Animais impuros, segundo a definição dada pela Bíblia e segundo o Alcorão, são animais dos quais não se pode comer de sua carne nem tocar em seu cadáver, de forma que se alguém o fizer, se tornará impuro.
Animais considerados puros e impuros A Bíblia cita todos os animais impuros no livro de Levítico (chamado por judeus de Vayikrá ou Vaicrá), no capítulo 11,1-46, em uma passagem bíblica onde Deus fala a Moisés e Aarão.Levítico Capítulo 11 - Bíblia On-line. Acessado em 15 de Agosto de 2009.
Aquáticos Entre os animais aquáticos, são considerados puros todos que possuem barbatanas e escamas e vivem nos mares ou rios. Todos os demais são classificados como animais imundos e impuros.
Insetos Entre os insetos, todos os que são alados (que possui asa ou algo parecido) e andam sobre quatro pés, são considerados impuros. No entanto, todos os insetos alados e com quatro pés, que possuem pernas sobre seus pés, para saltar sobre a terra, podem ser comidos (como os gafanhotos, por exemplo).
Terrestres quadrúpedes thumb|250px|direita|O porco é considerado um animal impuro no judaísmo, no islamismo e no cristianismo (Adventistas) por não ruminar
11 Disse o Senhor a Moisés e a Arão:
2 “Digam aos israelitas: De todos os animais que vivem na terra, estes são os que vocês poderão comer:
3 qualquer animal que tem casco fendido e dividido em duas unhas, e que ruminam.
4 “Vocês não poderão comer aqueles que só ruminam nem os que só têm o casco fendido. O camelo, embora rumine, não tem casco fendido; considerem-no impuro.
5 O coelho, embora rumine, não tem casco fendido; é impuro para vocês.
6 A lebre, embora rumine, não tem casco fendido; considerem-na impura.
7 E o porco, embora tenha casco fendido e dividido em duas unhas, não rumina; considerem-no impuro.
8 Vocês não comerão a carne desses animais nem tocarão em seus cadáveres; considerem-nos impuros.
Terrestres rastejantes Entre os animais rastejantes, são considerados impuros a toupeira, o rato e as diferentes espécies de lagarto, a lagartixa, o Geco, o crocodilo da terra e o camaleão.
Lista explícita
Estes são os animais considerados impuros segundo Levítico 11 e Deuteronômio 14:Deuteronômio Capítulo 14 - Bíblia On-line. Acessado em 1 de Agosto de 2015.
Cavalo Bode Morcego Camelo Camaleão Hyracoidea (damão) Cormorão Cuculidae (cuco) Águia Furão Sapo Abutre do Egito Milhafre Bubo ascalaphus Lebre Gavião Açor Cisne Caimão-comum, Saracura Gallinula chloropus (família Rallidae) Garça Mobelha Gaivota Abibe Coruja buraqueira Avestruz Upupa Epops (Poupa) Mocho-galego Lagarto Coruja de igreja ou coruja de celeiro Mergulhão Toupeira Rato Musaranho Falcão da Noite Águia pesqueira Abutre-barbudo Strigiformes Pelicano Porco Corvo Caracol Ciconiidae (cegonhas) Porco doméstico Tartaruga Abutre
Pinguim Morsa Leão Marinho
Foca
Conceito no Cristianismo Nos primeiros dias do cristianismo, foi debatido se os convertidos deveriam seguir os costumes judaicos (incluindo a circuncisão e as leis dietéticas) ou não. De acordo com o relato do Conselho de Jerusalém em Atos 15, Atos Capítulo 15 - Bíblia On-line. Acessado em 17 de setembro de 2017. um acordo foi alcançado entre aqueles que queriam o pleno cumprimento e aqueles que preferiam uma visão mais liberal. Foi acordado que os gentios convertidos não teriam "nenhum fardo maior do que estas coisas necessárias: que se abstenham de carnes oferecidas aos ídolos, e do sangue, e das coisas estranguladas e da fornicação".
