A fronteira entre Noruega e Rússia é um limite territorial de 195,7 km de extensão situado entre o município de Sør-Varanger, na Noruega, e o Distrito de Pechengsky, na Rússia, incluindo uma fronteira marinha de 23,2 km no fiorde de Varanger. A região fronteiriça consiste ainda em um limite situado no mar de Barents e no Oceano Ártico, como parte da Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Situada acima do Círculo Polar Ártico, no norte da Lapônia, é a fronteira terrestre europeia mais setentrional.

Storskog é a única passagem de fronteira por terra entre os dois países, com acesso pela rodovia europeia E105, entre Sør-Varanger, Noruega, e Borisoglebsky, Rússia. O lado norueguês é patrulhado pela Guarnição de Sør-Varanger e está sob a jurisdição do Comissário Norueguês das Fronteiras, enquanto o lado russo é patrulhado pelo Serviço de Guarda de Fronteiras da Rússia. Dois terços da fronteira seguem dois rios, o Paatsjoki e o Jakobselva.

A fronteira foi inicialmente definida como uma marca pelo Tratado da Novogárdia de 1326, o qual estipulava uma divisão dos tributos arrecadados dos povos lapões pela Noruega e pela Rússia, criando um tipo de zona-tampão entre os dois países. A região fronteiriça foi criada por um Tratado de 1826 e permanece essencialmente a mesma até a atualidade.

Em 1920, pelo Tratado de Tartu, a região de Petsamo foi cedida à Finlândia e o local tornou-se parte da fronteira entre Finlândia e Noruega. Em 1944, Petsamo foi cedida à União Soviética, o que permitiu o estabelecimento da fronteira entre Noruega e União Soviética.

Durante a Guerra Fria, a fronteira serviu para se criar a delimitação entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a União Soviética. De 1991 a 1999, era a única fronteira entre a Rússia e a OTAN. Desde 1960 houve discordância sobre a fronteira entre Noruega e Rússia, mas a questão foi resolvida após um acordo de delimitação assinado em 2010.

História Abertura da fronteira thumb|250px|Mapa das fronteiras nacionais e municipais da Noruega A partir do século XI, o rei Olavo III da Noruega passou a considerar as fronteiras norueguesas para chegar ao mar Branco. Contudo, os primeiros noruegueses começaram a se mudar para Finnmark apenas no século XIII. A fortaleza Vardøhus foi erguida pela Noruega em 1300 mais à leste da fronteira terrestre estabelecida atualmente, apoiando a apropriação da terra pelos noruegueses. Contudo, não houve assentamentos permanentes de noruegueses na península de Kola.

Em 1326, a Noruega e a República da Novogárdia assinaram um acordo sobre a tributação da península de Kola e de Finnmark. Nenhuma linha de fronteira foi traçada, criando uma marca de fronteira na qual ambos os países detinham o direito de tributação dos lapões.Johanson 1999, p. 15 A colonização russa das áreas conjuntamente tributadas por motivação religiosa começou no século XVI, quando capelas russo-ortodoxas foram construídas em Neiden, na Noruega, e em Pechanga e Borisoglebsky, na Rússia. Esse fato acelerou a necessidade de uma linha de fronteira específica.

Em 1582, o czar russo Ivan, "o Terrível", declarou a baía Kola como parte do território russo; posteriormente, reivindicou todo o território da Lapônia. Propôs ainda que uma nova linha de fronteira fosse criada. Diante disso, Frederico II, então rei do Reino da Dinamarca e Noruega, respondeu renovando a reivindicação norueguesa de todas as terras até o mar Branco. Seu sucessor, o rei Cristiano IV, viajou ao longo da costa de Finnmark em 1599 para aumentar o peso das reivindicações. Como parte do Tratado de Knäred de 1613, a Suécia, por seu turno, abandonou todas as reivindicações à Finnmark. thumb|250px|esquerda|Em rosa, território cedido pela Rússia à Noruega em 1826. O governo dano-norueguês tomou a iniciativa de estabelecer uma linha de fronteira em 1789. As autoridades russas concordaram com a proposta, mas por causa da Guerra Russo-Turca, nenhum avanço foi realizado sobre essa questão. Novas solicitações dano-norueguesas foram realizadas em 1793, 1797 e 1809, sem ação do seu homólogo russo.

