Babe: Pig in the City é um filme australo-americano de 1998 dos gêneros aventura, fantasia e comédia dramática, dirigido por George Miller. É a sequência do filme Babe (1995) e continua as aventuras do personagem-título, um leitão com habilidade incomum de pastorear ovelhas, envolvendo-se numa jornada na cidade grande, ao lado de Esme, esposa de Arthur Hoggett. A maioria dos atores do primeiro filme retornou em seus respectivos papéis, entre eles James Cromwell, Miriam Margolyes, Hugo Weaving, Danny Mann, Roscoe Lee Browne e Magda Szubanski. Glenne Headly, Steven Wright, Nathan Kress e Mickey Rooney estão entre os intérpretes dos novos personagens que o porco encontra na cidade. Elizabeth Daily substituiu Christine Cavanaugh no papel de Babe.
A pré-produção iniciou-se em 1996, um ano após o bem-sucedido lançamento de Babe, que teve uma recepção bastante positiva entre o público e a crítica. Contando com um orçamento estimado em 90 milhões de dólares, muito superior ao de seu antecessor, Babe: Pig in the City foi filmado entre 1997 e 1998 em Nova Gales do Sul, no Fox Studios Australia, localizado no centro de Sydney, e algumas de suas cenas externas foram registradas em diversos pontos de referência da cidade. As filmagens envolveram quase 800 espécies de animais vivos, 50 treinadores de animais e centenas de outros profissionais nos bastidores.
Estreou nos Estados Unidos em 25 de novembro de 1998 e, em comparação ao filme original, teve um baixo retorno financeiro nas bilheterias. Embora não tenha recebido no país nenhum tipo de restrição quanto à classificação etária, vários críticos o consideraram sombrio, bizarro e violento para os espectadores mais jovens. Por outro lado, o filme também foi elogiado por muitos críticos, entre eles Roger Ebert, que o colocaram em suas listas de melhores filmes de 1998. O longa-metragem recebeu algumas nomeações a premiações diversas, porém, diferentemente de seu antecessor, que foi indicado para sete prêmios da Academia, recebeu apenas uma nomeação ao Oscar de Melhor Canção Original, por sua música-tema "That'll Do", em 1999.
O tom do filme é apontado como distante da atmosfera delicada e inocente do filme de 1995. Algumas cenas causaram controvérsia pelo retrato da crueldade contra animais e diversas publicações já discorreram sobre temas sérios abordados pelo longa-metragem, tais como abandono, morte, intolerância, exploração animal e alusões culturais e religiosas que estariam subentendidas no enredo. Atualmente reconhecido como um filme cult, é frequentemente listado entre as produções cinematográficas subestimadas na época em que foram lançadas, sendo mencionado pela revista Rolling Stone em sua lista dos melhores filmes da década de 1990. Foi adaptado para outras mídias, tais como livros, formatos caseiros de vídeo e jogos eletrônicos.
Enredo Após a vitória de Babe no concurso de pastoreio de ovelhas, Arthur Hoggett sofre um acidente, a situação financeira piora e um banco ameaça confiscar a fazenda. Esme Hoggett decide viajar com Babe até a cidade para inscrevê-lo num concurso de talentos. No aeroporto, um mal-entendido leva a polícia a suspeitar que Esme está carregando drogas. Ela é detida para interrogatório, perde o voo e hospeda-se com Babe num hotel que abriga vários animais em segredo.
Babe conhece os cães Nigel, Alan e Flealick, o macaco-prego Tug, os chimpanzés Zootie, Bob e Easy e o orangotango Thelonius. O palhaço idoso Fugly Floom, tio da proprietária do hotel, coloca Babe numa caixa e o leva para um hospital onde realizará um show de mágica para crianças. Esme pensa que o porquinho fugiu e sai à procura dele, mas acaba assaltada e presa após envolver-se num tumulto nas ruas. No hospital, ocorre um incêndio durante a apresentação de Fugly, que passa mal e morre.
