Believe é o vigésimo segundo álbum de estúdio da artista americana Cher, lançado em 22 de outubro de 1998 pela WEA e Warner Bros. Records. Após o fracasso comercial de seu álbum anterior It's a Man's World (1995), sua gravadora a incentivou a gravar um álbum com influências dance, buscando um som mais mainstream. Cher começou a trabalhar no álbum na primavera de 1998 com os produtores britânicos Mark Taylor e Brian Rawling nos Dreamhouse Studios em Londres. O álbum foi dedicado ao seu ex-marido Sonny Bono, que havia falecido no início daquele ano.
"Believe", junto com "Strong Enough", representa uma completa mudança musical em relação aos seus trabalhos anteriores, incorporando estilos house, dance-pop e disco, enquanto suas letras abordam temas como liberdade, individualismo e relacionamentos. O álbum apresentou algumas das novas tecnologias da época, como o uso do Auto-Tune, que acabaria sendo conhecido como "efeito Cher". Ao ser lançado, o álbum recebeu críticas mistas dos críticos musicais, que elogiaram a performance vocal de Cher, enquanto outros criticaram o uso excessivo de Auto-Tune e sua produção geral. Em 2000, Believe foi indicado ao Melhor Álbum Vocal de Pop.
Comercialmente, Believe provou ser extremamente bem-sucedido, atingindo o número quatro na Billboard 200 e sendo certificado quatro vezes platina pela Recording Industry Association of America (RIAA) denotando vendas de quatro milhões de cópias nos Estados Unidos. Ao redor do mundo, liderou as paradas na Áustria, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Nova Zelândia, Portugal e Quebec, além de listar-se nos dez primeiros lugares na França, Espanha, Reino Unido e vários outros territórios.
Quatro singles foram lançados do álbum. O primeiro, a faixa-título, tornou-se um dos singles mais vendidos de todos os tempos ao liderar as paradas em um total de 21 países e comercializar mais de 11 milhões de unidades mundialmente. "Strong Enough" foi lançado como o segundo; atingiu os números 57 e 5 nos EUA e Reino Unido, respectivamente. "All or Nothing" e "Dov'è l'amore" foram lançados como terceiro e quarto singles respectivamente, ambos alcançando sucesso moderado. Para promover Believe, Cher embarcou em sua quarta turnê, Do You Believe?, que se tornou uma das turnês mais lucrativas de todos os tempos para uma artista feminina na época. Em comemoração ao vigésimo quinto aniversário do álbum, uma edição deluxe foi lançada em 3 de novembro de 2023.
Antecedentes e contexto
Após o álbum anterior de Cher com influências de rock It's a Man's World (1995) receber uma resposta morna, o diretor da Warner Music UK Rob Dickins sugeriu que ela gravasse um disco dance para melhor se conectar com seu público gay. Inicialmente, Cher demonstrou relutância, no entanto, o interesse pelo potencial dela como artista dance já vinha crescendo. Um remix de seu single "One by One" (1996) feito pelo DJ de Nova Iorque, Junior Vasquez, teve sucesso nas boates e destacou a demanda pela artista neste gênero. Dean Ferguson, da revista DMA, observou que o remix deixou os fãs "famintos por um mix dance de Cher", levando a Warner a insistir em um álbum orientado à esse gênero.
Nessa época, Dickins encontrou o compositor Brian Higgins no escritório da Warner em Londres e pediu que ele apresentasse canções para o projeto. Três dias depois, chegou uma fita com dezesseis músicas de Higgins. Refletindo sobre a demo, Dickins recordou: "A nona música era 'Believe'. Pensei: 'Cher poderia cantar esse refrão, especialmente a letra, com sua vida pessoal como está. Ela passou por todas essas coisas". Quando Dickins pediu ao compositor para finalizar "Believe", o resultado foi uma música "terrível" que ainda precisava de muito trabalho.
Cher começou a trabalhar em Believe no verão de 1998 em Londres, reunindo-se com os produtores Mark Taylor e Brian Rawling, que já haviam trabalhado com Dickins; produtores adicionais incluíram Todd Terry ("Taxi Taxi") e Junior Vasquez, que originalmente trabalhou em "Dov'è l'amore", mas quando enviou sua versão de Nova Iorque, foi rejeitada por Dickins, que decidiu dar a produção da faixa também para Taylor e Rawling. Cher também trabalhou com a colaboradora de longa data Diane Warren (que escreveu "Takin' Back My Heart") e gravou duas versões: "The Power" (Amy Grant) e "Love Is the Groove" (Betsy Cook). Além disso, ela decidiu incluir um remix de seu single "We All Sleep Alone" (1988) de seu álbum Cher (1987).
O single "Believe" foi originalmente escrito apenas por Brian Higgins, Matt Gray, Stuart McLennen e Tim Powell, e circulou na Warner Bros. como uma demo indesejada por meses. Mark Taylor disse: "Todos adoraram o refrão, mas não o resto da música; Como já estávamos escrevendo outras músicas para Cher, Rob nos perguntou se poderíamos resolver isso. Dois de nossos escritores, Steve Torch e Paul Barry, se envolveram e acabaram criando uma música completa que Rob e Cher aprovaram".
Lançamento e promoção
Believe foi lançado primeiro na França em 22 de outubro de 1998, no Reino Unido em 26 de outubro de 1998 e nos Estados Unidos em 10 de novembro de 1998. O álbum foi posteriormente lançado no Japão em 23 de dezembro de 1998, com duas faixas bônus exclusivas para o Japão: "Believe" (Club 69 Future Mix) e "Believe" (Xenomania Mix).
