thumb|253px|Chara hispida. thumb|253px|Chara a olho nu. thumb|253px|Chara vista à lupa.

thumb|253px|Formação de encrustações calcárias sobre exemplares de Chara sp. numa lagoa sazonal (Alemanha). Charales é uma ordem monotípica da classe Charophyceae da divisão Charophyta, que tem Characeae como única família. A ordem que agrupa cerca de 400 espécies de algas de água doce, plantas verdes que se acredita serem os parentes mais próximos dos embriófitos. Descrição A ordem Charales tem como género tipo Chara, um táxon estabelecido por Linnaeus em 1753, e agrega um grupo diversificado composto por cerca de 400 espécies de algas de água doce, embora algumas espécies possam por vezes ocorrer também em habitats de água salobra. O grupo tem distribuição natural do tipo cosmopolita, embora sendo mais frequente nas regiões temperadas e húmidas.

As espécies de Charales são algas macroscópicas que têm como característica mais distintiva a formação de longos talos multicelulares (o caule), que chegam a atingir 120 cm de comprimento, muito ramificados, compostos por células polinucleadas gigantes que usam clorofila como pigmento fotossintético. A morfologia do talo distingue os membros desta ordem das restantes algas por apresentar verticilos formados de curtas ramificações em torno de nós localizados ao longo da estipe, o que lhes confere um aspecto semelhante ao das espécies do género Equisetum.

Nas células que formam os nós base dos verticilos ocorre o fenómeno de ciclose, sendo que este processo nas espécies do género Chara é considerada a ciclose mais rápida de que se tem registo. A ciclose é causada pelos microfilamentos presentes no interior das células que formam os nós, pelo que a introdução de citocalasina B no protoplasma dessas células inibe o processo.

A única fase diploide do ciclo de vida destas plantas é o oósporo unicelular,Charales - an overview | ScienceDirect Topics já que a fase macroscópica é haploide, correspondendo ao gametóforo na alternância de gerações que caracteriza estas algas.

Os membros desta ordem são conhecidos pelo nome comum em língua inglesa de stoneworts, (stone = pedra), em resultado destas algas ficarem frequentemente petrificadas devido à incrustação dos seus talos pela deposição de calcário (carbonato de cálcio) sobre a sua superfície. Outros nomes comuns referem a fragilidade e o carácter quebradiço dos talos incrustados de calcificações quando secos. Outros ainda (como «skunkweed») são uma referência ao mau cheiro que estas espécies produzem quando pisadas. Distribuição As cerca de 400 espécies que integram esta ordem têm distribuição natural por todos os continentes, conferindo ao grupo uma distribuição natural do tipo cosmopolita. Na Europa Ocidental, onde o género tem o seu centro de diversidade, estão identificadas 33 espécies apenas nas Ilhas Britânicas,Groves, J. and Bullock-Webster, G.R., 1920. The British Charophyta. Vol.1, Nitelleae. London, The Ray SocietyGroves, J. and Bullock-Webster, G.R., 1924. The British Charophyta. Vol.2, Characeae.. London, The Ray Society embora outros autores reduzam este número para 21 espécies.Stewart, N.F. and Church, J.M., 1992. Red Data Books of Britain and Ireland. The Joint Nature Conservation Committee, Peterborough.

As Characeae constituem o principal grupo de plantas presente em alguns dos lagos de cratera dos vulcões da Nicarágua, ocorrendo nalguns casos a mais de 20 metros de profundidade. Contudo, em alguns lagos, entre os quais o lago Apoyo, a introdução de peixes como a tilápia (Oreochromis niloticus) levou ao desaparecimento quase total das Characeae, vítimas da herbivoria dessas espécies.McCrary JK, Murphy BR, Stauffer, Jr. JR, Hendrix SS (2007): Tilapia (Teleostei: Cichlidae) status in Nicaraguan natural waters; Env. Biol. Fishes 78:107-114

