Islamofascismo ou fascismo islâmico é um termo usado por parte dos cientistas políticos para descrever a analogia entre certas ideologias e características operacionais de determinados movimentos islamistas contemporâneos com aquelas do neofascismo, do totalitarismo ou, em menor medida, de correntes ideológicas inspiradas pelo histórico fascismo europeu da primeira metade do século XX.
Islamofascismo é usado com frequência no contexto da chamada guerra contra o terrorismo como sinônimo de “terrorismo islâmico” e, para esse efeito, usou-se para descrever organizações como a Al-Qaeda, Talibã, a Irmandade Muçulmana,www.aina.org http://www.aina.org/news/2007070595517.htm. Consultado em 15 de agosto de 2021 o Hamas, os Wahhabistas, salafi e o Hezbollah, mas também para criticar a natureza de certos regimes, como o que resultou da Revolução Iraniana, ou o da Arábia Saudita.
Bases e uso do termo thumb|200px|esquerda| Manifestantes muçulmanos com cartazes com 'Degolar todos aqueles que insultam o Profeta' e 'Os nossos mortos estão no Paraíso. Os vossos mortos estão no INFERNO!' Protesto em Sydney, em 2012, contra o filme 'Inocência dos Muçulmanos'. A expressão “fascismo islâmico” parece ter sido empregada pela primeira vez em 1933 por um jornalista indiano, Akhtar Husain, num ataque contra o nacionalista muçulmano Mohamed Iqbal. Ele apresenta a sua ideia de um Paquistão muçulmano como uma forma “e "fascismo islâmico”. (2011). "Western Representastions of Fascist Influences on Islamist Thought". Görlach, Joseph-Simon, dans Feuchter, Jörg; Hoffmann, Friedhelm; Yun, Bee. Cultural Transfers in Dispute: Representations in Asia,Europe and the Arab World since the Middle Ages. Campus Verlag. pp. 149–165. https://books.google.fr/books?id=14jlAgAAQBAJ&pg=PA151&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false A Alemanha Nazi foi apoiada pela Irmandade Muçulmana e por Amin al-Husayni, contra a presença britânica no Egito a fim de controlar o Oriente Médio. O Estado Islâmico se encaixa também na maioria das definições de fascista.
Manfred Halpern no seu livro The Politics of Social Change in the Middle East and North Africa (1963), desenvolve a ideia que o islamismo seria uma nova forma de fascismo. O principal argumento de Halpern foi baseado em uma análise da Irmandade Muçulmana no Egito, argumentando que esse tipo de movimentos islâmicos eram um obstáculo para os regimes militares que eram, na opinião dele, representantes de uma nova classe média capaz de modernizar o Oriente Médio.
O primeiro exemplo do termo islamofascismo, teria, de acordo com William Safire, ocorrido em um artigo escrito pelo erudito escocês e escritor Malise Ruthven escrevendo em 1990. Ruthven usou isso para se referir à maneira pela qual as ditaduras árabes tradicionais usavam recursos religiosos para permanecer no poder. Malise Ruthven, em “Construindo o Islã como Língua”, no The Independent, 8 de setembro de 1990: “No entanto, há o que poderia ser chamado de um problema político que afeta o mundo muçulmano: em contraste com os herdeiros de outras tradições não ocidentais, incluindo hinduísmo, xintoísmo e Budismo, as sociedades islâmicas parecem ter achado particularmente difícil institucionalizar as divergências politicamente: o governo autoritário, para não dizer o islamismo fascista, é a regra e não a excepção de Marrocos até ao Paquistão”.
Tratando-se de um termo comummente utilizado por todo o mundo, para caraterizar o totalitarismo implementado em estados islâmicos, que inclusivamente foi referenciado pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls, é um termo contestado pela confusão entre a definição técnica de Fascismo e de totalitarismo.
