A Batalha de Lara-Quilmes, ocorrida na Guerra da Cisplatina entre Brasil e Argentina, iniciou-se na madrugada de 30 de junho de 1826.
Batalha
Tendo trocado tiros na véspera, as esquadras argentina e brasileira amanheceram o dia juntas.
A brasileira, junto a Punta de Lara: fragata Niterói (38 canhões), corvetas Itaparica (20 canhões), Maria da Glória (30 canhões) e Maceió (20 canhões); brigues Caboclo (18 canhões), Pirajá (22 canhões) e 29 de agosto (18 canhões), e a escuna Leal Paulistana (8 canhões). Tinha também outros barcos, a sotavento, distanciados (por exemplo, o 9 de Janeiro - 2 canhões, o 12 de outubro - 2 canhões, o 7 de março - 3 canhões, e a Conceição - 4 canhões).Dicionário das batalhas brasileiras, Hernâni Donato, 2001, Editora Biblioteca do Exército
A barlavento, em linha reta, encontrava-se a esquadra argentina, com seus melhores navios: a fragata 25 de Mayo (36 canhões), o brigue-barca Congreso (18 canhões), o Independencia (22 canhões), o Republica (16 canhões) e o Balcarce (14 canhões); o corsário Oriental-Argentino (13 canhões); as escunas Sarandi (8 canhões), Rio (1 canhão) e Pepa (1 canhão); e nove canhoneiras.
O Pirajá, postado entre as duas linhas, iniciou o tiroteio. A esquadra argentina virou em roda e orçou estibordo. A brasileira virou por avante e o Caboclo e a Niterói, à frente, cortaram a linha inimiga, ganhando barlavento e aproximando-se bastante da 25 de Mayo, que meteu em cheio e conduziu os demais em retirada, à força de vela.
Tinha-se iniciado a perseguição. Isolada, a 25 de Mayo viu-se coberta a barlavento pelos fogos da Niterói e do Caboclo e a sotavento pelos da Maria da Glória e da Leal Paulistana, que a fustigava pela popa com tiros do seu rodízio de proa. O Caboclo teve o braço grande cortado pelas balas da embarcação adversária, atravessada a gávea, ferido o comandante, em razão do qual atrasou-se. Pelas 10h30, a 25 de Mayo, quase desmantelada, arribou até receber vento pela alheta, ocasião em que a Niterói também arribou e tocou o fundo. Já a Maria da Glória deixara a linha, por falta de água. A Liberal, que ficara para trás, não podia alcançar as embarcações republicanas, o mesmo acontecendo com o Pirajá, enquanto a Itaparica mostrava o mastaréu do velacho desarvorado. O 28 de Agosto, a Leal Paulistana e a Maceió davam continuação à caça. Fustigada, a 25 de Mayo então encalhou no banco de La Ciudad, onde, aos poucos, foram ter os outros barcos. Às 11h00 o almirante republicano Brown deixou a 25 de Mayo e retornou para Buenos Aires a bordo do Republica.
Terminada a batalha com a vitória brasileira, as baixas somavam seis mortos e vinte e quatro feridos. A Argentina não divulgou suas baixas, mas sua maior perda material foi o navio 25 de Mayo (sua principal embarcação) que, devido ao seu estado danificado, não pôde ser mais utilizado.
Ordem de Batalha Império do Brasil
Navios Tipo Canhões Niterói Fragata 38 Maria da Glória Corveta 30 Liberal Corveta 22 Maceió Corveta 20 Itaparica Corveta 20 Caboclo Brigue 18 29 de Agosto Brigue 18 Pirajá Brigue 18 Leal Paulistana Escuna 8 Conceição Navio menor 4 Dona Paula Navio menor 4 7 de Março Navio menor 3 9 de Janeiro Navio menor 2 12 de Outubro Navio menor 2 Itaparica Navio menor 1
Províncias Unidas do Rio da Prata
Navios Tipo Canhões 25 de Mayo Fragata 36 Independencia Brigue 22 Congreso Brigue 18 Republica Brigue 16 Balcarce Brigue 14 Oriental-Argentino Corsário 13 Sarandi Escuna 8 Rio Escuna 1 Pepa Escuna 1 9 Canhoneiras Canhoneira 1 canhão cada
A batalha segundo o historiador militar Robert Scheina
A batalha de acordo com a descrição do Barão do Rio Branco Efemérides brasileiras, de autoria do Barão do Rio Branco, páginas 126 a 128
Bibliografia LEMOS, Juvencio Saldanha. "A saga no Prata", Tomo II. Biblioteca do Exército. 2015. DONATO, Hernâni. Dicionário das Batalhas Brasileiras. São Paulo: Editora Ibrasa, 1987. VALE, Brian. A War Betwixt Englishmen: Brazil Against Argentina on the River Plate, I. B. Tauris, 2000. Carranza, Ángel Justiniano, "Campañas Navales de la República Argentina", Talleres de Guillermo Kraft Ltda., Buenos Aires, 2º edición, 1962. Arguindeguy, Pablo E. CL, y Rodríguez, Horacio CL; "Buques de la Armada Argentina 1810-1852 sus comandos y operaciones", Buenos Aires, Instituto Nacional Browniano, 1999. Horacio Rodríguez, Coronel de Marina Leonardo Rosales, Instituto Nacional Browniano, Buenos Aires, 2007. Vale, Brian, Una guerra entre ingleses, Instituto de Publicaciones Navales, Buenos Aires, 2005 Baldrich, Juan Amadeo, Historia de la Guerra del Brasil, EUDEBA, Buenos Aires, 1974 Julio Mario Luqui Lagleyze, Breve Historia Arqueológica del Puerto de Buenos Aires Roberto Alejandro Lettieri, Las campañas navales contra el Imperio del Brasil por parte de las Provincias Unidas del Río de la Plata (1825 –1828), Academia Uruguaya de Historia Marítima y Fluvial Gaceta Mercantil N° 818 del 31 de julio de 1826. Mensajero Argentino N° 79 del 1 de agosto de 1826. British Packet N° 7 del 16 de septiembre de 1826.
Ligações externas Efemérides brasileiras, pelo Barão do Rio Branco
Lara-Quilmes Categoria:1826 na América do Sul Categoria:Conflitos em 1826