A Casa Museu Eva Klabin, denominada Fundação Eva Klabin até 2017, é uma instituição cultural brasileira localizada no Rio de Janeiro. É uma fundação privada, idealizada pela colecionadora Eva Klabin com o objetivo de preservar e expor ao público o precioso patrimônio artístico por ela amealhado ao longo de mais de meio século. Foi idealizada por Eva nos anos 70, oficialmente instituída, em 1990, e aberta ao público, em 1995. Promove cursos e eventos culturais, mantém publicações e uma biblioteca especializada em artes visuais.Comissão de Patrimônio Cultural da USP, 2000, pp. 255-257.

Situada na antiga residência da colecionadora, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, a fundação se enquadra na tipologia de casa-museu, com um acervo "fechado" de aproximadamente peças. Conserva uma das mais importantes coleções de arte européia existentes no Brasil, além núcleos de antiguidades egípcias e greco-romanas, arte oriental, artefatos pré-colombianos e artes aplicadas.

Eva Klabin

Eva Klabin, filha mais velha do casal de imigrantes lituanos Fanny e Hessel Klabin (um dos fundadores da indústria de papéis que leva o sobrenome da família), nasceu em São Paulo em 1903. Durante a adolescência, residiu com a família na Alemanha, sendo obrigada a se refugiar na Suíça devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial. Foi neste país que obteve sua educação formal, estudando em Neuchâtel. Retornou ao Brasil em 1919, mas voltou à Europa já em 1922, acompanhando sua mãe em tratamento médico na Alemanha. Em 1930, mudou-se para os Estados Unidos, onde completou seus estudos.Jaguaribe, Lafer et al., 2004, pp. 19.

De volta ao Brasil, casou-se, em 1933, com o advogado e jornalista austro-brasileiro Paulo Rapaport. Mudou-se alguns anos depois para o Rio de Janeiro. Na então capital federal, adquiriu a casa onde residiria definitivamente, um dos primeiros imóveis construídos no entorno da recém-urbanizada Lagoa Rodrigo de Freitas. Da mesma forma que sua irmã Ema fazia em São Paulo, Eva passou a adquirir obras de arte no mercado internacional, aproveitando-se do momento propício do pós-Segunda Guerra, caracterizado pela baixa procura e pelo excesso de ofertas. Após a morte de Paulo em 1957, Eva não se casaria novamente. Sem filhos, passou a se dedicar quase que exclusivamente ao colecionismo, fazendo frequentes viagens à Europa para adquirir peças novas.Jaguaribe, Lafer et al., 2004, pp. 20.thumb|180px|Eva Klabin em 1929.|esquerdaNos anos 60, com o crescimento da coleção, Eva decidiu expandir e reformar sua residência, optando por manter o estilo normando no qual havia sido originalmente construída. Nesse período, tornaria-se uma figura proeminente na vida política e cultural do Rio de Janeiro, oferecendo jantares de gala e hospedando em sua casa personalidades como Juscelino Kubitschek, Harry Oppenheimer, David Rockefeller, Elie Wiesel, Henry Kissinger e Shimon Peres. Após o incêndio que destruiu mais de 70% do acervo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1978, Eva começou a se preocupar com o futuro de sua coleção. Contratou especialistas do Brasil e de outros países para catalogar o acervo e conduzir pesquisas em peças específicas. Da mesma forma que sua irmã, que havia estabelecido a Fundação Cultural Ema Gordon Klabin imediatamente após incêndio do MAM, Eva começou a tomar as medidas legais necessárias para criar sua própria fundação. Eva faleceu em 1991.Jaguaribe, Lafer et al., 2004, pp. 21-22.180px|direita|thumb|Retrato de Nicolaus Padavinus, por Tintoretto (1589). Uma das principais obras do acervo.

Fundação Eva Klabin Idealizada nos anos 70 e legalmente estabelecida em 1990, um ano antes da morte de sua criadora, a Fundação Eva Klabin foi aberta ao público em 22 de agosto de 1995, na presença do então Ministro da Cultura Francisco Weffort. Além de preservar e expor o acervo de Eva, a fundação tem como missão organizar atividades culturais, artísticas e científicas. Promove exposições temporárias, concertos, cursos, peças de teatro, ciclos de palestras, debates e conferências. Mantém serviço de visitas guiadas e biblioteca especializada em artes visuais. É dotada de um departamento editorial, dedicado á publicação de obras do acervo e de coletâneas dos ciclos de conferências promovidos pela instituição.Jaguaribe, Lafer et al., 2004, pp. 25-26.

