O SMS Moltke foi um cruzador de batalha operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Moltke, seguido pelo SMS Goeben. Sua construção começou em dezembro de 1908 nos estaleiros da Blohm & Voss e foi lançado ao mar em abril de 1910, sendo comissionado na frota alemã em agosto do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 283 milímetros montados em cinco torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de 25 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 25 nós.
O Moltke teve um início de carreira tranquilo que envolveu exercícios de rotina e viagens diplomáticas internacionais, incluindo uma grande visita aos Estados Unidos em 1912. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o navio atuou com a Frota de Alto-Mar, participando da maioria das ações navais alemãs no conflito. Se envolveu em várias incursões contra a litoral britânico nos primeiros dois anos de conflito, bombardeando várias cidades. Também esteve presente na Batalha da Angra da Heligolândia em 1914 e nas Batalhas de Dogger Bank e Golfo de Riga em 1915.
O navio participou em meados de 1916 na Batalha da Jutlândia contra a Grande Frota britânica, danificando alguns navios inimigos mas também sendo atingido várias vezes no processo. O Moltke pouco fez na guerra depois disso, com exceção de dar suporte para a Operação Albion em 1917. A Alemanha foi derrotada em novembro de 1918 e o navio internado na base britânica de Scapa Flow. Permaneceu inativo no local até 21 de junho de 1919, quando foi deliberadamente afundado por sua própria tripulação. Seus destroços foram reflutuados em 1927 e desmontados até 1929.
Características
A Marinha Imperial Alemã estava no início do século XX em uma corrida armamentista contra a Marinha Real Britânica e considerando em 1907 planos para um novo cruzador de batalha. Um aumento no orçamento criou a possibilidade de aumentar o tamanho dos canhões principais dos 283 milímetros usados no para 305 milímetros, porém o almirante Alfred von Tirpitz, o Secretário de Estado da Marinha, preferia adicionar duas armas de 283 milímetros a mais. O Escritório de Construção concordou com ele e assim duas embarcações foram autorizadas para 1908 e 1909, que se tornariam a Classe Moltke.
O Moltke tinha 186,6 metros de comprimento de fora a fora, com uma boca de 29,4 metros e um calado máximo de 9,19 metros. Seu deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado era de 25,4 mil toneladas. Seu sistema de propulsão tinha 24 caldeiras de tubos d'água Thornycroft a carvão que alimentavam quatro turbinas a vapor Parsons. A potência indicada era de 52 mil cavalos-vapor (38,2 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 25,5 nós (47,2 quilômetros por hora). Sua autonomia era de milhas náuticas ( quilômetros) a catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 43 oficiais e marinheiros.
Seu armamento principal era composto por dez canhões calibre 50 de 283 milímetros montados em cinco torres de artilharia duplas, uma à vante, duas à meia-nau en echelon e duas sobreposta à ré. O armamento secundário tinha doze canhões calibre 45 de 149 milímetros em casamatas na parte central da embarcação. Também era equipado com doze canhões calibre 45 de 88 milímetros em montagens individuais na proa, popa e ao redor da torre de comando de vante para defesa contra barcos torpedeiros. Por fim, tinha quatro tubos de torpedo de 500 milímetros. Sua blindagem era feita de aço cimentado Krupp e seu cinturão principal tinha 280 milímetros na cidadela onde protegia os depósitos de munição e salas de máquinas. Sua espessura diminuía para 76 milímetros nas extremidades. O convés tinha 25 a 76 milímetros, inclinando-se para baixo nas laterais para se conectar com a extremidade inferior do cinturão. As torres de artilharia tinham frentes de 230 milímetros, ficando em cima de barbetas com a mesma espessura.
