Marco Orador (143–; ) foi um político da gente Antônia da República Romana eleito cônsul em com Aulo Postúmio Albino. Teve dois filhos, Marco Antônio Crético, o pai do triúnviro Marco Antônio, e Caio Antônio Híbrida, que não compartilhavam de sua excelente reputação. Foi também censor em .
Foi um dos mais importantes oradores de sua época e , segundo Cícero, apenas Lúcio Licínio Crasso Orador lhe era comparável.
Primeiros anos Marco Antônio iniciou sua carreira política em , assumindo o cargo de questor propretor na Ásia. No ano seguinte, ainda no exercício desse cargo, envolveu-se em um escândalo e quase se arruinou. Mas, embora pudesse ter evitado o processo judicial permanecendo na província, preferiu voltar a Roma e, proferindo uma série de vigorosos discursos, conseguiu limpar seu nome. O episódio deu novo impulso à sua carreira, e, mais tarde, por defender vários políticos conservadores nos tribunais romanos, foi escolhido líder da facção dos optimates, o partido aristocrático no Senado Romano.
Foi depois eleito pretor com poderes proconsulares da província romana da Cilícia em . Durante seu mandato, lutou contra os piratas cilicianos que infestavam o mar MediterrâneoLívio, Ab Urbe Condita Epit., LXVIII 1.. Ele passou dois anos recrutando um exército e reunindo uma esquadra. Afinal, investiu contra os piratas, batendo-os em uma série de batalhas que não somente tornaram o litoral mais seguro, como permitiram estabelecer ali uma nova colônia romana. O sucesso foi tão grande que o Senado lhe concedeu um triunfo naval, em , e sua estátua foi colocada no FórumPlutarco, Pompeu 24; Fastos Triunfales.
Cônsul () e censor () Foi eleito cônsul em com Aulo Postúmio Albino. Era adversário dos partidários de Lúcio Apuleio Saturnino, em particular em relação a uma lei agrária proposta pelo tribuno da plebe Sexto Tício; foi eleito censor em ; durante seu mandato, foi acusado de concussão por Marco Durônio, mas foi absolvido. Antônio obteve ainda um comando em durante a Guerra Social para lutar contra os mársios.
Guerra Social e morte O fato da facção de Caio Mário estar em ascensão levou-o a, gradualmente, transferir suas simpatias políticas, passando a apoiar propostas de reformas sustentadas pelos populares. Uma delas era a concessão de plena cidadania romana a todos os aliados italianos, defendida por Mário e vetada pelo Senado, foi o estopim da Guerra Social. No final da década de , Antônio desentendeu-se com Mário e passou a apoiar Sula na guerra civil entre os dois líderes. Essa opção política viria a lhe custar a vida, pois, quando Mário e Lúcio Cornélio Cina tomaram Roma, em , Antônio foi preso e executado sumariamente.
Versão de Apiano Outra versão para a sua morte é dada por Apiano. Enquanto os irmãos Caio Júlio e Lúcio Júlio, e Atílio Serrano, Públio Lêntulo, Caio Nemetório e Marco Bébio foram presos nas ruas de Roma e executados, e Crasso matou o próprio filho e foi morto pelos perseguidores em seguida, Marco Antônio conseguiu escapar de Roma para o interior, escondendo-se em uma fazenda. Porém, quando o escravo do fazendeiro foi comprar um vinho mais caro para ele, o taberneiro perguntou-lhe a razão e o escravo contou o segredo. Mário soube disso e quis partir para lá pessoalmente, mas seus amigos o dissuadiram. O tribuno enviado contra Marco Antônio enviou seus soldados para o andar de cima, mas ele, usando suas habilidades de orador, conseguiu dissuadi-los. Públio Ânio, o tribuno, porém, ao ver o que estava acontecendo, matou Marco Antônio enquanto ele estava declamando, e mandou sua cabeça a Mário.Apiano, História Romana I, 72
Assim como aconteceu com os outros opositores de Mário, sua cabeça ficou exposta na rostra do Fórum Romano. Seu corpo não foi sepultado e foi abandonado para ser despedaçado por pássaros e cãesApiano, História Romana I, 73.
Oratória A reputação de Antônio como grande orador deriva, na falta de discursos de sua autoria que tenham sobrevivido, da opinião de Cícero, que fez de Marco Antônio um dos personagens de sua obra De Oratore com Lúcio Licínio Crasso; desta obra é possível deduzir que Antônio tinha uma eloquência natural, caracterizada pela força e energia, e não artificial, marcada pelo refinamento e perfeição.
CíceroCícero, De Oratore I, 21 e QuintilianoQuintiliano III, 6, § 45 afirmam que ele publicou um livro chamado "De ratione dicendi". Entre seus principais discursos, estão: Uma defesa própria da acusação de uma relação proibida com uma virgem vestal ()Valério Máximo, Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis III 7 § 9, vi 8, § 1; Lívio, Ab Urbe Condita Epit. LXIII; Ascônio, Ad Cic. 12; Orósio, Histórias V 15; Um discurso contra Cneu Papírio Carbão, derrotado pelos cimbros em , realizado em Apuleio, De magia pro se liber.; Um discurso contra Sexto Tício, tribuno da plebe em Cícero, De Oratore II 11; Pro Rabirio Perd. 9.; Uma defesa Mânio Aquílio, acusado de concussão durante o governo da Sicília, muito celebradoCícero, Brutus 62; De Officiis II 14; Pro Flacco 39; De Oratore II 28, 47; In Verrem 1.Lívio, Ab Urbe Condita Epit.'' LXX.; Uma defesa própria da acusação que a concussão, proposta por Marco DurônioCícero, De Oratore II 68.; Uma defesa de Caio Norbano, acusado de ter provocado a destruição de um exército romano pelas mãos dos cimbros por negligênciaCícero, De Oratore II 25, 39, 40, 48.
Árvore genealógica
Ver também
Bibliografia
Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século II a.C. Categoria:Romanos antigos do século I a.C. Categoria:Optimates Categoria:Pessoas executadas por decapitação Categoria:Guerra Social (91-88 a.C.) Categoria:Romanos antigos executados Categoria:Antonii Categoria:Censores da República Romana Categoria:Áugures romanos Categoria:Governadores romanos da Ásia Categoria:Pretores da República Romana Categoria:Questores da República Romana Categoria:Populares Categoria:Primeira Guerra Civil de Sula Categoria:Oradores da Roma Antiga Categoria:Propretores da República Romana