O transporte espacial é o método de transporte de veículos tripulados e não-tripulados no (e através do) espaço. O transporte espacial está associado às tecnologias de propulsão de espaçonaves, direção (astrodinâmica), construção e lançamento de veículos com este objetivo.
Os custos associados ao transporte espacial são bastante elevados, e esse é provavelmente o maior entrave ao desenvolvimento e a realização de experiências desde que apareceu o transporte espacial.
Este tipo de transporte, desenvolveu-se bastante no século XX, e no princípio do século XXI, e parece ser alvo de grande interesse e de futuras novas descobertas.
O transporte espacial é um campo fundamental para a exploração espacial, visando o reconhecimento dos corpos que compõem o espaço, a recolha de amostras de outros planetas, a procura de vida extraterrestre, fatores que são cruciais para a descoberta de respostas para as várias perguntas que o ser humano tem sobre a sua existência. Também suporta atividades tais como o lançamento de satélites de telecomunicações, que basicamente são fundamentais para a existência da sociedade como ela é em 2009, que nos permite usar telemóveis, Internet e recetores GPS vulgarmente.
Mas existe também outra aplicação de grande interesse que está diretamente ligada ao transporte espacial e alimenta um enorme desejo e curiosidade acerca do espaço, que é o turismo espacial. A ideia de poder ser um astronauta por um curto espaço de tempo, parece ser apelativa a muitos interessados. Aliás, desde 2001, começou a ser possível fazer turismo espacial, com a quantia monetária necessária e os requisitos físicos e psicológicos certos. Esta é talvez uma das componentes em maior crescimento no transporte espacial, e imagina-se que no futuro seja possível fazer uma viagem ao espaço, como se faz uma viagem de avião ou de carro a outro país.
História do transporte espacial
O sonho realístico da viagem espacial teve como base as ideias desenvolvidas por Konstantin Tsiolkovsky, depois de ter visitado em 1895 a Torre Eiffel, seis anos após a inauguração. Todavia, Tsiolkovsky escrevia em russo, o que o limitou, visto que as suas ideias não causaram grande impacto fora da Rússia.
A viagem espacial tornou-se uma possibilidade da engenharia com um ensaio de Robert Hutchings Goddard publicado em 1919, A Method of Reaching Extreme Altitudes, onde analisa a possibilidade da utilização de foguetes de combustível líquido em viagens interplanetárias. As conclusões e descobertas na área dos foguetes e combustível líquido foram usados em primeiro como armas proporcionadas por foguete, tendo com intuito uso militar. As suas pesquisas foram importantes, pois os alemães aproveitaram o seu trabalho para desenvolver o Foguete V2.
A teoria da utilização dos foguetes de combustível líquido por parte de Goddard influenciou Hermann Oberth e Wernher von Braun, que mais tarde seriam personalidades importantes e decisivas no campo do transporte espacial. Oberth, Von Braun e Goddard, trabalharam em conjunto, trocando ideias e teorias sobres foguetes.
Em 1942 com Von Braun, a trabalhar na altura para a armada alemã, conseguiu com sucesso criar o primeiro foguete balístico, o A4 (mais conhecido por V-2) que no teste registou com sucesso a trajectória pré-definida e alcançou o destino a 193 quilómetros. Este acontecimento marcou o início da era espacial.
thumb|200px|esquerda| Figura 2: Foguete V2.
Quando a segunda guerra mundial terminou, Von Braun e os seus colegas alemães foram interrogados pelos russos, e a quando da desmantelação dos últimos V-2, estava lá um coronel da armada russa, Sergei Korolev. Dez anos mais tarde Sergei Korolev, já desenhador-chefe das naves espaciais na União Soviética, é o responsável pela criação das espaçonaves Vostok, Voshkod e Soyuz que, desde 1961, transportaram os cosmonautas soviéticos para órbita.
