De acordo com o Censo 2022, do IBGE, o Maranhão tinha 57.214 indígenas de diversas etnias, com 72,93% vivendo em terras indígenas. Entretanto, 15.488 estavam fora desses territórios, vivendo em cidades ou áreas não demarcadas.
Classificam-se em dois troncos linguísticos: Tupi-Guarani e Macro-jê.
Tenetehara (guajajara e tembé), Awá-guajá, Urubu-Kaapor são povos de língua Tupi; enquanto que os Canela Apaniekrá e Ramkokamekrá, Pukobyê (Gavião), Krikati e Timbira Krepumkateyê e Krenyê são povos de origem Jê.
Povos como os Akroá-Gamela, Anapuru Muypurá, Tremembés, Kariú Kariri e Tupinambá lutam por reconhecimento étnico e demarcação de terras.
Terras Indígenas São Terras Indígenas com status de homologadas no estado do Maranhão, no ano de 2020 : Terra IndígenaEtniaMunicípiosSuperfície (ha)População (2022)Percentual de indígenas (2022)Alto TuriaçuKa´apor, guajá, tembéCentro Novo do Maranhão, Maranhãozinho, Centro do Guilherme, Zé Doca, Santa Luzia do Paruá, Araguanã530.524,74174.18399,64ArariboiaGuajá, TeneteharaArame, Buriticupu, Amarante do Maranhão, Bom Jesus das Selvas, Santa Luzia, Grajaú413.288,047210.31898,45AwaGuajáGovernador Newton Bello, Centro Novo do Maranhão, Zé Doca, São João do Carú116.582,918227940,5BacurizinhoTeneteharaGrajaú82.432,49314.32799,58Cana Brava/GuajajaraTeneteharaJenipapo dos Vieiras, Barra do Corda, Barão de Grajaú137.329,542910.82498,5CaruTenetehara, GuajáBom Jardim172.667,377777999,36Geralda Toco PretoTimbira KrepumkateyêArame, Itaipava do Grajaú18.506,208118481,52GovernadorTenetehara, Gavião PukobiêAmarante do Maranhão41.643,75671.36099,41KanelaCanela RamkokamekráFernando Falcão, Barra do Corda125.212,16252.55299,8KrenyêTimbira KrenyêVitorino Freire, Barra do Corda8.035,67509983,84KrikatiKrikatiMontes Altos, Amarante do Maranhão, Lajeado Novo, Sítio Novo144.775,78681.67076,53Lagoa CompridaTeneteharaJenipapo dos Vieiras, Itaipava do Grajaú13.198,26511.33497,3Morro BrancoTeneteharaGrajaú48,980497898,77PorquinhosCanela ApanyekráFernando Falcão, Barra do Corda79.520,254489297,31Rio PindaréTeneteharaBom Jardim, Monção15.002,91421.33397,07RodeadorTeneteharaBarra do Corda2.319,453158797,79Urucu/JuruáTeneteharaItaipava do Grajaú12.697,04411.04699,14 miniaturadaimagem|Brigadas formadas por indígenas do Prevfogo/Ibama combatem incêndio florestal na Terra Indígena Porquinhos, no Maranhão Encontram-se na fase procedimento "declarada": Bacurizinho, etnia guajá, em Grajaú, com 134.040,0000 ha; Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, etnia kanela, em Formosa da Serra Negra, Mirador, Fernando Falcão e Barra do Corda, com 301.000,0000 ha.
Encontram-se na fase de procedimento "em estudo": Governador, etnias tenetehara e gavião pukobiê, em Amarante do Maranhão; Vila Real, etnia tenetehara, em Barra do Corda.
Encontra-se na fase de procedimento "delimitada": Kanela Memortumré, etnia kanela, em Fernando Falcão e Barra do Corda, com 100.221,0000 ha.
As Terras Indígenas maranhenses se concentram especialmente na região leste (bioma da Amazônia Oriental) e no centro do estado (bioma do Cerrado).
População No Maranhão, a população indígena corresponde a 0,84% da população total, ocupando o estado a 12ª colocação no ranking de proporção indígena nos estados e terceira no Nordeste. A população indígena do Maranhão representa 3,38% da população total de indígenas no país, sendo a oitava maior população indígena do país no Censo de 2022.
