300px|miniatura|Divisão política do Cáucaso em 2008

Os conflitos no Cáucaso são uma série de guerras civis, conflitos separatistas e/ou conflitos étnicos, e até mesmo conflitos entre nações, que ocorreram na região do Cáucaso desde a época da União Soviética até ao fim da Guerra Fria. Grande parte do traçado das fronteiras existentes na região do Cáucaso é considerada arbitrária e artificial pelos beligerantes, e foi em grande parte estabelecida entre 1922 e 1936 pelo ditador soviético Josef Stalin. Com o colapso da URSS, as novas repúblicas autônomas teriam problemas étnicos e religiosos aflorados. Na porção sul do Cáucaso, denominada Transcaucásia, três novos Estados surgem, a República da Armênia, a República do Azerbaijão, e a Geórgia. Armênia e Azerbaijão fazem parte da CEI (Comunidade de Estados Independentes). Na porção norte do Cáucaso, denominada de Ciscaucásia, encontram-se 7 repúblicas e regiões autônomas que pertencem a Federação Russa. As três repúblicas da Transcaucásia são beligerantes em múltiplos conflitos: a Armênia e o Azerbaijão disputam o controle de Alto Carabaque, região do Azerbaijão habitada na sua maioria por armênios, reclamada e ocupada pela Armênia, contrariando a Resolução 62/243 da ONU de 2008; movimentos separatista na Abecásia e na Ossétia do Sul, territórios oficialmente pertencentes a Geórgia; movimentos separatistas nas repúblicas da Chechênia, Daguestão e Inguchétia, territórios oficialmente pertencentes a Federação Russa. Os conflitos são de interesse global, uma vez que a região é um ponto de passagem de oleodutos que ligam as reservas de petróleo e gás no Azerbaijão e Cazaquistão a Moscou e aos portos da Europa.

Principais conflitos Armênia contra o Azerbaijão: a disputa por Alto Carabaque miniatura|esquerda|320px|Situação das fronteiras da região ao final do conflito após o cessar fogo de 1994. As forças da Arménia além de controlar Alto Carabaque (fronteiras em vermelho), atualmente controlam quase 9% do território do Azerbaijão (em marrom) fora do antigo Oblast Autónomo de Alto Carabaque; e forças azeris controlam Shahumian e partes do leste de Martacerta e Martuni (em amarelo).

A região de Alto Carabaque é foco de conflito entre Armênia e Azerbaijão por sua natureza peculiar. Embora esteja encravado em pleno território azeri, um país majoritariamente muçulmano, quase 80% de sua população é armênia e cristã.

Desde o início do século XX tenta-se uma solução para o status político de Alto Carabaque. Em 1921, a região é entregue à Armênia por um conselho regional do Cáucaso. Mas, logo após o acerto, as duas nações são incorporadas pela URSS e Alto Carabaque é cedido ao Azerbaijão como uma república autônoma. Em 1988, aproveitando à abertura política soviética, a Armênia passa a reivindicar o território, o que inicia uma guerra entre as duas repúblicas, que se intensifica com a saída do exército soviético de Alto Carabaque, após o fim da URSS (1991). O Azerbaijão bombardeia o enclave até 1992, quando a Armênia conquista Alto Carabaque, e uma extensa área ao redor, criando assim um "corredor" de ligação com a região (Corredor de Latchine). A continuidade dos combates provoca o colapso econômico dos dois países. Em maio de 1994, é assinado um cessar fogo.

As negociações bilaterais sobre o destino da região não avançam nos anos seguintes. O presidente armênio, Robert Kocharian, e o azeri, Heydar Əliyev, reúnem-se em março de 2001 na França e em maio nos EUA. É discutida a concessão ao enclave do status de república autônoma do Azerbaijão com Constituição e Exército próprio, e o direito a vetar leis azeris. A Armênia teria que sair da área contigua, ocupada durante a guerra. Nada é decidido, porém, porque Kocharian e Əliyev enfrentaram forte resistência interna em seus países.

Conflitos separatistas na Geórgia direita|miniatura|300px|A Geórgia e suas repúblicas separatistas no Cáucaso: Abcásia (em verde) e Ossétia do Sul (em roxo).

Ocupada pelas Rússia em diferentes épocas de sua história, a Geórgia não aceitou, a princípio, fazer parte da Comunidade de Estados Independentes, após o colapso da URSS, devido a uma guerra civil no país, além de conflitos separatistas em suas repúblicas da Ossétia do Sul e Abcásia. No entanto, em 1993, quando seus exércitos foram expulsos de ambas repúblicas por separatistas financiados pela Chechênia, o país aderiu à CEI e solicitou apoio militar russo.Posteriormente,após a Guerra da Ossétia de 2008,a Geórgia se retirou da Comunidade dos Estados Independentes.

Ossétia do Sul

Os ossetas são um povo de origem persa, dividido entre a Federação Russa e a Geórgia durante o regime stalinista (1924-1953). Em 1990, a Ossétia do Sul declara a independência, primeiro passo para integrar-se à república russa da Ossétia do Norte. A Geórgia torna-se independente da União Soviética em 1991 e lança uma ofensiva militar contra os ossetas. Os choques terminam depois da mediação da Federação Russa, em 1992, e da criação de uma força de paz integrada por russos, ossetas e georgianos. O conflito caminhava para uma solução pacífica, sem status político definido para a região, até agosto de 2008, quando forças georgianas entraram no território osseta, o que levou a intervenção russa na região, que acabou por envolver não só os dois países em conflito, mas também os Estados Unidos e a União Europeia, parceiros da Geórgia.

Em 26 de agosto de 2008, o presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou que a Rússia reconhece a independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abecásia e pediu que outros Estados sigam seu exemplo e façam o mesmo. A decisão foi fortemente criticada pelos Estados Unidos e pela OTAN.

