Compsognathus longipes (aportuguesado como: compsognato) é a única espécie conhecida do gênero extinto Compsognathus de dinossauros terópodes compsognatídeos, que viveram no fim do período Jurássico há aproximadamente 150 milhões de anos, na idade do Tithoniano, onde hoje é a Europa.

Paleontólogos encontraram dois fósseis bem preservados, um primeiro na Alemanha em 1850 e o segundo na França quase um século depois. Muitas representações populares ainda descrevem o compsognato como um dinossauro do tamanho de um galo, devido à pequenez do espécime alemão, que agora se acredita ser uma forma juvenil, enquanto o espécime francês, maior, seria uma espécie adulta. Compsognathus é um dos poucos dinossauros cuja dieta se sabe com certeza: os restos de pequenos lagartos foram preservados na barriga de ambos os espécimes. Acredita-se que fósseis de dentes descobertos em Portugal possam pertencer a integrantes do gênero.

Embora não tenha sido reconhecido como tal na época de sua descoberta, o Compsognathus é o primeiro dinossauro conhecido com um esqueleto bastante completo. Hoje Compsognathus longipes é a única espécie reconhecida, embora se acreditasse que o espécime maior descoberto na França na década de 1970 poderia representar uma nova espécie separada, C. corallestris. Até a década de 1990, o Compsognathus era considerado o menor dinossauro e o parente mais próximo da primitiva ave Archaeopteryx. Assim, é um dos poucos gêneros de dinossauros bem conhecidos fora do âmbito paleontológico.

Descrição 200px|thumb|esquerda|C. longipes media cerca de um metro de comprimento Durante décadas, o Compsognathus foi famoso por ser o menor dinossauro conhecido; os espécimes coletados medem em torno de um metro (três pés) de comprimento. No entanto, dinossauros posteriormente descobertos, como Caenagnathasia, Microraptor e Parvicursor, eram ainda menores. Estima-se que o Compsognathus pesava entre 0,83 e 3,5 quilogramas (1,8 e 7,7 libras).

Compsognathus era um animal pequeno e bípede com patas traseiras longas e uma cauda alongada, que utilizava para manter o equilíbrio durante a locomoção. Os membros anteriores eram menores que os posteriores e eram providos de três dedos equipados com garras sólidas adaptadas para capturar presas. Seu delicado crânio era estreito e longo, com um focinho pontiagudo. O crânio tinha cinco pares de fenestras, aberturas cranianas, sendo as mais largas as órbitas oculares, onde estavam os olhos no animal vivo. Os olhos eram grandes em proporção ao resto do crânio.

O maxilar inferior era fino e não apresentava fenestras mandibulares, buracos na parte de baixo do maxilar comumente vistos em arcossauros. Os dentes eram pequenos mas afiados, compatíveis com sua dieta de pequenos vertebrados e possivelmente outros animais pequenos, como insetos. Seus dentes vistos de frente, os da pré-maxila, não eram serrados, ao contrário dos que estavam mais atrás da mandíbula. Os cientistas usaram essas características dentárias para identificar o Compsognathus e os seus parentes mais próximos. O geólogo Achim Reisdorf e o paleontólogo alemão Michael Wuttke, em 2012, descreveram os fenômenos tafonômicos do espécime alemão de Compsognathus.

O espécime Compsognathus descoberto na Alemanha no tinha apenas dois dígitos em cada extremidade anterior, o que levou os cientistas a concluir que assim era na criatura viva. No entanto, o fóssil descoberto mais tarde na França revelou que a "mão" tinha três dígitos, semelhante a outros membros dos outros gêneros compsognatídeos. A fossilização do Compsognathus alemão simplesmente não havia preservado completamente as "mãos" do espécime. O francês Alain Bidar presumiu que o espécime encontrado na França tinha "mãos" palmadas, que pareceriam barbatanas quando vivo. No livro de 1975 "A evolução e a ecologia dos dinossauros", o paleontólogo britânico Lambert Beverly Halstead descreve o animal como um dinossauro anfíbio capaz de se alimentar de presas aquáticas e de nadar fora do alcance de grandes predadores. O paleontólogo americano John Ostrom desacreditou esta hipótese ao demonstrar de maneira definitiva que o espécime francês era quase idêntico ao espécime alemão em todos os aspectos, exceto em seu tamanho. A pesquisadora francesa Karin Peyer confirmou essas conclusões.

