New York é uma revista quinzenal dos Estados Unidos. Fundada por Clay Felker e Milton Glaser em 1968 como concorrente da The New Yorker e da The New York Times Magazine, adotava um tom mais ousado e mantinha uma relação mais próxima com a vida da cidade. Tornou-se um dos berços do jornalismo literário e uma das primeiras revistas de estilo de vida. A cobertura passou a abranger assuntos nacionais, com reportagens políticas, crítica de artes e cultura, gastronomia e jornalismo de serviço. Desde o redesenho e relançamento de 2004, recebeu prêmios do National Magazine Award, entre eles Magazine of the Year em 2013. Críticos da revista receberam duas vezes o Prêmio Pulitzer de Crítica, Jerry Saltz em 2018 e Andrea Long Chu em 2023. A presença digital da revista também cresceu sob o domínio nymag.com, com o lançamento de Vulture, The Cut, Intelligencer, The Strategist, Curbed e Grub Street. A Vox Media adquiriu a revista em 2019 e a vendeu à Lupa Systems, de James Murdoch, em 2026.
História
Década de 1960
New York foi criada em 1963 como suplemento dominical em formato de revista do jornal New York Herald Tribune. O Herald Tribune, que enfrentava dificuldades financeiras, havia sido vendido pouco antes a John Hay Whitney e buscava revitalizar seus negócios com maior atenção à qualidade editorial, incluindo o relançamento da edição de domingo e de sua revista.
Editada primeiro por Sheldon Zalaznick e depois por Clay Felker, a revista relançada, chamada New York, publicou trabalhos de colaboradores do Tribune como Tom Wolfe, Barbara Goldsmith, Gail Sheehy, Dick Schaap e Jimmy Breslin. O Tribune encerrou suas atividades em 1966. New York reapareceu por pouco tempo como parte do jornal combinado World Journal Tribune, que circulou até maio de 1967. Pouco depois do fechamento do WJT, Felker e seu sócio, Milton Glaser, compraram os direitos sobre o nome da revista com apoio de banqueiros de Wall Street liderados por Armand G. Erpf, primeiro presidente da revista e apontado por Felker como o arquiteto financeiro do empreendimento, e C. Gerald Goldsmith, então marido de Barbara Goldsmith. Eles relançaram New York como uma revista semanal independente. Jack Nessel, braço direito de Felker no Herald Tribune, entrou como editor executivo. A primeira edição de New York trazia a data de 8 de abril de 1968. Entre os autores vindos da encarnação anterior estavam Breslin, Wolfe, que escreveu "You and Your Big Mouth: How the Honks and Wonks Reveal the Phonetic Truth about Status" para a edição inaugural, e George Goodman, jornalista financeiro que escrevia sob o pseudônimo "Adam Smith". Glaser e seu assistente Walter Bernard cuidaram do projeto gráfico e da diagramação e contrataram artistas como Jim McMullan, Robert Grossman e David Levine para produzir capas e ilustrações.
Em menos de um ano, Felker reuniu uma equipe que deu à revista o tom de seus primeiros anos. Breslin tornou-se colaborador regular, assim como Nicholas Pileggi, Gail Sheehy e Gloria Steinem, que escrevia uma coluna sobre política. Judith Crist escrevia críticas de cinema. Harold Clurman foi contratado como crítico de teatro e, poucos meses depois, substituído por John Simon, cujas críticas eram particularmente duras. Alan Rich cobria música clássica. Barbara Goldsmith escreveu uma seção chamada "The Creative Environment", na qual entrevistava pessoas como Marcel Breuer, I. M. Pei, George Balanchine e Pablo Picasso sobre seus processos de trabalho. Gael Greene, sob o título "The Insatiable Critic", fazia críticas de restaurantes e cultivava um estilo de escrita barroco carregado de metáforas sexuais. A redação ficava no último andar da antiga sede do Tammany Hall na 207 East 32nd Street, prédio pertencente a Glaser. A revista não dava lucro de maneira constante nesses primeiros anos. Alan Patricof, integrante do conselho, disse depois que "talvez tenha entrado no azul por um trimestre e depois saído, mas nunca foi significativamente lucrativa".
Década de 1970
Wolfe, colaborador regular da revista, escreveu em 1970 uma reportagem que captava seu espírito, ainda que não necessariamente o de toda a época, "Radical Chic: That Party at Lenny's". O texto, alvo de controvérsia e críticas, narrava uma festa beneficente para o Partido dos Panteras Negras no apartamento de Leonard Bernstein. O encontro entre alta cultura e cultura popular combinava com o espírito editorial de New York e com o interesse de Wolfe por status e classe social.
Em 1972, a edição de fim de ano de New York trouxe uma prévia de trinta páginas da primeira edição da revista Ms., editada por Gloria Steinem. "The Search for Grey Gardens", reportagem de capa de Gail Sheehy sobre a conhecida casa das Beale, mãe e filha, em East Hampton, levou ao documentário Grey Gardens, dos irmãos Maysles.
Felker ampliou o foco editorial para além de Manhattan ao longo da década. A revista acompanhou de perto Richard Nixon e o Caso Watergate. Felker também lançou New West, publicação irmã baseada no modelo de New York, dedicada à vida na Califórnia e publicada em edições separadas para o norte e o sul do estado. Em 1976, o jornalista Nik Cohn escreveu "Tribal Rites of the New Saturday Night", sobre um jovem de um bairro de classe trabalhadora no Brooklyn que, uma vez por semana, frequentava uma discoteca local chamada Odyssey 2001. A reportagem chamou grande atenção e deu origem ao filme Saturday Night Fever. Vinte anos depois, em uma reportagem de acompanhamento publicada por New York, Cohn admitiu ter inventado o personagem e a maior parte da história.
