O Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas: Aprendizagem, Ensinamento, Certificação (QECR)https://www.britishcouncil.pt/os-nossos-niveis-e-o-qecr (em língua inglesa: Common European Framework of Reference for Languages: Learning, Teaching, Assessment, CEFR)​ é um padrão europeu utilizado para descrever os resultados da aprendizagem de uma língua estrangeira em toda a Europa e, cada vez mais, noutros países do mundo. O QECR também se destina a tornar mais fácil, para as instituições educativas e para os empregadores, a avaliação das qualificações linguísticas dos candidatos à admissão na educação ou no emprego. O seu principal objetivo é fornecer um método de aprendizagem, ensinamento e certificação que se aplique a todas as línguas da Europa.

Foi elaborado pelo Conselho da Europa como parte principal do projeto "Aprendizagem das Línguas para a Cidadania Europeia" entre 1989 e 1996. Em novembro de 2001, uma resolução do Conselho da União Europeia recomendou a utilização do QECR para o estabelecimento de um sistema de validação das habilidades linguísticas. Os seis níveis de referência (A1, A2, B1, B2, C1, C2) têm-se vindo a tornar amplamente aceites como o padrão europeu para a classificação da proficiência linguística de um indivíduo.

Desenvolvimentos miniaturadaimagem|Certificado de êxito no exame QECR para o idioma esperanto.|243x243px O projeto é o resultado de um trabalho iniciado em 1991 por iniciativa do governo federal suíço que esteve inspirado em trabalhos prévios realizados por particulares e instituições desde 1971. O documento final foi elaborado pelo Conselho da Europa e apresentado em 2001 durante a celebração do Ano Europeu das Línguas.

O QECR adota um enfoque orientado para a ação que, segundo Carlos César Jiménez da Universidade Nacional Autónoma do México, remonta-se às propostas teóricas dos filósofos da linguagem, tais como Ludwig Wittgenstein nas décadas de 1950 e sociolinguistas como Dell Hymes.

Entre os conceitos teóricos chave utilizados no QECR, encontram-se o conhecimento declarativo, o conhecimento procedimental e a competência, entendida como o conhecimento mínimo suficiente que supomos que seja requerido para executar um tipo de tarefas específicas. Estes conceitos complementam-se com a competência existencial (habilidades sociais), a habilidade para aprender e a competência linguístico-comunicativa.

Antecedentes teóricos O QECR divide as competências gerais em conhecimento, habilidades e competência existencial com competências comunicativas particulares em competência linguística, competência sociolinguística e competência pragmática. Esta divisão não corresponde exatamente com as noções previamente conhecidas de competência comunicativa, mas podem ser estabelecidas correspondências entre elas.

O QECR tem três dimensões principais: atividades linguísticas, os domínios em que as atividades linguísticas ocorrem e as competências que uma pessoa obtém quando se envolve nestas atividades linguísticas.

Atividades linguísticas O QECR distingue quatro tipos de atividades linguísticas: receção (ouvir e ler), produção (falar e escrever), interação (falar e escrever) e mediação (traduzir e interpretar).

Domínios As competências comunicativas gerais e particulares desenvolvem-se através da produção ou da receção de textos em vários contextos e sob várias condições e constrangimentos. Estes contextos correspondem aos diversos âmbitos da vida social que o QECR designa como domínios. Distinguem-se quatro domínios amplos: o educacional, o ocupacional, o público e o pessoal. Estes quatro domínios correspondem em grande medida ao registo sociolinguístico.

Competências Um utilizador de uma língua pode desenvolver vários graus de competência em cada um destes domínios e, para ajudar a descrevê-los, o QECR fornece um conjunto de seis Níveis Comuns de Referência (A1, A2, B1, B2, C1, C2).

Níveis comuns de referência O Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas estabelece uma escala de seis níveis comuns de referência para a organização da aprendizagem das línguas e a homologação dos distintos títulos emitidos pelas entidades certificadas. A divisão agrupa-se em três blocos que respondem a uma divisão mais clássica do nível básico, intermédio e avançado, embora não se correspondam exatamente com os níveis clássicos por estar situados em cima ou por debaixo deles. +Grupo de níveisNívelDescriçãoA

Utilizador básico ou elementar

(português europeu)

Falante básico ou elementar

(português do Brasil)A1

Iniciação ou Descoberta Pode entender e utilizar expressões familiares do dia a dia, bem como frases básicas direcionadas a satisfazer necessidades concretas. Pode apresentar-se e responder a perguntas sobre detalhes da sua vida pessoal como, por exemplo: onde vive, pessoas que conhece ou coisas que possui. Pode ainda interagir de maneira simples com nativos desde que estes falem pausadamente, de maneira clara e que estejam dispostos a ajudar.A2

Elementar ou Plataforma Pode entender frases e expressões relacionadas com áreas familiares ao utilizador, como informações pessoais e familiares básicas, compras, geografia local, emprego. Pode comunicar de maneira simples em situações familiares que requerem troca de informações curtas e precisas. Pode descrever de maneira superficial aspetos sobre os seus conhecimentos, o ambiente onde vive e as necessidades imediatas.B

