thumb|Uma das primeiras páginas de Little Nemo.

Comics é uma expressão de origem inglesa que pode ser traduzida como "cómicos" e que designa as bandas desenhadas (histórias em quadrinhos) produzidas nos Estados Unidos.

Isto explica-se pelo facto de que, originalmente, naquele país os "comics" traziam apenas comédia nos seus enredos. Entretanto, hoje em dia eles tratam de géneros variados como ação e romance. A palavra é usada nos Estados Unidos para descrever qualquer história em quadradinhos, mas em países lusófonos é mais usada quando se refere a histórias norte-americanas e seu estilo característico de desenho. Comics geralmente são coloridos e ricos em detalhes.

Entre as editoras mais conhecidas estão a Marvel Comics e a DC Comics.

Uma das formas de publicação dos comics são os comic book (conhecidos no Brasil como "gibis" ou "revistas de histórias em quadrinhos"), geralmente pequenas revistas que desde 1975 tiveram seu formato padronizado no tamanho 17 x 26 cm (chamados no Brasil de "formato americano" pois as dimensões das revistas mais populares nesse país eram menores, devido a isso chamadas de "formatinho"). No passado as revistas tinham dimensões maiores. Um comic book equivale a meio tablóide.

Os "comic book" ou revistas em quadrinhos começaram a circular por volta de 1934, com os Estados Unidos liderando as publicações. Outros países em que essas revistas alcançaram grande número de leitores foram o Reino Unido (durante o período entre-guerras e até os anos de 1970) e o Japão (onde são conhecidos popularmente como mangás).

No Brasil, os quadrinhos americanos obtiveram grande aceitação durante décadas, angariando grande número de leitores e influenciando os artistas do gênero no país.

As vendas das revistas em quadrinhos começaram a declinar nos Estados Unidos após o término da II Guerra Mundial, sofrendo a competição da televisão e a massificação da literatura popular.Himmelweit, Hilde et al. Television and the Child (Publicação da Universidade de Oxford, Londres, 1958) p.36 Nos anos de 1960s, o público dos "comic books" se expandiu com a adesão dos universitários que estavam interessados no naturalismo representado pelos "super-heróis no mundo real", onda lançada por Stan Lee da Marvel Comics. Outro fenômeno popular dessa década foram os quadrinhos underground.

História Primeiras revistas e a Era de Platina thumb|The Yellow Kid

O desenvolvimento dos quadrinhos americanos deu-se por estágios, editores lançaram coletâneas de tiras de quadrinhos produzidas desde 1833 em livros de capa dura. The Adventures of Obadiah Oldbuck (Histoire de M. Vieux Bois no original) de Rodolphe Töpffer, que apareceu em Nova Iorque em 1842, é o primeiro exemplo de publicação do gênero em inglês.Coville, Jamie. "History of Comic Books Victorian and Platinum Ages", TheComicBooks.com, n.d.

O sucesso da revista satírica britânica Punch, lançada em 1841, deu origem as americanas Puck, Judge, and Life.Nordling, Lee (1995). Your Career In The Comics. Andrews McMeel Publishing. ISBN 978-0-8362-0748-4.

Em 1892 surge a tira The Little Bears and Tigers de James Swinnerton.

A Companhia G. W. Dillingham publicou o primeiro "proto-comic-book" conhecido no Estados Unidos, The Yellow Kid in McFadden's Flats, em 1897. O material não era inédito – apareceu em tiras de 18 de outubro de 1896 a 10 de janeiro de 1897 numa sequência chamada de "McFadden's Row of Flats" – do cartunista Richard Felton Outcault da tira Hogan's Alley. O protagonista é um personagem chamado Yellow Kid ou "Menino Amarelo". Com 196 páginas em quadrinhos e publicação em preto e branco e um texto introdutório de E. W. Townsend. O neologismo em inglês "comic book" apareceu na segunda capa.Coville, Jamie. "The History of Comic Books: The Platinum Age 1897 - 1938" Durante muito tempo, o termo funnies era usado para definir tiras de jornal, já que as primeiras tiras eram de humor.

