas de 2001, mas fez apenas nove partidas ao longo do ano. No início de 2002, Jefferson voltou ao posto de titular e faturou o bicampeonato da Copa Sul-Minas, assim como o título do Supercampeonato Mineiro. Contudo, perdeu espaço na equipe após a chegada do técnico Vanderlei Luxemburgo, que preferia Gomes, dois anos mais velho. Sua situação no Cruzeiro se complicou de vez principalmente após a atuação vexatória na final da Copa dos Campeões de 2002, contra o Paysandu. Na derrota por 4–3, ele foi acusado de ter falhado em pelo menos três dos quatro gols sofridos. Sem clima no clube, foi emprestado inicialmente ao América-SP, onde ficou cerca de dois meses sem nunca ter estreado.
Botafogo: primeira passagem Ainda no primeiro semestre de 2003, aos 20 anos de idade, foi emprestado ao Botafogo para a disputa da Série B. Apresentado no dia 20 de março ao lado do meia Daniel, o goleiro chegou ao clube sob desconfiança, pouco conhecido pela torcida alvinegra. Apesar da pouca idade do jogador, o Jornal dos Sports chegou a questionar sua contratação em uma coluna de opinião, lembrando que, no Cruzeiro, Vanderlei Luxemburgo "ficava de cabelo em pé quando escalava o goleiro, tal a insegurança que ele passava para o time". Jefferson, no entanto, demonstrava otimismo em sua apresentação ao explicar porque aceitara a proposta do Botafogo.
Ainda assim, iniciou sua trajetória como reserva de Max, disputando apenas duas partidas em sua primeira temporada. Assumiu a titularidade no gol alvinegro em 2004 e, mesmo com a péssima campanha da equipe no retorno à Série A, conseguiu destaque com boas atuações. No ano seguinte, o goleiro continuou sendo um dos principais nomes do Botafogo e já sonhava com a Seleção Brasileira. Em junho, deixou o clube carioca rumo à Europa, onde acreditava que teria mais chances de ser convocado para a Seleção.
Futebol turco Em junho de 2005, acertou sua transferência para o Trabzonspor, como substituto do goleiro australiano Michael Petković. Sua primeira partida foi logo nas eliminatórias da Liga dos Campeões, em derrota por 3–1 contra o Anorthosis, do Chipre. Já a estreia no Campeonato Turco foi diante do Kayserispor, em vitória por 2–1. Com o time da Trebizonda, ainda jogou a Copa da UEFA de 2006–07 e terminou em quarto lugar por duas vezes na liga nacional, nas edições de 2005–06 e 2006–07. Sua passagem pelo clube foi marcada por muitas dificuldades e perseguição do técnico bósnio Vahid Halilhodžić, que afirmou claramente para Jefferson que "não gostava de brasileiros". Sem ser relacionado muitas vezes, o goleiro ficou marcado por um episódio de clara discriminação: em uma partida, precisou substituir o goleiro titular que fora expulso e ainda pegou um pênalti. No jogo seguinte, porém, não foi relacionado sequer para o banco de reservas.
Após três temporadas no Trabzonspor, transferiu-se para outro time do país, o Konyaspor, assinando contrato de um ano de duração. Ao final do Campeonato Turco de 2008–09, porém, o clube foi rebaixado. Durante os quatro anos em que atuou na Europa, Jefferson foi titular em apenas dois. Segundo o goleiro, a experiência na Turquia, apesar de difícil, foi importante para seu crescimento profissional.
A volta ao Botafogo Em meados de 2009, Jefferson se desligou do Konyaspor e voltou ao Brasil sem contrato com nenhum clube. Apesar da preferência pelo Botafogo, o goleiro não conseguiu fechar negócio na primeira tentativa com o time alvinegro.
Sem time, o goleiro passou dois meses treinando por conta própria em São José do Rio Preto, no interior paulista. Em agosto, Jefferson acertou definitivamente seu retorno ao clube carioca. O status do goleiro não era alto: Jefferson chegou ao Botafogo na condição de reserva e com vínculo de apenas quatro meses. Após cinco partidas, porém, logo teve seu contrato renovado.
Sua reestreia pelo Glorioso foi em um clássico contra o Fluminense, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. O arqueiro foi o destaque da partida com grandes intervenções e belas defesas. Como Castillo vinha cometendo diversas falhas e Renan estava parado por conta de uma lesão no púbis, Jefferson conquistou seu espaço como titular na meta alvinegra. Na reta final daquele ano, salvou a equipe em diversas partidas e ajudou o clube a evitar o rebaixamento.
Em 2010, na semifinal da Taça Guanabara contra o Flamengo, fez uma defesa milagrosa em chute de Vágner Love à queima roupa, ajudando o alvinegro a derrotar o maior rival por 2–1. Na decisão da Taça Rio, novamente contra o Flamengo, defendeu um pênalti do atacante Adriano, garantindo o título do Campeonato Carioca por antecipação. Logo após a conquista, o goleiro acertou a renovação com o Botafogo até o final do ano de 2012. No segundo semestre, graças às suas boas atuações pelo Glorioso, foi convocado para a Seleção Brasileira pelo técnico Mano Menezes, tornando-se o primeiro jogador do Botafogo a chegar à Seleção em 12 anos. Desde a Copa do Mundo de 1998, quando o zagueiro Gonçalves e o atacante Bebeto foram convocados, o clube não tinha um representante na seleção.
Em 2011, o Botafogo não conseguiu conquistar nenhum título. Mesmo assim, Jefferson continuou se destacando e recebeu propostas para deixar o alvinegro. O Milan, da Itália, chegou a fazer uma sondagem para que Jefferson se tornasse o substituto de Dida, mas ele permaneceu no clube carioca. No mesmo ano, estreou como titular na Seleção Brasileira e renovou com o Botafogo até 2014. Valorizado, seu salário aumentou 150% desde seu retorno ao time carioca.
right||280px|thumb|Jefferson durante um Clássico Vovô em 2013. No dia 15 de julho de 2012, completou 250 jogos pelo Botafogo contra o Fluminense, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. No dia 20 de janeiro de 2013, na vitória sobre o por 3–0, válida pela primeira rodada da Taça Guanabara, o goleiro se tornou o recordista de jogos pelo Botafogo no Engenhão, com 108 partidas pelo clube no estádio. No dia 17 de julho, recebeu uma luva estilizada como homenagem pelos 300 jogos com a camisa do Botafogo, marca alcançada três dias antes, em duelo contra o , pelo Campeonato Brasileiro. Ao longo do ano, o goleiro teria recebido diversas sondagens de clubes europeus, como Napoli e Roma, da Itália, e Manchester United, da Inglaterra, mas nenhuma proposta concreta aconteceu.