Controvérsias no protestantismo refere-se às controvérsias e críticas existentes nas posições e atitudes do protestantismo e das igrejas que adotam esta doutrina (protestantes e evangélicas), em suas ações, ensinamentos, estrutura ou natureza, bem como em suas divergências e interpretações teológicas.

Atualmente existem diversas igrejas protestantes, sendo que especialmente no houve uma enorme multiplicação das mesmas, muitas delas sem ligações entre si, com diferentes pontos de vista, e muitas vezes com certa rivalidade, no que tange a questões doutrinárias e a aquisição de novos fiéis.O Futuro não será Protestante. Ricardo Mariano. Publicado pela Universidade de São Paulo em 1999.

Catolicismo e protestantismo Os protestantes e católicos sempre entraram em controvérsia em certas doutrinas, fazendo acusações mútuas de heresia.

A atitude especialmente de novos movimentos religiosos, que acatam alguns escritos polêmicos de orientação anticatólicos de reformadores que afirmam que o papa seria supostamente o "anticristo",Notas de John Wesley ao Novo Testamento (1754) (Igreja Metodista) tais como Martinho Lutero,L' Epanouisssement de la Pensée de Luther, pág. 316, citado em El Sentido dela Historia y la Palabra Profética, tomo 1, pág.303. Antolín Diestre Gil, Editorial Clie João Calvino, Thomas Cranmer, John Knox, Cotton Mather, e John Wesley, atitude semelhante tomada pela Igreja Episcopal Irlandesa,[Igreja Episcopal] a Igreja Presbiteriana e a Igreja Batista, é uma barreira que impede um ecumenismo eficaz e deteriora as relações já muitos ruins entre católicos e protestantes. Calvino despertou revolta inclusive entre seus próprios seguidores ao chamar de papistas muitos cristãos respeitados.Uma Breve História do Mundo. Geoffrey Blainey. Pág.: 187-188 e 190. Editora Fundamento. ISBN 85-88350-77-7.

Predestinação e Calvinismo

A peça fundamental da doutrina de João Calvino é a predestinação, atualmente considerada controversa por muitos setores da sociedade e grupos religiosos.

Calvino creditava todo o centro da história, bem como de sua teologia à ideia da Soberania de Deus. De forma que este havia planejado, por meio de Decretos Eternos, o destino final de cada ser humano. E por consequência o ser humano estava predestinado desde antes de seu nascimento ao céu ou o inferno. Segundo sua crença, alguns (dentre toda humanidade já caída e destinada ao inferno) foram eleitos por Deus para serem salvos, isto é, para serem iluminados pelo Espírito Santo que os levariam a um genuíno arrependimento de seus pecados e serem, desta forma, salvos pela Graça Divina, ao passo que outros foram eleitos a permanecer como estavam: perdidos em seus pecados e não arrependidos, herdando consequentemente à justa maldição eterna - recompensa direta do pecado - independentemente dos atos que estas pessoas cometassem em vida. Calvino, como todos os demais protestantes em suas diversas formulações soterológicas afirmava que a salvação não se dá pelas obras e sim pela Graça divina. Calvino considerava também o trabalho e a prosperidade financeira um sinal das bênçãos de Deus, legitimando o lucro.História Uma Abordagem Integrada. Nicola Luiza de Petta. Eduardo Aparicio Baez Ojeda. Luciano Delfini. Volume Único. Editora Moderna. ISBN 85-16-04714-8. Pág.: 70.Nova História Integrada. João Paulo Mesquita Hidalgo Ferreira. Luiz Estavam de Oliveira Fernandes. Editora Companhia da Escola. ISBN 85-88955-09-1. Pág.: 115 Assim o calvinismo ganhou popularidade e força entre os burgueses.

