thumb|350px|O Muro da Cisjordânia é chamado "muro do apartheid" pelos críticos da política israelense. Para o governo de Israel, é uma "cerca de segurança".

O apartheid israelense é um sistema de segregação espacial étnica e discriminação institucionalizada nos territórios palestinos ocupados por Israel e em Israel.Greenstein, R. (2019). Colonialism, apartheid and the native question: The case of Israel/Palestine. Democratic Marxism Series, 75.Peteet, J. (2016). The work of comparison: Israel/Palestine and apartheid. Anthropological Quarterly, 89(1), 247-281.

O tratamento dado por Israel aos palestinos tem sido comparado a um sistema de segregação espacial e étnica, similar ao tratamento dispensado aos cidadãos não-brancos da África do Sul na era do apartheid. Aqueles que fazem essa analogia argumentam que um sistema de controle que inclui a separação de rodovias, Um sistema de estradas segregadas foi estabelecido no território ocupado da Palestina, pelo qual as estradas foram reservadas para uso exclusivo de colonos judeus, obrigando os palestinos a usarem estradas secundárias de má qualidade e com freqüentes blitz e postos de controle. Israel pediu a ajuda de doadores internacionais para financiar uma melhoria para estradas palestinas, o que foi, na verdade mais uma tentativa de receber capital estrangeiro para a ocupação. desigualdades de infraestrutura e de direitos de acesso à propriedade da terra entre judeus e palestinos nos territórios ocupados por Israel constitui um sistema de apartheid. Alguns cronistas israelenses e defensores dos direitos civis dos palestinos estendem essa analogia aos cidadãos árabes de Israel, descrevendo seu status de cidadania como sendo o de cidadãos de segunda classe. Outros usam a analogia em relação ao tratamento diferenciado dado aos judeus ou aos judeus ortodoxos, sem se referir aos palestinos.

Opositores dessa tese alegam que os cidadãos árabes têm os mesmos direitos que todos os outros cidadãos israelenses, e que o tratamento dispensado aos palestinos nos territórios ocupados se deve a razões de segurança, não de racismo.http://www.camera.org/index.asp?x_context=2&x_outlet=118&x_article=1280 Norman Finkelstein, Benny Morris and Peace not Apartheid, February 7, 2007. Eles dizem que essa analogia não passa de um epíteto calunioso que se aplica a Israel, mas não aos países vizinhos.

Analogia miniaturadaimagem|350x350px|Uma criança palestina sentada em uma barreira, com a frase “Welcome to Apartheid Street" (Bem-vindo à Rua do Apartheid) pintada com spray, na Rua Al-Shuhada dentro da Cidade Antiga de Hebrom na Cisjordânia ocupada por Israel. Os palestinos deram à rua o apelido de "Rua do Apartheid" porque ela está fechada ao tráfego palestino e aberta apenas a colonos israelenses e turistas israelenses. Muitos dos que defendem a tese da analogia apontam, como justificativa, os seguintes: a chamada "lei de casamento", que impede que palestinos casados com israelenses adquiram cidadania israelense; as diferenças nos direitos políticos, poder de voto e representatividade da população árabe palestina;

a existência de cédulas de identidade diferenciadas; a diferença no direito de posse de terra; diferenças no acesso à infraestrutura e transporte e restrições ao direito de ir e vir (liberdade de circulação).

Lei de casamento A medida conhecida como a Lei de Cidadania e Ingresso em Israel, redigida pelo Knesset em 31 de Julho de 2003 desabilita a aquisição da nacionalidade israelense por um cidadão palestino oriundo da Cisjordânia ou da Faixa de Gaza por meio de casamento.Adam, Heribert & Moodley, Kogila. op. cit. p. 23. A lei permite que a criança fruto deste tipo de casamento viva em Israel até completar 12 anos de idade. Após essa idade a lei exige que a criança deixe o país. Isso se aplica igualmente a um cônjuge palestino de qualquer cidadão israelense, seja este cidadão árabe ou judeu. A lei foi originalmente criada para vigorar por um ano, mas foi prorrogada diversas vezes. A justificativa para tal lei é a alegação de imigração em massa de palestinos da Cisjordânia para Israel por meio de casamento, muitos desses sendo fictícios, bígamos ou polígamos, o que constitui uma contravenção na lei israelense.

A lei foi aprovada pela Corte Suprema de Israel, três anos após ser redigida, em uma votação na qual obteve seis dos onze votos válidos. O chefe de justiça de Israel, Aharon Barak ficou ao lado da minoria, declarando que "este é um ato de violação de direitos que afeta diretamente a população árabe de Israel. Por isso essa lei fere o direito dos cidadãos árabes à igualdade."

Zehava Gal'On, membro do Knesset com o partido Meretz-Yachad, declarou que com a maioria "a Suprema Corte poderia ter tomado uma decisão mais corajosa e não ter nos relegado ao nível de um estado de apartheid". A lei também foi considerada discriminatória pela Anistia Internacional e pela organização de direitos humanos Human Rights Watch.

Heribert Adam e Kogila Moodley citam a Lei de casamento como um dos muitos exemplos de como os árabes em Israel "lembram em muitas formas os cidadãos ‘coloridos’ e indianos na África do Sul"Adam, Heribert & Moodley, Kogila. , University College London Press, p.15. ISBN 1-84472-130-2 Eles escreveram: "Tanto os palestinos israelenses quanto os negros e indianos da África do Sul eram restritos ao status de cidadãos de segunda classe, enquanto outro grupo étnico monopoliza o poder político, trata as minorias como intrinsecamente suspeitas e proíbe legalmente seu acesso à terra ou partilha os custos e rendimentos per capita com base na diferença entre o grupo dominante e cidadãos pertencentes ao grupo dominado."

