thumb|right|250px|Capa da revista Puck de 21 de setembro de 1889 apresentando a versão do cartunista Tom Merry do assassino apelidado de Jack, o Estripador Uma série de assassinatos ocorridos no East End de Londres a partir de agosto de 1888 foram atribuídos a um criminoso não-identificado conhecido como "Jack, o Estripador". Desde então, sua identidade tem sido amplamente discutida, e mais de uma centena de suspeitos apresentados. Whiteway, Ken (2004). "A Guide to the Literature of Jack the Ripper". Canadian Law Library Review vol.29 pp.219–229 Eddleston, pp.195–244 Embora muitas teorias tenham sido desenvolvidas, os especialistas no caso não consideram nenhuma delas convincente o bastante.
Suspeitos pela polícia da época Os suspeitos a seguir foram considerados por um ou mais oficiais da época como sendo o autor dos crimes:
Montague Druitt (1857-1888) thumb|right|100px|Druitt De origem burguesa, Montagne John Druitt nasceu em 1857. Extremamente inteligente, obteve uma bolsa de estudos no Winchester College e, depois, em Oxford. Era um estudante brilhante, popular entre os colegas, praticava remo e críquete. Em 1880, Druitt se forma, mas sua vida começa a ficar complicada. Ele inicia o curso de Direito, mas abandona a escola. Entra para a faculdade de Medicina, desiste do curso e retoma o de Direito. Trabalha numa escola para sobreviver. Em 1888, é despedido.
Druitt sentia que estava ficando louco como a mãe, internada para sempre num hospital psiquiátrico. Druitt foi visto pela última vez em 3 de dezembro de 1888, e seu corpo foi resgatado do Tâmisa, próximo a Londres, no dia 31. Os bolsos estavam cheios de pedras. A morte de Druitt coincide com o fim da onda de crimes, mas o fato de que jogava críquete em Blackheath na manhã da descoberta dos corpos de Mary Chapman e de Polly Nichols seria suficiente para inocentá-lo.
Em março de 1889, os policiais garantem a um membro do comitê de vigilância que reclama da redução das rondas, que Jack, o Estripador, estava morto. Segundo a polícia, o fato não fora divulgado para poupar a mãe do criminoso, que estava internada.
Seweryn Klosowski thumb|right|100px|Kłosowski Conhecido também como George Chapman e de origem polonesa, era proprietário de um salão de cabeleireiros a alguns metros do local onde Martha Tabram foi assassinada. Kłosowski é parecido com o homem visto com Mary Kelly. Além disso, algumas das cartas assinadas por Jack, o Estripador, contêm expressões idiomáticas americanas, e Kłosowski morou durante dois anos nos Estados Unidos.
Agressivo, vivia em Londres na época e provavelmente tinha conhecimentos médicos. Era um dos principais suspeitos do Inspetor Frederick Abberline. Acaba enforcado em 1903, condenado pelo envenenamento de três de suas amantes. As suspeitas sobre ele diminuem, pois não é comum um assassino variar tanto seu modus operandi.
Aaron Kosminski (1865-1899) Nasceu na Polônia em 1865, sendo apontado por várias testemunhas por sua semelhança com as descrições feitas na época, porém nenhuma conseguiu confirmar quando posta lado a lado do próprio. Kosminski também se assemelha bastante às características de perfil de assassino feitas por John Douglas e Robert Ressler, como falta de um emprego fixo e a morte do pai quando tinha apenas 8 anos.
Aaron Kosminski sempre esteve entre os principais suspeitos. Era um imigrante de 23 anos de origem polaca que chegou a Londres na década de 1880. O inspetor-chefe Donald Swanson, que liderou a investigação, registrou um suspeito chamado Kosminski em notas contemporâneas, dizendo que ele era de uma baixa-classe judaica polonesa e teve a vida familiar em Whitechapel, região da cidade onde ocorreram os assassinatos. Ainda, acredita-se que ele trabalhasse naquela região. Sua ocupação foi listado nos documentos da casa de trabalho como barbeiro em Whitechapel. Como imigrante judeu da Polônia, ele fugiu da perseguição em sua terra natal, enquanto estava sob controle russo e veio com a família para a Inglaterra em 1881, vivendo em Mile End, leste de Londres.
