O porto de Sines é o maior porto artificial de Portugal e um porto de águas profundas, de fundos naturais até −28 m ZH, com terminais especializados que permitem o movimento de diferentes tipos de mercadorias e de Transshipment "Transbordo" e inteior fronteiriço ou rede de Trans-Europa. Para além de ser o principal porto na fachada atlântica de Portugal, devido às suas características geofísicas, é a principal porta de entrada de abastecimento energético de Portugal: contentores, gás natural, carvão, petróleo e seus derivados (Características, 2007).
A sua construção teve início em 1973 e entrou em exploração em 1978. A 14 de Dezembro de 1977 foi criada a Administração do Porto de Sines (APS) (30º, 2007). O porto opera 365 dias por ano, 24 horas por dia, disponibilizando serviços tais como: controlo de tráfego marítimo; pilotagem, reboque e amarração; controlo de acessos e vigilância; água potável e bancas; combate a acidentes/poluição; reparações a bordo ou em terra (Serviços, 2007). O porto de Sines situa-se a 37º 57' de latitude Norte e a 08º 52´ de longitude Oeste, a 58 milhas marítimas a Sul de Lisboa (Localização, 2007).
Sines também passou por algumas vicissitudes nas décadas iniciais. Desde problemas na construção do porto até excesso de optimismo quanto a certas indústrias petroquímicas (não a refinaria), foram vários os contratempos. Mas hoje pelo porto de águas profundas de Sines já passa mais de metade do tráfego portuário em Portugal, sobretudo de contentores. E o alargamento do canal do Panamá poderá dar um grande impulso a Sines, desde que seja finalmente construída uma adequada ligação ferroviária a Espanha e Europa Central.
No que respeita ao interior, existem ligações diretas do Terminal XXI às redes nacionais rodoviária e ferroviária, estando estas integradas na Rede Transeuropeia de Transportes. Por outro lado, para dar resposta às projeções de crescimento, encontra-se em implementação um ambicioso plano de evolução e expansão das acessibilidades rodo-ferroviárias, que permitirão garantir a correta intermodalidade para as ligações nacionais e ao interior de Espanha, particularmente à região de Madrid.
A mais recente versão do estudo ‘A Nova Rota da Seda torna-se a ponte terrestre mundial: um futuro compartilhado para a Humanidade”, que actualiza uma primeira versão de 2014, da autoria do Instituto Schiller (Alemanha) considera, assim, que o porto de Sines, é um dos dois “pontos críticos”, para o desenvolvimento deste projeto, pela sua vocação mais atlântica, a par do porto espanhol de Algeciras, com um pendor mais mediterrânico."
História thumb|280px|right|Plano hidrográfico da baía de Sines
Em 1929, a localidade de Sines foi classificada no plano de melhoramento portuário, com a finalidade de serem efectuadas obras com início datado para 1945. Na realidade nenhuma das obras previstas foi realizada e o porto de Sines voltou a figurar no plano intercalar de Fomento (1964-1975).
Em 1971, em Decreto-Lei, surge a notícia da criação de um empreendimento. Era necessária a escolha da localização do novo porto. Para isso foram realizados estudos aprofundados, ficando reduzidas as hipóteses a Lisboa, Setúbal e Sines (25, 2004, p. 22). Apesar de possuírem boas condições de abrigo, o estuário do Tejo e do Sado estão limitados pelas suas barras que, apesar de serem profundas, só permitem navios com calado até cerca de 13 m, após periódicas e dispendiosas dragagens. O estudo da poluição ambiental, de 1971, mostrou que Sines era a localidade menos poluída e que tinha as melhores condições geográficas para a dispersão da poluição atmosférica, uma vez que as indústrias a instalar, apesar de devidamente equipadas, não poderiam deixar de poluir (Martins, 2004, p. 2). Após a avaliação dos estudos, os argumentos pesaram a favor de Sines, para a localização do novo porto (25, 2004, p. 16). Foi criado o Gabinete da Área de Sines (GAS), na subordinação da Presidência do Conselho de Ministros, com o objectivo de planear, coordenar o desenvolvimento da área de Sines. (Martins, 2004, p. 3).
