Babylon 5 é uma série de televisão norte-americana criada, produzida e escrita principalmente por J. Michael Straczynski. A série é construída em torno da estação espacial Babylon 5, um ponto central na política, diplomacia e conflitos durante os anos de 2257 — 2262. Por conta do uso efetivo de arcos de história, a é muitas vezes descrita como uma novela para a televisão.
O piloto foi transmitido nos Estados Unidos em 22 de fevereiro de 1993. Após aprovação, a transmissão regular começou em 26 de janeiro de 1994, com cinco temporadas de 22 episódios cada. A série deu origem a seis filmes para TV e um spin-off, Crusade, que estreou em 1999 e teve apenas treze episódios.
Conceito thumb| esquerda| 200px| J. Michael Straczynski, o criador da série. Já tendo trabalhado em diversas séries de TV de ficção científica cujo orçamento estourou, o criador J. Michael Straczynski concluiu que a causa era a falta de um planejamento de longo prazo e se pôs a procurar formas de criar uma série que pudesse ser realizada de maneira responsável. Aprendendo as lições de outras séries de sucesso, que traziam semanalmente histórias centralizadas em uma locação específica como um hospital, uma delegacia de polícia ou um escritório de advocacia, ele decidiu que ao invés de "[ir] em busca de mundos novos, reconstruindo-os à cada semana", uma estação espacial fixa ajudaria a manter os custos num nível razoável. Um fã de sagas como a Série da Fundação, O Fim da Infância, O Senhor dos Anéis, Lensman e Duna, Straczynski se questionou como ninguém antes havia pensado nisto e, ao mesmo tempo, começou a desenvolver o conceito para uma épico enormemente ambicioso, envolvendo enormes batalhas espaciais e outros eventos de "mudar o universo". Percebendo que tanto uma série com um local fixo e um épico poderiam ser feitos numa única série, ele então começou a rascunhar a estrutura inicial do que viria a ser "Babylon 5".
Straczynski propôs cinco objetivos para Babylon 5. Ele disse que a série "teria que ser boa ficção científica" além de ser um bom programa de TV -- "...raramente as séries são boa ficção e boa televisão; são geralmente uma coisa ou a outra". Ela também deveria fazer pela ficção científica na televisão o mesmo que Hill Street Blues tinha feito pelos dramas policiais, com uma abordagem adulta aos temas. Outro objetivo era que a série tivesse um orçamento razoável e "ser diferente de tudo o que já tinha sido visto na TV, apresentando as histórias individuais num pano de fundo muito mais amplo". Além disso, ele estressou que sua abordagem era "levar a sério [a ficção científica], construir personagens para adultos, incorporar a ciência real, mas mantendo as personagens no centro da história." Alguns dos pilares da ficção científica na TV até então estavam fora de cogitação (a série "não teria crianças ou robôs engraçadinhos"). A ideia não era apresentar uma utopia perfeita no futuro, mas um onde ainda haveria ganância e pessoas sem-teto, onde as personagens poderia crescer, se desenvolver, viver e morrer; um onde nada seria o mesmo ao final dos eventos do dia. Citando Mark Twain como uma influência, Straczynski afirmou que queria que a série fosse um espelho do mundo real e, secretamente, ensinar.
Produção Formato Descrito como uma "janela para o futuro" pelo designer de produção da série, John Iacovelli, a história se passa no século XXIII em uma enorme Colônia de O'Neill chamada "Babylon 5" - uma colônia rotativa com 2,5 milhões de toneladas e oito quilômetros de comprimento criada para ser um ponto de encontro para as espécies inteligentes da galáxia e cujo objetivo era fomentar a paz através da diplomacia, do comércio e da cooperação. Ao invés disso, funcionando como um centro de intrigas políticas e conflitos, a estação se tornou a causa de uma enorme guerra estelar. Este objetivo está declarado no monólogo de abertura de cada episódio, que começa com as palavras "A última e melhor esperança de paz" e muda para "A última e melhor esperança de vitória" na terceira temporada.