Em junho de 2008 após a lei ser renovada, Amos Schocken, editor do jornal diário israelense Ha'aretz, escreveu em seu jornal uma coluna onde dizia que a lei é "severamente discriminatória" quando compara os direitos de jovens judeus e árabes israelenses que se casam e que sua existência faz com que Israel se nivele a um estado de apartheid.Amos Schocken,Citizenship law makes Israel an apatheid state , Ha'aretz, 27 de junho de 2008

Direitos políticos, voto e representatividade Na teoria, a legislação israelense não diferencia os cidadãos de Israel com base em sua etnia no tocante a alguns direitos civis. Cidadãos árabes em Israel têm quase todos os direitos que o resto da população usufrui, incluindo representação política e acesso a tribunais. O parlamento israelense, o Knesset, inclui membros e partidos árabes. Mas apesar de partidos árabes aliados ao Mapai terem participado dos dois primeiros governos de coalizão em Israel, nenhum partido árabe independente jamais fez parte de um novo governo de coalizão.

Árabes vivendo em Gaza, na Cisjordânia e alguns em áreas da Jerusalém Oriental —áreas ocupadas por Israel em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, consideradas como território ocupado sob lei internacional e governadas em sua maior parte pela Autoridade Palestina—não são cidadãos israelenses. Eles carregam cédulas de identidade próprias emitidos pela Autoridade Palestina com aprovação de Israel e de membros eleitos da Autoridade Palestina.

Palestinos que vivem nas porções não-anexadas da Cisjordânia não têm cidadania israelense ou direto de voto em Israel, mas também são alvo das políticas do governo de Israel. Israel criou estradas e postos de controle na Cisjordânia com o propósito alegado de prevenir o movimento desinibido de homens-bomba suicidas e militantes na região. A ONG de direitos humanos B’Tselem denunciou que essas ações deixaram muitas comunidades palestinas praticamente inacessíveis. at B'Tselem Marwan Bishara, professor de relações internacionais na Universidade Americana de Paris, afirmou que as restrições do movimento de bens entre Israel e a Cisjordânia constitui num sistema de apartheid de facto.

Ehud Olmert, comentou que "Mais e mais palestinos estão perdendo o interesse em uma solução negociada entre dois estados, pois eles querem transferir a essência de um paradigma argelino para um paradigma sul-africano. De uma luta contra a ‘ocupação’, em seu discurso para uma luta por um-homem-um-voto. Essa é, é claro, uma luta muito mais limpa, uma luta muito mais popular — e conseqüentemente uma luta muito mais poderosa. Para nós, isso significaria o fim do estado judeu." Haaretz

Olmert fez um comentário similar em 2007: "Se a solução entre dois estados falhar, e nós enfrentarmos uma luta ao estilo sul-africano por direitos de voto iguais, então será o fim de Israel.

Cartões de identificação de nacional A carteira de identidade israelense, ou Teudat Zehut, exigida de todos os residentes acima de 16 anos de idade, indica se o portador é ou não judeu. Chris McGreal, correspondente do jornal The Guardian em Israel relatou que : "Árabes e judeus podem ser igualmente cidadãos, mas cada um é rotulado com uma "nacionalidade" distinta marcada em seus cartões de identificação (pode ser escrita por extenso ou, em casos mais recentes, em um código numérico), o que de fato e por força de lei determina onde é permitido a esse cidadão morar, se tem ou não acesso a determinados programas de assistência social do governo, e como ele deve ser tratado por funcionários públicos e policiais. No mesmo artigo, McGreal, que também foi correspondente do jornal britânico durante os anos do apartheid, comparou o Ato de Registro Populacional israelense, que classifica cidadãos de acordo com dados étnicos, com o Ato de Registro Populacional da África do Sul vigente durante a era do apartheid.

Terra e infraestrutura 93% de toda a terra dentro da demarcação da Linha Verde não é propriedade privada e é gerenciada como um bem público pelo Governo de Israel..Israel Land Administration website Aproximadamente 80% do total de terra do país é pertencente ao Governo Israelita, e entre 11 e 14% é de propriedade privada do Fundo Nacional Judaico (FNJ), 13% de acordo com o Há’aretz)..Shahar Ilan."The JNF, backed into a corner" Haaretz, 30 de julho de 2007 Sob a Lei de Status da Agência Judaica de 1952 e a convenção de 1954 entre o Estado de Israel e a Agência Judaica, a tarefa da administração das terras do estado foi entregue ao FNJ, que expõe isso expressamente em seu website: "o Fundo Nacional Judaico é o mantenedor das terras de Israel, em favor de seus donos — o povo judeu espalhado pelo mundo"http://www.jnf.org/ Jewish National Fund: Plant Trees and Bring Water to Israel: Em 1960, o Knesset adotou a medida denominada "Lei Básica: Terras de Israel", que formalizou esse acordo. Ao propor a lei no Knesset, o Ministro das Relações Religiosas Zerah Warhaftig explicou como o nome indica a propriedade judaica da terra: "Nós demos a essa lei o nome ‘Lei Básica: Terras de Israel’ (…) Nós queremos deixar claro que a terra de Israel pertence ao povo de Israel. O termo ‘povo de Israel’ é um conceito muito mais abrangente do que ‘pessoas residentes em Sião’, porque o povo de Israel vive espalhado por todo o mundo". Pela lei de Israel, tanto as terras administradas pelo Estado quanto as terras administradas pelo FNJ não podem ser vendidas, e são arrendadas sob a administração do Estado.