Tegumento thumb|250px|direita|Evidências de espécies relacionadas sugerem que o corpo pode ter sido coberto por estruturas semelhantes a penas As evidências de espécies relacionadas sugerem que seu corpo poderia ter sido coberto por estruturas semelhantes a penas. Alguns parentes do Compsognathus, como Sinosauropteryx e Sinocalliopteryx, ficaram preservados com restos de penas simples que cobriam o corpo, com o que alguns cientistas sugerem que o Compsognathus poderia ter sido emplumado de forma similar. Consequentemente, muitas representações do Compsognathus o mostram com coberturas suaves de protopenas. No entanto, penas e envolturas em forma de penas não foram preservadas com os fósseis do Compsognathus, ao contrário do Archaeopteryx, encontradas nos mesmos sedimentos. Peyer, em 2006, relatou impressões de pele preservadas no lado da cauda a partir da décima terceira vértebra da cauda. As impressões mostravam pequenos tubérculos repletos de furos, semelhantes às escamas que existiam na cauda e nas patas traseiras do Juravenator. O paleontólogo alemão Friedrich von Huene informou sobre escamas adicionais em 1901, na região abdominal do Compsognathus alemão, mas posteriormente Ostrom refutou esta interpretação. Em 2012 foram vistas por Reisdorf como placas de adipocere, cera cadavérica.

Igual ao Compsognathus, e ao contrário do Sinosauropteryx, um fragmento de pele fossilizado da cauda e a extremidade posterior do possível parente Juravenator starki mostram principalmente escamas, embora haja alguns indícios de que penas simples também estavam presentes nas áreas preservadas. Isso pode significar que uma cobertura de penas não era onipresente neste grupo de dinossauros, levando alguns cientistas a sugerirem que o Compsognathus poderia ter sido emplumado de forma similar.

História Do Compsognathus se conhecem dois esqueletos quase completos, um da Alemanha, que tem 89 centímetros de comprimento (35 polegadas), e outro da França, de 125 centímetros (49 polegadas). Por quase um século, o Compsognathus foi o único terópode pequeno bem conhecido. Isto o levou a comparações com o Archaeopteryx e sugestões de uma relação com as aves. Inclusive Compsognathus e Archaeopteryx despertaram interesse no biólogo britânico Thomas Henry Huxley na origem das aves. Os dois animais compartilham muitas semelhanças em forma, tamanho e proporções; na verdade, um fóssil sem penas preservadas de Archaeopteryx foi por muitos anos identificado erroneamente como um espécime de Compsognathus. Muitos outros dinossauros, incluindo Deinonychus, Oviraptor e Segnosaurus, são agora conhecidos como parentes próximos das aves.Weishampel, D.B., Dodson, P., Oslmolska, H. (2004). The Dinosauria (2ª ed.). University of California Press.

Descobertas esquerda|thumb|150px|J. Oberndorfer descobriu o fóssil de Compsognathus na Baviera, na Alemanha, durante a década de 1850, em exposição no Museu de História Natural da Universidade de Oxford O médico e colecionador de fósseis Joseph Oberndorfer descobriu o espécime alemão, BSP AS I 563, no calcário de Solnhofen na região de Riedenburg-Kelheim da Baviera, durante a década de 1850. O calcário da região também produz fósseis bem preservados, como de Archaeopteryx, com impressões de penas, e alguns pterossauros com marcas de membranas de suas asas que datam do estágio Tithoniano inferior. Johann Andreas Wagner, paleontólogo alemão, descreveu o espécime brevemente em 1859 e de forma mais detalhada em 1861, quando cunhou o termo Compsognathus longipes. O nome do gênero vem do grego kompsos/κομψος, "elegante", "refinado" ou "delicado" e gnathos/γναθος, "mandíbula"; o da espécie vem do latim e significa "patas longas".

