Francisco dos Mártires, (Lisboa, 1583 — Goa, 25 de setembro de 1652) foi um prelado português da Igreja Católica. Foi nomeado bispo de Macau em 13 de abril de 1630, mas não pode aceitar. Em 1633, recusou a indicação para a diocese de Malaca. Mas, em 1635, foi nomeado Arcebispo de Goa e Primaz da Índia. Durante sua prelazia, compôs o 2.º Conselho de Governo Interino da Índia Portuguesa, que assumiu após a morte de João da Silva Telo e Meneses.
Biografia O seu pai era Pedro da Fonseca, familiar do Santo Ofício e irmão da Misericórdia de Lisboa, e a sua mãe chamava-se Joana Simoa.Lopes de Lima & Bordalo (1862), p. 159
Em data que se desconhece ingressou na Ordem dos Frades Menores, no Real Convento de São Francisco, em Lisboa. Provavelmente, foi no seio da sua religião que fez a sua preparação escolar, vindo a alcançar o estatuto de "mestre em Teologia" pela sua Ordem, conforme depôs uma testemunha do seu processo consistorial.
Foi no seio da Ordem Franciscana que exerceu cargos que lhe granjearam projeção e prestígio nos círculos aúlicos. Ainda que as datas permaneçam incertas, foi guardião do Colégio de São Boaventura, em Coimbra, bem como do convento franciscano de Lisboa, e desempenhou ainda as funções de visitador da província de Castela da sua Ordem. Posteriormente, no contexto da União Ibérica (1581–1640), após essa visitação, foi nomeado secretário-geral da Ordem Franciscana.
Em 13 de abril de 1630, D. Filipe III chamou-o com o propósito de o nomear para a Diocese de Macau, na China. Contudo, foi então informado pelo governador de Portugal de que o franciscano já se encontrava a caminho de Madrid, acompanhado pelo bispo eleito de Viseu, D. Frei Bernardino de Sena, também franciscano. Em 1 de janeiro de 1633, como sinal do prestígio e da confiança que granjeara na corte madrilena, foi nomeado provincial da sua ordem. Nesse mesmo ano, integrou uma junta instituída por D. Filipe III, presidida pelo conde de Basto, D. Diogo de Castro, com o objetivo de reformar os costumes em Portugal. O reconhecimento pelo seu trabalho levou à sua nomeação para a diocese de Malaca, cargo que, contudo, declinou.
Em 1635, Francisco dos Mártires foi escolhido para arcebispo de Goa. O juramento e a profissão de fé tiveram lugar a 28 de maio desse ano, em Lisboa, perante o coletor Lorenzo Tramallo. Alguns meses depois, em 3 de dezembro de 1635, foi oficialmente preconizado arcebispo de Goa. A ordenação episcopal ocorreu em 19 de março de 1636, na Sé de Lisboa.Catholic Hierarchy
Partiu de Lisboa, na nau São João de Deus, no dia 4 de abril de 1636, e chegou a Goa no dia 21 de outubro, tendo tomado posse da catedral primacial de Goa exatamente um mês mais tarde.
Enquanto arcebispo, revelou grande preocupação com a organização da arquidiocese e com a nomeação de agentes e a implantação de instituições no território, nomeadamente através da criação de igrejas e confrarias. Empenhou-se igualmente na vigilância pastoral, tendo, por exemplo, visitado as igrejas do Norte em 1646. Zelou pela correta prática do culto e das festividades, bem como pela disciplina e boa conduta de eclesiásticos e leigos, não sem ter problemas, tanto com o governo temporal como pelo seu cabido. Viveu o período de transição entre a União Ibérica e a aclamação de D. João IV, exercendo ainda as funções de membro de Conselho de Governo Interino da Índia Portuguesa entre 1651 e 1652.
Morreu no dia 25 de novembro de 1652, aos 69 anos, no exercício do governo pastoral e jaz na capela-mor da Sé primacial de Goa.
Bibliografia
Ligações externas
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