As Guerras das Bananas (21 de abril de 1898 – 1 de agosto de 1934) foram uma série de ocupações, ações militares, e intervenções que envolveram os Estados Unidos na América Central e no Caribe entre a Guerra Hispano-Americana (1898) e a criação da "Política de Boa Vizinhança" (1934).Lester D. Langley, The Banana Wars: United States Intervention in the Caribbean, 1898–1934, p. 3. Essas intervenções militares foram na maioria das vezes realizadas pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Os fuzileiros participaram com tanta frequência que desenvolveram um manual, The Strategy and Tactics of Small Wars, em 1921. Com o Tratado de Paris, a Espanha cedeu o controle de Cuba e de Porto Rico para os Estados Unidos. Depois disso, os Estados Unidos realizaram diversas intervenções militares a nível de bullyingEmpire’s Workshop: Latin America, the United States, and the Rise of the New Imperialism no Panamá, Honduras, Nicarágua, México, Haiti e República Dominicana. A série de conflitos só terminou com a retirada das tropas do Haiti sob a presidência de Franklin D. Roosevelt.
Motivações thumb|280px|Charge mostrando o presidente Theodore Roosevelt transformando o Mar do Caribe em um "lago" norte-americano, por meio da aplicação do Big Stick.
As razões para estes conflitos foram variadas, mas foram em grande medida de natureza econômica. O termo "guerras das bananas" surge a partir da conexão entre estas intervenções e à preservação dos interesses comerciais estadunidenses na região. Mais destacadamente, da United Fruit Company que teve participações financeiras significativas na produção de bananas, tabaco, cana-de-açúcar, e vários outros produtos em todo o Caribe, América Central e na porção norte da América do Sul. Os Estados Unidos também foram avançando seus interesses políticos, a manutenção de uma esfera de influência e o controle do Canal do Panamá, criticamente importante para o comércio global e o poder naval.
Intervenções Panamá
esquerda|thumb|300px|O istmo e o canal do Panamá, região estratégica por sua ligação aos oceanos Atlântico e Pacífico.
Desde a sua declaração de independência do Reino da Espanha, em 28 de novembro de 1821, o Panamá aderiu voluntariamente a Nova Granada, uma nação que integrava junto ao Equador e Venezuela a atual Colômbia.
Em várias ocasiões, militares do território do istmo, haviam tentado a separação e a independência da Colômbia, os acontecimentos mais importantes ocorreram em 1831, entre 1840 e 1841 quando, por um breve período em foi estabelecido como um Estado independente e durante parte da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), conflito civil que devastou os dois países. O Tratado de Wisconsin, assinado em um navio estadunidense com esse nome, coloca um fim a esta guerra. No entanto, o líder dos Liberais Victoriano Lorenzo se recusou a aceitar seus termos e foi fuzilado em 15 de maio de 1903.
Em 1846, o Tratado Mallarino-Bidlack, um tratado entre o governo colombiano e os Estados Unidos permitiu a construção da ferrovia interoceânica, para a qual se garantiu neutralidade e livre trânsito, e também uma intervenção militar americana foi autorizada que permitia auxiliar a Colômbia a restabelecer a ordem caso a área do istmo estivesse conflagrada por alguma desordem qualquer. Isto ocorreu já em 1856 após violentos confrontos entre os panamenhos e americanos em 15 de abril de 1856, na chamada Guerra da Melancia, que levou a primeira intervenção dos Estados Unidos no Panamá. O descobrimento de ouro na Califórnia, em 1849, revalorizou o papel do istmo como via de comunicação entre as costas oriental e ocidental dos Estados Unidos. Seis anos mais tarde, inaugurou-se a ferrovia, uma das mais promissoras fontes de divisas do governo colombiano, que o levou a empreender múltiplas e intermináveis negociações para a construção do canal, só iniciada em 1880. Em 1878, o francês Ferdinand de Lesseps, construtor do Canal de Suez, obteve uma concessão do governo da Colômbia, autorizando a sua companhia a iniciar as obras de abertura do canal. A companhia encarregada do vultoso empreendimento, de capital majoritariamente francês, interrompeu os trabalhos em 1889 e, em 1898, a obra foi definitivamente paralisada por causa da falência da empresa.