Crítica
O termo “islamofascismo” foi criticado por vários estudiososBoyle, Michael, 'The War on Terror in American Grand Strategy', International Affairs, 84, (March 2008), p196 e jornalistas. O historiador Niall Ferguson e o estudioso Angelo Codevilla de relações internacionais consideram-no historicamente impreciso e simplista. "...O termo "islamofacismo", usado para descrever fortemente movimentos antiocidentais no Mundo Muçulmano, revela ignorância desses movimentos, bem como do Islã e do fascismo". O autor Richard Alan Nelson critica o termo por ser geralmente usado de forma pejorativa ou para propaganda "A propaganda é definida neutra como uma forma sistemática de persuasão decidido que tenta influenciar as emoções, atitudes, opiniões e ações de públicos-alvo específicos para fins ideológicos, políticos ou comerciais, através da transmissão controlada de mensagens unilaterais (que pode ou não ser factual) através de canais de massa e mídia direta. uma organização de propaganda emprega propagandistas que se envolvem na criação propagandismo aplicado e distribuição de tais formas de persuasão." (falta numero de pagina...) e afins. Tony Judt argumentou em um artigo de setembro de 2006 na London Review of Books que o uso do termo foi destinado a reduzir a guerra contra o terror “a uma familiar justaposição que elimina a exótica complexidade e confusão”, criticando autores que utilizam o termo "islamofascismo" e se apresentam como especialistas apesar de não terem experiência anterior sobre o Islã.
Críticos como o colunista José Sobran da ex-National Review e, Paul Krugman, colunista do The New York Times, argumentam que "fascismo islâmico não é nada, mas um termo de propaganda vazia" utilizado por defensores da "Guerra ao Terror". "Em outras palavras, o islamofascismo não seria senão um termo de propaganda vazio. E a propaganda de guerra geralmente é, se não sempre, criada para produzir histeria, a destruição de qualquer sentido de proporção. Essas palavras, indefinidas e não medidas, são usadas por pessoas mais interessadas em nos fazer perder a cabeça do que manter suas próprias. "...não há realmente qualquer coisa como islamofascismo - não é uma ideologia, é uma invenção da imaginação neoconservadora. O termo entrou em voga somente porque era uma forma dos "falcões do Iraque" encobrirem a transição desajeitada de perseguir Osama bin Laden, que atacou a América, para Saddam Hussein, que não fez." O especialista em segurança Daniel Benjamin, o cientista político Norman Finkelstein e o colunista do The American Conservative Daniel Larison, destacam a afirmação de que, apesar de seu uso como uma peça de propaganda, o termo é inerentemente sem sentido, pois, como observa Benjamin, "não há sentido em jihadistas abraçarem a ideologia fascista como foi desenvolvida por Mussolini ou qualquer outra pessoa associada com o "termo".Wajahat Ali, 'An Interview with Norman Finkelstein' "'islamofascismo" é um termo sem sentido. Se eu não me engano, foi cunhado pelo comentarista Christopher Hitchens. O termo é um retrocesso para aos esquerdistas juvenis, eu entre eles, marcado todos que discordavam de um 'porco fascista'. Portanto, esta é uma versão kosher-halal do epíteto. Fascismo usado para se referir a um conhecido preciso fenômeno histórico, embora é ainda duvidoso que o termo precisão engloba regimes tão diferentes quanto a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler. Mas quando você começar a usar o termo para caracterizar bandos terroristas que querem voltar o relógio vários séculos e ressuscitar o Califado, é simplesmente um epíteto vazia como 'Império do Mal', 'Eixo do mal' e o resto.
