thumb|350px|Gravura de Toyahara Chikanobu (1838 - 1912), feita em 1878, mostrando o Imperador Meiji (sentado no centro) e sua esposa a Imperatriz Shoken (sentada a seu lado). são acompanhados na parte superior (da esquerda para a direita) pelos kami Izanami, Kunitokotatchi e Izanagi, e à sua direita pelos kami Amaterasu (na parte superior, carregando os Tesouros Sagrados), Ninigi (neto de Amaterasu, à direita desta) e o Imperador Jimmu (1º Imperador do Japão, portando o arco coroado com a águia), juntamente com a Imperatriz Go-Sakuramachi (117º Imperador, à esquerda do Imperador Jinmu e desenhada como homem na gravura) e o Imperador Komei (121º Imperador, à esquerda da Imperatriz Go-Sakuramachi). À sua esquerda acompanham-no os kami Hiko-hohodemi (filho de Ninigi e avô do Imperador Jimmu, vestido de branco) e Ugayafukiaezu (neto de Ninigi e pai do Imperador Jinmu, vestido de amarelo), assim como o Imperador Go-Momozono (118º Imperador, vestido de vermelho), o Imperador Kokaku (119º Imperador, vestido de negro) e o Imperador Ninko (120º Imperador, vestido de verde). Durante a instituição do xintoísmo estatal promoveu-se e elevou-se a divindade do Imperador, como essência da unidade da nação, criando uma árvore genealógica que remonta até ao primeiro imperador e daí às divindades mais importantes da mitologia japonesa.

O foi a denominação da ideologia promovida pelo governo do Japão, desde inícios da era Meiji até à Segunda Guerra Mundial e que se baseava inicialmente na prática sustentada do xintoísmo, com a fusão dos ritos realizados na Corte Imperial e os ritos realizados nos santuários, e que se transformou na religião de Estado do Império do Japão.Sakamoto Koremaru. State Shinto no Encyclopedia of Shinto de Kokugakuin. 28 de Fevereiro de 2007. Esta ideologia teve um carácter nacionalista e culturalmente conservador, com a reconstrução dos originais e puros costumes nacionais antes da chegada dos sistemas de crenças de fé estrangeiros (budismo, confucionismo, taoísmo, cristianismo) ao Japão. No entanto, há discrepâncias sobre se o xintoísmo estatal é propriamente uma religião independente já que tal não está claramente comprovado tanto historicamente como no âmbito religioso-científico; mais é uma ordem moral, ética e de respeito com toques de misticismo. Segundo o historiador Kuroda Toshio, a concepção do xintoísmo como uma religião nativa só se desenvolveu com a aparição do Kokugaku por Motoori Norinaga.Kuroda Toshio: “Shinto into the History of Japanese religion”: Religion of Japan in Practice de George J. Tanabe (Hrsg.), Princeton University Press 1999, ISBN 0-691-05788-5, pág. 451-467 Esta opinião, não obstante, não está considerada sob algumas circunstâncias sobre a delimitação do xintoísmo como religião ou como um costume secular.Ian Reader: “Dichotomies, Contested of term and Contemporary Issues into the Study of religion”: Electronics Journal of Contemporary Japanese Studies, Discussion Paper 3. 2004

O termo "xintoísmo estatal" não foi originalmente um termo japonês, e começou a mencionar-se em finais do século XIX fora do Japão por nipólogos estrangeiros. A sua tradução para a língua japonesa não se fez oficial até ter terminado a Segunda Guerra Mundial, para descrever num sentido amplo estes ideais, ritos e instituições xintoístas criados pelo governo para promover a divindade do Imperador do Japão e a identidade nacional japonesa (kokutai)Kodansha, Encyclopedia of Japan e distingui-la do xintoísmo praticado desde a pós-guerra até hoje em dia, convertida numa das tantas religiões que existem no Japão e que só se limita aos santuários. Com a promulgação da de 15 de Dezembro de 1945, o xintoísmo estatal foi definido de maneira clara nesse documento como "o ramo do xintoísmo que se diferencia por lei do xintoísmo de seita". Os éditos e disposições administrativas que inspiraram a criação do xintoísmo estatal como tal foram: A separação em 1882 dos papéis de missionário do Estado e dos sacerdotes xintoístas; A criação da em 1900 que desagregava a administração dos santuários de outras instituições religiosas.

Como consequência destas duas iniciativas administrativas, o foi considerado como sinónimo do xintoísmo estatal ou do xintoísmo nacional, e a supervisão e administração dos santuários e ritos xintoístas eram um assunto nacional de grande importância. Entre as medidas administrativas mais importantes contam-se a fundação de um a partir dos fundos estatais, a apresentação de a santuários municipais, prefeiturais e de outros tipos, e a sistematização de ritos e sacerdotes dos santuários xintoístas. Estes sistemas mantiveram-se através da promulgação de leis e medidas administrativas de vários tipos, mas tecnicamente não havia um marco legal sistemático oficial que os definisse totalmente. Os sistemas formaram-se através da promulgação de uma série de leis individuais e estratégias administrativas. Em consequência, o xintoísmo estatal foi em termos de legalidade extremamente instável. De facto, o governo procurou de maneira sustentada a unificação dos diferentes sistemas de santuários e conformar um marco legal universal, mas foi em vão. Como parte dos seus esforços para criar um sistema unificado, o governo também convocou numerosos comités de investigação. O mais importante foi o estabelecido em 1929, que procurava conduzir uma revisão drástica das disposições administrativas aos santuários. Entre as propostas, apoiava-se na administração de santuários como o santuário Yasukuni por um lado e a criação do por outro.

Em 1868, com o estabelecimento do governo Meiji, foi estabelecida a liberdade de culto com certas condições e formou-se um organismo governamental que concentrou todos os assuntos religiosos e a sua administração com o fim de fazer cumprir a ordem governamental de separar o budismo do xintoísmo; posteriormente em 1871, todos os santuários xintoístas no Japão converteram-se em propriedade do governo central (subordinados ao Ministério do Interior ou ao Ministério da Educação). Após a rendição japonesa na Segunda Guerra Mundial, o Comandante Supremo das Forças Aliadas dissolveu este complexo sistema, pondo fim ao xintoísmo estatal.

Bibliografia

Referências

Categoria:Império do Japão Categoria:Xintoísmo