Residência A residência que serve de sede à fundação se localiza nas margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, na zona sul do Rio de Janeiro. Foi projetada pelo arquiteto de origem alemã Ricardo Wriedt e construída em 1934, em estilo normando, muito em voga entre as residências balneares da cidade nessa época. Ao comprarem a casa em 1952, Eva e o marido pensaram em sua demolição e na construção de uma nova casa, existindo três projetos com esta finalidade, um deles apresentado pelo arquiteto romano Gaetano Minnucci, um palacete com fachadas palacianas e ambientes internos imbuídos de espírito clássico. Nos anos 60, já viúva, Eva desiste da demolição e empreende uma ampla reforma que amplia a área construída do imóvel. Na reforma atuaram as empresas Graça Engenharia e Alberto Pucheu, o arquiteto Homero Leite, além dos decoradores Antoine Rulhe e Terri Della Stufa. A residência é dividida em nove ambientes principais, nomeados por Eva: Hall Principal, Sala Renascença, Sala Inglesa, Sala de Jantar, Sala Chinesa, Hall Superior, Sala Verde, Boudoir e Quarto de Dormir. O jardim ficou a cargo de Roberto Burle Marx, sendo bastante representativo da preferência de seu autor pela exuberância de algumas espécies tropicais.

Exposições

Nossa América (jun - set 2026) - Exposição coletiva curada por Camilla Rocha Campos e Cláudia Jaguaribe que se orienta pela noção de temporalidade ch’ixi, formulada pela socióloga boliviana Silvia Rivera Cusicanqui, entendendo essas produções como campos de coexistência em que o ancestral e o contemporâneo não se sucedem, mas se mantêm em tensão. Beleza Habitada: Eva Klabin, moda e memórias (jan - mai 2026) - Exposição curada por Helena Severo e Brunno Almeida Maia que abre pela primeira vez o guarda roupa da colecionadora Eva Klabin. A mostra traz a integração entre arte, moda, mobiliário e vida social, revelando uma síntese estética singular de Eva entre viver e criar. Transformai as velhas formas do viver - (set - dez 2025) - Exposição de Claudia Andujar, Aline Motta e vasos rituais da coleção de Eva Klabin.

Ecos do Olimpo (jun–ago 2025) Ateliê de Restauro com Simone Mesquita (mai 2025) Rio de Janeiro: XIX–XXI (fev–abr 2025) – J. Steinmann e PV Dias Novas Raízes (set 2024–jan 2025) – Rosana Paulino KINA: Novos Sons, Novas Visões (jul–ago 2024) – videoprojeções na fachada do museu Eterno Egito: A imortalidade nas coleções de Viscondessa de Cavalcanti e Eva Klabin (jul–set 2024) Uma casa toda sua (abr–jun 2024) Ateliê de Restauro com Edson Motta Jr. (mar–jun 2024) Contratempo (fev–mar 2024) Ultramar (dez 2023–fev 2024) – Kika Carvalho Essas Pessoas na Sala de Jantar (set–nov 2023) Expressões do inconsciente na coleção Dimitri Ganzelevitch (jul–set 2023) Lasar Segall: olhares para o feminino (mai–jul 2023) Ayla Tavares: Ustão (mai–jul 2023) KINA: Novos Sons, Novas Visões (fev–mai 2023) – videoprojeções na fachada do museu

