é o estilo arquitetónico que, em linha com a tendência artística universal do neoclassicismo, resulta da recuperação da gramática formal da Antiguidade Clássica grega e romana. Na história da arquitetura, este estilo surge após o barroco tardio e rococó, no período em que a tradição da Grand Tour foi um marco na educação cultural entre as gerações de novos artistas e de toda a classe aristocrática e alta burguesia. O período de desenvolvimento deste estilo coincide com aquele a que os historiadores da economia designam de Revolução Industrial. Observa-se, na área da arquitetura, que neste período começam a destacar-se os problemas da prática construtiva.

Não obstante os estilos precursores propriamente ditos, como o de Andrea Palladio, posteriormente seguido pelo palladianismo, que se difunde em Inglaterra e em seguida por todo o mundo e que vem influenciar notavelmente a arquitetura neoclássica, o neoclassicismo propriamente dito teve início depois de meados do até aos inícios do (aproximadamente entre 1755 e 1830), e difundiu-se por todos os países ocidentais, acabando por influenciar a produção arquitectónica da Rússia, Estados Unidos e América Latina.

Embora se trate dum fenómeno internacional, a arquitetura neoclássica foi caracterizada por diferentes correntes conforme a época e as diferentes tradições estabelecidas anteriormente nos vários países. Neste sentido, torna-se difícil conceber uma periodização rigorosa: na verdade, o neoclassicismo não só se enquadra numa extensa corrente fundada sobre o estudo da arquitetura clássica (já a partir da arquitetura do ), como se manteve em voga durante todo o , caracterizada no decorrer do eclectismo e, eventualmente, deixando os seus traços na arquitetura dela decorrente (ver, por exemplo, monumentalismo).

Neoclassicismo no thumb|esquerda|Marie-Joseph Peyre, projecto dum concurso para uma catedral, lançado pela Academia de San Luca, 1753 thumb|esquerda|James Stuart, estampa do Pártenon

O neoclassicismo setecentista foi essencialmente uma reação ao Rococó. Para além da recuperação dos princípios da arquitetura do e palladiana, o início do racionalismo neoclássico surge como resposta antibarroca que teve a sua origem com as obras teóricas do de François Blondel, Claude e Charles Perrault, e, no , de Colen Campbell.

O desenvolvimento da arquitetura neoclássica contribuiu para três orientações fundamentais. A primeira ocorreu no campo da crítica arquitetónica, com a divulgação dos escritos de Marc-Antoine Laugier, Carlo Lodoli, Francesco Milizia, Étienne-Louis Boullée, Claude-Nicolas Ledoux e outros, que favoreceram a transposição do Iluminismo na arquitetura, afirmando tais princípios relacionados com o racionalismo e o funcionalismo que conduziriam a um novo ideal estético, com predilecção para formas geométricas elementares. Marc-Antoine Laugier, no seu Ensaio sobre a arquitetura, sustentava que a natureza era o princípio originário da arquitetura; o seu edifício ideal era definido por colunas livres, sem pilares, embasamentos e outros elementos da tradição renascentista e pós-renascentista. Ademais, no seu tratado expôs uma concepção racional do classicismo, apoiando o conceito da chamada "cabana rústica" do homem primitivo como expressão da verdadeira necessidade humana de abrigo.

Dentre os princípios do pensamento de Lodoli encontra-se a oposição à interpretação do dogma vitruviano, que havia ofuscado o verdadeiro significado da arquitetura: a sua funcionalidade. Sucessor de Ludoli foi Milizia, o mais influente dos teóricos da arquitetura italiana de fins do que, em 1768, na introdução do seu tratado Memorie degli architetti antichi e moderni, declara-se partidário da teoria da imitação, conduzindo-a a um desenvolvimento maior que Laugier, reconhecendo dois princípios da arquitetura que se refere à natureza: o grego como imitação da cabana primitiva e o gótico como imitação do bosque. Milizia sustentava que a arquitetura não deveria ser uma mera imitação da natureza, mas da beleza da natureza. Todavia, nem todas as teorias setecentistas foram caracterizadas por tamanho rigor. Giovanni Battista Piranesi foi um forte opositor de Ludoli e Laugier, reivindicando a "louca liberdade de trabalhar o capricho". É importante salientar, mesmo que indiretamente, foi a obra do filosofo Jean-Jacques Rousseau que, afirmando que a liberdade natural do homem hoje perdida dentro de uma sociedade rígida, orientou a arquitetura neoclássica em direcção a uma maior liberdade formal (eclectismo).

thumb|upright=1|Impressão de G.B. Piranesi: Arco de Trajano em Benevento thumb|upright=1|Vista frontal do Cenotáfio de Newton

A segunda orientação da origem do neoclassicismo surge da atividade antiquária com a redescoberta da história grega e romana, as pesquisas arqueológicas na Grécia e Roma, e o começo de um crescente interesse nas escavações em Herculano e Pompeia (1719 e 1738), para além da publicação de importantes obras literárias como a História da Arte Antiga de Johann Joachim Winckelmann, que introduziria a dupla definição do ideal de beleza da arte antiga, caracterizado como "tranquila simplicidade e nobre grandeza". em contraste com o esplendor do barroco e do rococó, considerado por alguns críticos da época, como o italiano Francesco Milizia, falsas expressões do irracional e do enganoso. Essa noção central ressaltada pelo autor revelaria a meta da arte, aquilo que a torna inimitável e, ao mesmo tempo, faz dela um modelo a ser imitado.

Não menos importante foi a divulgação de publicações que compunham reproduções das antiguidades gregas e romanas. Destas, destacam-se as Antiguidades de Atenas de James Stuart que, em paralelo com a subsequente publicação, influenciaram a formação do novo estilo arquitectónico, sobretudo o transalpino, e as numerosas estampas de Giovanni Battista Piranesi, retratando a antiguidade romana.

