Este artigo é sobre a publicação estadunidense. Para o conceito de comunicação da ciência ao público geral, veja Divulgação científica.
Popular Science (também chamada de PopSci) é um site estadunidense de divulgação científica, com conteúdo sobre ciência e tecnologia voltado a leitores não especializados. Sua revista impressa, publicada de 1872 a 2020, foi traduzida para mais de 30 idiomas e distribuída em pelo menos 45 países. Em 2021, a Popular Science passou a operar somente em formato digital e, em 2023, deixou de publicar uma revista.
A Popular Science recebeu mais de 58 prêmios, entre eles os da American Society of Magazine Editors por excelência jornalística em 2003, na categoria General Excellence, em 2004, na categoria Best Magazine Section, e em 2019, na categoria Single-Topic Issue.
História da revista
The Popular Science Monthly
The Popular Science Monthly, como a publicação se chamava originalmente, foi fundada em maio de 1872 por Edward L. Youmans e publicada pela D. Appleton & Company com o propósito de levar conhecimento científico ao público leigo instruído. Youmans havia trabalhado como editor do semanário Appleton's Journal e convenceu a editora a lançar seu novo periódico.
As primeiras edições consistiam em grande parte de reimpressões de periódicos ingleses. A revista publicou textos e ideias de Charles Darwin, Thomas Henry Huxley, Louis Pasteur, Henry Ward Beecher, Charles Sanders Peirce, William James, Thomas Edison, John Dewey, John Shaw Billings e James McKeen Cattell.
William Jay Youmans, irmão de Edward e um dos responsáveis pela fundação da revista, também trabalhou como editor. Com a morte de Edward, em 1887, tornou-se editor-chefe.
Em 1900, dificuldades financeiras obrigaram a D. Appleton & Company a vender o periódico a James McKeen Cattell. Cattell, que assumiu como editor e publicador, vinha do meio acadêmico e manteve a publicação de artigos voltados a leitores instruídos.
Modern Publishing Company
Em 1915, o número de leitores estava em queda e manter uma revista científica se tornara financeiramente difícil. Em um editorial publicado em setembro daquele ano, Cattell explicou a situação aos leitores e anunciou que o nome Popular Science Monthly havia sido transferido para a Modern Publishing Company, que o usaria em uma nova publicação dirigida ao público geral. O periódico científico existente continuaria a ser publicado com o nome The Scientific Monthly e manteria seus assinantes. The Scientific Monthly circulou até 1958, quando foi incorporada à revista Science.
Depois de adquirir a revista Electrician and Mechanic em 1914, a Modern Publishing Company a fundiu com Modern Electrics, formando Modern Electrics & Mechanics. Em 1915, a publicação foi fundida com Popular Electricity and World's Advance, originando Popular Electricity and Modern Mechanics. Outras mudanças de nome acabaram confundindo bibliotecários, e a Modern Publishing Company comprou o nome Popular Science Monthly para deixar mais claro que a publicação era dedicada à divulgação científica. O nome Popular Science passou a ser usado a partir da edição de novembro.
miniaturadaimagem|Volume de setembro de 1920
A edição de outubro de 1915 recebeu o título Popular Science Monthly and World's Advance. A numeração, volume 87, número 4, era a de Popular Science, mas o conteúdo vinha de World's Advance. O novo editor era Waldemar Kaempffert, antigo editor da Scientific American. A nova Popular Science Monthly dava continuidade a World's Advance, enquanto a publicação anterior passava a chamar-se Scientific Monthly.
A mudança na Popular Science Monthly foi profunda. A versão anterior era uma publicação especializada, com oito a dez artigos em uma edição de cerca de cem páginas e entre dez e vinte fotografias ou ilustrações. A nova versão trazia centenas de artigos curtos, escritos para leitura mais simples, acompanhados por centenas de ilustrações. Kaempffert escrevia para "o artesão doméstico e o entusiasta que queria saber alguma coisa sobre o mundo da ciência". A circulação dobrou no primeiro ano.
