300px|thumb|Divisão política do Cáucaso em

A história da região do Cáucaso pode ser dividida na história da Ciscaucásia (Cáucaso do Norte), historicamente na esfera de influência da Cítia e do sul da Rússia (Europa Oriental), e da Transcaucásia (Sul do Cáucaso) (nos atuais países da ex-URSS: Geórgia, Arménia e Azerbaijão), na esfera de influência da Anatólia, Assíria e Pérsia (Sudoeste Asiático).

Nos tempos modernos, o Cáucaso do Sul foi parte do Império Otomano, enquanto o Norte do Cáucaso foi conquistado pelo Império Russo no (Guerra do Cáucaso).

Após o fim da União Soviética, a Geórgia, o Azerbaijão e a Arménia tornaram-se independente em 1991.

A região do Cáucaso é objeto de diversas disputas territoriais desde o colapso da União Soviética, levando a Guerra de Nagorno-Carabaque (1988–1994), o Conflito na Ossétia do Norte de 1992, a Guerra na Abecásia (1992–1993), a Primeira Guerra na Chechênia (1994–1996) e a Segunda Guerra na Chechênia (1999-presente).

Pré-História No sítio arqueológico de Dmanisi, na Geórgia, estão os fósseis de hominídeos mais antigos conhecidos fora da África, que viveram há cerca de 1.79-1.77 milhões de anos atrás, conhecidos como Homo georgicus.

Os registros culturais mais antigos de Homo Sapiens na região são os petróglifos de Gobustão. Os primeiros povoamentos humanos com presença de agricultura e domesticação de animais são encontrados na Cultura de Shulaveri-Shomu, existindo entre o fim do milênio 7 a.C. até o começo do milênio 5 a.C. Por estarem próximos da Mesopotâmia, os grupos humanos do Cáucaso estavam em constante trocas culturais com os habitantes dessa região. A cultura de Kura–Araxes, originária do Monte Ararate, se espalha até as margens do Levante na região Palestina.

Primeiros Reinos A ameaça de expansão dos reinos mesopotâmicos fez com que os grupos caucasianos, até então vivendo em uma lógica autônoma e sem centralização política, começassem a se unir em alianças contra invasões mesopotâmicas. Esses agrupamentos se centralizaram nos primeiros reinos da região. O Reino de Urartu (c. 858-625), o estado mais antigo conhecido dessa região, viveu em disputa com o Império Neo-Assírio durante sua existência, caindo no final do século VII, muito provavelmente em decorrência das invasões cítias. Por volta de 550 a.C. a região cairia sob controle do Império Aquemênida. A divisão do Império em satrapias daria origem às primeiras unidades políticas etnolinguísticas, dos quais se destaca o primeiro estado Armênio - que existiu entre 336 a.C. até 428 d.C. - ocupando, em seu auge, a região conhecida como Grande Armênia. A região foi conquistada por Alexandre, o Grande, e, após sua queda, conseguiu se estabelecer como reino independente até ser vassalizado pelo Império Selêucida. Outros reinos importantes que nasceram da fragmentação Aquemênida foram os Reinos da Albânia, Ibéria e Cólquida.

Divisão entre Roma e Pérsia miniaturadaimagem|Fronteiras determinadas pela Paz de Acilisena, C. 387. Por volta do século I a.C. os reinos caucasianos estariam nas fronteiras entre Roma e o Império Parta, e foram formadas relações de alianças e vassalizações entre os reinos e seus vizinhos expansionistas, e o status quo das fronteiras seria aproximadamente o mesmo por séculos. Em 387, é firmada a Paz de Acilisena entre o Império Romano do Oriente sob Teodósio I e Sapor III da Dinastia Sassânida, colocando a maior parte da região do Cáucaso sob domínio persa.

Nesse período também, a Igreja Católica começa a se espalhar pelo Cáucaso. Por volta do século III, missionários da região síria se espalham pela Armênia, com a tradição católica citando que os apóstolos Judas Tadeu e Bartolomeu pregaram e se tornaram mártires no Cáucaso. O rei armênio, , seguindo a política de clientelismo, tinha a mesma posição de perseguição aos cristãos que Roma. No entanto, com o império sendo abalado pelas ramificações da diáspora cristã, o rei se converte ao cristianismo por volta de 301, convertido por Gregório, o Iluminado, de acordo com tradição religiosa armênia, e declara a Igreja Apostólica Armênia como religião estatal, sendo o primeiro estado cristão a emergir, uma década antes de Constantino mudar a política religiosa romana. Ao longo dos próximos séculos, a religião cristã cresceria cada vez mais no Cáucaso, sendo bastante praticada até os dias de hoje.