O programa espacial norte-americano começou com Von Braun e a sua equipa de sempre em El Paso, no Texas, onde seria lançado o primeiro V-2 em solo norte-americano. Em 1952 foi lançado o primeiro foguetão de dois andares o Bumper 8, no novo Cabo Canaveral situado no deserto Cabo Canaveral, Estados Unidos da América. A equipa de Von Braun trabalhou no desenvolvimento do super-V-2, que a armada dos Estados Unidos da América deu o nome de Redstone, local onde estava a ser criado.
Em 1956, a Agência de Mísseis Balísticos da Armada (Army Ballistic Missile Agency), começou a ser construído o Júpiter C. A 31 de Janeiro de 1958 foi lançado o primeiro satélite americano, Explorer 1. Três anos mais tarde o foguete Mercury lançava Alan Shepard e Virgil Grissom num voo espacial sub-orbital, antecedendo o primeiro voo orbital de John Glenn. Em 1957, a União Soviética lançou o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial do mundo. No mesmo ano o Sputnik 2 foi lançado levando Laika, uma cadela que se tornou a primeira criatura terrestre a orbitar a Terra (Viagem, ). Em 1961, o primeiro ser humano a pilotar uma espaçonave, Yuri Gagarin, foi lançado pela União Soviética a bordo da Vostok I. Em 1958, foi criada a NASA, e dois anos mais tarde, Von Braun, a sua equipa e toda a Agência de Mísseis Balísticos da Armada (ABMA) foram transferidos para a NASA para formarem o núcleo do programa espacial da agência.
thumb|200px|direita|Figura 3: Espaçonave Apollo em órbita da Lua. Em 1961, quando Alan Shepard ainda estava a ser congratulado por ser o primeiro americano no espaço, o presidente John F. Kennedy decidiu que os Estados Unidos da América seriam a primeira nação a chegar a Lua. O foguete Saturno I criado no Centro de Marshall da NASA no âmbito do projeto Apollo, pertence à série de foguetes Saturno, que foram na altura, os veículos de lançamento para o espaço mais potentes alguma vez criado, até à altura.
thumb|200px|esquerda|Figura 4: Rover lunar. A 20 de Julho de 1969, uma transmissão, vinda do Mar da Tranquilidade (Mare Tranquillitatis), na Lua, informou: "A Águia (Eagle) pousou." Já na Lua os veículos de excursão lunar utilizados, o rover lunar, levaram os astronautas em excursões de longa distância para pesquisa e análise do solo lunar.
No dia 14 de Maio de 1973, o módulo Skylab foi posto em órbita, que seria a primeira estação espacial americana. O Skylab permitiu ao invés dos foguetes - que a sua beleza era a subida (lançamento) ao espaço e depois a descida (recuperação) - que o espaço se tornasse num local para viver e trabalhar. O foguetão tornou-se um mero veículo de transporte para a colocação dos astronautas na estação espacial Skylab, pois o trabalho desenvolvido na estação era bem mais importante e alvo de curiosidade do que a viagem em si, já vista e contemplada.
Nos primeiros momentos de existência da estação espacial Skylab, ocorreram muitos problemas, mas a NASA, mostrou estar à altura e manteve tudo sobre controlo, o que levou o Skylab a ser um projecto de sucesso e de orgulho nacional. Mais tarde o projeto Apollo-Soyuz, levou uma equipa conjunta de norte-americanos e soviéticos num novo foguete desenvolvido pela NASA, o Saturno IB.
thumb|290px|direita|Vídeo 1: Vídeo filmado no espaço do Skylab. Depois do projeto Apollo, a NASA começou a desenvolver um sistema americano de transporte espacial, mais conhecido por space shuttle. A razão do sucesso do space shuttle reside nos seus motores, que são mais potentes e mais sofisticados dos que os existentes na altura. Podem ser usados várias vezes e durante cerca de 7,5 horas seguidas. Cada motor pesa aproximadamente 3,2 toneladas mas produz a potência equivalente a 7 grandes barragens.