Da década de 1920 até 1970, a revista publicou histórias fictícias da série Gus Wilson's Model Garage, centradas em problemas de automóveis.
Uma análise anual das mudanças nos automóveis do novo ano-modelo foi publicada em 1940 e 1941. A seção não voltou logo após a guerra e só reapareceu em 1954. Permaneceu até meados da década de 1970, quando a revista passou a apresentar os novos modelos em edições diferentes, à medida que as informações se tornavam disponíveis.
De julho de 1952 a dezembro de 1989, a Popular Science publicou regularmente a seção Wordless Workshop, de Roy Doty.
Times Mirror
A Popular Science Publishing Company foi comprada em 1967 pela Times Mirror Company, sediada em Los Angeles.
De julho de 1969 a maio de 1989, a capa e o índice traziam o subtítulo "The What's New Magazine". O subtítulo saiu da capa no mês seguinte e desapareceu do índice em fevereiro de 1990. Em 1983, a revista adotou um novo logotipo na fonte ITC Avant Garde, que permaneceu em uso até o fim de 1995. Nos onze anos seguintes, a fonte do logotipo mudou quatro vezes, em 1995, 1997, 2001 e 2002.
Em 1972, a revista comemorou cem anos. Sua circulação chegava a 1.625.000 exemplares e 98% dos leitores eram homens.
Em 1999, a Popular Science lançou o site popsci.com.
Tribune, Time e Bonnier
Em 2000, a Times Mirror foi incorporada pela Tribune Company, de Chicago. A divisão Times Mirror Magazines, que incluía a Popular Science, foi então vendida à Time Inc., na época uma subsidiária da Time Warner.
Em 2003, a Popular Science era a revista de ciência mais vendida dos Estados Unidos, com quase 1,5 milhão de exemplares por mês.
Em 25 de janeiro de 2007, a Time Warner vendeu a publicação, junto com outras 17 revistas voltadas à criação de filhos e a interesses específicos, para o Bonnier Magazine Group.
Em julho de 2007, a Popular Science lançou a Popular Science Predictions EXchange, ou PPX, um mercado de previsões. Os participantes podiam fazer apostas virtuais sobre quais seriam as próximas inovações em tecnologia, meio ambiente e ciência. Entre as apostas estavam a possibilidade de o Facebook fazer uma oferta pública inicial até 2008, a data de lançamento de um iPod com tela sensível ao toque e a possibilidade de Dongtan, uma ecocidade chinesa, ter moradores permanentes até 2010. O PPX foi encerrado em maio de 2009, depois de dois anos de funcionamento.
Em 2009, a revista passou a usar uma nova fonte em seu logotipo, que permaneceu até a edição de janeiro de 2014.
Em julho de 2009, a capa da Popular Science usou realidade aumentada para fazer com que um moinho de vento aparecesse em três dimensões quando colocado diante de uma webcam e se movesse quando o leitor soprasse em um microfone. A capa foi patrocinada pela General Electric.
No começo de 2010, a Bonnier fez uma parceria com a empresa londrina de design BERG para criar o Mag+, uma plataforma de publicação de revistas para tablets. Em abril de 2010, Popular Science+, primeiro título da plataforma Mag+, chegou à iTunes Store no mesmo dia do lançamento do iPad. Uma versão para Android foi lançada em janeiro de 2011.
Em 27 de março de 2011, a edição para iPad da Popular Science chegou à marca de 10.000 assinaturas, quase seis semanas depois de a revista aceitar as condições da Apple para a venda de assinaturas no tablet.
Em 2013, a Popular Science desativou os comentários de seu site, citando o comportamento abusivo de usuários e a impossibilidade de oferecer moderação adequada. No fim do ano, Cliff Ransom foi promovido a editor-chefe.
Em 2014, a revista passou por uma ampla reformulação. A edição de fevereiro apresentou um novo logotipo e um formato que dava mais espaço a recursos gráficos e imagens, numa tentativa de ampliar o interesse de um público geral por meio ambiente, ciência e tecnologia. A reformulação terminou em novembro, com a mudança do site da Popular Science.