Expansão Islâmica Após a última Guerra Bizantino-Sassânida, o império persa se enfraqueceu bastante, sendo derrotado em 628. Duas décadas mais tarde, o império caiu para a expansão do Califado Ortodoxo, e a região da Transcaucásia seria disputada pelos califados, o contínuo Império Bizantino, e o Canato Cazar, formado pelos grupos seminômades da Ásia Central, controlando o norte da região.

A dinâmica da região mudaria drasticamente com a migração dos povos túrquicos na Anatólia, com destaque para o Império Seljúcida, que solidificou a queda da presença bizantina na região. A Geórgia, unificada em 970 sob reinado da dinastia Bagrationi, se consolidou contra a invasão seljúcida, e, nas consequentes cruzadas, com o foco túrquico no levante, o reino conseguiu sobreviver e se expandir, se tornando uma potência regional, até a invasão dos mongóis no século XIII. Após o domínio mongol se findar um século depois, o reino conseguiu se manter independente, porém enfraquecido, até se fragmentar por volta de 1470. Já os reis armênios, derrotados pelos seljúcidas, se exilaram na região da Cilícia, e lá fundaram um reino refugiado, conseguindo se manter independente por todo o período das cruzadas, até serem invadidos pelo Sultanato Mameluco. O Cáucaso, fragmentado, entraria na Idade Moderna novamente como um local de disputa entre oeste, agora representado pelo crescente Império Otomano, e pela Pérsia novamente no leste, agora sob Dinastia Safávida. No século XVII, o Império Russo em sua rápida expansão, também começa a se estabelecer no norte do Cáucaso, agora uma região em disputa por 3 grandes potências.

Entre russos, otomanos e persas O nascente Império Otomano atinge Cáucaso para conquistar o Império de Trebizonda (1461) e submete a vassalagem o Canato da Crimeia (1475). Para o sudeste dos Safávidas (que haviam sido derrotados por Xirvão em 1462) aumentam seu poder e saqueiam em 1501 Bacu impondo o Islão sunita aos xiitas, fazem incursões na Geórgia, conquistam a Arménia à Confederação do Cordeiro Branco e proclamam seu líder Ismail Xá de Pérsia em 1502. Os otomanos e safávidas se confrontam (batalha de Chaldiran de 1514) e partilham a Arménia, novos choques ocorrem após os safávidas anexam Xirvão (1550), e repartem com os otomanos a Geórgia (1553).

Por seu turno, o cristianismo do Cáucaso sofre um decaimento, parte da Abecásia e os lazes (cristãos ortodoxos) tornam-se muçulmanos sunitas hanafitas no , a religião começou a espalhar-se entre os chechenos e cabardinos (cristã ortodoxa) desde os Tártaros da Crimeia e Nogais.

O czar russo Ivã IV, o Terrível conquistou o Canato de Astracã e o Nordeste do Cáucaso (até os rios Tereque e Iegorlique em 1557), instalando ali os cossacos, o grande príncipe de Cabárdia pactua com o czar, que se casou com uma filha o príncipe.

Entre 1577 e 1588 são os otomanos (com os seus vassalos da Crimeia) que percorrem para o Cáucaso da costa do Cáspio, forçando o Xá da Pérsia a renunciar-se (1590), antes partem do Daguestão, no Cáucaso Meridional e as províncias ocidentais do Irã. Mas o Xá Abas I, o Grande reorganiza o exército persa (incluindo arménios e georgianos, como os deportados para a sua capital Ispaã) em 1602–1606 e recuperou quase tudo o que havia perdido (a Derbente) caindo a Geórgia e a Arménia sendo divididas entre as duas potências e o Canato Avar independente.

