A Classe Scorpène identifica uma classe de submarinos de ataque desenvolvidos e fabricados na França pela empresa Naval Group (anteriormente DCNS), em cooperação com a espanhola Navantia, mas sendo a primeira a autora do projeto.
Possui propulsão diesel-elétrica e alguns modelos contam também com propulsão independente do ar (AIP). Destinada à exportação, foi adquirida por Chile, Malásia, Índia:en:Kalvari-class submarine (2015) e Brasil, nos dois últimos com transferência de tecnologia. No Brasil serviu de modelo para a fabricação de uma embarcação derivada, denominada Classe Riachuelo...
Descrição A família Scorpène 2000 é composta por quatro derivações:.
CA-2000, "Compacto" – adequado para águas costeiras, é particularmente discreto graças à utilização do sistema de propulsão independente de ar (AIP) chamado MESMA, como principal modo de propulsão. Comprimento de 59,4 metros. CM-2000, "Básico" – submarino multimissão com comprimento de 61,7 metros e propulsão convencional diesel-elétrica, porém sem AIP. AM-2000 – um submarino equipado com AIP MESMA e comprimento de 70 metros. S-BR – submarino multimissão derivado do CM-2000, sem AIP, mas com comprimento ampliado para 71,62 metros a fim de acomodar mais baterias. Encomendado pelo Brasil (Classe Riachuelo).
Eles são compostos por casco de aço 80 HLES,. sistema de combate francês integrado e sistema de controle de plataforma centralizado totalmente automatizado, que permite uma redução no número de tripulantes, mantendo um alto nível de segurança no mergulho.
Propulsão Independente de Ar
O sistema francês Module d'Energie Sous-Marine Autonome (MESMA), que pode ser traduzido como "Módulo de Energia Submarina Autônomo", é oferecido pelo estaleiro francês Naval Group para os submarinos da classe Scorpène. É essencialmente uma versão modificada do seu sistema de propulsão nuclear, mas com calor gerado por etanol e oxigênio. A combustão do etanol e do oxigênio armazenado, a uma pressão de 60 atm (6,1 MPa), gera vapor que alimenta uma usina elétrica com turbina convencional. Esta queima sob pressão permite que o dióxido de carbono da exaustão seja expelido no mar, em qualquer profundidade, sem um compressor de exaustão..
Cada sistema MESMA custa cerca de 50 a 60 milhões de dólares. A sua instalação nos Scorpènes requer a adição de uma nova seção de casco de 8,3 metros e 305 toneladas, e permite que um submarino opere por mais de 21 dias debaixo d'água, dependendo da velocidade.
O Naval Group também está desenvolvendo módulos AIP de células de combustível de hidrogênio de segunda geração para futuros modelos Scorpène.
Vazamento de informações sobre o Scorpène
Em meados de agosto de 2016, o jornal The Australian publicou documentos contendo dados técnicos antigos sobre os submarinos Scorpène e noticiou que detalhes de projeto dos submarinos da classe Scorpène e de outras embarcações haviam sido vazados. As informações vazadas estendiam-se por mais de 22.400 páginas e incluíam dados confidenciais detalhados a respeito das capacidades de combate e furtividade da embarcação. O vazamento também continha dados sobre os níveis de ruído, frequências acústicas de operação e outros parâmetros técnicos. Apesar do vazamento dos documentos, o chefe do Estado-Maior da Marinha Indiana, almirante Sunil Lanba, foi citado declarando que o incidente estava sendo tratado "com muita seriedade", mas "não era motivo de grande preocupação". A reportagem também sugeriu que um ex-oficial da Marinha Nacional Francesa que atuava como subcontratado do Naval Group poderia ter sido a fonte do vazamento, e que os dados vazados teriam sido redigidos na França em 2011. No entanto, em 30 de agosto de 2016, um tribunal de Nova Gales do Sul proibiu temporariamente o jornal The Australian de divulgar novos dados confidenciais relativos aos submarinos indianos da classe Scorpène.
O Naval Group ingressou com uma queixa-crime contra o periódico junto à Suprema Corte do Estado de Nova Gales do Sul, na Austrália. O tribunal australiano julgou em favor do Naval Group em 29 de agosto e ratificou sua decisão em 1 de setembro.