À noite, os chimpanzés e Babe saem em busca de comida. Dois cães ferozes o perseguem pelas ruas, um deles cai num rio e é salvo por Babe, que é enaltecido por seu ato heroico. Babe convida vários animais de rua para o hotel, onde celebram um momento de comunhão e começam a cantar. Babe e o pato Ferdinand se reencontram, mas vizinhos incomodados com o barulho dos animais acionam a carrocinha para capturá-los. Babe, Ferdinand, Tug e Flealick escapam e conseguem libertar seus amigos.
Esme volta ao hotel e, acompanhada da proprietária do estabelecimento, parte para resgatar os animais e consegue recuperá-los após causar um grande tumulto no salão de festas do hospital. O hotel é alugado e transformado em uma discoteca, irritando os vizinhos com a música alta. A dona do hotel usa o dinheiro para pagar a dívida dos Hoggett e salva a propriedade deles. Ela e os animais da cidade se mudam para a fazenda, onde todos passam a viver felizes.
Elenco Na ordem dos créditos finais:
Magda Szubanski — Esme Hoggett, esposa de Arthur. James Cromwell — Arthur Hoggett, proprietário de Babe. Mary Stein — Proprietária do hotel. Mickey Rooney — Fugly Floom, um palhaço. E.G. Daily — Babe (voz), o porquinho. Danny Mann — Ferdinand (voz), um pato doméstico branco. Glenne Headly — Zootie (voz), um chimpanzé fêmea. Steven Wright — Bob (voz), um chimpanzé. James Cosmo — Thelonius (voz), um orangotango. Nathan Kress / Myles Jeffrey — Easy (voz), um chimpanzé jovem. Stanley Ralph Ross — Bull terrier / Doberman (voz). Russi Taylor — Poodle Rosa (voz). Adam Goldberg — Flealick (voz), um jack russell terrier deficiente. Eddie Barth — Nigel, um bulldog, e Alan, um mastim napolitano (vozes). Bill Capizzi — Cão Farejador (voz). Miriam Margolyes — Fly (voz), uma border collie. Hugo Weaving — Rex (voz), um border collie. Roscoe Lee Browne — Narrador. Paul Livingston — Chef Furioso. Julie Godfrey — Vizinha desconfiada. Katie Leigh — Gatinho (voz). Evelyn Krape — Ovelha Velha e Gatos de rua (vozes). Michael Edward-Stevens — Cavalo (voz). Al Mancini e Larry Moss — Peixe (voz). Jim Cummings — Pelicano (voz).
Produção Desenvolvimento thumb|170px|George Miller, roteirista e produtor do primeiro filme, assumiu o roteiro e também a direção da sequência. O filme Babe, adaptação de um livro infantil de Dick King-Smith, The Sheep-Pig, foi um grande sucesso de bilheteria e crítica em 1995, apesar da pouca publicidade que recebeu antes do lançamento, das baixas expectativas comerciais e do elenco pouco conhecido. Com um orçamento de 30 milhões de dólares, o filme infantil arrecadou mais de 250 milhões em todo o mundo e destacou-se por seus efeitos especiais revolucionários para a época, os quais mostravam animais falantes de forma muito convincente. Aclamado pelos críticos por sua grande inventividade e mensagem de coragem, recebeu sete indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme; Chris Noonan foi nomeado a Melhor Diretor, James Cromwell a Melhor Ator Coadjuvante e o filme foi o vencedor do Oscar de Melhores Efeitos Visuais.
O inesperado êxito de Babe levou a Kennedy-Miller Productions, produtora do filme comandada por George Miller, e a Universal Studios, sua distribuidora, a planejarem uma sequência, para a qual foi destinado um orçamento de 90 milhões de dólares australianos. Segundo Miller, o filme teria custado aproximadamente 57 milhões em dólares dos Estados Unidos, embora a imprensa divulgasse na época que o custo real da produção teria chegado a 100 milhões. A continuação teve como título de trabalho Babe in Metropolis, sendo posteriormente renomeada para Babe: Pig in the City.