Abcásia

A república da Abcásia era habitada por uma maioria de etnia abcásia até a década de 1930, quando Josef Stálin envia para a região milhares de georgianos, transformando os abcazes em uma minoria de 17% da população. A Geórgia não reconhece o movimento separatista dos abcásios, alegando que são minoria. Mas os rebeldes criam a República Autônoma da Abcásia, em 1992, o que é considerado o estopim dos conflitos. Estes mataram muitos georgianos na região da Abcásia. Um cessar-fogo é alcançado em 1993, seguido do envio de uma força de paz da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e de uma missão de observadores da ONU em 1994. Mesmo assim há frequentes irrupções de violência. Em outubro de 1999, o governo abcásio promove um referendo sobre a independência, que obtém 97% de apoio, mas não é reconhecido pela Geórgia. A ONU e a Federação Russa prorrogam para 2000 sua permanência na área.

Conflitos separatistas na Rússia miniatura|direita|330px|Regiões norte-caucasianas na Federação Russa, repúblicas "problemáticas" para a Rússia.

Desde o fim da URSS, a região do Cáucaso é considerada uma "dor de cabeça" para a Rússia. Essa região é de interesse estratégico para a Rússia, devido ao controle das companhias internacionais de petróleo sobre as jazidas do mar Cáspio, e esses movimentos de cunho separatistas põem em risco o domínio russo na região. Além das reservas, o transporte, antes exclusividade do Estado, também tem gerado tensão.

Chechênia

A Chechênia, uma das repúblicas russas de maioria muçulmana, proclama sua independência em novembro de 1991, um pouco antes da queda da URSS. As hostilidades aumentam em 1994, quando o presidente russo Boris Yeltsin,decide realizar uma operação militar na Chechênia, chegando a ocupar a capital Grozny, mas o exército russo é derrotado. O acordo de Jasiaviurt, que pôs fim a 21 meses de guerra, com cerca de 100 mil mortes, encerra o conflito em 1996, com um acordo de paz que adia a decisão sobre o status político da república, que poderia se tornar independente de fato.

Em agosto de 1999, guerrilheiros chechenos invadem a vizinha república russa do Daguestão, também de maioria muçulmana, para ali criar um Estado islâmico.Ao mesmo tempo que acontecem atentados a bomba em edifícios residenciais em Moscou e em outras cidades russas, que matam cerca de 300 pessoas em setembro. O governo responsabiliza os extremistas do Cáucaso pela onda de terror e envia tropas à Chechênia no fim do mês para realizar uma "operação antiterrorista", dando início à Segunda Guerra na Chechênia.

A ofensiva dura meses, até a tomada de Grozny em fevereiro de 2000, quando militares russos retomam o controle de 80% do território. Um total de 370 mil chechenos deixam suas casas para escapar dos bombardeios. O presidente Vladimir Putin rejeita a mediação internacional e em junho de 2000 coloca a república sob administração direta da Presidência.

A campanha deveria durar alguns meses, mas o conflito perdurou e se estendeu além do território checheno: na Ossétia do Norte, extremistas fizeram reféns na escola de Beslan causando 331 mortos em setembro de 2004. Em Moscou, 40 separatistas chechenos realizaram a ocupação do teatro de Dubrovka, tomando os espectadores como reféns, em outubro de 2002. Ao final, mais de 130 reféns foram mortos, depois que a Spetsnaz (forças especiais russas) usou gás tóxico dentro do teatro, para dominar os ativistas.

Embora Moscou afirme que mantém o controle de quase todo o território checheno, os separatistas, entrincheirados nas montanhas do sul, iniciam uma insurgência em 2001, armando emboscadas contra as tropas federais e promovendo atentados ao governo pró-russo em várias cidades. Ao mesmo tempo, entidades de defesa dos direitos humanos russas e internacionais denunciam massacres, estupros e torturas cometidas por militares russos contra civis.

O apoio do presidente Putin à Guerra ao Terror - declarada por George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos - forçam a redução das críticas do Ocidente à intervenção militar russa na Chechênia. Putin, afirmava que os separatistas chechenos mantêm vínculos com Osama bin Laden e a Al Qaeda - responsabilizados pelos atentados -, pois supostamente receberiam ajuda de militantes islâmicos estrangeiros.

O final da "operação antiterrorista" foi anunciado em janeiro de 2006. Apesar de a região no momento passar por uma certa normalização institucional e com a estabilização econômica, prosseguem os enfrentamentos com os rebeldes em áreas isoladas.

Daguestão

A maior república do Cáucaso russo, o Daguestão, de maioria muçulmana, possui grande importância para os russos, uma vez que abriga campos de petróleo e oleodutos, além disso, nessa república encontra-se o único porto russo no mar Cáspio que pode ser usado durante os 365 dias do ano. A região abriga 32 povos que só se uniram no século XIX para enfrentar o imperialismo do Império Russo, contra o qual lutaram durante 30 anos.

A partir de 1999, o Daguestão foi cenário de incursões de rebeldes fundamentalistas muçulmanos da Chechênia, sob o comando de Shamil Basayev, o que desencadeou uma revolta fracassada no Daguestão, em outubro. Moscou respondeu então com uma vasta ofensiva militar na república. Como consequência, a Rússia decidiria invadir a Chechênia ainda naquele ano. Os atentados terroristas e movimentos de insurgência ainda existem na região.

Inguchétia

O nome "Inguchétia" deriva da antiga aldeia de Ongusht (renomeada em 1859 como Tarskaya e em 1944 transferida para a Ossétia do Norte) e do sufixo georgiano -eti, no seu todo significando "(terra) onde vivem os inguches".