Em 1973, foi adjudicada a primeira fase das obras de construção do porto, constituída essencialmente por (Martins, 2004, p. 10-11): um molhe Oeste com cerca de 2 025 m e três postos de acostagem; terminal de produtos refinados; sector de carga geral; molhe Sul com a finalidade de proteger o sector de carga geral e servir de base ao futuro terminal mineraleiro.
Em 1974, com o intuito de procurar investimentos e oportunidades comerciais, efectuaram-se visitas à Austrália e ao Japão (Martins, 2004, p. 14).
Em 1977, terminou a gestão e exploração do porto de Sines pelo GAS. O GAS foi considerada como tendo falta de aptidão para explorar e administrar os empreendimentos existentes, estando nesta fase concluídas as obras no molhe Oeste e em fase de conclusão o terminal petroleiro. Foi, assim, criada, nesse mesmo ano, a APS, que se apontava com propensão para dinamizar o pólo em desenvolvimento (25, 2004, p. 26).
Em 1979, o molhe Oeste foi atingido por tempestades que provocaram profundos estragos. A sua reabilitação só foi concluída em 1992 (25, 2004, p. 28).
Em 2004, o porto de Sines já se tinha tornado essencial na recepção de crude, carvão e gás natural (Martins, 2004, p. 20).
Investimento
No ano de 2002 foram investidos 48,3 milhões de euros, cerca de 130 por cento do valor orçamentado. Com execução em 2002, destacam-se os projectos (Relatório e contas do exercício de 2002, 2007, p. 24): ampliação do molhe Leste, com um investimento de 36,5 milhões de Euros, 157 por cento do valor orçamentado; acessibilidades rodo-ferroviárias ao terminal de contentores, um investimento de 4,6 milhões de euros, 77 por cento do orçamentado; alteração dos circuitos de movimentação dos braços de carga do terminal petroleiro, um investimento de 1,7 milhões de Euros, 78 por cento do orçamentado.
Em 2003 o investimento efectuado pela APS atingiu 17,9 milhões de euros, 80 por cento do valor orçamentado. Os projectos mais relevantes são (Relatório e contas do exercício de 2003, 2007, p. 26-27): ampliação do molhe Leste; acessos terrestres, com rotunda de nível, ao terminal de contentores; electrificação do ramal ferroviário ao terminal de contentores.
Em 2004, foi efectuado um investimento de 9,7 milhões de euros pela APS, 81,5 por cento do valor estimado. Os projectos mais representativos são (Relatório e contas do exercício de 2004, 2007, p. 29-31): ampliação do molhe Oeste; acessos terrestres, com rotunda de nível, ao terminal de contentores; electrificação do ramal ferroviário ao terminal de contentores; circulação rodoviária e acesso à Zona de Actividades Logísticas (ZAL) e porto de recreio; infra-estruturas urbanas da ZAL; substituição dos braços de carga do terminal petroleiro; reabilitação de estruturas de betão do porto.
No ano de 2005 foi efectuado um investimento de de 3,5 milhões de euros pela APS, 45,8 por cento do valor orçamentado. Entre os principais investimentos destacam-se (Relatório e contas 2005, 2007, p. 53-54): reparação das estruturas de betão armado; infra-estruturas terrestres do porto de recreio; construção das infra-estruturas urbanas e da portaria da ZAL.
Em 2006 o investimento efectuado pela APS atingiu cerca de 16 milhões de euros. Os principais investimentos foram efectuados em edifícios e outras construções; equipamento básico, com a aquisição de uma viatura de combate a incêndios; equipamentos de transporte; manutenção e conservação. Entre os principais investimentos evidenciam-se (Relatório e contas 2006, 2007, p. 34-35): continuação da reparação e reabilitação das infra-estruturas marítimas de betão armado (postos de acostagem) e terrestres (edifícios, pontões, etc.) dos terminais petroleiro e petroquímico; construção do edifício do porto de recreio, com a finalidade de prestar apoio aos utentes do porto, destinando-se também a apoio administrativo e a acolher as entidades gestoras do porto de recreio (autoridade portuária, marítima e outras) e, também, o ISN; execução das infra-estruturas rodoviárias, redes de abastecimento de águas e de distribuição de gás, electricidade, telecomunicações e portaria da ZAL; construção do edifício de apoio às actividades logísticas; construção do talude de retenção que visa garantir a segurança dos terraplenos do parque de tancagem de hidrocarbonetos.