Pré-produção A pré-produção da sequência iniciou-se em outubro de 1996, quando George Miller, acompanhado do coprodutor Doug Mitchell e da figurinista Norma Moriceau, reuniu-se com o treinador de animais Karl Lewis Miller, que havia trabalhado no primeiro filme e mantinha um complexo formado por vários canis no Vale de São Fernando, na Califórnia; eles trataram da seleção dos animais que atuariam em Babe: Pig in the City. Mais tarde, o trio se reuniu com o também treinador Steve Martin num rancho arborizado na Califórnia, onde ele abrigava e treinava sua coleção de animais exóticos de várias espécies, entre eles os chimpanzés.
Karl Miller reassumiu a função de supervisor de animais e Martin foi contratado para treinar e lidar com os primatas do filme; ambos receberam as primeiras instruções de George Miller em novembro de 1996, as quais demandavam deles um número e variedade de espécies muito maiores do que no filme de 1995, pois desta vez os animais teriam muito mais destaque, com os humanos desempenhando apenas papéis de apoio. Os primeiros animais escolhidos para papéis importantes no filme foram Terrier – o jack russel terrier que interpretaria Flealick – e Charlie, o chimpanzé filhote que desempenharia o papel de Easy. Os animais do celeiro foram reunidos por Caroline Girdlestone e James Delaney, neozelandeses que haviam lidado com importantes cenas envolvendo ovelhas no longa-metragem original.
Direção e roteiro Apesar do grande sucesso do primeiro filme, seu diretor e corroteirista Chris Noonan sentia-se de fora da cobertura do fenômeno que Babe se tornou. Ele, que trabalhara no filme durante sete anos, tinha seu nome pouco divulgado na imprensa e nas premiações, que davam bastante destaque ao corroteirista e coprodutor George Miller. Essa situação acabou levando a uma disputa entre Noonan e Miller pela direção da sequência e, como resultado, Noonan não se envolveu no projeto de Babe: Pig in the City e Miller retornou nas funções de corroteirista e coprodutor, assumindo também a direção do longa-metragem. Noticiou-se que Noonan não foi nem mesmo convidado para a pré-estreia australiana do filme, um evento de gala para o elenco, equipe de produção, celebridades e críticos.
Miller escreveu o roteiro em parceria com a atriz Judy Morris e o escritor Mark Lamprell. Babe, Sra. Hoggett e Ferdinand, personagens do livro e do filme original, foram novamente usados na sequência, mas agora colocados em uma aventura inteiramente nova, ao explorarem o ambiente de uma metrópole. Dessa forma, o filme trata do contraste entre a fazenda cidade, incorporando no roteiro situações que remetem a temas como a inocência, a confiança, o drama dos desabrigados e a intolerância. Os três roteiristas reuniam-se em uma mesa todos os dias e revezavam para digitar durante um lento processo de aprimoramento da história, cuja escrita era completamente reiniciada caso Miller detectasse algo que não funcionasse no ritmo da narrativa.
Escolha do elenco Muito antes do início das filmagens, George Miller, os coprodutores Doug Mitchell e Bill Miller e os corroteiristas Judy Morris e Mark Lamprell dirigiram-se para Hollywood, onde realizaram audições para as vozes dos personagens animais. Parte do elenco de vozes do primeiro filme retornou para a sequência, a maioria em participações menores em razão do novo enredo, tais como Hugo Weaving e Miriam Margolyes, intérpretes, respectivamente, dos cães Rex e Fly, que continuam a dar conselhos sólidos e amorosos a seu agora filho adotivo Babe. Roscoe Lee Browne também voltou como o narrador.
thumb|left|160px|Magda Szubanski retornou no papel de Esme Hoggett, desta vez como a protagonista humana do filme, acompanhando Babe em suas aventuras. James Cromwell e Magda Szubanski reinterpretaram o casal de fazendeiros Arthur e Esme Hoggett, mas desta vez Szubanski, comediante popular na Austrália, recebeu o papel principal do humano que acompanha Babe em suas aventuras, o que tornou a participação de Cromwell apenas secundária. Miller, admirador do talento de Szubanski, deu-lhe protagonismo após olhar fitas de trabalhos anteriores dela e descobrir que a comediante tinha predileção por comédia física, recurso que ele gostaria de explorar no filme.