De acordo com o Censo Demográfico de 2010 do IBGE, a população dos povos indígenas maranhenses encontrava-se assim distribuída, sendo os guajajaras um dos mais numerosos do Brasil (ocupando a sexta posição): PovoTronco linguísticoPopulação total (2010)CanelaMacro-jê1.521Gavião PukobiêMacro-jê745Ka'aporTupi-Guarani 1.541GuajáTupi-Guarani 536TeneteharaTupi-Guarani 24.428KrikatiMacro-jê978TembéTupi-Guarani 1.844Timbira KrepumkateyêMacro-jê160Timbira KrenyeMacro-jê170 Os municípios com a maior população indígena no estado são os seguintes, conforme o Censo de 2022 do IBGE: +Municípios com maior população indígenaMunicípioPopulação indígena (2022)Proporção na população total (%)Terra IndígenaAmarante do Maranhão8.21022,13Arariboia, Governador, KrikatiGrajaú7.92710,73Arariboia, Bacurizinho, Morro BrancoJenipapo dos Vieiras7.88046,15Cana Brava/Guajajara, Lagoa CompridaBarra do Corda5.5526,57Cana Brava/Guajajara, Kanela, Krenyê, Porquinhos, RodeadorArame3.55213,80Arariboia, Geralda Toco PretoFernando Falcão3.47831,99Kanela, PorquinhosBom Jardim2.1596,51Caru, Rio PindaréMaranhãozinho2.05614,94̥Alto TuriaçuViana1.8193,54 -São Luís1.6160,16 -Itaipava do Grajaú1.2969,37Geralda Toco Preto, Lagoa Comprida, Urucu/JuruáMontes Altos1.09912,07KrikatiCentro do Guilherme8356,77Alto TuriaçuA etnia com a maior população são os guajajaras, no Maranhão, 24.428 pessoas, sendo a língua guajajara a língua indígena mais falada no Nordeste e uma das mais faladas no país, com 8.269 falantes, conforme o Censo de 2010 do IBGE.
Os tembés vivem no Maranhão (Terra Indígena Alto Turiaçu) e no Pará (Terras Indígenas Alto Rio Guamá e Turé-Mariquita), separados pelo rio Gurupi.
Cultura indígena miniaturadaimagem|Guajajaras, mãe e filho Cada etnia apresenta traços culturais e modo de vida e organização próprios.
Os padres franceses deixaram detalhados registros de sua relação com os povos indígenas e sua cultura, na ilha de Upaon-açu, durante o período da França Equinocial, iniciada em 1612.
Entre o povo awá-guajá, existe uma das últimas sociedades que sobrevivem somente da caça e da coleta no continente americano. Originalmente, não apresentavam vida sedentária, por não se utilizarem da agricultura como meio de sobrevivência. No entanto a maior parte da população já vive em aldeias, com a floresta continuando a ser fundamental no estilo de vida dos awá-guajás, com a caça como elemento central na vida das aldeias, ainda que também pratiquem a agricultura. Ocupam uma uma extensão territorial que vai desde a terra indígena Alto Turiaçu até a terra indígena Caru.
Estudos genéticos revelaram que os maranhenses, de forma geral, são resultado de uma mistura 42% europeia, 39% indígena e 19% africana. Tal composição é muito semelhante ao observado em Belém, aproximando geneticamente o Maranhão da Região Norte e o afastando dos demais Estados do Nordeste.
O Maranhão tem uma das populações mais miscigenadas do país, tendo os índios influenciado nos traços físicos, hábitos na alimentação, modo de viver, expressões e palavras usadas no dia a dia (ex. "Hen-hem", do tupi "sim"), nomes de cidades e lugares, instrumentos musicais, danças e ritmos, lendas, mitos e alguns elementos presentes na religiosidade popular. O bumba-meu-boi apresenta influência indígena.
A tiquira, proveniente do tupi antigo tykytykyr (ou tukutukur), que significa "destilar", é uma bebida alcoólica artesanal, de forte teor alcoólico e geralmente de cor roxa, obtida através da destilação artesanal da mandioca fermentada (não industrializada).