O presidente Theodore Roosevelt estava convencido de que os Estados Unidos podiam terminar o projeto, e reconheceu que o controle estadunidense da passagem do Atlântico ao Pacífico seria de uma importância militar e econômica considerável. O Panamá fazia então parte da Colômbia, de modo que Roosevelt começou as negociações com os colombianos para obter a permissão necessária. No início de 1903, o Tratado Hay-Herran foi assinado pelos dois países, mas o Senado colombiano não o ratificou. Dessa forma, Roosevelt estimulou os rebeldes panamenhos ao alegar que caso estes se revoltassem contra a Colômbia, a marinha estadunidense apoiaria a causa de independência panamenha. O Panamá acabou por proclamar sua independência em 3 de novembro de 1903, e o U.S.S. Nashville, em águas panamenhas, impediu toda e qualquer interferência colombiana.
Muitos argumentam que o medo de uma guerra contra os Estados Unidos obrigou os colombianos a evitarem uma oposição séria ao movimento de independência. Os panamenhos vitoriosos devolveram o favor a Roosevelt permitindo aos Estados Unidos o controle da Zona do canal do Panamá em 23 de fevereiro de 1904 por US$ 10 milhões (como previsto no Tratado Hay-Bunau-Varilla, assinado em 18 de novembro de 1903) e de uma renda anual de 250 mil dólares a partir de 1913. O Tratado Hay-Bunau-Varilla, ratificado pelo governo provisório do Panamá, e que concedia aos Estados Unidos o uso, controle e ocupação perpétua da Zona do Canal, uma faixa de 16 km de largura através do istmo. Em 1904 reiniciaram-se as obras. O canal só foi aberto oficialmente ao tráfego em 15 de agosto de 1914.
A constituição de fevereiro de 1904 autorizava a intervenção das forças armadas norte-americanas em caso de desordens públicas, o que, na prática, equivalia à instauração de um protetorado. A instabilidade política motivou diversas intervenções nos primeiros decênios do século e isso, somado à alienação da Zona do Canal, que partia em dois o território nacional, alimentou na população sentimentos de hostilidade aos Estados Unidos e um crescente nacionalismo.
No ano de 1906, o Presidente panamenho Manuel Amador Guerrero e a Câmara Municipal da capital, solicitam a intervenção da autoridade dos Estados Unidos sobre as eleições deste ano.
Em maio de 1912, as eleições gerais foram realizadas na presença de tropas dos militares americanos. A Colômbia reconheceria oficialmente a independência do Panamá somente em 1914 quando recebeu uma indenização no valor de 25 milhões de dólares, paga pelos Estados Unidos. Por ocasião de dias de confrontos entre panamenhos e soldados americanos em 1915, em Colón, o governo dos Estados Unidos enviaram um ultimato ao governo panamenho, exigindo o desarmamento da Polícia Nacional, sob a ameaça de uma ocupação militar da Cidade do Panamá e Colón, ordem que o governo panamenho cumpriu, mas não sem protestar este abuso e violação da sua soberania.
Em julho de 1918 o exército americano ocupou arbitrariamente as províncias de Chiriquí e Veraguas, sob o pretexto de ajudar as autoridades panamenhas para manter a ordem e dar proteção aos cidadãos norte-americanos dessas províncias. A ocupação militar de Chiriqui durou dois anos e a de Veraguas uma semana, apesar do protesto do Panamá. Em março de 1921, os americanos mostram seu poder, sempre sob a ameaça de intervenção militar, exigindo do Panamá sediar o Regente Branco favorecendo Costa Rica, na fronteira dos dois países durante a Guerra do Coto. Em 1924 normalizaram-se as relações entre o Panamá e a Colômbia. O Presidente Rodolfo Chiari solicitaria a intervenção militar dos Estados Unidos em 1925 para reprimir os protestos populares.