Em 1976, o empresário australiano de mídia Rupert Murdoch comprou a revista em uma aquisição hostil, afastando Felker e Glaser. A direção editorial passou por James Brady, Joe Armstrong, que também trabalhava como editor responsável pela publicação, John Berendt e, por pouco tempo, Jane Amsterdam.
Década de 1980
Em 1980, Murdoch contratou Edward Kosner, ex-editor da Newsweek, para substituir Armstrong. Murdoch também comprou a revista Cue, fundada por Mort Glankoff em 1932 para cobrir a programação cultural e de lazer da cidade, e a incorporou a New York. A operação acrescentou um guia de lazer à revista e eliminou uma concorrente. Sob Kosner, a publicação passou a dar mais espaço a reportagens de capa no estilo das revistas de notícias, matérias sobre tendências e textos de serviço, incluindo reportagens longas sobre compras e outros assuntos de consumo. Também acompanhava de perto a cena nova-iorquina da década de 1980, exemplificada por financistas como Donald Trump e Saul Steinberg. A revista foi lucrativa durante a maior parte da década. O termo "Brat Pack" foi cunhado em uma reportagem de capa de 1985.
Década de 1990
Murdoch deixou o setor de revistas em 1991 ao vender suas participações para a K-III Communications, atual Rent Group, parceria controlada pelo financista Henry Kravis. As pressões orçamentárias impostas pela K-III frustraram Kosner, que deixou a empresa em 1993 para assumir a direção da revista Esquire. Após alguns meses sob o editor executivo Peter Herbst, a K-III contratou Kurt Andersen, cocriador de Spy, revista mensal de humor publicada no fim da década de 1980 e no início da seguinte.
Andersen substituiu parte da equipe e trouxe escritores novos e já estabelecidos, entre eles Jim Cramer, Walter Kirn, Michael Tomasky e Jacob Weisberg. Também contratou editores como Michael Hirschorn, Kim France, Dany Levy e Maer Roshan. A revista ganhou um ritmo mais rápido, uma perspectiva mais jovem e um tom mais irônico. Em agosto de 1996, Bill Reilly demitiu Andersen e citou os resultados financeiros da publicação. Andersen afirmou que foi demitido por se recusar a cancelar uma reportagem sobre a rivalidade entre os banqueiros de investimento Felix Rohatyn e Steven Rattner, texto que havia desagradado Henry Kravis, integrante do grupo proprietário da empresa. Caroline Miller, que vinha da Seventeen, outra publicação da K-III, assumiu seu lugar. Em parte por causa das restrições financeiras da empresa, Miller e seus editores passaram a investir em autores mais jovens, entre eles Ariel Levy, Jennifer Senior, Robert Kolker e Vanessa Grigoriadis. Miller também contratou Michael Wolff, cujos textos sobre mídia e política passaram a atrair muitos leitores.
Década de 2000
O primeiro site da revista, no endereço nymetro.com, surgiu em 2001. Em 2002 e 2003, Wolff, crítico de mídia contratado por Miller em 1998, recebeu dois National Magazine Award por suas colunas. No fim de 2003, New York foi vendida novamente, desta vez a um fundo familiar controlado pelo financista Bruce Wasserstein, por US$ 55 milhões. No início de 2004, Wasserstein substituiu Miller por Adam Moss, fundador do breve semanário nova-iorquino 7 Days e ex-editor da The New York Times Magazine. No segundo semestre daquele ano, Moss e sua equipe relançaram a revista. Duas novas seções ganharam espaço, "The Strategist", voltada principalmente a serviços, gastronomia e compras, e "The Culture Pages", dedicada às artes da cidade. Moss também voltou a contratar Kurt Andersen como colunista. No início de 2006, a empresa relançou o site da revista, antes nymetro.com, sob o endereço nymag.com.
Nesse período, New York recebeu prêmios de design do National Magazine Award e foi escolhida Magazine of the Year pela Society of Publication Designers em 2006 e 2007. Uma capa de 2008 sobre o escândalo de prostituição envolvendo Eliot Spitzer, criada pela artista Barbara Kruger, mostrava a palavra "Brain" com uma seta apontando para a virilha de Spitzer. A capa recebeu o prêmio Cover of the Year da American Society of Magazine Editors e da Advertising Age. No ano seguinte, outra capa, "Bernie Madoff, Monster", sobre Bernard Madoff, recebeu da mesma associação o prêmio de Best News & Business Cover. New York ganhou o prêmio Cover of the Year da entidade em 2012 e 2013, por "Is She Just Too Old for This?" e "The City and the Storm". O diretor de design Chris Dixon e a diretora de fotografia Jody Quon foram escolhidos "Design Team of the Year" pela Adweek em 2008.
Quando Bruce Wasserstein morreu, em 2009, David Carr, do The New York Times, escreveu que, embora antigos proprietários exigissem matérias constantes sobre os melhores lugares para comprar um croissant ou uma boina, Wasserstein queria uma publicação que explicasse o complicado funcionamento da Nova Iorque moderna. Carr acrescentou que essa liberdade recuperara a intenção original de Clay Felker. Os filhos de Wasserstein mantiveram o controle da revista, supervisionada por Anup Bagaria, antigo subordinado de Wasserstein.
Em 2006, o NYMag.com passou por um relançamento de um ano. O site deixou de ser principalmente um repositório do conteúdo da revista e passou a publicar notícias e material de serviço com atualização contínua. A cobertura de John Heilemann sobre a eleição presidencial de 2008 deu origem ao livro Game Change, escrito com Mark Halperin. Em 2008, a New York Media, empresa controladora da revista, também comprou o MenuPages, site de restaurantes e cardápios, para complementar sua própria cobertura gastronômica. O MenuPages foi vendido à Seamless em 2011.