Operadores
Operadores atuais
Chile miniatura|O Carrera, da Marinha do Chile A Marinha do Chile encomendou duas embarcações da classe Scorpène, que substituíram dois submarinos da classe Oberon desativados pela Armada chilena. Os submarinos chilenos da classe Scorpène, o O'Higgins e o Carrera, foram concluídos em 2005 e 2006, respectivamente.
Malásia miniatura|O Tunku Abdul Rahman, da Marinha Real da Malásia Em 2002, a Malásia encomendou duas embarcações da classe Scorpène no valor de 1,04 bilhão de euros (cerca de 4,78 bilhões de ringgits). Ambos os navios, o Tunku Abdul Rahman e o Tun Abdul Razak, foram comissionados pela Marinha Real da Malásia em 2009.
Índia
miniatura|O INS Kalvari (S21), da Marinha Indiana
Em 2005, a Índia escolheu o projeto Scorpène, adquirindo seis submarinos por 3 bilhões de dólares norte-americanos (500 milhões de dólares por embarcação). Sob um acordo de transferência de tecnologia, a estatal Mazagon Docks, em Mumbai, deveria fabricar os submarinos e entregá-los entre 2012 e 2016; contudo, o projeto acumulou seis anos de atraso. A construção começou em 23 de maio de 2009. Em agosto de 2016, mais de 20.000 páginas confidenciais do manual do submarino foram vazadas pela mídia australiana, desencadeando uma controvérsia sobre o impacto nas ambições da Índia de estruturar uma marinha de águas azuis.
O Naval Group respondeu que tais documentos não eram cruciais. Após extensos testes de mar, o Kalvari foi comissionado na Marinha Indiana em 14 de dezembro de 2017.
O Conselho de Aquisições de Defesa (DPB) da Índia (parte do Ministério da Defesa) deu sinal verde para a aquisição de três embarcações adicionais em 10 de julho de 2023. Em seguida, o Conselho de Aquisições de Defesa (DAC) aprovou a proposta em 13 de julho de 2023. Esperava-se que o acordo fosse assinado durante a visita do primeiro-ministro Narendra Modi à França no Dia da Bastilha, em 14 de julho de 2023. No entanto, o acordo não foi assinado naquela ocasião e a assinatura passou a ser esperada para o final de 2024, com as entregas previstas para terem início a partir de 2031.
Em 16 de outubro de 2025, o Naval Group e a Mazagon Dock Shipbuilders assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para oferecer conjuntamente a versão evoluída do submarino Scorpène a países estrangeiros amigos.
Brasil
miniatura|O Riachuelo (S-40), da Marinha do Brasil Em 2009, o Brasil adquiriu quatro submarinos Scorpène ampliados por 10 bilhões de dólares com um acordo de transferência de tecnologia e um segundo acordo para desenvolver um submarino de propulsão nuclear franco-brasileiro. A classe brasileira de submarinos recebeu a designação de classe Riachuelo. O casco do primeiro S-BR (S40) teve sua quilha batida em Cherburgo em 27 de maio de 2010 e teve suas seções unidas no Estaleiro da Marinha do Brasil em Sepetiba no final de 2012. Os três últimos submarinos seriam inteiramente construídos no local, com comissionamentos planejados para 2020, 2021 e 2022. O submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto está em construção desde 2018, com lançamento previsto para 2027.
O primeiro submarino, o Riachuelo, foi lançado ao mar em 14 de dezembro de 2018 e iniciou os testes de mar em setembro de 2019. Todos os submarinos são construídos pela empresa de defesa brasileira Itaguaí Construções Navais.
Futuros operadores
Indonésia , a Indonésia considerava a aquisição de um submarino da classe Riachuelo, a variante Scorpène construída para o Brasil. As negociações para tal compra haviam começado já em 2016.