Em 1814, Noruega e Suécia firmaram uma união e, dois anos depois, o rei Carlos João da Suécia novamente tentou retomar as negociações com os russos, sem sucesso. Em 1825, no entanto, uma comissão comum entre noruegueses e russos foi criada para desenhar uma linha de fronteira, resultando em um relatório e um mapa que foi aprovado pelas autoridades de ambos os países. O Tratado foi assinado em São Petersburgo em 14 de maio de 1826, e os seguintes pólos fronteiriços foram estabelecidos ao longo da fronteira: o princípio de talvegue foi seguido nos rios Jakobselva e Pasvikelva; os marcos de fronteira foram colocados ao longo das terras delimitadas a uma distância de 6 alen ou 5 arshin (3.765 m ou 12.352 pés). O local permanece como a fronteira inalterada mais nova da Noruega e a mais velha da Rússia.

O território fronteiriço foi revisado em 1846, sendo que moledros foram construídos na colina de Krokfjellet, e as zonas da fronteira terrestre desde o mar até Golmmešoaivi foram alteradas. O marcador na foz do rio Jakobselva foi derrubado e posteriormente teve de ser reconstruído, enquanto vários outros tiveram que ser reparados. Foi acordado que haveria uma revisão a cada vinte e cinco anos, tendo sido formalizado no ano seguinte através de uma declaração. Alguns marcadores foram reparados em 1857 e novas avaliações foram realizadas em 1871 e 1896. Neste último ano, a largura da área desmatada aumentou para 8 m (26 pés). Mapas foram criados para toda a linha de fronteira em escala de 1:42.000, e em escala de 1:8.400 para as áreas imediatamente em torno de cada marcador. Uma revisão parcial foi realizada entre Neiden e o rio Tana em 1912. Até a década de 1940, a fronteira tinha sido aberta e não havia controle, de modo que agricultores da pequena aldeia de Grense Jakobselv, por exemplo, não precisavam se preocupar se seus gados ficavam no lado correto da fronteira.Johanson 1999, p. 17 thumb|200px|Petsamo foi cedida pela Rússia à Finlândia em 1920, e depois revertida para a União Soviética por causa do Armistício de Moscou de 1944 e do Tratado de Paris de 1947. No fim do século XIX vários postos de controle aduaneiro foram instalados em Elvenes e Grense Jakobselv. Autoridades norueguesas deram permissão para o trânsito livre de mercadorias ao longo do rio Pasvikelva.Sør-Varanger Historielag 2001, p. 226 Naquela época, havia uma quantidade limitada de comércio transfronteiriço, e a importação de mercadorias de determinados volumes para uso pessoal não era taxada. Esse processo foi acelerado por preços significativamente mais baixos na Rússia em relação à Noruega.Sør-Varanger Historielag 2001, p. 227 De 1902 a 1917, a passagem de fronteira foi utilizada para contrabando da literatura revolucionária russa, quando os materiais eram impressos nas dependências do jornal local Finnmarken em Vadsø e contrabandeados por barco através da fronteira.Sør-Varanger Historielag 2001, p. 221 Durante a Primeira Guerra Mundial, seis soldados ficaram estacionados em Nyborgmoen, na comuna de Nesseby, como "guardas de neutralidade". A segurança foi aumentada gradualmente, de modo que em 1918 havia 93 soldados estacionados em Sør-Varanger para proteger a fronteira.Sør-Varanger Historielag 2001, p. 225

A Finlândia declarou sua independência da Rússia após a Revolução de Outubro, dando origem ao Tratado de Tartu de 1920, culminando na cessão da região de Petsamo à Finlândia, dando assim ao país acesso ao mar de Barents. Esse fato resultou na extinção de fronteiras comuns entre a Noruega e a União Soviética. Foi assinado um Tratado sobre a fronteira entre a Finlândia e a Noruega em 28 de Abril de 1924, substituindo o Tratado de 1826, mas não alterando a linha de fronteira. Uma nova avaliação foi realizada em 1925. A linha de fronteira na foz do rio Jakobselva foi revisada em 12 de setembro de 1931, e novos marcadores foram colocados em junho de 1939.