História Tempos de paz O Moltke foi encomendado em 17 de setembro de 1908 com o nome provisório de "G" e seu batimento de quilha ocorreu em 23 de janeiro de 1909 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo. Seu lançamento ao mar estava agendado para 22 de março de 1910, mas as obras atrasaram e a cerimônia só foi ocorrer em 7 de abril. Foi batizado por Helmuth von Moltke, o Jovem, em nome de seu tio Helmuth von Moltke, homônimo da embarcação. Uma tripulação de trabalhadores do estaleiro transferiu o navio para Kiel em 11 de setembro de 1911 por meio do Skagerrak. Foi comissionado no dia 30 sob o comando do capitão de mar Ernst von Mann. Em seguida iniciou seus testes marítimos, juntando-se ao I Grupo de Reconhecimento da Frota de Alto-Mar mesmo ainda não tendo formalmente entrado em serviço. Substituiu o cruzador blindado , que tinha sido tirado de serviço em 22 de setembro. A formação realizou um cruzeiro de treinamento pelo Kattegat no início de novembro, mas uma tempestade forçou o Moltke a se refugiar em Uddevalla na Suécia entre 3 e 6 de novembro. Passou os meses seguintes em testes marítimos na Baía de Danzig, sendo declarado apto para o serviço em 1º de abril de 1912.
thumb|esquerda|240px|O Moltke em Nova Iorque em 1912 A intenção da Marinha Imperial era que o Moltke se tornasse a capitânia do I Grupo de Reconhecimento ao entrar em serviço, mas em vez disso recebeu ordens para ir aos Estados Unidos. Uma esquadra estadunidense tinha visitado Kiel em 1911 e os alemães queriam reciprocar. O Moltke foi selecionado junto com os cruzadores rápidos SMS Stettin e SMS Bremen. Este estava na América do Sul e assim se encontraria com os outros dois no destino, com os três formando uma divisão temporária comandada pelo contra-almirante Hubert von Rebeur-Paschwitz. O Moltke e Stettin deixaram Kiel em 11 de maio, passaram pelas Ilhas Canárias e chegaram no Cabo Henry em 30 de maio, se encontrando com o Bremen. Os três entraram em Hampton Roads em 3 de junho, sendo recepcionados pelo presidente William Howard Taft a bordo do iate presidencial USS Mayflower. Um contingente da Frota do Atlântico também estava presente. As embarcações navegaram para Nova Iorque em 8 e 9 de junho, com suas tripulações sendo bem recebidas por clubes alemães e pela alta classe social locais. Partiram no dia 13, com o Bremen indo para Baltimore e os outros dois retornando para Kiel. Chegaram em 24 de junho a divisão foi desfeita no dia seguinte. O Moltke foi o único navio capital alemão na história a visitar os Estados Unidos.
O navio escoltou o iate imperial em julho de 1912 em uma viagem para a Rússia, onde o imperador Guilherme II da Alemanha se encontrou com seu primo o imperador Nicolau II da Rússia. A viagem ocorreu entre os dias 4 e 6 de julho. Ao retornar o capitão de mar Magnus von Levetzow substituiu Mann no comando do Moltke, que iniciou seu período como capitânia do I Grupo de Reconhecimento, então sob o comando do vice-almirante Gustav Bachmann. A unidade na época era formada pelos cruzadores de batalha Moltke e , o cruzador blindado , os cruzadores rápidos Stettin, SMS Mainz, SMS Kolberg, SMS Cöln, e SMS Berlin, e o aviso SMS Hela, este então um navio auxiliar. As embarcações participaram das manobras anuais da frota entre agosto e setembro, que finalizou com uma revista naval para o imperador na Angra da Alemanha. O Moltke recebeu em 19 de setembro o Prêmio de Tiro do Imperador para os cruzadores grandes. Visitou Malmö na Suécia no final do ano para participar de exercícios. Em dezembro foi para uma doca seca em Wilhelmshaven para sua manutenção periódica, voltando ao serviço em fevereiro de 1913.