História Razões políticas na Reforma A Reforma protestante foi iniciada por Martinho Lutero, e foi principalmente impulsionada por razões de interpretação das escrituras, políticas e sociaisHistória. Editora ática. Divalte Garcia Figueira. 2007. ISBN 978-850811073-5. Pág.: 113.História e Vida integrada. Nelson Piletti e Claudino Piletti. 2008. Editora ática. Pág.: 81. ISBN 978-850810049-1. Contestação veemente sobretudo a doutrina de que o perdão de Deus poderia ser adquirido pelo comércio das indulgências. Essa discordância inicial resultou na publicação das famosas 95 Teses de Lutero em 1517, em um contexto de conflito aberto contra o vendedor de indulgências Johann Tetzel, escritos, a pedido do Papa Leão X, e que resultou na excomunhão de Lutero da Igreja Romana e em sua condenação como um fora-da-lei pelo imperador do Sacro Império Romano Germânico. os conflitos políticos entre autoridades da Igreja Católica e governantes das monarquias europeias, tais governantes desejavam para si o poder espiritual e religioso da Igreja e do Papa,História Global Brasil e Geral. Pág.: 157-162 e 342. Volume único. Gilberto Cotrim. ISBN 978-85-02-05256-7Sistema didático de ensino. Ensino fundamental e médio. Geografia, História, Biologia, Física, Química, Inglês, Espanhol. Pág.: 154. Ensino em 3D. Editora Silvanelli (0800-908057). muitas vezes para assegurar o direito divino dos reis; Práticas como a usura eram condenadas pela ética católica, assim a burguesia capitalista que desejava altos lucros econômicos sentiram-se mais "confortáveis" se pudessem seguir uma nova ética religiosa, adequada ao espírito capitalista, necessidade que foi atendida pela ética protestante e conceito de Lutero de que a fé sem as obras justifica (Sola fide);História Geral. Antonio Pedro e Florival Cáceres. Editora FTD. Pág.: 167"História Do Mundo Ocidental". Editora FTD. Antonio Pedro. Lizânias de Souza Lima. Yone de Carvalho. ISBN 85-322-5602-3. Pág.:156. L'Éthique protestante et l'esprit du capitalisme (em português: A ética protestante e o espírito do capitalismo) de Max Weber. 217 pp. Ephraim Fischoff - The Protestant Ethic and the Spirit of Capitalism, Social Research, Vol.XI, 1944, pp.62-68 Algumas causas econômicas para a aceitação da Reforma foram o desejo da nobreza e dos príncipes de se apossar das riquezas da igreja católica e de se ver livre da tributação papal.História das cavernas ao terceiro milênio. Myriam Becho Mota. Patrícia Ramos Braick. Volume I. Editora Moderna. ISBN 85-16-0402-4. Pág.: 179. Também na Alemanha, a pequena nobreza estava ameaçada de extinção em vista do colapso da economia senhorial. Muitos desses pequenos nobres desejavam às terras da igreja. Somente com a Reforma, estas classes puderam expropriar as terras;, BURNS, Edward Macnall, op. cit., II vol., pgs. 458-459.SOUTO MAIOR, Armando, op. cit., pgs. 298-299.História Geral e Brasil - Trabalho, Cultura, Poder - Ensino Médio. Koshiba, Luiz; Pereira, Denise Manzi Frayze Durante a Reforma na Alemanha, autoridades de várias regiões do Sacro Império Romano-Germânico pressionadas pela população e pelos luteranos, expulsavam e mesmo assassinavam sacerdotes católicos das igrejas,Janssen, Johannes, History of the German People From the Close of the Middle Ages, 16 vols., tr. AM Christie, St. Louis: B. Herder, 1910 (orig. 1891). substituindo-os por religiosos com formação luterana.História. Volume Único. Gislane Campos Azevedo e Reinaldo Seriacopi. Editora Ática. 2007. ISBN 978-850811075-9. Pág.: 143.

Perseguição e massacre de anabatistas

Martinho Lutero era radicalmente contra o corpo doutrinário e o movimento anabatista que originou-se na Reforma, que foi liderado por Thomas Münzer. Münzer inicialmente era adepto de Lutero, porém ao defender juntamente com seu movimento uma sociedade sem diferenças entre ricos e pobres, e sem propriedade privada, este foi fortemente atacado por Lutero, e eles romperam. Lutero argumentou para Münzer que a existência de "senhores e servos era vontade divina", legitimando assim o poder político.

