A Chalcides bedriagai, comummente conhecida como cobra-de-pernas-pentadáctila, é uma espécie da família dos escincídeos, endémica da Península Ibérica.

Nomes comuns Além de «cobra-de-pernas-pentadáctila», dá ainda pelos seguintes nomes comuns: cobra-de-pernas (nome comum que partilha com a espécie Chalcides striatus); cobra-de-cinco-dedos e escinco-ibérico.

Etimologia Do que toca ao nome científico:

O nome genérico, Chalcides, provém do grego clássico «cobre», por alusão à coloração desta espécie.

O epíteto específico, bedriagai, trata-se de uma homenagem ao herpetólogo russo do séc. XIX Jacques von Bedriaga.

Quanto aos nomes comuns, são alusivos às características físicas deste réptil serpentiforme, dotado de pequenas pernas vestigiais, com cinco dedos (daí o epíteto «pentadáctilo»).

Descrição Caracteriza-se pelo corpo cilíndrico e serpentiforme, dotado de membros locomotores rudimentares (pernas), os quais estão munidos de cinco dedos cada, o que lhe vale o nome de cobra-de-pernas-pentadáctila.

Esta espécie pode alcançar até cerca de 17 centímetros de comprimento total. Exibe uma coloração variegada, que pode variar entre o acastanhado, o acinzentado, o oliváceo e o amarelado. Amiúde, conta com uma banda larga mais escura em cada um dos flancos.

Distribuição

A área de distribuição desta espécie inclui-se na região bioclimática mediterrânica, com excepção de locais situados no Sudoeste da Galiza, Norte de Portugal, Sul da Cantábria e nascente do rio Ebro, onde ocorre sempre nos habitats mais quentes. Encontra-se desde o nível do mar até aos 1750 metros de altitude, nas Serras Béticas.

Esta espécie encontra-se distribuída pela maior parte da Península Ibérica, salvo no extremo Norte, nas zonas da Cordilheira Cantábrica, Astúrias e País Basco. Na costa mediterrânica chega até às serras litorais e ao rio Ebro.

Há algumas populações insulares no Atlântico e no Mediterrâneo.

Portugal Distribui-se por grande parte do território de Portugal continental, se bem que muito dispersamente.

Contam-se registos da sua presença no Parque Nacional da Peneda-Gerês, a Norte de Chaves, nas serras do Alvão e Marão, na Beira Interior, no Ribatejo, na Costa Vicentina e no Algarve. É passível de se encontrar desde o nível do mar até aos 1200 metros de altura, nas Serras da Peneda e Gerês. Não ocorre nas zonas de mais baixa altitude, desde a foz do rio Minho até ao cabo Raso, e no Parque Natural de Montesinho. No Alto e Baixo Alentejo marca presença na Serra de S. Mamede e a sul de Beja.

Não há registos da sua existência no leste do distrito de Setúbal, sul do distrito de Santarém, oeste dos distritos de Portalegre e de Évora e norte do distrito de Beja.

Há ainda populações insulares portuguesas, dentre as quais se contam as da ilha do Pessegueiro e da ilha de Faro.

Ecologia Privilegia áreas arenosas, dotadas de parca vegetação e com boa cobertura no solo. Também é capaz de habitar em florestas, onde costuma fazer a toca, escavando no solo solto.

Comportamento As fêmeas da espécie dão à luz por ovoviviparidade. Esta espécie encontra-se activa durante o dia e o crepúsculo. Pauta-se pelo seu temperamento cauteloso e tímidos.

Predam insectos, aranhas, lesmas e bichos-de-conta.

Ameaças As principais ameaças que afectam esta espécie resultam da perda de habitat provocadas pelos seguintes factores:

Os repovoamentos florestais em regime de monocultura, em especial de eucaliptais; A agricultura intensiva, em particular no Baixo Alentejo, o que propende para a eliminação do coberto arbustivo e para o despredegar dos terrenos, privando assim a cobra-de-pernas de refúgios naturais; Os incêndios, que por seu turno, tendem a menoscabar significativamente a habitabilidade de algumas zonas florestais.

Subespécies

Chalcides bedriagai bedriagai Chalcides bedriagai pistaciae Chalcides bedriagai cobosi

Ver também Lista de répteis de Portugal

Referências

Ligações externas

Fotos e informações em www.biolib.cz

Categoria:Chalcides Categoria:Répteis descritos em 1880 Categoria:Répteis da Península Ibérica