Ecologia A maioria das Charales ocorre em habitats de água doce, embora algumas consigam sobreviver em águas salobras, preferindo as águas paradas (lênticas) e límpidas, ricas em sais de cálcio. Apesar disso, algumas espécies podem sobreviver em águas salobras e em hanitas marinhos, sendo conhecidas algumas espécies que ocorrem em lagos salinos efémeros da Austrália que apresentam uma salinidade que é dupla da que ocorre na água do mar.Burne, R.V., Bauld, J. and de Decker, P. 1980. Saline lake charophytes and their geological significance. Journal of Sedimentary Petrology, 50, 281-293. https://doi.org/10.1306/212F79D2-2B24-11D7-8648000102C1865D

As espécies ocorrem na zona eufótica, agarradas ao substrato dos fundos por rizóides bem desenvolvidos e em geral muito ramificados.John, D.M., Whitton, B.A. and Brook, A.J., 2002. The Freshwater Algal Flora of the British Isles. Cambridge University Press, London. ISBN 0 521 77051 3 São encontradas normalmente em águas com teor baixo a médio de nutrientes (águas oligotróficas a mesotróficas), tendendo a desaparecer de águas eutrofizadas.

Algumas espécies podem ser colonizadoras pioneiras ou ocorrer em massas de águas efémeras e sazonais (apenas presentes na época húmida ou em resultado da inundação ocasional de depressões.John, D.M., Whitton, B.A. and Brook, A.J., 2002. The Freshwater Algal Flora of the British Isles. Cambridge University Press, London.

Ciclo de vida Na fase madura, os anterídeos e oogónios são protegidos por uma camada de células estéreis. O oogónio é oblongo, constituído por um único ovo, enquanto os anterídeos, quase esféricos, são preenchido por células filiformes, longas e flexíveis, que produzem células espermáticas. Como resultado, as Charales possuem uma das mais complexas estruturas reprodutivas encontradas entre todas as algas verdes, se assim podem ser designadas.

Taxonomia As Charales são um possível grupo irmão das Embryophyta (as plantas terrestres), o que leva alguns botânicos a defender que o agrupamento taxonómico constituído por estas algas e pelos grupos que filogeneticamente lhe estão próximos deveria ser colocado ao nível taxonómico de divisão, sub-reino, ou mesmo reino, designando o grupo assim definido por Charophyta. Em consequência, a classificação taxonómica deste agrupamento está presentemente sujeita a constante escrutínio cladístico.

Os resultados de análises de DNA e RNA subsequentes poderão vir eventualmente a provar que as charófitas são um verdadeiro fóssil de transição na evolução uma ligação importante na árvore filogenética da vida, representando um passo crítico na transição das algas para as plantas terrestres não vasculares e depois para as plantas vasculares.

A base de dados taxonómicos AlgaeBase lista os seguintes taxa subordinados à ordem Charales:AlgaeBase: Charales.Order: Charales. Família Aclistocharaceae X.G.Zhou - 1 espécie; Família Atopocharaceae - 1 espécies; Família Characeae S.F.Gray - 721 espécies; Família Clavatoraceae - 2 espécies; Família Feistiellaceae Schudack - 19 espécies; Família Porocharaceae Grambast - 23 espécies.