Um incidente em Shemakha leva Czar da Rússia a atacar (1722–1723) a Pérsia que cede toda a costa oeste e sul do Mar Cáspio, os otomanos atacaram os persas para obter o resto do sul do Cáucaso, mas colidem com a resistência dos arménios do Carabaque. Em 1735, a Rússia retirou-se da costa do Mar Cáspio (exceto o norte do rio Sulak). Seguem guerras entre russos e otomanos, e entre otomanos e Nader Xá da Pérsia (que substituiu a dinastia safávida), por estas guerras estão envolvidos os caucasianos, alguns são mantidos independentes (como o Canato de Avaristão), outros mais ou menos dependentes segundo as circunstâncias como Cabárdia vassalo da Rússia desde 1761, e Imerícia que se livra do domínio otomano com Salomão I de Imerícia, ou do sudeste que são liberados após a morte de Nader Xá em 1747.

O islamismo sunita Hanifita segue a progredir nos séculos XVII-XVIII que o adotam em parte os caracais e balcários e o sudoeste da Geórgia (Adjara, meskhs).

A intervenção russa em Mozdok (Ossétia do Norte) (1763) resulta na Guerra russo-cabardina (1765–1779), que é mesclada com a Guerra Russo-Turca (1768–1774), que abre para a Rússia o Mar Negro. Em 1783, a Rússia anexa o Canato da Crimeia (e com ela as terras ao norte do rio Cubã).

A presença russa no Cáucaso tem um efeito duplo: a oposição chechenos liderado pelo xeque Almançor, e a busca por apoio do rei da Geórgia Oriental Heráclio II da Geórgia pactua o protetorado russo (Tratado de Georgievsk). Em 1795, o Xá da Pérsia atacou a Geórgia oriental derrotando o rei Heráclio e a Rússia vem ao seu auxílio, mas explorando as rivalidades de sucessão sobre a morte do Rei George XII, a Geórgia Oriental é anexada em 1801 pelo Império Russo. O Império Russo continua seu avanço, através do Cáucaso, e entra em guerra com a Pérsia que é derrotada, com o Tratado de Gulistão (1813): Derbente e a atual República do Azerbaijão. Outra guerra russo-turca, a Rússia assegura quase toda a Geórgia Ocidental em 1812.

thumb|esquerda|150px|Shamil

Terminadas as guerras napoleônicas, o Império Russo começou a sistemática subjugação dos montanheses do Cáucaso, em 1822–1827 consegue Cabárdia-Balcária. Um ataque persa a Carabaque em 1826 é respondido pelos russos que conquistam Erevã e Naquichevão. A Guerra Russo-Turca (1828—1829) proporciona ao Império Russo, o que estava faltando na costa oriental do Mar Negro e da área de Mesquécia-Javaquécia.

Em 1844, a Rússia criou o Vice-reinado do Cáucaso e entrar em novos territórios, com a campanha contra os montanheses 1857–1864, que leva a rendição de Shamil em 1859 (líder dos chechenos e daguestanos) e o fim da Guerra russo-circassiana em 1864. A vitória russa foi completa com a partida "voluntaria" para o território otomano de várias centenas de milhares de montanheses muçulmanos em 1862–1864.

A Guerra da Crimeia e a Guerra Russo-Turca (1877–1878), apesar das revoltas na Chechénia, no Daguestão e na Abecásia, termina com a incorporação ao Império Russo na área Ajária-Artvim-Carse-Ardacane-Oltu.

Cáucaso russo Apesar de sua incorporação ao Império Russo os povos do Cáucaso permanecem distintos, mesmo entre os georgianos (como cristãos ortodoxos russos), como Ilia Chavchavadze em 1877 que publica o jornal "Iveria" para renovar a consciência georgiana. Além disso, há conflitos sociais, como a revolta camponesa (1841) na Geórgia que leva à abolição da servidão, em 1863–1867.

A economia tradicional mudou em 1872 com a exploração comercial de petróleo na área de Bacu (e na Chechénia, em 1893) e a construção da ferrovia Batumi-Bacu para ligar os mares Cáspio e Negro (1883).

A Guerra russo-japonesa desencadeou uma crise com greves de trabalhadores em Bacu contra as companhias de petróleo (dezembro de 1904), confrontos entre arménios e azeris na região Naquichevão-Bacu (1905) causada por medidas anti-armênias do governo russo, os confrontos entre georgianos e cossacos.