Projeto Respiração Criado em 2004, o Projeto Respiração tem por objetivo criar intervenções de arte contemporânea no acervo de arte clássica da Fundação Eva Klabin. Com curadoria de Marcio Doctors, o projeto consiste em convidar artistas contemporâneos a intervirem no circuito expositivo da casa museu, criando uma ponte entre a arte consagrada do passado e as manifestações contemporâneas. Artistas participantes do projeto: Denilson Baniwa e Gustavo Caboco - Devir Indígena, 2022. Hilton Berredo – Grafites Orgânicos (Respiração Fachada), 2021. OPAVIVARÁ! – Boca a Boca, 2019. Frans Krajcberg - Respiração Krajcberg, 2018. Arthur Bispo do Rosário - Flutuações, 2017. Regina Silveira - Insolitus, 2016. Eduardo Berliner - A presença da ausência, 2016. Nelson Leirner - Nossa casa, minha vida, 2015. Rosângela Rennó - Círculo mágico, 2014. Marcos Chaves - I only have eyes for you, 2013. Laura Lima, Cinemashadow SEGUNDO, 2012. Sara Ramo - Penumbra, 2012. Maria Nepomuceno - Pulso, 2012. Enrica Bernardelli - Concerto de Pálpebras, 2011. Daniel Blaufuks - Três quartos de memória, 2011. Carlito Carvalhosa - Regra de dois, 2011. Anna Maria Maiolino - é, 2010. Daniela Thomas - Substituições, 2010. Lilian Zaremba - Evasão, 2010. João Modé - Invisíveis, 2009. José Bechara - Saudade, 2009. Nuno Ramos - Pergunte ao, 2008. Rui Chafes - Nocturno, 2007. Brígida Baltar - Passagem secreta, 2007. Claudia Bakker - Primavera noturna, 2007. Marta Jourdan - Zona de lançamento #1, 2007. Paulo Vivacqua - Visita, 2006. Anna Bella Geiger - Circa, 2006. Chelpa Ferro - Estabilidade provisória, 2005. Ernesto Neto - Citoplasma e organóides, 2004. José Damasceno - Cinematograma, 2004.

Acervo O acervo da Fundação Eva Klabin é considerado uma das mais importantes coleções de arte clássica dos museus brasileiros. É composto por mais de 2000 peças, entre pinturas, esculturas, antiguidades, mobiliário, tapeçarias, prataria e objetos decorativos, originários da Europa, Ásia, África e América, abrangendo um arco temporal de quase 5000 anos.Jaguaribe, Lafer et al., 2004, pp. 26-28.

miniaturadaimagem|150x150px|Tampa de canopo com cabeça de Hapy, entre 664 e 525 a.C. Coleção egípcia O núcleo de arte do Antigo Egito é composto por aproximadamente 50 itens, incluindo peças que se destacam no contexto das coleções brasileiras por sua qualidade e raridade. Como os objetos não são provenientes de escavações arqueológicas oficiais, é difícil determinar com precisão seus locais de origem. A coleção possui alguns exemplares de estatuária faraônica de grande porte, destacando-se uma cabeça de faraó portando um toucado nemés, artefato de uso ritual. Dentre os itens funerários, encontra-se uma máscara mortuária com olhos de vidro incrustados datada da XVII Dinastia, bem como objetos que refletem a importância dos animais nos ritos funerários egípcios, como uma esquife para múmia de gato do Período Ptolemaico. A coleção inclui ainda relevos e fragmentos arquitetônicos, como o baixo-relevo de um templo representando uma deusa com cabeça de leoa, produzido no Terceiro Período Intermediário.

miniaturadaimagem|197x197px|Cabeça de Apolo em mármore, entre 201 e 1 a.C. Coleção greco-romana Entre os destaques do núcleo de arte greco-romana, encontra-se uma cabeça de Apolo, fragmento de uma estátua maior proveniente da Magna Grécia, produzida entre os séculos III e I a.C., e um torso feminino em mármore pentélico do Período Clássico ateniano. A coleção possui ainda um grupo de 24 Tânagras, produzidas no século IV a.C., o maior conjunto dessas estatuetas conservado em um museu brasileiro, além de 58 exemplares de frascos e vasos de vidro provenientes da bacia do Mediterrâneo durante o domínio do Império Romano. Completam a coleção os vasos de cerâmica com registros de pintura vermelha e negra, uma cratera ática do Período Clássico e dois vasos italiotas provenientes da Apúlia e da Magna Grécia.

Coleção Italiana A coleção italiana é caracterizada por uma profunda ênfase na pintura renascentista. Destacam-se, entre as peças do quattrocento, os painéis de Piermatteo d'Amelia e de Sano di Pietro.Instituto de História da Arte do MASP, 1997, pp. 12. Há vários exemplares de Madonas, das escolas sienesa, florentina e lombarda, incluindo obras atribuídas a Sandro Botticelli, Andrea del Sarto e Antoniazzo Romano. O grande Retrato de Nicolaus Padavinus de Jacopo Tintoretto é uma das obras mais valiosas do acervo. Epitomizando o Barroco, obras de Bernardo Strozzi, Guercino e um grande cartão de tapeçaria de Giovanni Francesco Romanelli.