Em 1524 Münzer iniciou uma revolta camponesa comandada pelos anabatistas, que provocou a Guerra dos Camponeses, comandando massas camponesas contra a nobreza imperial. Nesse conflito Lutero escreveu aos príncipes contra Munzer, afirmando: "Contras as hordas de camponeses (...), quem puder que bata, mate ou fira, secreta ou abertamente, relembrando que não há nada mais peçonhento, prejudicial e demoníaco que um rebelde".

Após a derrota dos Camponeses na guerra, os anabatistas continuaram sendo perseguidos e executados em países protestantes, por exemplo, a Holanda e Frísia, que massacraram aproximadamente 30.000 anabatistas nos dez anos que se seguiram a 1535.

Reforma Inglesa

A Reforma Inglesa foi promovida pelas necessidades políticas de . Sendo este casado com Catarina de Aragão, que não lhe havia dado filho homem, Henrique solicitou ao a anulação do casamento. Perante a recusa do Papa, por razões pessoais Henrique fez-se proclamar, em 1531, chefe absoluto da igreja inglesa. O "Ato de Supremacia", votado no Parlamento em novembro de 1534, colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja. Os súditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados, perseguidos e executados, tribunais religiosos foram instaurados e católicos foram obrigados à assistir cultos protestantes,Macaulay. A História da Inglaterra. Leipzig, pag.:54. muitos importantes opositores foram mortos, tais como Thomas More, o bispo John Fischer, bem como sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos.

Quando Henrique foi sucedido pelo seu filho Eduardo VI em 1547, implantou o calvinismo como doutrina oficial da Igreja Anglicana, doutrina religiosa mais conveniente à nova nobreza e burguesia.História Geral. Antonio Pedro Florival Cáceres. Série Sinopse. Editora Moderna.

Os católicos também tiveram diversos direitos institucionais negados no Reino Unido, do século XVI até o final do , um deles, foi o direito de possuir armas de fogo, considerado um dever para protestantes, e terminantemente proibido para católicos. Quando em 1780, o Parlamento inglês tentou outorgar o mesmo direito aos católicos, 120.000 protestantes assinaram uma petição contrária a decisão, e depois provocaram uma revolta em Londres, que resultou na morte de centenas de católicos e incêndio e saque de capelas e casas católicas.Joyce Lee Malcolm. "Violência e Armas - A Experiência Inglesa". Vide Editorial. 2014. Pág. 92-95. ISBN 978-85-67394-27-5.

Calvino e Genebra thumb|esquerda|180px|Miguel Servet, cientista e reformador protestante, sentenciado à morte a fogueira por suas ideias teológicas pelo Conselho de Genebra presidido por João Calvino.

João Calvino, juntamente com seus seguidores, instalaria em Genebra um governo de caráter teocrático,Harkness, Georgia, John Calvin: The Man and His Ethics, NY: Abingdon Press, NY, 1931.História das Religiões. Crenças e práticas religiosas do século XII aos nossos dias. Grandes Livros da Religião. Editora Folio. 2008. Pág.: 49. ISBN 978-84-413-2489-3 e quem descumprisse as normas e doutrinas oficiais do estado era punido. Centenas de pessoasW. Bommbeg, The mind of man: the history of man’s conquest of mental illness, 2.ª ed., Nova Yorque, Harpel, 1959; tradução: La mente del hombre, Buenos Aires, 1940. seriam sentenciadas à morte. O caso mais famoso é o do cientista e reformador Miguel Servet, primeiro a descrever a circulação pulmonar, condenado a morrer na fogueira por suas ideias teológicas pelo Conselho de Genebra presidido por Calvino, que havia inclusive consultado outros reformadores sobre o assunto, como os seguidores de Martinho Lutero, que concordaram universalmente com sua execução.Schaff, Philip: History of the Christian Church, Vol. VIII: Modern Christianity: The Swiss Reformation, William B. Eerdmans Pub. Co., Grand Rapids, Michigan, USA, 1910, página 780. Servert, por exemplo defendia o AntitrinitarismoThe History and Character of Calvinism, p. 176. John T. McNeill, New York: Oxford University Press, 1954. ISBN 0-19-500743-3. (motivo pelo qual foi condenado em países católicos e protestantes.) Após o ocorrido Calvino escreveu: