Acrocanthosaurus (em português Acrocantossauro; latim para "lagarto de grande espinha") é um gênero de dinossauros terópodes que existiu onde hoje é a América do Norte durante as idades Aptiano e Albiano do período Cretáceo Inferior, há aproximadamente 125 a 100 milhões de anos. Como a maioria dos gêneros de dinossauros, o acrocantossauro possui apenas uma espécie, A. atokensis. Os restos de seus fósseis se encontram principalmente nos estados de Oklahoma, Texas e Wyoming (Estados Unidos), apesar de dentes atribuídos a ele terem sido encontrados a grande distância a leste, em Maryland.
Acrocanthosaurus foi um predador bípede. Como o nome sugere, ele é bem conhecido pelas grandes espinhas em muitas de suas vértebras, que provavelmente apoiaram os músculos do animal ao longo do pescoço, costas e quadris. O Acrocanthosaurus foi um dos maiores terópodes, podendo chegar a 3,5 metros de altura, aproximando-se dos 11,5 metros de comprimento (38 pés) e pesando até cerca de 6,2 toneladas. Grandes pegadas feitas por terópodes encontradas no Texas podem ser de Acrocanthosaurus, embora não tenha sido encontrada ligação direta com restos ósseos.
Recentes descobertas anunciaram muitos detalhes de sua anatomia, permitindo estudos focalizados em sua estrutura cerebral e nas funções de seus membros anteriores. Acrocanthosaurus foi o maior terópode de seu ecossistema e provavelmente um superpredador, que provavelmente caçava grandes saurópodes, ornitópodes e anquilossauros.
Descoberta e etimologia miniaturadaimagem|Crânio do NCSM 14345, North Carolina Museum of Natural Sciences O nome Acrocanthosaurus vem do grego ɑκρɑ/akra (alto), ɑκɑνθɑ/akantha (espinho ou espinha) e σɑʊρος/sauros (lagarto), fazendo referência às suas longas espinhas. Existe uma espécie (A. atokensis), a qual foi nomeada em referência a Atoka County, em Oklahoma, onde os espécimes foram originalmente encontrados. O nome foi cunhado em 1950 pelos paleontologistas estadunidenses J. Willis Stovall e Wann Langston Jr. Langston propôs o nome Acracanthus atokaensis para o gênero e espécie em sua não publicada tese de mestrado de 1947, porém foi trocado para Acrocanthosaurus atokensis para sua publicação formal.
O holótipo e o parátipo (OMNH 10146 e OMNH 10147), descobertos no início da década de 1940 e descritos ao mesmo tempo em 1950, consistem em dois esqueletos parciais e um fragmento de um material craniano encontrados na Formação Antlers, em Oklahoma. Dois espécimes muito mais completos foram descritos em 1990. O primeiro (SMU 74646) é um esqueleto parcial, faltando a maior parte do crânio, recuperado na Formação Twin Mountains do Texas, e atualmente faz parte da coleção do Fort Worth Museum of Science and History. Um esqueleto ainda mais completo (NCSM 14345, apelidado "Fran") foi recuperado da Formação Antlers, em Oklahoma, por Cephis Hall e Sid Love, preparado pelo Black Hills Institute em Dakota do Sul, e agora está guardado no Museu de Ciências Naturais da Carolina do Norte, em Raleigh. Esse espécime é o maior e contém os únicos crânios e membros anteriores completos. Os elementos esqueléticos do OMNH 10147 são de tamanho próximo a ossos comparáveis do NCSM 14345, indicando animais de tamanhos próximos, enquanto o holótipo e o SMU 74646 são significativamente menores.
A presença do Acrocanthosaurus na Formação Cloverly foi apontada em 2012 com a descrição de outro esqueleto parcial (UM 20796). Este espécime, que consiste em partes de duas vértebras, ossos púbicos parciais, um fêmur, uma fíbula parcial e fragmentos, representa um juvenil. Esses fragmentos foram encontrados em um sítio arqueológico no Bighorn Basin na região norte-central de Wyoming, e foi achado ao lado de uma escápula pertencente a um Sauroposeidon. Outro sortimento de fragmentos de terópode encontrados na formação podem pertencer ao Acrocanthosaurus, que talvez seja o único grande terópode na Formação Cloverly.
Outros indícios de Acrocanthosaurus foram encontrados fora dos estados de Oklahoma, Wyoming e Texas. Um dente no sudeste do Arizona é referido ao gênero, e marcas de dente coincidindo com aqueles do Acrocanthosaurus foram encontradas em ossos de saurópodes da mesma área. Diversos dentes encontrados na Formação Arundel, em Maryland, foram descritos como quase idênticos àqueles do Acrocanthosaurus e podem indicar um representante do gênero mais ao leste. Muitos outros dentes e ossos de várias formações geológicas ao longo do oeste do Estados Unidos também foram referidos ao Acrocanthosaurus, contudo a maioria foi erroneamente identificada; todavia, há falta de concordância na avaliação dos fósseis da Formação Cloverly.
Descrição alt=|esquerda|miniaturadaimagem|250x250px|Comparação entre um Acrocanthosaurus e um humano O Acrocanthosaurus foi um dos maiores terópodes conhecidos que já existiram. O maior espécime conhecido (NCSM 14345) media aproximadamente 11,5 metros (38 pés) do focinho até a ponta da cauda e pesava de 5,7 a 6,2 toneladas, com um peso máximo de 7,25 toneladas, na faixa do possível para este espécime. Somente o seu crânio tinha o comprimento de aproximadamente 1,3 metro (4,3 pés).
miniaturadaimagem|Representação artística do animal em vida
O crânio do Acrocanthosaurus, como o da maioria dos outros alossauróides, era longo, baixo e estreito. A abertura para redução de peso na frente da cavidade ocular (fenestra anterorbital) era bem grande, com mais de um quarto do comprimento do crânio e dois terços de sua altura. A superfície exterior da maxila (parte superior do osso maxilar) e a superfície superior do osso nasal sobre o focinho não eram tão ásperas como as dos Giganotosaurus ou dos Carcharodontossaurus. Pequenos e baixos cumes surgem a partir dos ossos nasais, correndo ao longo de cada lado do focinho a partir da narina até a parte de trás do olho, onde são continuados no osso lacrimal. Esta é uma característica de todos os alossaurídeos. Diferentemente dos alossauros, eles não possuíam uma crista proeminente no osso lacrimal na frente do olho. Os ossos lacrimais e postorbitais ficavam unidos para formar uma sobrancelha grossa sobre o olho, como pode ser visto nos carcarodontossaurianos e nos não relacionados abelissaurídeos. Eles tinha dezenove dentes, curvos e serrados, alinhados de cada lado da mandíbula superior, contudo, uma contagem dentária para a parte inferior ainda não foi publicada. Os dentes do Acrocanthosaurus eram mais largos do que aqueles do Charcharondotassauro e não tinham a textura enrugada que caracteriza os carcarodontossaurídeos. A mandíbula era quadrada na ponta frontal, como nos Giganotosaurus, e rasa, enquanto no resto se tornava bem funda. Acrocanthosaurus e Giganotosaurus possuíam uma grossa elevação horizontal na superfície exterior do osso surangular, abaixo da articulação craniana.
esquerda|miniaturadaimagem|Diagrama do esqueleto do Acrocanthosaurus thumb|200px|Crânio fossilizado de Acrocanthosaurus
A característica mais marcante do Acrocanthosaurus era sua fileira de altas espinhas neurais, localizada nas suas vértebras do pescoço, costas, quadris e parte superior da cauda, que podiam ter até 2,5 vezes a altura das vértebras das quais se estenderam. Outros dinossauros também tinham espinhas estendidas nas costas, algumas muito maiores do que as do Acrocanthosaurus. Por exemplo, o não relacionado Spinosaurus tinha espinhas de quase 2 metros (6,6 pés) de altura, aproximadamente 11 vezes mais altas do que as suas vértebras. As partes mais baixas da espinha tinham ligações com poderosos músculos como aqueles dos bisões modernos, provavelmente formando um alto e grosso cume costas abaixo. A função das espinhas continua desconhecida, apesar de elas terem provavelmente sido envolvidas em comunicação, armazenagem de gordura, músculos e controle de temperatura. Todas as suas vértebras cervicais (pescoço) e dorsais (costas) tinham depressões proeminentes dos lados, enquanto as vértebras caudais (cauda) tinham depressões menores, o que é mais similar aos carcarodontossaurídeos do que ao Allosaurus.