Na maioria das religiões cristãs o conceito de animais impuros foi abolido. Uma das referências para este fato está no Novo Testamento da Bíblia, no Evangelho de Marcos, capítulo 7,1-8.Marcos Capítulo 7 - Bíblia On-line. Acessado em 15 de Agosto de 2009. Nesta passagem, os fariseus e alguns doutores da Lei se reúnem ao redor de Jesus e notam que os discípulos comem o pão com mãos impuras (por não ter as lavado antes). Por este motivo, os fariseus e os doutores da Lei questionam a Jesus o fato de seus discípulos não seguirem a tradição antiga. Jesus então os responde:
No Evangelho de Marcos, capítulo 7,14-23, Jesus reúne a multidão e diz:
Após este fato, Jesus entrou em casa e os discípulos perguntaram a Ele sobre esta parábola. Jesus então lhes disse:
Considerando as passagens apresentadas no livro de Marcos, muitas religiões cristãs consideram que Jesus classificou como puros todos os alimentos e continua: Embora Jesus esteja se referindo à impureza espiritual, e não a física (como doenças e enfermidades), tal passagem é interpretada como uma mensagem de abandono à tradição de animais impuros.
240px|direita|thumb|Visão de Pedro de uma toalha com animais. Ilustração dos Tesouros da Bíblia, 1894. Somada a estas duas passagens, tem-se uma no livro de Atos dos Apóstolos, quando Pedro tem uma visão de toda sorte de animais, inclusive impuros, descendo do céu sobre um grande pano (como um tapete) e uma voz que dizia: "Mata e come", ao que Pedro respondia: "Nunca comi coisa alguma impura." Tendo isso ocorrido três vezes seguidas. Apesar de o significado prioritário desta mensagem ter sido com relação aos judeus e os gentios (como fica evidenciado na continuação da narração da história) e, em segundo lugar, que não devemos nos apegar tanto às tradições (no caso, judaicas), muitos ainda consideram possível estabelecer-se a interpretação de que Deus, mais uma vez, estava a abolir a definição de "animais impuros".
A última passagem bíblica do Novo Testamento que ensina contra a definição de animais puros e animais impuros consta numa das cartas de Paulo (Coríntios), onde este ensina que a definição de "puro" e "impuro" não deve ser levado a sério salvo ocasiões em que isso possa levar algum irmão a cair na fé - tal ensinamento também é passado com relação ao comer comidas sacrificadas a ídolos.
Igreja Adventista do Sétimo Dia Os adventistas alegam que não há abolição do conceito de animais impuros. Cristo teria cumprido, ao morrer, as leis relacionadas com os sacrifícios e festas judaicas, a lei cerimonial, uma vez que sua morte era simbolizada por todas estas cerimônias. Entretanto a lei relacionada à impureza dos alimentos não seria um símbolo redentivo, mas regras de higiene preocupadas em garantir boa saúde aos seus seguidores, assim como os Dez Mandamentos em Êxodo 20.Êxodo Capítulo 20 - Bíblia On-line. Acessado em 19 de julho de 2015.
Desde a década de 1860, quando a Igreja Adventista do Sétimo Dia se iniciou, integridade e saúde têm tido uma grande ênfase.Health - Seventh Day Adventist Church inglês)inglês)inglês)inglês)inglês)inglês)inglês)inglês). Acessado em 19 de julho de 2015. Os adventistas são conhecidos por apresentar uma "mensagem de saúde" que recomenda vegetarianismo e espera a adesão às leis kosher (alimentos preparados de acordo com as leis judaicas de alimentação) em Levítico 11. A obediência a essas leis significa abstinência de carne de porco, mariscos e outros alimentos proscritos como "impuros".
A distinção entre o que era limpo e imundo para a alimentação não era somente uma regra judaica. Era uma lei que existia antes de Abraão, o primeiro judeu. A Bíblia diz em Gênesis 7:1-2: “Depois disse o Senhor a Noé: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração. De todos os animais limpos levarás contigo sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea.”
Esta distinção entre os animais limpos e imundos continuará até ao final dos tempos. A Bíblia diz em Isaías 66:15, 17: “Pois, eis que o Senhor virá com fogo, e os seus carros serão como o torvelinho, para retribuir a sua ira com furor, e a sua repreensão com chamas de fogo. Os que se santificam, e se purificam para entrar nos jardins após uma deusa que está no meio, os que comem da carne de porco, e da abominação, e do rato, esses todos serão consumidos, diz o Senhor.”