Mas o sucesso nesta matéria ainda por explorar, e sem total domínio do homem, permitiu que acontecessem erros humanos. Depois de 24 voos bem sucedidos utilizando o space shuttle, o lançamento de foguetes ficou banalizado e alvo de menor destacamento, e a 28 de Janeiro de 1986 o Challenger explode, devido a um defeito nos tanques do combustível, matando todos os seus ocupantes.
thumb|270px|esquerda|Figura 5: Lançamento do space shuttle Columbia. Desde este acontecimento, a NASA concentrou-se em melhorar, e minimizar o possibilidade de insucesso, realizando testes rigorosos para prevenir futuros possíveis acidentes. Vários melhoramentos foram realizados de forma a desenvolver sistemas mais avançados tanto mecanicamente como eletronicamente.
Após a construção de vários space shuttle, nomeadamente Columbia, Challenger, Discovery, Atlantis e Endeavour, a exploração do espaço por parte homem tem vindo a aumentar e a conhecer novas fronteiras. Mas o transporte espacial deve ser levado com rigor e seriedade, pois podem acontecer acidentes a qualquer altura de qualquer forma, como aconteceu em 2003, a 1 de Fevereiro, quando o vaivém espacial Columbia se desintegrou, ao voltar da sua 28ª missão, devido a um pedaço de espuma que se soltou e embateu numa das asas e permitiu que o vaivém espacial se incendiasse e ficasse totalmente destruído.
Desde então o espaço tem sido alvo de grande interesse, pois o desejo de conhecimento do homem é insaciável, levando à pesquisa de vida em Marte, à procura de novos planetas, sistemas e mais a diante; ao turismo espacial, à evolução das tecnologias de comunicação, etc.
Uma coisa pode ser garantida, o futuro do homem está no espaço, e cada vez se irá saber mais sobre o que está para além do planeta Terra, talvez daqui a uns anos seja possível ter comunidades humanas noutros planetas (Uma, ).
Aplicações do transporte espacial thumb|200px|esquerda|Figura 6: Foto do Planeta Terra tirada na missão Apollo 10. O transporte espacial tem como objetivo fazer a ligação entre a Terra e o espaço, sendo que o lançamento de qualquer objeto ou pessoas envolve sempre grandes quantidades monetárias. O transporte espacial serve basicamente 4 áreas relacionadas com o espaço: exploração espacial, manutenção de estações espaciais e satélites artificiais através do envio de astronautas, lançamento de novos satélites artificiais e o turismo espacial.
thumb|150px|direita|Figura 7: Telescópio espacial Hubble. A exploração espacial consiste na recolha de informações, tanto material extraterrestre e fotografias do espaço, como a descoberta de novos corpos no espaço, tais como planetas e sistemas. Em 2009 um dos corpos que tem gerado mais atenção é o planeta Marte. A recolha de amostras, tanto de rochas, organismos, como fotografias têm sido alvo de grande interesse por parte da NASA, pois existem teorias que existe vida em Marte, e consequentemente água no centro de Marte.
Também através dos telescópios espaciais que andam em órbita no espaço, é possível tirar amostras fotográficas, para que sejam analisadas por peritos.
A manutenção espacial é de extrema importância para o normal funcionamento dos aparelhos que se encontram no espaço. Esta manutenção visa maioritariamente as estações espaciais, os satélites artificiais e também a substituição de equipas de astronautas que têm um limite de permanência no espaço. Esta manutenção é conseguida através do envio de astronautas por vaivém espacial. thumb|200px|esquerda|Figura 8: Astronautas no espaço. thumb|120px|direita|Figura 9: Charls Simonyi, o 1º turista a ir ao espaço duas vezes.
O lançamento de novos satélites artificiais também só é possível através do transporte espacial, pois não se conhece outra forma de colocação de satélites artificiais no espaço.