(Nota: a página indicada já não existe)
O historiador cultural Richard Webster afirmou que agrupar diversas ideologias políticas, grupos terroristas e insurgentes, governos, e seitas religiosas em uma única noção de "fascismo islâmico" pode levar a uma banalização do fenômeno do terrorismo. "A ideia de que existe algum tipo de autonomia "islamofacismo", que pode ser esmagada, ou que o Ocidente pode defender-se contra os terroristas que ameaçam cultivando a ânsia de matar muçulmanos militantes que Christopher Hitchens insta sobre nós, é uma perigosa ilusão. Os sintomas que levaram alguns a aplicar o rótulo de "islamofacismo" não são razões para esquecer causas. Eles são razões para nós examinamos com mais cuidado ainda que aqueles causas realmente são." (Nota: o link já não existe - em Setembro de 2017) Na mesma linha do National Security Network afirma que o termo perigosamente obscurece importantes distinções e diferenças entre grupos de extremistas islâmicos enquanto alienando as vozes moderadas no mundo muçulmano porque "cria a percepção de que os Estados Unidos estão lutando uma guerra religiosa contra o Islã".Report: 'islamofascism' blinds U.S. "(islamofascismo) cria a percepção de que os Estados Unidos estão lutando uma guerra religiosa contra o Islã, assim afastando vozes moderadas na região, que estaria disposto a trabalhar com os Estados Unidos para objetivos comuns." (Nota: link já não existe em Setembro de 2017) Daniel Larison atribui proponente a Hitchens suporte da frase a sua posição anti-religiosa. "A palavra "islamofacismo" nunca tinha algum significado, a não ser como resumo de todos qualquer regimes e grupos de palavras que usuários desejavam fazer metas para a ação militar. Hitchens também é bem conhecido por seus equívocos tendenciosos de todas as formas de religião, teísmo comparando a um regime totalitário sobrenatural e atribuindo todos os crimes do totalitarismo político à religião. Foi portanto, apropriado que ele deve promover o "islamofacismo" termo uma vez que define um movimento religioso na língua do totalitarismo secular".( link já não existe) historiador britânico Niall Ferguson salienta que este uso político do que eu chama de "conceito completamente enganoso", é "apenas uma maneira de nos fazer sentir que estamos na 'melhor geração' para lutar outra guerra mundial". "... o que vemos no momento é uma tentativa de interpretar nossa situação atual em uma linguagem da II Guerra Mundial bastante caricaturizada. Quero dizer, "islamofascismo" ilustra bem o ponto, porque é um conceito completamente enganador. Na verdade, praticamente não há sobreposição entre a ideologia da al-Qaeda e o fascismo. É apenas uma maneira de nos fazer sentir que somos a "melhor geração" lutando noutra Guerra Mundial, como a guerra em que nossos pais e avós lutaram. Você está traduzindo uma crise simbolizada pelo 11 de setembro em uma espécie de pseudo II Guerra Mundial. Então, o 11 de setembro se torna Pearl Harbor e então você vai atrás dos bandidos que são os fascistas, e se você não nos apoiar, então você deve ser um apaziguador."
Comentando sobre a incongruência reclamada entre o "Mundo Muçulmano" e "fascismo estado industrial", o jornalista do EUA Eric Margolis ironicamente afirma que a maioria dos regimes mais totalitários islâmicos, na verdade, "são aliados dos Estados Unidos". "Não há nada em qualquer parte do Mundo Muçulmano que se assemelha os estados corporativos fascistas da história ocidental. Na verdade clã, e tribal baseado sociedade islâmica tradicional, com suas estruturas de poder fragmentados, lealdades locais e do consenso de tomada de decisão, é de cerca de o mais longe possível do fascismo estado ocidental industrial. Mundo muçulmano está repleto de ditaduras brutais, monarquias feudais e corruptos militares gerindo estados, mas nenhum desses regimes, no entanto deplorável, se enquadra na definição padrão do fascismo. A maioria, de fato, são aliados dos Estados Unidos." (link quebrado) Porém este comentário não corresponde inteiramente à verdade, observando que um dos regimes que mais causa sofrimento ao seu povo, o Sírio, é ajudado com apoio financeiro e militar por outro país muçulmano, o Irão, e por duas potências mundiais originalmente marxistas, Rússia e China sendo criticado pelos Estados Unidos pela matança indiscriminada de civis por parte das forças do governo. Não obstante, é notória a aliança dos EUA com países como Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Bahrain.