miniaturadaimagem|275x275px|Guardas Vermelhos na Praça da Paz Celestial em 1966
A Guarda Vermelha () foi um movimento não militar composto sobretudo por estudantes e outros jovens na República Popular da China. Apesar da resistência inicial pela sociedade, a Guarda Vermelha foi endossada por Mao Tsé-tung entre 1966 e 1968, durante a Revolução Cultural. O movimento dos Guardas Vermelhos em Pequim culminou durante o "Agosto Vermelho" de 1966, que mais tarde se espalhou para outras áreas da China continental.
Durante esse período, os guardas vermelhos viajaram por toda a China, indo a escolas, universidades, aldeias e cidades, ensinando os pensamentos de Mao reunidos no seu "O Livro Vermelho". Com o suporte de Mao, e seguindo suas expressas recomendações, usaram de violência extrema contra todos os que manifestassem oposição ou mesmo apenas indiferença acusando-os de anti-revolucionários e agentes do capitalismo. As maiores vítimas foram professores, estudiosos, religiosos ou opositores ao regime comunista, humilhados publicamente, destituídos dos seus bens e, por vezes, julgados sumariamente em tribunais populares. O movimento rapidamente saiu de controle. Facções dentro da Guarda Vermelha frequentemente criticavam umas às outras, e entravam frequentemente em conflito com as autoridades e ameaçava a segurança pública, e até brigando entre si. A esposa do presidente Mao (Jiang Qing), que na época era responsável em parte pela grande revolução cultural, fez a seguinte declaração: "Não batam nos outros. A luta física só afeta a carne e os ossos; a luta de pensamento afeta o coração". O movimento chegou ao ponto de o próprio Mao considerar que os estudantes de esquerda haviam se tornado radicais demais. No final de 1968, o grupo, enquanto movimento formal, havia se dissolvido, com muitos dos Guardas Vermelhos sendo enviados para áreas rurais e o interior do país durante Campanha de Envio ao Campo.
O papel da Guarda Vermelha era principalmente o de atacar os "Quatro Velhos" da sociedade, que eram as "velhas ideias", "velha cultura", "velhos hábitos", e "velhos costumes" da China na altura. Alguns dos primeiros Guardas Vermelhos vieram das chamadas "Cinco Categorias Vermelhas", que perseguiram os membros das "Cinco Categorias Negras".
Ataques contra os "Quatro Velhos" miniaturadaimagem|Ilustração de propaganda dos Guardas Vermelhos A propriedade individual também era alvo de membros da Guarda Vermelha se ela fosse considerada um dos "Quatro Velhos". Textos e figuras geralmente religiosos seriam confiscados e queimados. Outras vezes, itens de importância histórica seriam deixados, mas desfigurados, como os pergaminhos da dinastia Qin, e esculturas em pedra e madeira com os rostos e as palavras esculpidos. A reeducação veio acompanhada da destruição da cultura e da história anteriores, grupos da Guarda Vermelha eram enviados as escolas para ensinar as novas idéias da Revolução Cultural; bem como apontar quais idéias representaram a era anterior idealizando os "Quatro Velhos". Por exemplo, um estudante, Mo Bo, descreveu uma variedade de atividades da Guarda Vermelha realizadas para ensinar à próxima geração o que não era mais as normas. miniaturadaimagem|Guardas Vermelhos seguram o "Pequeno Livro Vermelho", um compilado de citações de Mao Tsé-Tsung Os ataques à cultura rapidamente se transformaram em ataques a pessoas. Ignorando as diretrizes dos 'Dezesseis Artigos', que estipulavam que a persuasão e não a força deviam ser usadas para provocar a Revolução Cultural, funcionários em posições de autoridade e percebidos como 'elementos burgueses' foram denunciados e sofreram ataques físicos e psicológicos. Em 22 de agosto de 1966, uma diretiva central foi emitida para interromper a intervenção da polícia nas atividades da Guarda Vermelha.MacFarquhar & Schoenhals; p. 124 Aqueles na força policial que desafiaram este aviso foram rotulados como "contrarrevolucionários". Os elogios de Mao Tsé-Tung à rebelião foram efetivamente um endosso às ações da Guarda Vermelha, que se tornaram cada vez mais violentas.MacFarquhar & Schoenhals; p. 515
A segurança pública na China deteriorou-se rapidamente como resultado das autoridades centrais levantando restrições ao comportamento violento.MacFarquhar & Schoenhals; p. 126 Xie Fuzhi, chefe da polícia nacional, disse que "não é grande coisa" se os Guardas Vermelhos espancarem "pessoas más" até a morte. A polícia transmitiu os comentários de Xie aos Guardas Vermelhos e eles agiram em conformidade. No curso de cerca de duas semanas, a violência deixou cerca de cem professores e funcionários de escolas mortos no distrito ocidental de Pequim. O número de feridos era "muito grande para ser calculado".
Os aspectos mais terríveis da campanha incluíram numerosos incidentes de tortura, assassinato e humilhação pública. Muitas pessoas que eram alvos de 'luta' não aguentavam mais o estresse e cometeram suicídio. Em agosto e setembro de 1966 (Agosto Vermelho), houve 1.772 pessoas mortas apenas em Pequim. Em Xangai, houve 704 suicídios e 534 mortes relacionadas à Revolução Cultural em setembro. Em Wuhan, houve 62 suicídios e 32 assassinatos durante o mesmo período.
Os intelectuais deveriam sofrer o peso desses ataques. Muitos foram expulsos de cargos oficiais, como o ensino universitário, e receberam tarefas manuais como "varrer pátios, construir paredes e limpar banheiros das 7 às 17 horas diariamente", o que os encorajaria a insistir em "erros" do passado.Howard, R; "Red Guards are always right". New Society, 2 de Fevereiro de 1967, paginas 169–70 Um relatório oficial em outubro de 1966 relatou que os Guardas Vermelhos já haviam prendido 22.000 'contrarrevolucionários'.Stanley Karnow; 'Mao and China: Inside China's Cultural Revolution'; Penguin (1984) - página 209 Entre 18 de agosto e 15 de setembro, 77.000 habitantes de Pequim foram expulsos. Durante o mesmo período em toda a China, 397.000 "monstros do mal" tiveram que abandonar seus empregos e retornar às aldeias de origem de suas famílias.Roderick Mac Farquhar e Michael Schoenhals; La Dernière révolution de Mao. Histoire de la Révolution culturelle 1966-1976 Capítulo 6, Les Gardes Rouges - paginas 143 e seguintes.
No final de 1966, a maioria do Grupo da Revolução Cultural considerava que os guardas vermelhos haviam se tornado um passivo político demais.Maurice Meisner; Mao's China and After: A History of the People's Republic Since 1949; p. 340 A campanha contra os "anti-revolucionários e agentes do capitalismo" levou à anarquia, as ações da Guarda Vermelha levaram ao conservadorismo entre os trabalhadores da China, e a falta de disciplina e o faccionalismo no movimento tornaram os Guardas Vermelhos politicamente perigosos.
Categoria:Revolução Cultural Chinesa Categoria:Terminologia maoista