Para promover o álbum, Cher fez várias aparições na TV e performances ao vivo dos singles do álbum. Em 17 de outubro de 1998, ela estreou "Believe" na boate Heaven em Londres, Inglaterra e no The National Lottery Show. "Believe" também foi cantanda sete vezes no Top of the Pops e no 1999 Brit Awards (16 de fevereiro de 1999) no Reino Unido, Kultnacht e Top of the Pops na Alemanha (1998), ¿Qué apostamos? na Espanha (6 de novembro de 1998), no Rosie O'Donnell Show (17 de novembro), no Late Show with David Letterman (18 de novembro), no 26º American Music Awards (11 de janeiro de 1999) nos Estados Unidos e no Festival de Sanremo de 1999 na Itália (23 de fevereiro de 1999), entre outros. "Strong Enough" foi apresentada pela primeira vez no Top of the Pops (3 de março de 1999) no Reino Unido, no Echo Music Prize (4 de março) na Alemanha e no Tapis Rougue (13 de março de 1999) na França. "Believe" e "Strong Enough" também foram executadas no 1999 World Music Awards em Monte Carlo em 5 de maio de 1999. "All or Nothing" foi cantada no Top of the Pops (11 de junho de 1999) enquanto "Dov'è l'Amore" no The National Lottery Show no Reino Unido.
Cher apresentou "Believe", "The Power", "All or Nothing", "Strong Enough", "Dov'è l'Amore" e "Love Is the Groove" na Do You Believe?, sua quarta turnê, que promoveu Believe. Ela começou em 16 de junho de 1999 e foi a primeira digressão da artista em sete anos. O espetáculo recebeu críticas positivas, foi um sucesso comercial e esgotou em todas as cidades americanas onde foi agendada, acumulando um público global de mais de 1,5 milhão. Seu especial de TV complementar, Cher: Live in Concert – From the MGM Grand in Las Vegas (1999), foi o programa original da HBO com maior audiência em 1998-99, registrando um índice de 9,0 entre adultos de 18 a 49 anos e 13,0 no universo HBO de cerca de 33 milhões de lares. Seu VHS/DVD Live in Concert foi lançado em todas as regiões em dezembro de 1999.
Singles
"Believe" foi lançado como o primeiro single do álbum em 19 de outubro de 1998, e alcançou o número um em mais de 20 países, incluindo Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido, onde se tornou o primeiro single de Cher a estrear no número um e permaneceu sete semanas no posto no final de 1998, tornando-se o mais vendido por uma artista feminina na história do Reino Unido, com mais de 1,84 milhão de cópias vendidas no país. Também liderou a parada Billboard Hot 100, dos Estados Unidos, por quatro semanas, vendendo mais de 1,8 milhão de unidades no país até dezembro de 1999, e garantiu a cantora um lugar no Guinness Book of World Records como a artista solo feminina mais velha a liderar a parada. Continua sendo o single de maior sucesso de Cher até hoje, e um dos mais vendidos de todos os tempos, com mais de 10 milhões de cópias adquiridas mundialmente. "Believe" recebeu aclamação da crítica e apresenta um efeito vocal eletrônico proposto por Cher, sendo a primeira gravação comercial a apresentar Auto-Tune — um processador de áudio originalmente destinado a disfarçar ou corrigir imprecisões vocais fora do tom — como um efeito criativo deliberado; após o sucesso da música, a técnica ficou conhecida como "efeito Cher" e desde então tem sido amplamente utilizada na música popular.
O segundo foco de promoção do álbum, "Strong Enough", foi lançado em 19 de fevereiro de 1999, e alcançou o número um na Hungria e qualificou-se nos dez primeiros lugares na Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Itália, Nova Zelândia, Reino Unido, Suíça. Devido a uma "perda" de airplay e promoção, a música teve um sucesso modesto nos Estados Unidos, atingindo o número cinquenta e sete na Billboard Hot 100, enquanto alcançou o número um na segmentada Dance Club Songs por uma semana.
"All or Nothing" foi lançado em 7 de junho de 1999 como o terceiro single do projeto fora dos Estados Unidos, alcançando o top cinco na Finlândia, Hungria e República Tcheca; a música teve um sucesso moderado nas paradas, atingindo o número doze no UK Singles Chart, enquanto alcançou o cume na Dance Club Songs. "Dov'è l'amore" foi lançado como o quarto e último single do álbum em 25 de outubro de 1999. Tornou-se um hit top dez na Finlândia, Grécia, Itália e Espanha. Junto com seu antecessor, a música foi lançada nos Estados Unidos como um maxi single, mas não conseguiu entrar na Hot 100. "All or Nothing" e "Dov'è l'amore" atingiram separadamente o Hot Dance Club Play no número um e número cinco, respectivamente.
Recepção crítica
No lançamento, o álbum recebeu respostas mistas dos críticos musicais internacionais. Michael Gallucci do AllMusic chamou Believe de "última jogada de playground" de Cher e disse que ela "apenas passa pela fábrica de batidas com uma faixa vocal monótona em uma sessão interminável e sem personalidade" e "determinadamente, se não de todo coração, agarrando-se ao final disso". Em sua crítica, ele deu ao álbum duas estrelas e meia de cinco. A principal crítica foi o forte uso do Auto-Tune que alterou a voz de Cher. Beth Johnson da Entertainment Weekly deu uma nota B−, afirmando: "Believe é errático (e às vezes brega) pra caramba, mas você tem que amar como a essência Cher brilha". O crítico musical Robert Christgau classificou o álbum como uma "escolha cortada", o que significa que o crítico acredita que há uma boa faixa, neste caso "Believe", em um álbum que é "não particularmente bom".
Desempenho comercial