Outras publicações se seguiram no país, como a primeira revista em quadrinhos colorida (The Blackberries, de 1901). As revistas começaram a circular mensalmente a partir de 1922.

Desde março de 1897, mais uma vez a mão Hearst, as tiras foram recolhidos, aparecendo pelo menos 70 coleções única entre 1900 e 1909.

No final da década de 1920 surgem as chamadas tiras de aventura dos personagens Tarzan e Buck Rogers, ambos surgidos nas revistas pulp.

Fãs e historiadores chamam esse período (1897-1937) de Era de Platina

The Funnies e Funnies on Parade Em 1929 a Dell Comics (fundada por George T. Delacorte Jr.) publicou The Funnies ("Os divertidos"), descrita na Biblioteca do Congresso como um pequeno suplemento de jornal no formato tablóide.U.S. Library of Congress, "American Treasures of the Library of Congress" exhibition (Não confundir com a revista em quadrinhos do mesmo nome lançada pela Dell em 1936). The Funnies gerou 36 publicações, lançadas aos sábados até 16 de outubro de 1930.

Em 1933, o vendedor Maxwell Gaines, o gerente de vendas Harry I. Wildenberg e o proprietário George Janosik da companhia Eastern Color Printing de Waterbury (Connecticut) – que dentre outras coisas haviam publicado sessões de tiras em quadrinhos dominicais – lançaram Funnies on Parade ("Desfile dos divertidos") como uma forma de manter as publicações em alta. Como The Funnies mas com apenas oito páginas numa revista inédita. Apesar do material original, contudo, foram republicados em cores sob a licença da McNaught Syndicate e do McClure Syndicate. As tiras incluiam os populares trabalhos dos cartunistas Al Smith (Mutt e Jeff), Ham Fisher (Joe Palooka) e Percy Crosby (Skippy). Não eram vendidas em bancas mas como promoções dos consumidores que colecionavam cupons nos produtos da Procter & Gamble. Foram impressas dez mil cópias. A promoção foi um sucesso e a Eastern Color produziu similares para a industria de bebidas Canada Dry, Kinney Shoes (sapatos), Wheatena (cereais) e outros, chegando a casa de 100 000 a 250 000 exemplares.

Famous Funnies e New Fun thumb|left|The Funnies #1, Dell Comics, outubro de 1936 thumb|Capa de Detective Dan Secret Operative 48, 1933.

Em 1933, Gaines e Wildenberg cooperaram com a Dell na publicação das 36 páginas de Famous Funnies: A Carnival of Comics, que os historiadores elegem como a primeira verdadeiramente revista em quadrinhos americana; o historiado Ron Goulart, por exemplo, declara que essa foi um marco do lucrativo segmento da publicação de revistas.Goulart, Ron (2004). Comic Book Encyclopedia. New York: Harper Entertainment. ISBN 978-0060538163 Porém, não se sabe se a revista era vendida ou distribuída gratuitamente pois não havia preço na capa. A Humor Publications lança as revistas The Adventures of Detective Ace King, Bob Scully, The Two-Fisted Hick e Detective Dan, Secret Operative No. 48, trazendo os primeiro heróis de aventura criados exclusivamente para revistas em quadrinhos, as três duraram apenas uma edição, contudo, apenas Dan Dunn (nitidamente parecido com Dick Tracy), criado por Norman Marsh para Detective Dan, Secret Operative No. 48,Jones, Gerard. Homens do Amanhã - geeks, gângsteres e o nascimento dos gibis. [S.l.]: Conrad Editora, 2006. ISBN 85-7616-160-5 tendo continuações em tiras de jornal, distribuídas pela Publishers Syndicate. Em 1942, após discutir com o Publishers Syndicate e ir para a Marinha, Marsh foi substituído por Allen Saunders (roteiro) e Paul Pinson (desenhos), logo em seguida, Pinson foi substituído por Alfred Andriola, no ano seguinte, a série é cancelada e substituída por outra sobre detetives, Kerry Drake, produzida por Saunders e Andriola.Saunders, Allen. Junho de 1983. Autobiography "Playwright for Paper Actors," Nemo, the Classic Comics Library, no. 4-7, 9, 10, 14, 18, 19.