Fechamento da fronteira thumb|250px|esquerda|Noruegueses guardando a fronteira Finlândia-Noruega em Skafferhullet em 1940, após a eclosão da Guerra de Inverno. O Armistício de Moscou de 1944 e do Tratado de Paris de 1947 cederam Petsamo e outras regiões da Finlândia à Rússia. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Norte da Noruega serviu como área de teste para o ataque alemão à Murmansk. A União Soviética fez uma excursão ao longo da fronteira em 1944 durante a "Ofensiva Petsamo-Kirkenes", que visava extinguir as forças militares alemãs na área. As forças soviéticas tomaram a cidade de Kirkenes, que tinha sido evacuada pelos alemães por táticas de terra arrasada em 24 de outubro de 1944. As tropas soviéticas continuaram a oeste de Tana, mas se retiraram em setembro de 1945.Glantz & House 1995, pp. 229-231

A cedência de Petsamo pela Finlândia à União Soviética não teve efeito sobre a fronteira, já que a União Soviética herdaria a linha de fronteira antiga.Johanson 1999, p. 19 Uma comissão comum foi criada para a revisão da fronteira, com as negociações a decorrer de 1 a 16 de agosto de 1946. A revisão de campo decorreu entre 1 de julho e 4 de setembro de 1947. A Noruega, inicialmente, propôs o uso de moledros para demarcar a fronteira, mas a União Soviética queria usar o mesmo método utilizado ao longo de suas outras fronteiras, instalando marcadores de madeira a cada 2 metros (6,6 pés) a partir da linha de fronteira. A ideia inicialmente encontrou resistência por parte das autoridades norueguesas por razões de custo, mas logo chegaram a um acordo sobre o princípio de reduzir postos de fronteira não intencionais.Johanson 1999, p. 21 Assim, marcadores de solo foram cravados e marcadores no leito de rochas foram presos com quatro parafusos. Postos de fronteira foram estabelecidos em Skafferhullet e Borisoglebsky. Medições geodésicas foram realizadas para estabelecer a fronteira em conformidade com o elipsóide de Bessel. Além disso, toda a área de fronteira foi mapeada em escala de 1:20.000. thumb|250px|esquerda|A vila de Grense Jakobselv está localizada imediatamente no lado norueguês da fronteira. As autoridades soviéticas fizeram propostas para alterar a fronteira. A primeira delas envolvia uma troca igual de terra em Skotfoss, mas esta foi rejeitada pelas autoridades norueguesas, principalmente pelo seu valor com relação à hidroeletricidade. Em Grensefoss, a Noruega se apropriou das terras de ambos os lados da fronteira, mas não houve interesse por parte das autoridades norueguesas para mudar a fronteira. A fronteira ao longo de Klistervatn e Fossavatn foi definida com base nos mapas de 1896. Na foz do rio Jakobselva, os mapas de 1896 eram de má qualidade em combinação com o deslocamento do talvegue desde 1896. A linha de talvegue criaria problemas para a colonização de Grense Jakobselv, já que não poderiam utilizar o seu porto ou ter livre acesso ao mar.Johanson 1999, p. 22 Os países, portanto, concordaram em uma nova linha com base numa proposta da Noruega, em troca de a União Soviética receber três ilhotas, incluindo Kistholmen e Brennholmen, no rio Pasvik. A fronteira marítima nas águas territoriais foi estabelecida através de um protocolo assinado em 15 de fevereiro de 1957. A fronteira foi demarcada com dois marcadores de chumbo e originalmente se estendia por 4 milhas náuticas (7.4 km ou 4.6 mi).

Geografia thumb|250px|Harefossen no rio Pasvik, Rússia, na fronteira com a Noruega. O rio Pasvikelva tem 128 km (80 mi) de comprimento e atravessa o vale de Pasvikdalen. O rio drena o lago Inari e deságua no fiorde de Varanger, em Elvenes, condado de Finnmark. Depois de um pequeno trecho na Finlândia, o rio percorre 22 km (14 mi) através da Rússia antes de chegar à fronteira com a Noruega, a partir da qual torna-se um rio fronteiriço de 106 km (66 mi).