Autoridade portuária
A APS - Administração dos Portos de Sines e do Algarve, S.A., abreviadamente denominada por APS, SA, é uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, sedeada em Sines. A APS tem como finalidade administrar os porto de Sines, de Faro e de Portimão, gerindo a sua exploração económica, conservação e desenvolvimento, estabelecendo, também, o exercício das competências e prerrogativas de autoridade portuária que lhe estejam ou venham a estar incumbidas.
A sua área de jurisdição compreende duas zonas: a zona marítima com 1 476 ha e a zona terrestre com 657 ha.
A sociedade tem como órgãos sociais a assembleia-geral, o conselho de administração e o fiscal único. O seu capital social encontra-se repartido por 9 902 500 acções nominativas, que devem pertencer exclusivamente ao Estado, a pessoas colectivas de direito público, a empresas públicas ou sociedades de capitais exclusivamente públicos. (Estatutos da APS, 2007)
Portos Porto de pesca thumb|210px|left|Porto de pescaO Porto de Pesca, de tradição secular em Sines, foi objecto de obras de melhoramento que o dotaram de um cais de aprestos e de um cais de descarga de peixe, rampa de varadouro e diversas instalações terrestres de apoio. É formado por uma bacia interior, abrigada por um quebra-mar que oferece boas condições de protecção para acostagem e fundeadouro das embarcações de pesca.
O cais de aprestos tem 220 metros de comprimento e fundos de -2,50 (Z.H.) e o cais de descarga de pescado tem 140 metros de comprimento e fundos de -4,5 metros (Z.H.), tanto na bacia de manobra como na de acostagem.
A rampa de varadouro, entre os dois cais, tem uma área de 2 150m2. Em terra, o Porto de Pesca dispõe dos edifícios da lota e serviços administrativos, de comerciantes de aprestos, lojas comerciais e de serviços e de uma fábrica de gelo. Conta ainda com oficinas de manutenção, posto de abastecimento de combustíveis, posto de recepção de óleos usados, abastecimento de água e energia e, armazéns individuais de apoio a titulares de unidades pesqueiras.</span>
Porto de recreio thumb|140px|right|Porto de recreio
Junto à Praia Vasco da Gama, encontra-se o Porto de Recreio de Sines. Ponto de paragem obrigatória das embarcações de recreio que percorrem a costa portuguesa em rotas nacionais ou internacionais, este porto abre novas perspectivas à exploração turística de Sines e de toda a Costa Vicentina.
Trata-se do único porto de recreio da costa marítima entre Setúbal e o Algarve, numa zona onde a navegação de recreio é intensa durante todo o ano. Assinale-se, igualmente, que o moderno complexo portuário e industrial pouco ou nada alterou a excelente reputação de Sines como destino turístico.
O Porto de Recreio de Sines é constituído pelo molhe de abrigo, cais de alagem, rampa de varadouro, grua móvel, retenção marginal, terraplenos, e passadiços e "fingers" flutuantes para acostagem de embarcações. A sua capacidade actual é de 230 lugares de amarração, prevendo-se uma gradual ampliação até 250 lugares, bem como de um número apreciável de lugares de parqueamento em terra. Dispõe ainda de um leque variado de serviços, tais como fornecimento de água e electricidade, berços e picadeiros, instalações sanitárias e balneário, lavandaria, posto de abastecimento de combustíveis, recepção de óleos usados, telefone público, pagamento automático Visa ou Multibanco, vigilância, dados meteorológicos, alguma capacidade local de reparações e de lanchonete e bar de apoio à população em geral e aos nautas em particular.</span>
Terminais Terminal de granéis líquidos