A série consiste de um arco de história coerente de cinco anos se desenrolando sobre cinco temporadas de 22 episódios cada. Ao contrário da maioria das séries de TV na época, "Babylon 5" foi concebida como uma "novela para a televisão", com um começo, meio e fim bem definidos. Em essência, cada episódio seria então um "capítulo" desta "novela". Além disso, diversas novelas impressas, histórias em quadrinhos e contos foram criados e tiveram um papel importante na história geral.
O custo da série chegou a um total de US$ 90 milhões para os 110 episódios.
Roteiro O criador e showrunner J. Michael Straczynski escreveu 92 dos 110 episódios de "Babylon 5", incluindo todos os 44 episódios da terceira e quarta temporadas de acordo com Straczynski, uma façanha nunca antes realizada na televisão americana. Outros escritores que contribuíram para a série incluem Peter David, Neil Gaiman, Kathryn M. Drennan, Lawrence G. DiTillio, D.C. Fontana e David Gerrold. Harlan Ellison, um consultor de criação, recebeu os créditos por dois episódios. Cada escritor era informado do arco de história geral, permitindo que a séria fosse produzida consistentemente dentro do orçamento. As regras de produção eram estritas: os roteiros eram escritos com antecedência de seis episódios e uma vez que a produção tivesse iniciado, não haveria mais mudanças.
Embora concebida como um todo, foi necessário ajustar a trama para acomodar algumas influências externas. Cada uma das personagens na série foram escritos com um "plano B" já pensado em seu histórico que permitisse que, caso o ator deixasse inesperadamente a série, ela pudesse ser retirado com mínimo impacto na história como um todo. Nas palavras de Straczynski, "Como um escritor criando uma história de longo prazo, seria perigoso e pouco perspicaz de minha parte construir uma história sem este plano B para cada personagem... Este foi dos grandes riscos de fazer uma história de longo prazo que eu considerei com muita antecedência...". O plano B da personagem Talia Winters era a personagem se revelar como uma agente secreta dos Psi Corps agindo de forma inconsciente observando as ações do grupo de comando da estação. Quando a atriz que representava Winters, Andrea Thompson, deixou a série, esta revelação foi utilizada para retirar a personagem da série.
A audiência de "Babylon 5" continuavam a subir durante a terceira temporada da série. Porém, logo no início da quarta temporada, a decadência da emissora (PTEN criou dúvidas sobre a existência de uma quinta (e última) temporada. Incapaz de conseguir uma resposta objetiva da empresa controladora (Warner Bros.) e não desejando mutilar a história ou decepcionar os fãs, Straczynski logo de início modificou a temporada para permitir que ambos os cenários fossem possíveis. Straczynski identificou três trilhas que precisariam ser resolvidas: a Guerra das Sombras, a transformação da Terra em uma ditadura e uma série de sub-histórias que surgiram destas duas. Estimando que teria por volta de 27 episódios para resolver a série sem que houvesse a sensação de pressa, a solução apareceu finalmente quando a TNT contratou dois filmes para TV sobre a série. Diversas horas de material foram então movimentados para os filmes, incluindo um arco de três episódios que lidariam com o contexto anterior da Guerra Terra-Minbari e a sub-história que daria impulso à série seguinte, "Crusade". Mais stand-alones e outras sub-histórias foram retiradas da quarta temporada - eles poderiam ser incluídos em "Crusade" ou numa quinta temporada se aprovada. O episódio final da série, "Sleeping in Light", foi filmando durante a quarta temporada como precaução caso houvesse o cancelamento. Quando houve a certeza de que a TNT iria prosseguir com "Babylon 5", ele foi logo colocado no final da quinta temporada e substituído por um novo episódio final para a quarta temporada ("The Deconstruction of Falling Stars").
Visual Antecipando-se às transmissões em HDTV e os lançamentos em laserdiscs, a série já foi filmada no formato 16:9 ao invés do tradicional 4:3, com a imagem sendo cortada para o padrão 4:3 para a transmissão na TV. "Babylon 5" também se destacou numa época em que miniaturas e modelos em escala era o padrão como sendo uma das primeiras séries de TV a se utilizar da computação gráfica para criação de efeitos visuais. Incrivelmente, este objetivo foi atingido utilizando-se inicialmente Video Toasters baseados na plataforma Amiga e, depois, de sistemas baseados em processadores Pentium e Alpha Ela também tentou respeitar as leis da física newtoniana suas sequências de efeitos especiais, com particular ênfase nos aspectos da inércia.
Foundation Imaging foi a responsável pelos efeitos especiais do episódio piloto (pelo qual ela recebeu um Emmy) e as primeiras três temporadas. Depois de uma sugestão do produtor-executivo (Douglas Netter) e do produtor (John Copeland) no sentido de prover os efeitos especiais internamente, Straczynski concordou em substituir a Foundation nas últimas temporadas assim que um time interno pudesse ser montado pela "Netter Digital" e um padrão de qualidade similar fosse alcançado pelo uso de uma tecnologia similar (e de uma quantidade de ex-funcionários da Foundation). A maquiagem dos alienígenas, também vencedora de Emmys, era responsabilidade da Optic Nerve Studios.
Universo ficcional A estação Babylon 5
thumb| direita| 300px| Estação Babylon 5 A estação é uma Colônia de O'Neill, com oito quilômetros de comprimento, girando para produzir gravidade artificial. O centro do cilindro é aberto e inclui campos, jardins hidropônicos e um metrô que corre todo o comprimento da estação. Ela tem ainda setores independentes, interconectados, com diferentes concepções para evitar a claustrofobia. As áreas de convívio foram criadas para acomodar as diversas espécies alienígenas, incluindo diferentes atmosferas e níveis gravitacionais. Visitantes humanos em setores alienígenas sempre aparecem se utilizando um equipamento de respiração e outras medidas para tolerarem as condições hostis. No início da série, a estação ainda está sob construção, com apenas partes completadas e outras aparecendo apenas como buracos escuros. Em alguns dos níveis mais exteriores, as janelas são no chão, permitindo que o espaço seja visto sob os pés do observador.
A estação está no setor estelar Epsilon Eridani, no quinto ponto de Lagrange entre o planeta fictício Epsílon III e sua lua. As três primeiras predecessoras da estação (a Babylon original, Babylon 2 e Babylon 3) foram sabotadas ou destruídas acidentalmente antes de terem sido completadas. A quarta, Babylon 4, desapareceu misteriosamente 24 horas após ter se tornado operacional.
Civilizações
thumb|Pak'ma'ra
No início da série, cinco civilizações dominantes foram representadas. A espécie dominante são os Humanos, os Minbari, os Narn, os Centauri e os Vorlons. As Sombras e seus diversos aliados são os inimigos e foram aparecendo durante a série. Algumas dúzias de espécies menores e menos poderosas da Liga dos Mundos Não Alinhados aparecem regularmente, incluindo os Drazi, os Brakiri, os Vree, os Markab e os pak'ma'ra.
Ainda que o piloto original tenha mostrado alguns alienígenas representados por bonecos e por animatrônica, logo no início a produção da série decidiu que os alienígenas seriam majoritariamente humanóides na aparência. Fora algumas espécies isoladas, descartou-se logo a ideia de alienígenas gerados por computador por conta do "massiva necessidade de renderização" necessária. O uso prolongado de bonecos e animatrônica também foi descartado por causa de limitações tecnológicas em conseguir uma representação convincente de uma interação com atores humanos ("se você quer qualquer emoção 'real' de uma personagem, você vai ter que ter um ator dentro" [ênfase no original]).
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