Entre muitas outras, o grupo inclui as seguintes espécies:Morton, O., 1992 in Hackney, P. (Ed.) Stewart & Corry's Flora of the North-east of Ireland. Institute of Irish Studies and The Queen's University of Belfast (HB)Guiry, M.D., John, D.M., Rindi, F. and McCarthy, T.K, 2007. New Survey of Clare Island, Volume 6: The Freshwater and Terrestrial Algae. Royal Irish Academy. Chara baltica Bruz. Chara canescens Desv. & Lois. Chara connivens Salzm. ex A.Braun Chara curta Nolta ex Kütz. (=C. aspera var. curta) Chara denudata (A.Braun) R.D.Wood Chara fragifera Durieu Chara intermedia Braun (=C. papillosa Kütz. and C. contraria x hispida) Chara mucosa J.Groves & Bullock-Webster Chara rudis (A.Braun) Leonh. Chara tomentosa L. Lamprothamnium papulosum (Wallr.) J.Groves Nitella capillaris (Krocker) J.Groves & Bullock-Webster Nitella gracilis (Smith) Agardh Nitella hyalina (DC.)Agardh Nitella mucronata (A.Braun)Miquel Nitella spanioclema J.Groves & Bullock-Webster (Nitella flexilis var. spanioclema (J.Groves & Bullock-Webster)) Nitella tenuissima (Desv.) Kütz. Nitellopsis obtusa (Desv.) J.Groves Tolypella intricata (Trent. ex Roth) Leonh. Chara aspera var. aspera Chara globularis var. globularis Chara vulgaris var. papillata Wallr. ex A. Braun Chara globularis var. virgata (Kützing) R.D.Wood Chara vulgaris var. vulgaris Chara vulgaris var. contraria (A.Braun ex Kützing) J.A. Moore Chara vulgaris var. longibracteata (Kützing) J. Groves & Bullock-Webster Chara vulgaris var. papillata Wallr. ex A. Braun Nitella flexilis var. flexilis Nitella translucens (Pers.) C.A. Ag. Tolypella nidifica var. glomerata (Desv.) R.D.Wood Chara aspera var. aspera Chara aspera var. curta (Nolte ex Kützing) Braun ex Leonh. Chara globularis var. globularis Chara vulgaris var. papillata Wallr. ex A. Braun Chara globularis var. virgata (Kützing) R.D.Wood Chara globularis var. annulata (Lilleblad) J.A.Moore Chara hispida L. Chara hispida var. hispida Chara hispida var. major (Hartm.) R.D. Wood Chara hispida var. rudis A. Braun Chara pedunculata Kützing Chara vulgaris var. vulgaris Chara vulgaris var. contraria (A.Braun ex Kützing) J.A. Moore Chara vulgaris var. longibracteata (Kützing) J. Groves & Bullock-Webster Chara vulgaris var. papillata Wallr. ex A. Braun Nitella flexilis var. flexilis Nitella translucens (Pers) C.A. Ag. Tolypella nidifica var. glomerata (Desv.) R.D.Wood Chara aspera Deth. ex Willd. var. aspera Chara vulgaris var. papillata Wallr. ex A. Braun Chara globularis var. globularis Chara globularis var. virgata (Kützing) R.D.Wood Chara hispida L. Chara hispida var. hispida Chara vulgaris var. vulgaris Chara vulgaris var. contraria (A.Braun ex Kützing) J.A. Moore Chara vulgaris var. papillata Wallr. ex A. Braun Nitella flexilis var. flexilis Nitella translucens (Pers) C.A. Ag. Tolypella nidifica var. glomerata (Desv.) R.D.Wood Chara virgata Kützing Nitella flexilis (Linnaeus) C.Agardh Nitella translucens (Persoon) C.Agardh Tolypella nidifica (O.F.Müll.) Leonh. (=Tolypella nidifica var. nidifica) Tolypella prolifera (Ziz. ex A.Braun) Leonh.

Família ChaetosphaeridiaceaeITIS Standard Report Page: Chaetosphaeridiaceae Chaetosphaeridium globosum (Nordst.) Klebahn, 1893 Chaetosphaeridium ovalis G. M. Smith, 1916 Chaetosphaeridium pringsheimii Klebahn, 1892 Conochaete comosa Klebahn, 1893Algaebase :: Species Detail Diplochaete solitaria Collins, 1901

Referências

Bibliografia Bryant, J. The stoneworts (Chlorophyta, Charales). In Guiry, M.D., John, D.M., Rindi, F. and McCarthy, T.K. 2007. New Survey of Clare Island. Royal Irish Academy. . Lloyd, James. 2007. "Cytoskeletal Structures Responsible for Cytoplasmic Streaming in Chara." St. Vincent-St. Mary High School in Accordance with Dr. Donald Ott of The University of Akron. (Science Inquiry) Morton, O. 1992. Charophyta. pp. 91 – 94 in Hackney, P. (Ed) 1992 Stewart and Corry's Flora of the North-east of Ireland. Third edition. Institute of Irish Studies. The Queen's University of Belfast. Schaible, R. & Schubert, H. 2008. The occurrence of sexual Chara canesces populations (Charophyceae) is not related to ecophysiological potentials with respect to salinity and irradiance. Eur. J. Phycol. 43: 309 - 316. Desai, Udaysingh and Karande C.T. 2008. "Biodiversity of Charophytes from Kolhapur District, Maharashtra". Shivaji University, Kolhapur. Ligações externas Images of Charales University California Chara curta in Ireland Creating ponds and lakes for stoneworts in the UK University California Chara curta in Ireland

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