Neste contexto, grande parte das críticas atribuem normalmente um papel importante ao ambiente romano na definição dos novos gostos arquitectónicos. Segundo o historiador David Watkin, a linguagem do neoclassicismo internacional foi criada em Roma por volta de 1740, por pensionistas franceses da Academia de França, que, refutando a exuberante ornamentação da arquitetura do barroco tardio, dedicaram-se à projeção de vários edifícios públicos, inspirados pelas antigas construções da Roma Antiga.

A terceira orientação, de natureza sócio-política, está na postura da nova classe burguesa que estabelece no neoclassicismo o espírito conservador, o ideal republicano da revolução política (1789), o racionalismo da revolução industrial e o romantismo nacionalista e individualista.

Do ponto de vista ideológico, no Neoclassicismo setecentista é possível definir essencialmente três períodos: um primeiro no qual emergem os traços particulares do iluminismo; um segundo de consolidação , em que prevalecem aspectos filológicos, arqueológicos e académicos; e finalmente um terceiro que se refere à arquitetura revolucionária de Étienne-Louis Boullée e Claude-Nicolas Ledoux, cujas obras (como o Cenotáfio de Newton ou a Salina Real de Arc-et-Senans) inserem-se perfeitamente no ambiente cultural dominado por nomes como Isaac Newton, Voltaire, Denis Diderot e Montesquieu, constituindo o emblema do neoclassicismo vinculado ao Iluminismo e à Revolução Francesa.

thumb|esquerda|Pierre-François-Léonard Fontaine, monumento sepulcral para os soberanos de um grande império, 1785

No que respeita ao estilo padrão, a principal diferença que se verifica na passagem de uma tendência para outra reside na forte prevalência do "linear" em relação ao "pictórico", entendida como o domínio da razão sobre a emoção: "quanto mais uma linha descrevesse alguns corpos simples, dispostos frontalmente como um baixo-relevo perfeito, mais essa linha, para o artista neoclássico, podia realçar a função." O carácter linear tornou-se expressão de uma intencionalidade projetual característica de toda a arte neoclássica. Em particular, o princípio de correspondência entre a forma e a função estática conduziu à precisão escrupulosa das forças e resistência dos materiais, exaltando o conhecimento científico dos engenheiros a nível estético.

A utilização das ordens e tímpanos, as perspectivas e planos simétricos, a correspondência entre o interior e o exterior, bem como a utilização de volumes simples e bem definidos na definição dos vários edifícios, tornaram-se elementos característicos da composição arquitetónica. No entanto, apesar da aparente rigidez das regras combinatórias, o estilo padrão revelou ser bastante flexível, variando do minimalismo de Boullée para uma disposição articulada que amiúde caracterizaria os espaços interiores.

Os ideais de pureza formal acumulados na idade neoclássica conduziram a uma autonomia extrema do projeto arquitetónico a partir de outros componentes (pintura e escultura). As faustosas decorações pictóricas dos tetos, que tinham atingido o auge no período anterior, finalmente acabaram.

Foram realizadas inovações consideráveis especialmente no planeamento urbano, nas intervenções promovidas entre os séculos XVIII e XIX na Inglaterra, França e Rússia, com a criação de espaços e complexos urbanísticos formados pela agregação de unidades de construção individuais. Em todo o caso, a maior influência do Iluminismo no campo arquitetónico não é tão perceptível na linguagem, mas na tipologia, uma vez que alguns tipos de edifícios, como teatros, bibliotecas, hospitais e outros edifícios de utilidade pública, prestavam-se mais a modificações do que outros.

Neoclassicismo dos séculos XIX e XX thumb|right|O Quadrante, Regent Street em 1837, visto de Piccadilly Circus. Novas construções foram entretanto restabelecidas no local

O Neoclassicismo permaneceu a maior corrente na Europa desde a segunda década do até ao . No entanto, foi acompanhado por novas correntes culturais, expressão de várias mudanças da sociedade, como o neogótico, neorrenascimento, o neobarroco e o neorromânico. A época oitocentista foi o século de Napoleão Bonaparte, da Restauração e da afirmação dos estados nacionais; foi um século assinalado pela Revolução Industrial, que mudou os cenários sociais e criou novas oportunidades para o desenvolvimento, sobretudo na Inglaterra.

Esse aparato formal que ressentiu profundas alterações pela sobriedade e sumptuosidade da arquitetura napoleónica (o estilo império que data de 1805—1814), foi seguido pelo chamado Classicismo da Restauração . Na segunda metade do século, o neoclassicismo tornou-se o estilo dos estados burgueses enriquecidos com a industrialização, enquanto que nas primeiras décadas do , estaria presente em toda a arquitetura anacrónica ostensiva de vários países, incluindo os Estados Unidos, Itália e Alemanha, sustentando-se a nível ideológico e perdendo inclusive qualquer significado histórico.

Do ponto de vista compositivo, a arquitetura oitocentista tornou-se mais rigorosa, prestando maior atenção filológica ao uso de formas antigas, e a linguagem decorativa tornou-se mais rica e expressiva; no entanto, a procura por resultados efectivos prevaleceu sobre a expressão de um elevado ideal intelectual. Assim, o neoclassicismo sobreviveu na Europa, Estados Unidos e nas colónias disseminadas nos diferentes continentes, mas os vários edifícios construídos, e apesar dos elevados padrões de qualidade, demonstraram uma fraca capacidade de avanço e progresso. Paradoxalmente, os princípios básicos da tradição neoclássica (lógica, técnica construtiva, uso racional de materiais relativos à sua função etc.) foram recuperados, num fundamento efectivamente anticlássico, a partir dos arquitetos do neogótico.