Jiquitaia (do tupi antigo îukytaîa, "sal ardido"), também conhecida como jiquitaya, jektaia e juquirai, é o nome dado para a mistura formada por pimentas, secas e moídas, e sal. É altamente picante, possui um aroma e sabor intensos e seu consumo é muito associado a peixes e carnes. Para ser produzida, podem ser utilizadas até 78 variedades de pimentas do gênero Capsicum que são, normalmente, das espécies C. chinense, C. frutescens L, C. annuum L e C. baccatum L. Assim, devido à possibilidade de serem feitas várias misturas, cada jiquitaia possui características próprias e específicas de cada produtor.
A pimenta foi designada como jiquitaia, ao ser o nome de uma formiga pequena e avermelhada da Amazônia, cuja ardência da picada lembra a sensação ao ingerir a pimenta.
A jiquitaia é marcadamente produzida, utilizada e comercializada pelo povo baníua, considerado pioneiro em sua fabricação que tem esse ingrediente como patrimônio imaterial de sua cultura, apesar de também estar presente no cotidiano de vários grupos nativos do Rio Negro e Amazônia. O cultivo das espécies de pimenta gênero Capsicum ocupa um dos papéis de mais destaque na agrobiodiversidade e sistema social dentro do território baníua. Além de ser utilizada na alimentação (é estimado que cada família baníua consuma 7 litros da pimenta por ano), a pimenta também possui uma grande importância para as cerimônias e rituais de passagem, atuando como escudo e elemento de proteção contra feitiços e maus espíritos.
Produção O preparo da jiquitaia não é feito a partir de uma única receita, pois, como mencionado, podem ser feitas diversas misturas de ervas e especiarias, com diferentes proporções e modos de preparo. O cultivo das pimentas utilizadas na fabricação desse ingrediente, bem como sua produção e distribuição, normalmente, é realizado pelas mulheres da comunidade, conhecidas como “Pimenteiras”.
Após cultivo e colheita, as pimentas são submetidas a um processo de desidratação, que pode ser feito no sol ou em fornos. Quanto mais rápido for esse processo de secagem, maior será a conservação da cor, cheiro e valor nutricional do fruto utilizado. Após isso, o fruto desidratado será moído em um pilão até que vire um pó, peneirado em seguida para as sementes serem separadas.
Comercialização As “Pimenteiras” também são responsáveis pela distribuição dessa especiaria, utilizada como elemento de troca dentro ou entre comunidades vizinhas para a obtenção de outros produtos alimentares. Também é comum encontrar esse produto nas feiras de Boa Vista por conta da apropriação do conhecimento da moagem e desidratação das pimentas das populações locais pelos colonos.
Atualmente, há um grande valor de mercado associado à comercialização da pimenta jiquitaia. Desse modo, começou-se a idealizar a venda da pimenta em novos nichos de mercado, como a internet e lojas especializadas.
A recente descoberta desse sabor amazônico tem sido motivo para sua incorporação no cenário gastronômico brasileiro, estreando em diversas receitas, inclusive internacionalmente, de modo que ela já possui um grande valor e reputação no mundo gastronômico.
No entanto, deve haver uma maior valorização da jiquitaia quanto às suas origens e importância cultural. Trata-se de um ingrediente crucial para contribuir positivamente para a renda familiar dos pequenos produtores rurais, para o papel da mulher na sociedade baníua e para a conservação e valorização da biodiversidade. Diversas iniciativas estão caminhando nesse sentido, como para gerar o fortalecimento do sistema agrícola indígena juntamente com o crescimento da oferta da jiquitaia no mercado. Nesses casos, o valor do produto reside no conhecimento tradicional que ele carrega e no símbolo do sistema de produção indígena, de modo que a comercialização da pimenta não gere pressões que alterem as atividades das comunidades. Além disso, há contribuição para a qualidade de vida dentro delas e estimular a prática da roça entre os jovens.
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