Em 7 de junho de 2021, a Indonésia assinou uma carta de intenções para comprar seis submarinos da classe Scorpène e pacotes de armamentos da França. Em 10 de fevereiro de 2022, o ministro da Defesa da Indonésia, Prabowo Subianto, e sua homóloga francesa, Florence Parly, testemunharam a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) entre Kaharuddin Djenod, CEO da PAL Indonesia, e Pierre Éric Pommellet, CEO do Naval Group, sobre a cooperação em pesquisa e desenvolvimento entre a PAL Indonesia e o Naval Group relativa ao plano de aquisição de seis submarinos Scorpène com AIP juntamente com armamentos, peças sobressalentes e treinamento.
Em outubro de 2023, o Naval Group renovou sua proposta oferecendo a variante mais recente denominada Scorpene Evolved, equipada com uma configuração completa de baterias de íons de lítio (LIB), permitindo-lhe operar por um total de 80 dias e percorrer mais de 8.000 milhas náuticas. O Scorpene Evolved apresenta assinatura acústica reduzida e pode manter sua velocidade máxima por períodos prolongados, distinguindo-se das variantes anteriores. Aproximadamente um terço do valor total do contrato, estimado em cerca de 2,1 bilhões de dólares, retornará à Indonésia por meio de compensações comerciais (offsets) e outras iniciativas de colaboração. O esquema da proposta prevê a produção integral no país.
Em abril de 2024, o Naval Group confirmou que a Indonésia assinou um contrato de encomenda para dois submarinos Scorpene Evolved, que serão construídos na Indonésia. O contrato para os dois submarinos entrou em vigor em 23 de julho de 2025. A construção das duas embarcações no estaleiro da PAL Indonesia teve início no final de julho de 2025. A cerimônia de corte do primeiro aço ocorreu em 7 de agosto de 2026. Um representante da Marinha da Indonésia afirmou durante a cerimônia que o progresso da construção da embarcação havia atingido aproximadamente 20,5%. O período de construção do submarino está planejado para durar 96 meses (cerca de 8 anos).
Operadores potenciais
Argentina Em outubro de 2024, o ministro da Defesa da Argentina, Luis Petri, assinou uma carta de acordo com o presidente francês Emmanuel Macron, iniciando negociações para a compra, por parte da Argentina, de três submarinos Scorpène destinados a equipar a Marinha Argentina. O acordo envolveria um investimento estimado em 2 bilhões de dólares norte-americanos por parte da Argentina.
Egito As negociações continuam em andamento entre o Egito e o Naval Group a respeito da aquisição de submarinos da classe Scorpène 2000 juntamente com um acordo de transferência de tecnologia (ToT). A reportagem indica ainda que o acordo pode abranger quatro submarinos, com opção para mais dois.
Filipinas Em dezembro de 2019, o secretário de Defesa Nacional das Filipinas, Delfin Lorenzana, anunciou que os submarinos franceses da classe Scorpène atendiam aos requisitos da Marinha das Filipinas. Lorenzana visitou um submarino da classe Scorpène durante viagem oficial à França. Em 18 de dezembro de 2019, Lorenzana declarou que as Filipinas estavam um passo mais perto de adquirir o submarino francês após a assinatura de um acordo com a França visando aprimorar a defesa marítima de ambos os países. Em janeiro de 2020, as marinhas filipina e francesa realizaram um intercâmbio de especialistas sobre submarinos para ampliar os conhecimentos da equipe sobre a operação de submarinos propriamente dita. Em julho de 2023, o Naval Group apresentou seu pacote de submarinos, que inclui a instalação de uma base de submarinos no estaleiro Agila Shipyard, em Subic, e o treinamento de tripulantes, além de viabilizar o financiamento do projeto por meio de um empréstimo de longo prazo. Os submarinos provavelmente seguirão o modelo da variante brasileira da classe Riachuelo.
Romênia , a Romênia considerava a aquisição de dois submarinos da classe Scorpène junto aos franceses.
Grécia Em julho de 2025, foi iniciado um processo formal para a aquisição de quatro submarinos adicionais como parte de um plano de modernização de 20 anos estimado em 25 bilhões de dólares. Estão sendo considerados o Type 218, o Type 209NG, a classe Scorpène, a versão convencional da classe Barracuda francesa e a classe Blekinge.
Propostas não concretizadas
Espanha