Línguas Entre os povos indígenas, são faladas as línguas: tenetehara (dialetos guajajara e tembé), kaapor (e a língua de sinais kaapor), guajá, todas do ramo tupi; timbira, do ramo macro-jê que se divide em diversos dialetos (canela, gavião pukobiê e krikati). Os Krenyê e os Krepumkateyê não são mais falantes de sua língua materna.
De acordo com o Censo Demográfico de 2010 do IBGE, o número de falantes de línguas indígenas no Maranhão estava assim distribuído: miniaturadaimagem|Bolsa trançada por índios tenetehara no MA em 1945 +Língua indígenas no MaranhãoLínguaTronco linguísticoTotal de falantes (2010)CanelaMacro-jê488Gavião PukobiêMacro-jê521Ka'aporTupi-Guarani 1.241GuajáTupi-Guarani 503Guajajara (tenetehara)Tupi-Guarani 8.269KrikatiMacro-jê739Tembé (tenetehara)Tupi-Guarani 420 miniaturadaimagem|244x244px|Sônia Bone Guajajara: liderança indígena candidata à vice presidência da República em 2018 pelo PSOL; eleita deputada federal em 2022; e atualmente ministra dos Povos Indígenas.
Conflitos O relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, apresentado em 2016, colocou o Maranhão como o estado com o maior número de conflitos indígenas no país, com 18 casos de invasões de terras indígenas. Os casos envolvem disputas com fazendeiros, grileiros, madeireiros, a influência das ferrovias, dentre outras ocorrências. No Maranhão, foram desmatados 71,28% de sua floresta original, pertencente à região da Amazônia Oriental, o equivalente 105.195 km² de mata. Grande parcela da floresta que está sendo devastada ou é explorada ilegalmente encontra-se em área indígena. As terras indígenas, que por lei são de proteção integral, equivalem a 52% dos 42.390 km² de floresta ainda restantes no estado. Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 13% das áreas indígenas no estado foram desmatados.
Em outubro de 2015, um incêndio já tinha devastado cerca de 220 mil dos 413 mil hectares da Terra Indígena Araribóia, o que representa mais de 50% da área (INPE). Em 2016, os incêndios continuaram a agravar a situação. Foram registrados 408 focos de incêndio no interior da área indígena, no período de janeiro a novembro daquele ano. As queimadas provocam impacto na vida dos índios awá-guajás e guajajaras.
Em fevereiro de 2025, teve início a operação de desintrusão da Terra Indígena Arariboia, com ações coordenadas pela Casa Civil e pelo Ministério dos Povos Indígenas e participação de mais de 20 órgãos federais. O objetivo da operação era resguardar a vida dos indígenas, retirar criminosos do local e proteger a área contra a pecuária irregular. A primeira fase da operação foi concluída no final de abril, e resultou em mais de 430 ações integradas, envolvendo fiscalizações ambientais, derrubadas de cercas ilegais, notificações a criadores de gado e o cumprimento de mandados judiciais. No balanço, foram 158 notificações, mais de 12 mil metros de cercamentos destruídos e cerca de R$ 1,1 milhão em prejuízos aplicados a infratores.
Ver também Povos indígenas no Nordeste do Brasil
Bibliografia CIMI-MA. 1988. Povos indígenas no Maranhão: Exemplo de resistência. São Luís: Conselho Indigenista Missionário - CIMI-MA. 104 p., ilustrado. Cruz, Olímpio. 1972. Vocabulário de quatro dialetos indígenas do Maranhão: guajajara, canela, urubu e guajá. São Luís: Secretaria de Educação e Cultura - Departamento de Cultura do Maranhão. 87 p. Maranhão - Arquivo Público do Estado. 1997. Repertório de documentos para a história indígena do Maranhão. São Luís: Secretaria da Cultura do Estado do Maranhão. 361 p. (Trabalho iniciado em 1993 pelo estagiário Antonio Eduardo Pereira Silva e continuado a partir do ano seguinte por técnicos do Arquivo Público do Estado do Maranhão)
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