Utilizador independente

(português europeu)

Falante independente

(português do Brasil)B1

Limiar ou Intermédio Pode entender os pontos principais sobre os assuntos do dia a dia como trabalho, escola e lazer. Pode lidar com situações quotidianas no país onde a língua é falada (viagem de turismo). Pode produzir textos simples sobre áreas familiares e de interesse. Pode ainda descrever experiências, eventos, sonhos, desejos e ambições. Além disso pode ainda opinar de maneira limitada sobre planos e discussões.B2

Vantagem ou Intermédio superior (ou Pós-intermédio)

(português europeu)

Independente

(português do Brasil) É capaz de entender ideias principais de textos complexos que tratem de temas tanto concretos como abstratos, inclusive textos de caráter técnico se forem da sua área de especialização. Pode interagir com falantes nativos com um grau suficiente de fluência e naturalidade de forma a que a comunicação ocorra sem esforço por parte dos interlocutores. Pode produzir textos claros e detalhados sobre temas diversos, assim como defender um ponto de vista sobre temas gerais, indicando vantagens e desvantagens das várias opções.C

Utilizador proficiente

(português europeu)

Falante proficiente

(português do Brasil)C1

Avançado ou Proficiência operativa efetiva (ou Autonomia) É capaz de compreender uma ampla variedade de textos extensos e com um certo nível de exigência, assim como reconhecer nestes, sentidos e idéias implícitas. Sabe expressar-se de forma fluente e espontânea sem demonstrar muitos esforços para encontrar uma palavra ou expressão adequada. Pode fazer uso efetivo do idioma para fins sociais, acadêmicos e profissionais. Pode produzir textos claros, bem estruturados e detalhados sobre temas de certa complexidade, mostrando o uso correto dos mecanismos de organização, articulação e coesão do texto.C2

Mestria ou Proficiente

(português europeu)

Domínio pleno

(português do Brasil) É capaz de compreender com facilidade praticamente tudo o que ouve e lê. Sabe reconstruir a informação e os argumentos procedentes de diversas fontes, seja em língua falada ou escrita, e apresentá-los de maneira coerente e resumida. Pode expressar-se espontaneamente com grande fluência e com um grau de precisão que lhe permita diferenciar pequenas matizes ou nuances de significado, inclusive em situações de maior complexidade.

Capacidades que há que desenvolver O Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas delimita as capacidades que o aluno deve controlar em cada um dos níveis para as categorias «compreender», «falar» e «escrever». A categoria «compreender» integra as destrezas compreensão auditiva e compreensão da leitura; a categoria «falar» integra as de interação oral e expressão oral e a categoria «escrever» compreende a destreza da expressão escrita. +NívelCompreenderFalarEscreverCompreensão auditivaCompreensão de leituraInteração oralExpressão oralExpressão escritaA1Reconheço palavras e expressões muito básicas que se usam habitualmente, relativas a mim mesmo, à minha família e ao meu ambiente imediato quando se fala devagar e com clareza.Compreendo palavras e nomes conhecidos e frases muito simples, por exemplo, aquelas em letreiros, cartazes e catálogos.Posso participar numa conversação de forma simples, sempre que a outra pessoa esteja disposta a repetir o que disse ou a dizê-lo com outras palavras e a uma velocidade mais lenta, e me ajudar a formular o que estou tentando dizer. Eu faço e respondo perguntas simples sobre temas de necessidade imediata ou assuntos muito habituais.Utilizo expressões e frases simples para descrever o lugar onde vivo e as pessoas que conheço.Eu sou capaz de escrever postais curtos e simples, por exemplo para enviar parabéns. Sei preencher formulários com dados pessoais, por exemplo, o meu nome, a minha nacionalidade e a minha morada no formulário de registo do hotel.A2Compreendo frases e o vocabulário mais habitual sobre temas de interesse pessoal (informação pessoal e familiar muito básica, compras, local de residência, emprego). Sou capaz de captar a ideia principal de avisos e mensagens breves, claras e simples.Sou capaz de ler textos muito breves e simples. Sei encontrar informação específica e previsível em escritos simples e quotidianos, como anúncios publicitários, prospectos, menus e horários e compreendo cartas pessoais breves e simples.Posso comunicar-me em tarefas simples e habituais que requerem um intercâmbio simples e direto de informação sobre atividades e assuntos quotidianos. Sou capaz de realizar intercâmbios sociais muito breves, embora, geralmente, não possa compreender o suficiente para manter a conversação por mim mesmo.Utilizo uma série de expressões e frases para descrever, com termos simples, a minha família e outras pessoas, as minhas condições de vida, a minha origem educativa e o meu trabalho atual ou o último que tive.Sou capaz de escrever notas e mensagens breves e simples relativas às minhas necessidades imediatas. Posso escrever cartas pessoais muito simples, por exemplo agradecendo algo a alguém.B1Compreendo as ideias principais quando o discurso é claro e normal e se tratam assuntos quotidianos que têm lugar no trabalho, na escola, durante o tempo de ócio, etc.