A Eastern Color começou a publicar Famous Funnies #1 (data da capa, julho de 1934), 68 páginas vendidas por 10 centavos, depois do fim da cooperação anterior com a Dell. Vendida em bancas de jornais e, mesmo no período da "Depressão", a revista foi um sucesso e garantiu lucros para a Eastern Color. Famous Funnies teve 218 edições, inspirou imitadores e deu início a uma nova forma de mídia impressa em massa.

Com a diminuição na produção de tiras, as revistas em quadrinhos começaram a trazer material original, desenhados no mesmo formato. Era inevitável que uma revista com material totalmente inédito não tardasse a aparecer. Malcolm Wheeler-Nicholson fundou a National Allied Publications – o embrião da DC Comics – e lançou New Fun Comics #1 (fevereiro de 1935). Lançado como tablóide, 36 páginas. Era uma antologia que misturava humor (os animais de "Pelion and Ossa" e o ambiente universitário de "Jigger and Ginger") com as histórias dramatizadas (como o faroeste "Jack Woods" e o "inimigo amarelo" nas aventuras de "Barry O'Neill", com um vilão no estilo de Fu Manchu chamado Fang Gow). A revista #6 (outubro de 1935) trouxe a estreia dos artistas Jerry Siegel e Joe Shuster, futuros criadores do Superman, que começaram a carreira com o mosqueteiro "Henri Duval" e, sob o pseudônimo de "Leger and Reuths", o lutador sobrenatural contra o crime chamado Doutor Oculto.

Super-heróis e Era de Ouro

thumb|Página do fanzine "Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization", trazendo o conto ilustrado The Reign of the Superman de Jerry Siegel e Joe Shuster, 1933Em 1938, após Wheeler-Nicholson ser afastado dos negócios por seu sócio Harry Donenfeld, o editor Vin Sullivan, da National Allied, escolheu uma criação de Jerry Siegel e Joe Shuster para estampar a capa da revista Action Comics #1 (junho de 1938). Embora fosse uma história secundária na edição, a figura do herói alienígena disfarçado, o Superman, chamou a atenção. Vestindo roupas coloridas e uma capa inspirada nos artistas de circo, o personagem tornou-se o arquétipo dos super-heróis que viriam depois. A primeira versão do Superman, no entanto, surgiu em 1933 como um vilão careca na terceira edição do fanzine Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization, em um conto ilustrado chamado The Reign of the Superman.

A revista Action Comics se tornaria um fenômeno editorial, sendo a segunda com maior número de edições da história dos quadrinhos norte-americanos, ficando atrás apenas de Four Color da Dell Comics, que publicou cerca de 860 edições. O sucesso de Superman impulsionou os editores da National Comics Publications (futura DC Comics) a buscar mais super-heróis. Assim, em 1939, Bob Kane e Bill Finger criaram o Batman, que estreou em Detective Comics #27 (maio de 1939).Daniels, Les. Batman: The Complete History. Chronicle Books, 1999. , p. 18

O período entre o final da década de 1930 e o fim dos anos 1940 é conhecido pelos estudiosos como a Era de Ouro dos quadrinhos. As tiragens eram gigantescas: Action Comics e Captain Marvel vendiam mais de meio milhão de cópias mensais. Durante a Segunda Guerra Mundial, os quadrinhos se tornaram uma forma de entretenimento acessível e extremamente popular, especialmente entre os soldados. Estima-se que mais de 90% dos jovens entre sete e dezessete anos liam quadrinhos no início dos anos 1940.

Em 1941, surgiu a primeira grande super-heroína: a Mulher-Maravilha, criada por William Moulton Marston e H. G. Peter. Ela estreou em All Star Comics #8 (dezembro de 1941) e ganhou uma revista própria em 1942, Sensation Comics. No mesmo período, a editora MLJ lançou Pep Comics, que começou como uma antologia de super-heróis e aventura, mas ganhou notoriedade ao introduzir o personagem Archie em 1942. O sucesso foi tanto que a editora mudou seu nome para Archie Comics.