O que se sabe ao certo é que ele tinha graves problemas psicológicos, provavelmente esquizofrenia, e sofria alucinações. Ele era descrito como misógino. As notas, doados por seus descendentes para Museu de Crimes da Scotland Yard, em 2006, incluiu um memorando de Assistant Chief Constable Sir Melville Macnaghten dizendo que Kosminski: Tinha um grande ódio de mulheres com fortes tendências homicidas. Ele foi internado em uma sequência de manicômios e, em 1899, morreu no hospício de Leavesden, aos 53 anos, pesando apenas 44 quilos, depois de contrair gangrena na perna. Apesar de a polícia nunca ter reunido provas suficientes para prender Kosminski, mesmo com a identificação de uma testemunha, ela o manteve sob vigilância 24 horas por dia até ele dar entrada em um hospital psiquiátrico.
Recentemente, em 2014, Russell Edwards, um entusiasta pela procura da identidade de Jack, o Estripador, afirma ter descoberto que Aaron Kosminski seria o verdadeiro assassino. Edwards comprou o xale de Catherine Eddowes, uma das vitimas do Estripador, em um leilão em 2007 e pediu a ajuda de Jari Louhelainen, um especialista de DNA, para sequenciar os possíveis vestígios deixados na peça de roupa encontrada na cena do crime. Foi comparada com o DNA da tataraneta da vítima e supostamente comprovando sua autenticidade. Jari Louhelainen é professor de biologia molecular em uma universidade de Liverpool e através de um técnica inovadora teria conseguido sequenciar DNA mitocondrial que sobreviveu no xale por mais de 100 anos. O xale foi retirado da cena do crime por um policial e a peça ainda continha sangue da vítima, a mulher supostamente nunca o usou e o xale nunca foi lavado.
Michael Ostrog (1833-1904?) thumb|100px|right|Ostrog Outro suspeito seria Michael Ostrog, que seria Konovalov, um médico considerado louco que conseguiu se livrar de várias condenações. Ostrog tinha a reputação de bater em mulheres e de nunca se separar de seus instrumentos cirúrgicos. Um homem com as características de Ostrog foi assassinado em um asilo para transtornados mentais, logo após a morte de uma mulher em Petrogrado. Essa mulher teria sido morta após a volta de Konovalov à Rússia. Provavelmente tenha morrido em 1904, mas esta data é considerada incerta.
John Pizer Um judeu polonês que trabalhava como sapateiro em Whitechapel. Depois dos dois primeiros assassinatos, o sargento de polícia William Thick intimou Pizer a depor. Thick aparentemente acreditava que Pizer era o homem conhecido como "Leather Apron", notório por cometer agressões contra prostitutas. No princípio dos crimes de Whitechapel muitos moradores locais suspeitavam que "Leather Apron" era o assassino. Pizer deixou de ser suspeito quando foi descoberto que, durante um dos assassinatos, ele estava na companhia de um oficial de polícia enquanto ambos assistiam a um incêndio nas docas de Londres. Pizer alegou que Thick o conhecia havia vários anos, e que sua prisão foi baseada em animosidade e não em evidências.
Dr. Francis Tumblety (1833-1903) thumb|right|100px|Tumblety Outro médico suspeito teria sido o americano Francis Tumblety, que visitava Londres frequentemente, odiava mulheres e costumava colecionar órgãos humanos, como úteros. Foi preso em Londres no dia 7 de novembro de 1888 acusado de "atos indecentes" (aparentemente por práticas homossexuais), mas no dia 24 daquele mês conseguiu fugir para a França.
Tumblety foi citado como sendo suspeito pelo então ex-Inspetor Chefe John George Littlechild da Polícia Metropolitana em uma carta ao jornalista e escritor George R. Sims datada de 23 de setembro de 1913.
Dr. Francis Tumblety tinha a caligrafia muito parecida com aquela da carta do inferno, além de que Tumblety tinha uma coleção de úteros, fato que levantava suspeitas ao médico. Devido à sua fuga para a Europa, sua suspeita nunca foi descartada, não se sabendo, até os dias atuais, se o mesmo é inocente ou não.