Em janeiro de 2016, depois de 144 anos de publicação mensal, a Popular Science passou a ser bimestral. Em abril de 2016, foi anunciado que o editor-chefe Cliff Ransom deixaria a revista. Em agosto, Joe Brown foi escolhido como novo editor-chefe da Popular Science. Brown procurou diversificar o público da revista. Em junho de 2018, mulheres correspondiam a 25% da equipe editorial e a 52% dos leitores do site.
A partir de setembro de 2018, a revista passou a ser trimestral. A publicação fez uma parceria com o USA Today para dar destaque a candidatos que apoiavam a ciência antes das eleições de meio de mandato de 2018 nos Estados Unidos. A Popular Science recebeu indicações a diferentes National Magazine Awards e venceu em 2019 com "The Tiny Issue". No fim de 2019, a circulação era de 630.000 exemplares. A partir de 2020, a Bonnier passou a licenciar a marca para brinquedos STEM, microscópios e telescópios. Brown deixou o cargo em fevereiro e foi sucedido pela editora executiva Corinne Iozzio em março.
A revista também recebeu um novo projeto gráfico, com outro índice, reposicionamento do logotipo, mudanças no leiaute e novas fontes tipográficas para tentar conquistar leitores mais jovens.
Recurrent Ventures
Em 6 de outubro de 2020, o Bonnier Group vendeu a Popular Science e outras seis revistas de interesses específicos à North Equity LLC. Entre elas estavam Popular Photography, Outdoor Life e Field & Stream. No fim de junho de 2020, a circulação da revista havia caído para 560.000 exemplares. Em junho de 2021, a North Equity apresentou a Recurrent Ventures como nova empresa controladora de seu portfólio de mídia digital.
Em 2021, a marca encerrou sua edição impressa e passou a ser publicada apenas em formato digital. No ano seguinte, a edição digital passou a ser trimestral. Em agosto de 2022, foi lançada a assinatura digital PopSci+. Por 12 dólares anuais, os assinantes tinham acesso à revista trimestral, a conteúdo exclusivo e ao arquivo de edições anteriores.
Em maio de 2022, a Popular Science comemorou 150 anos. A revista também recebeu um National Magazine Award de 2022 pela edição "Heat", dedicada a uma análise aprofundada das duras realidades e da inventividade diante do aquecimento do planeta.
Em janeiro de 2023, Annie Colbert foi nomeada editora-chefe. Ela chegou à marca depois de passar mais de dez anos no Mashable.
Em novembro de 2023, a edição digital da Popular Science foi encerrada. O PopSci+ também foi descontinuado. Treze funcionários da publicação foram demitidos, deixando a marca com apenas cinco empregados na equipe editorial.
Ziff Davis
Em maio de 2026, a Popular Science foi comprada pela Ziff Davis. Dwell, Domino e Business of Home também fizeram parte do negócio.
Mídia
Televisão e cinema
De 1935 a 1949, a revista patrocinou uma série de curtas-metragens produzidos por Jerry Fairbanks e distribuídos pela Paramount Pictures. Foram produzidos ao todo 72 curtas, cada um com dez minutos de duração. Na década de 1940, a revista também produziu uma série de filmes em tira como parte de Living Together in the United States of America.
Em 1997, um programa de televisão baseado na revista e apresentado por Dean Stockwell estreou no The Learning Channel.
Popular Science's Future Of... estreou em 10 de agosto de 2009 no Science Channel. Apresentado por Baratunde Thurston, cada episódio tratava do futuro da tecnologia e da ciência em um tema específico.
Em março de 2025, a marca fez uma parceria com a Underknown e criadores de conteúdo científico do YouTube para lançar o canal de streaming FAST da Popular Science, distribuído por Fubo, Plex, Sling Freestream, Vizio WatchFree+, Local Now e outros serviços. Em agosto, o canal também chegou ao The Roku Channel no Canadá.
Livros