No início de 1868, Huxley levantou a hipótese de que o espécime estava intimamente relacionado aos dinossauros, e em 1896, o paleontólogo americano Othniel Marsh reconheceu o fóssil como um verdadeiro membro do grupo. Ostrom redescreveu a espécie completamente em 1978, tornando o dinossauro um dos terópodes pequenos mais conhecidos até hoje. O espécime alemão está exposto na Bayerische Staatsammlung für Paläontologie und historische Geologie (Instituto Estatal da Baviera para Paleontologia e Geologia Histórica), em Munique, Alemanha.

thumb|190px|O fóssil de Compsognathus de Canjuers, França O espécime maior francês, MNHN CNJ 79, foi descoberto em 1972 no calcário de Portland de Canjuers próximo de Nice no sudeste da França. Também data do começo do Tithoniano. Embora Bidar tenha originalmente descrito o espécime como uma espécie separada chamada de Compsognathuss corallestris, Ostrom, Michard e outros renomearam-no como outro exemplar de Compsognathus longipes. Quimby identificou o exemplar menor alemão como um jovem da mesma espécie. Em 1983, o Muséum national d'histoire naturelle de Paris, adquiriu o fóssil francês do Compsognathus, Michard estudou-o lá completamente.

O colecionador Heinrich Fischer havia rotulado originalmente um pé parcial, também de Solnhofen, como pertencendo a um Compsognathus. Embora esta identificação tenha sido rejeitada pelo paleontólogo alemão Wilhelm Barnim Dames em 1884,Dames, W.B., 1884, "Vorlegung der Metatarsen eines Compsognathus-ähnlichen Reptils von Solenhofen", Sitzungsberichte der Gesellschaft Naturforschender Freunde zu Berlin, Jahrgang 1884, pp. 179-180 von Huene, em 1925, remeteu temporariamente o espécime para Compsognathus.Huene, F.R., von, 1925, "Eine neue Rekonstruktion von Compsognathus longipes", Zentralblatt für Mineralogie, Geologie und Palaeontologie, Jahrgang 1925, Abteilung B(5): 157-160 No entanto, o estudo de Ostrom de 1978 desmentiu isso. Jens Zinke, paleobiologista alemão, em 1998 atribuiu ao gênero quarenta e nove dentes das camadas de Guimarota do Kimmeridgiano de Portugal. Estes não são idênticos aos do C. longipes, serrados na ponta, mas por causa das semelhanças gerais na forma é que foram atribuídos a Compsognathus sp.

Em 1997, a escritora e naturalista Virginia Morell mudou o nome de uma forma relacionada chinesa, Sinosauropteryx prima, para Compsognathus prima, embora isso não tenha encontrado uma aceitação geral.

Classificação thumb|220px|direita|Silhuetas do material holótipo de Compsognathus longipes ao lado do sinônimo Compsognathus corallestris Compsognathus dá seu nome à família Compsognathidae, um grupo composto principalmente de pequenos dinossauros do final do Jurássico e início do Cretáceo da China, Europa e América do Sul. Por muitos anos este foi o único membro conhecido; no entanto, nas últimas décadas, os paleontólogos descobriram vários gêneros relacionados. O clado inclui Aristosuchus, Huaxiagnathus, Mirischia, Sinocalliopteryx,Ji, S., Ji, Q., Lu J., e Yuan, C. (2007). "A new giant compsognathid dinosaur with long filamentous integuments from Lower Cretaceous of Northeastern China." Acta Geologica Sinica, 81(1): 8-15. Sinosauropteryx, e talvez Juravenator e Scipionyx. Inicialmente, Mononykus foi proposto como um membro dessa família, mas acabou sendo rejeitado por Chen e coautores em um artigo publicado em 1998; eles consideraram as semelhanças entre Mononykus e compsognatídeos como um exemplo de convergência evolutiva. A posição do Compsognathus e seus parentes dentro do grupo dos celurossauros é incerta. Alguns autores, como o especialista em terópodes Thomas Holtz Jr. e os coautores Ralph Molnar e Philip J. Currie no texto de 2004, The Dinosauria, argumentam que a família é a mais ancestral entre os celurossauros, enquanto outros autores defendem que ela é parte da Maniraptora.

Abaixo, o cladograma que mostra de maneira simplificada a colocação do Compsognathus na família Compsognathidae por Senter et al, em 2012:

Paleobiologia