Em 1936, a "política da boa vizinhança" preconizada pelo presidente americano Franklin Roosevelt permitiu um princípio de revisão do Tratado Hay-Bunau-Varilla. De 1903 a 1977, o território da Zona do Canal foi controlado pelos Estados Unidos. De 1977 a 1999, o canal esteve sob jurisdição conjunta dos Estados Unidos e do Panamá. Em 1977, os Tratados Torrijos-Carter estabeleceram a neutralidade do canal e a cessão do controle de toda a zona ao Panamá até 1999, quando o controle foi passado ao Panamá, como previsto pelos Tratados Torrijos-Carter.
Cuba
Após a derrota espanhola na Guerra Hispano-Americana e sua posterior retirada de tropas de Cuba, em Dezembro de 1898, o governo de Cuba foi entregue aos Estados Unidos em 1 de janeiro de 1899. O primeiro governador foi o General John R. Brooke. Diferentemente de Guam, Porto Rico e as Filipinas, os Estados Unidos não anexaram Cuba, devido às restrições impostas na Emenda Teller.
Brooke instituiu um governo civil, também colocou governadores norte-americanos em sete departamentos e nomeou governadores civis nas províncias recém-criadas, bem como prefeitos e representantes nos municípios. O governo americano começou a criar propostas econômicas que beneficiavam apenas aos Estados Unidos, como por exemplo, todos os produtos que Cuba produzia eram exportados apenas para os Estados Unidos, a preços baixíssimos, que os revendia por preços maiores. A economia cubana, facilitada pelo governo de ocupação, foi rapidamente dominada pelo capital norte-americano. O crescimento de propriedades estadunidenses foi tão rápido que em 1905 quase 10% do total da área terrestre de Cuba pertencia a cidadãos norte-americanos. Em 1902 empresas americanas controlavam 80% das exportações de minério de Cuba e possuía a propriedade da maior parte das fábricas de açúcar e tabaco.
Em 2 de março de 1901, o Congresso dos Estados Unidos aprovou o ato das apropriações do exército estipulando as condições para a retirada das tropas restantes Estados Unidos em Cuba desde a Guerra Hispano-Americana. Este ato incluía a Emenda Platt, que definiu os termos das relações entre Cuba e Estados Unidos até 1934, substituiu a Emenda Teller. A emenda previu uma série de normas que violavam fortemente a soberania de Cuba: Cuba não transferiria terras cubanas a qualquer outra potência a exceção dos Estados Unidos; os Estados Unidos teriam direito à intervenção em assuntos cubanos e ocupação militar, quando as autoridades estadunidenses considerarem que a vida, as propriedades e os direitos dos cidadãos norte-americanos estavam em perigo; Cuba foi proibida de negociar tratados com qualquer outro país que não seja os Estados Unidos "que iriam prejudicar a independência de Cuba"; a Isla de Pinos (atualmente chamada de Ilha da Juventude) foi considerada como fora das fronteiras de Cuba até que o título que lhe fosse ajustado em um futuro tratado; a venda ou concessão para os Estados Unidos de "terras necessárias para carvão ou estações navais em determinados pontos seriam negociadas." A emenda cedeu para os Estados Unidos a base naval em Cuba (Guantánamo) e foi concedido o direito de utilizar uma série de outras bases navais como estações de carvão.
Como condição prévia para a independência de Cuba os Estados Unidos exigiram que esta emenda fosse aprovada integralmente e sem alterações pela Assembleia Constituinte como um apêndice da nova Constituição. Perante esta alternativa, o anexo foi aprovado depois de aquecido debate.
Nas eleições presidenciais seguintes em 31 de dezembro de 1901, Tomás Estrada Palma, um cidadão dos Estados Unidos, foi o único candidato. Seu adversário, o general Barolomé Maso, retirou sua candidatura em protesto contra a manipulação dos Estados Unidos, seu favoritismo e da manipulação da máquina política por seguidores de Palma. Palma foi eleito para ser o primeiro Presidente da República e só retornou a Cuba quatro meses após a eleição. A ocupação terminou oficialmente quando Palma assumiu o cargo em 20 de maio de 1902.