Bachmann transferiu sua capitânia para o Yorck até 19 de fevereiro, quando o Moltke saiu da manutenção. Ao retornar o navio participou de exercícios de treinamento de esquadra e frota no Kattegat e no Mar do Norte de fevereiro a março. Bachmann temporariamente transferiu sua capitânia para o Yorck de 14 de março a 1º de maio. Nesta altura, o cruzador de batalha SMS Goeben e o cruzador rápido SMS Breslau tinham sido enviados para o Mar Mediterrâneo em resposta à Primeira Guerra Balcânica, o Von der Tann estava em manutenção, o Yorck tinha sido descomissionado e o novo cruzador de batalha ainda não tinha entrado em serviço, desta forma o I Grupo de Reconhecimento ficou enfraquecido para as manobras de frota em maio. O cruzador blindado , na época servindo como navio-escola de artilharia, foi temporariamente designado para o I Grupo de Reconhecimento a fim de compensar as ausências. A unidade navegou com o resto da Frota de Alto-Mar após as manobras de 15 de julho até 10 de agosto, incluindo uma visita para a Noruega. Durante este período o Moltke visitou Lærdalsøyri entre 27 de julho e 3 de agosto. O Seydlitz entrou em serviço depois da unidade voltar para casa. O contra-almirante Franz Hipper substituiu Bachmann em 30 de setembro, porém só foi subir a bordo do Moltke em 15 de outubro porque estava de férias.
Participou em novembro de exercícios de frota no Mar Báltico. O I Grupo de Reconhecimento fez manobras de unidade em fevereiro de 1914 no Mar do Norte e Báltico. A frota se reuniu no final de março para mais exercícios que duraram até o início de maio. Hipper transferiu sua capitânia para o Seydlitz em 23 de junho. Houve considerações sobre enviar o Moltke para o Extremo Oriente a fim de substituir o cruzador blindado , mas o plano foi abandonado quando ficou aparente que o Goeben precisaria de reformas e ser substituído no Mediterrâneo. Foi programado que o Moltke substituiria seu irmão, mas istofoi interrompido pelo início da Primeira Guerra Mundial.
Primeira Guerra Mundial Heligolândia e Yarmouth
A Primeira Guerra Mundial começou em julho de 1914 e o Moltke participou em 28 de agosto da Batalha da Angra da Heligolândia. Cruzadores rápidos britânicos atacaram pela manhã barcos torpedeiros alemães que estavam patrulhando a Angra da Heligolândia. Seis cruzadores rápidos alemães responderam ao ataque e infligiram danos sérios nos britânicos. Entretanto, a 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha britânica chegou aproximadamente às 13h37min e rapidamente deixou os alemães em desvantagem.
O I Grupo de Reconhecimento estava em Wilhelmshaven na manhã da batalha. Hipper pediu às 8h50min ao almirante Friedrich von Ingenohl, comandante da Frota de Alto-Mar, permissão para enviar o Moltke e o Von der Tann para o resgate. O navio estava pronto para zarpar às 12h10min, mas a maré baixa impediu que passassem por um banco de areia no estuário do rio Jade. Os dois navios conseguiram sair às 14h10min e Hipper ordenou que os cruzadores rápidos recuassem em direção dos dois cruzadores de batalha, enquanto o próprio estava aproximadamente uma hora atrás no Seydlitz. Os cruzadores rápidos sobreviventes se encontraram com o Moltke e o Von der Tann às 14h25min. O Seydlitz chegou às 15h10min, mas o cruzador rápido SMS Ariadne estava danificado e afundou. Os três cruzadores de batalha avançaram cautelosamente em uma busca infrutífera pelos dois navios que faltavam, o SMS Mainz e SMS Cöln. A flotilha alemã deu a volta às 16h00min e chegaram no estuário do Jade por volta das 20h23min.
O Moltke, Seydlitz, Von der Tann, Blücher e quatro cruzadores rápidos partiram em surtida às 16h30min de 2 de novembro. Eles bombardearam o porto de Great Yarmouth no litoral britânico ao amanhecer do dia seguinte enquanto o cruzador rápido criava um campo minado. O submarino britânico HMS D5 respondeu ao ataque, mas bateu em uma das minas e afundou. Hipper pouco depois ordenou que os navios voltassem para casa. Entretanto, enquanto viravam, uma neblina cobriu a Angra da Heligolândia, assim todos receberam ordens de parar até a visibilidade melhorar para que pudessem navegar em segurança pelos campos minados defensivos. O Yorck voltou a se mexer sem permissão e no caminho para Wilhelmshaven cometeu um erro de navegação que o levou para um dos campos minados. Ele bateu em duas minas navais e afundou.
Hartlepool