James Kelly (1860-1929) thumb|right|100px|James Kelly Assassinou sua esposa em 1883, com uma facada no pescoço. Considerado mentalmente insano, foi aprisionado no Asilo Broadmoor, no qual escapou no início de 1888 usando uma chave que ele mesmo confeccionou utilizando restos de metais. Após os cinco assassinatos de Jack em Londres em novembro de 1888, a polícia londrina procurou por Kelly indo até a casa em que habitava antes do assassinato de sua esposa, mas não foram capazes de localizá-lo. Em 1927, quase quarenta anos depois da sua fuga, ele surpreendeu a todos ao voltar voluntariamente ao Asilo Broadmoor. Morreu dois anos depois por causas naturais.
Um investigador forense aposentado de Nova Iorque, Ed Norris, examinou o caso do assassino em série no documentário do Discovery Channel intitulado Jack, o estripador na América. Norris alega que Kelly foi o famoso assassino em série, além do responsável por múltiplas mortes nos Estados Unidos. Para dar suporte ao seu pensamento, Norris coletou vários pontos chaves da vida de James Kelly. Ele trabalhou como forrador de sofá, emprego que requeria o uso de uma afiada e longa faca, o tipo de objeto que teria sido usado por Jack em seus atos. Escapou de Broadmoor antes das cinco prostitutas serem mortas em Londres, local que alegou estar enquanto os homicídios ocorriam.
De acordo com Norris, Kelly, ainda, morou nos Estados Unidos e deixou escritos mostrando sua forte desaprovação a imoralidade das prostitutas e que, durante seus tempos de fugitivo, torna sua reprovação da suposta imoralidade como uma de suas principais lutas. Norris argumenta que Kelly estava em Nova Iorque quando uma prostituta chamada Carrie Brown foi assassinada e estripada de modo similar as prostitutas em Londres. Outras duas mortes brutais aconteceram enquanto ele esteve na cidade. Norris obteve permissão do Asilo de Broadmoor para examinar a ficha psicológica de Kelly em 1883 e suas declarações quando voltou em 1927, e o perfil obtido combina com as descrições e atos de Jack, o estripador.
Outros suspeitos da época Várias outras pessoas foram apontadas na época como sendo culpadas pelos assassinatos em Whitechapel. Entre as mais notáveis estão:
William Bury (1859-1889) thumb|right|140x140px|Bury Logo após mudar-se da Escócia para Londres, Bury estrangulou sua esposa Ellen Elliot, uma ex-prostituta, em 5 de fevereiro de 1889, infligindo cortes profundos em seu abdômen e, após a morte de Elliot, ocultou seu cadáver em uma caixa de madeira, a qual passaria a usar como mesa de dominó. Bury seguiu sua vida normalmente por quase uma semana, antes de comunicar o crime à polícia em 10 de fevereiro.
Bury foi enforcado pouco depois em Dundee, após confessar o assassinato de sua esposa. Seria o último enforcamento a ser realizado na cidade.
Dr. Thomas Cream (1850-1892) thumb|right|100px|Cream O doutor Neil Cream envenenou quatro prostitutas com estricnina, e ficou conhecido como o "Envenenador de Lambeth". Por esses crimes, é enforcado em 1892. No cadafalso, suas últimas palavras para o carrasco são: "Eu sou Jack, ...".Contudo, no momento dos assassinatos, Cream estava preso em Illinois, nos Estados Unidos. Absolvido pela Justiça norte-americana em julho de 1891, estava na Grã-Bretanha desde setembro. A situação complica-se quando Cream envolve no caso um sósia dele. De fato, anteriormente, para se defender num processo de bigamia, ele afirma que, na época dos crimes, estava detido em Sydney, na Austrália.
O diretor da prisão confirma que um homem com as características de Cream esteve preso na instituição, o que basta para esclarecer as dúvidas. Obviamente, dois homens serviram-se mutuamente de álibis, e as derradeiras palavras de Cream ao carrasco teriam sido uma última demonstração de generosidade ao seu cúmplice.
Frederick Deeming (1842-1892) thumb|right|100px|Deeming