É interessante notar que os animais recomendados para a alimentação eram os animais limpos, os mesmos utilizados para o sacrifício na adoração.
“E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar.” Gênesis 8:20
Vale lembrar que a quantidade de animais limpos que deveria entrar na arca deveria ser maior do que a de animais impuros (Gênesis 7:2 e 3). Os animais impuros tinham por propósito efetuar a limpeza do local. Já parou pra observar que ainda hoje é fácil reconhecer os animais “lixeiros” do planeta? Seja na terra ou no mar, eles estão lá, comendo as impurezas.
O regime indicado ao homem no princípio, não compreendia alimento animal. Não foi senão depois do dilúvio, quando tudo quanto era verde na terra havia sido destruído, que o homem recebeu a orientação sobre qual tipo de animais comer.
A distinção entre os animais limpos e imundos era perfeitamente conhecida pelos primeiros seres humanos, não sendo necessário Deus detalhar a lista. Somente depois do tempo no Egito, após o distanciamento do povo da adoração a Deus foi necessário informá-la.
De volta ao Éden, o fato de Eva comer o que Deus disse que ela não deveria comer, foi o mesmo que declarar: “eu não reconheço o Senhor como autor da vida e mantenedor, não confio em Sua Palavra.” Foi uma troca de senhorio. Agora, olhe para Daniel e seus amigos, a declaração de senhorio na vida deles foi definida pela escolha que eles fizeram por não comer das finas iguarias do rei.
“Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao chefe dos oficiais permissão para se abster deles.” Daniel 1:8
“Peço-lhe que faça uma experiência com os seus servos durante dez dias: Não nos dê nada além de vegetais para comer e água para beber.” Daniel 1:12
Uma vez que a Igreja Adventista considera ser o corpo o templo do Espírito Santo, conforme I Coríntios 6:19,I Coríntios Capítulo 6 - Bíblia On-line. Acessado em 19 de julho de 2015. e que a saúde física é essencial para uma adoração aceitável à Deus, mantém sua interpretação de que os animais citados em Levítico 11 devem ser evitados, entre outras orientações alimentares.
Por que devemos exercer domínio próprio sobre os nossos hábitos alimentares? A Bíblia diz em 1 Coríntios 10:31: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.”
Quanto ao texto de 1 Timóteo 4:1-5, algumas pessoas têm sugerido, equivocadamente, que nesse texto Paulo esteja eliminando todas as distinções entre alimentos “limpos” e “imundos” do Antigo Testamento (ver Levítico 11), e que os cristãos do Novo Testamento têm hoje plena liberdade de comer, sem quaisquer restrições, de “tudo que Deus criou”. Ora, se esse fosse o caso, então estaríamos justificados em comer até mesmo a carne de outros seres humanos, também criados por Deus (Gênesis 1:26 e 27), o que é completamente inaceitável.
Abalizados comentaristas bíblicos têm reconhecido que a discussão de Paulo em 1 Timóteo 4:1-5 diz respeito a certas proibições alimentares antibíblicas, propagadas pelos gnósticos do 1º século d.C. Os adeptos do gnosticismo criam que a matéria fora criada não por Deus, mas por uma divindade inferior (Demiurgo), sendo má em sua essência. Abstendo-se de relações sexuais e de certos alimentos “materiais” (especialmente de toda espécie de carne), criam que estavam dando provas de uma mais profunda espiritualidade, que levaria a alma a libertar-se futuramente de tudo o que é material. Paulo contesta essa dicotomia gnóstica, ao afirmar que os verdadeiros “alimentos” foram criados pelo próprio Deus (e não por uma divindade inferior), sendo consequentemente bons e apropriados para o consumo. Portanto, o texto sob discussão não está dizendo que podemos comer de tudo o que Deus criou (alimentos e não alimentos), mas apenas de tudo aquilo que Ele criou com o propósito específico de servir como alimento.