Com exceção de sua coluna vertebral, o Acrocanthosaurus tinha um esqueleto típico de um alossaurídeo. Ele era bípede, com uma cauda longa e pesada para contrabalançar sua cabeça e corpo, mantendo seu centro de gravidade em cima dos quadris. Seus membros anteriores eram relativamente mais curtos e robustos do que os de um Allosaurus, apesar de possuírem estruturas similares: cada pata tinha três dedos com garra. Diferentemente de muitos dinossauros menores, seu fêmur era mais longo do que sua tíbia e metatarsos, sugerindo que ele não era um corredor rápido. Não surpreendentemente, seus ossos das pernas traseiras eram proporcionalmente mais robustos do que os de seu parente Allosaurus. Seus pés tinham quatro dedos cada, apesar de, como é típico aos terópodes, o primeiro ser muito menor do que os outros e não fazer contato com o chão.
Classificação e sistematização miniaturadaimagem|Diagrama craniano do NCSM 14345 O Acrocanthosaurus é classificado na superfamília Allosauroidea dentro da infraordem dos Tetanurae. Esta superfamília é caracterizada por pares de elevações nos ossos nasais e lacrimais no topo do focinho e por altas espinhas neurais nas vértebras cervicais, entre outras características. Ele foi originalmente colocado dentro da família Allosauridae com o Allosaurus, um arranjo suportado por estudos feitos até os anos 2000. Contudo, a maioria dos estudos o apontaram como membro da família Carcharodontosauridae.
Na época da sua descoberta, o Acrocanthosaurus e a maioria dos outros grandes terópodes eram conhecidos apenas por restos fragmentados, levando a grande variabilidade de classificações para esse gênero. Ele foi colocado primeiramente, por J. Willian Stovan e Wann Langston Jr., como um "Antrodemidae", um equivalente ao Allosauridae, todavia foi transferido para a família Megalosauridae por Alfred Sherwood Romer em 1956. Para outros autores, as suas longas espinhas vertebrais sugerem uma relação com o Spinosaurus. Esta interpretação do Acrocanthosaurus como um espinossaurídeo persistiu até a década de 1980 e foi repetida em livros semitécnicos sobre dinossauros da época.
Vértebras com altas espinhas de dinossauros do Cretáceo inferior encontradas na Inglaterra já foram consideradas muito similares àquelas do Acrocanthosaurus, e em 1988 Gregory S. Paul nomeou-os como uma segunda espécie do gênero, A. altispinax. Esses ossos foram originalmente associados ao Altispinax, um terópode inglês que era conhecido somente pelos seus dentes, associação que levou pelo menos um autor a propor que Altispinax fosse, por si só, um sinônimo de Acrocanthosaurus. Essas vértebras foram posteriormente assinaladas como pertencentes a um novo gênero, o Becklespinax, separado tanto do Acrocanthosaurus quanto do Altispinax.
A maioria das análises cladísticas que incluem o Acrocanthosaurus o classificaram como um carcarodontossaurídeo, normalmente em uma posição basal relativa ao Carcharodontosaurus africano e o Giganotosaurus da América do Sul. Tem sido comumente considerado o táxon irmão do igualmente basal Eorcarcharia, também encontrado no continente africano. O Neovenator, descoberto na Inglaterra, tem sido considerado um carcarodontossaurídeo ainda mais basal ou como um membro basal de um grupo irmão chamado Neovenatoridae. Isso sugere que a família se originou na Europa e então se dispersou nos continentes mais ao sul (enquanto se encontravam unidos no supercontinente Gondwana). Caso o Acrocanthosaurus fosse um carcarodontossaurídeo, então a dispersão também teria ocorrido na América do Norte. Todos os carcarodontossaurídeos viveram entre o começo e o meio do Período Cretáceo.
miniaturadaimagem|Cabeça restaurada
O cladograma a seguir, feito a partir de Novas et al., 2013, mostra a colocação do Acrocanthosaurus dentro do Carcharodontosauridae.
Paleobiologia Crescimento e longevidade miniaturadaimagem|Representação do Acrocanthosaurus engajando em comportamento de corte