thumb|220px|A Última Oração dos Mártires Cristãos, por Jean-Léon Gérôme (1883) - Tela retrata, com miscelânea ainda que destoantes da arena descrita, como forma de dramatizar o martírio de cristãos nas arenas da antiga Roma.
Testemunho cristão é o relato histórico da vida na igreja primitiva, que equivalia a martírio pela fé. Com exceção de São João, que foi exilado em Patmos, e lá escreveu Apocalipse, todos os apóstolos foram martirizados em morte violenta pelo nome de Cristo Jesus.História Eclesiástica, Livro IV 15,1-43 - O martírio de Policarpo, bispo de Esmirna, Eusébio de Cesareiain Como os apóstolos morreram, por Juberto Santos; Historiador e professor de História, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ.Dois Reinos, Robert G. Clouse, Richard V. Pierard, Edwin M. Yamauchi, Editora CEP.
O testemunho apostólico consistiu em relatar o que ocularmente presenciaram, o que padeceram por não negarem a fé no nome do seu Mestre Jesus; pregar e dar continuidade por intermédio do Evangelho, relatando acontecimentos na vida terrena de Jesus; cumprir o ide recomendado por Jesus à toda criatura.
Hoje, em alguns lugares do mundo, cristãos sofrem, ainda, martírio por não negar a fé, ou por tentar professar sua fé.Classificação dos países onde é considerado, pela Missão Portas Abertas, os que mais oprimem os cristãoPerseguição vs Liberdade ReligiosaO martírio dos cristãos - O sangue dos mártires continua a ser semente de novos cristãos, por Prof. Felipe Aquino, doutor em Física pela UNESP, e membro do Conselho Diretor da Fundação João Paulo II.in Os cristãos perseguidos e o martírio na obra Bonhoeffer, o mártir. Responsabilidade social e compromisso cristão moderno. Já nos países onde há a liberdade de culto, o martírio cristão equivale ao mandamento de "negar a si mesmo" e "tomar sua cruz", significando o auto martírio da vontade pessoal, para imperar a vontade da Palavra. Morre o velho homem, para um "nascer de novo".
O testemunho cristão, apresentado também em relatos de vivência trilhado por determinado preletor, consiste em apresentar sua vida antes da conversão e os novos rumos que tomaram seu caminhar, um relato de cura, uma experiência que leva a um enriquecimento espiritual, o que levou à conversão para o novo caminho.
Na pregação do cristianismo primitivo, no testemunho cristão, surgiu o Novo Testamento, onde alguns dos patriarcas da Igreja cristã apresentam os primeiros setenta anos de vida do cristianismo.
Etimologia
Na Antiguidade pré-clássica e mesmo em Roma, juramentos solenes eram feitos levando a mão direita aos testículos.Origem da palavra - Lista de palavras - Detetive EtimológicoDicionário etimológicoOrigem da palavra - Consultório etimológico – Pergunta 411 Havia uma relação entre os vocábulos testículo e testemunha. Os testículos seriam tomados por testemunhas do ato sexual e da virilidade. A palavra latina para testemunha era testis. Testemunha seria a terceira pessoa que poderia descrever os fatos, de forma imparcial, que testemunharia acordo.Letratura - Blogue sobre a língua portuguesa Skiner confirma esta hipótese quando ensina que um romano sem testículo não seria aceito como testemunha.SKINNER, H.A. - The origin of medical terms, 2.ed. Baltimore, Williams & Wilkins, 1961, p. 400. Estas explicações se fundamentam na informação de que “testis” deriva de “tristis”, que é formado por “tres” (três) mais “stare” (ficar de pé)
Testis A palavra , «testemunha» provém do latim testis (no português antigo, «teste»Michaelis – Verbete teste que teria nos chegado do latim através do inglês, para o que “atesta algo”), que por sua vez procede da raiz indo-europeia tris-, a que pertence também, por exemplo, a palavra inglesa "tree". Da mesma palavra latina testis provém o vocábulo «testículo», “glândula reprodutora masculina” — o órgão que atesta a virilidade de um homem. Segundo o professor Joffre Rezende “a associação semântica da glândula sexual masculina com o ato de testemunhar tem sido admitida por todos os filólogos e pesquisadores”.Joffre M de Rezende - Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004, Verbete: testículo. ISBN 8574981060
Testemoniare Segundo José Pedro Machado em seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, testemunhar teria origem no latim "testemoniare", que por sua vez é derivado de "testemoniu-", «testemunho, depoimento», e testículo viria do latim "testiculu-", «testículo; orquídea, planta».Ciberdúvidas Pergunta 12151
Conforme Benveniste, em sânscrito vettar, significa "o que vê", indicando "sentido" de testemunha. Enquanto em língua gótica, "weitwops", "é aquele que sabe por ter visto". Ainda segundo Benveniste, "o grego ístor, entra na mesma série e o valor próprio desta raiz". O professor Seligmann explica se tratar da raiz "*wid-", e o professor Josué Pereira da Silva faz a devida ligação com o irlandês fiadu (<*weidon), testemunha, além de esclarece que "ístor" é a palavra de "onde deriva o termo história".Benveniste, O Vocábulo da Instituições Indo-européias. V. 2: Poder, Direito, religião, trad. D. Bottmann, Campinas: UNICAMP, 1995, p. 174 e 175Márcio Seligmann-Silva, em O Local do Testemunho, publicado em Tempo e Argumento, Vol. 2, No 1 (2010)Josué Pereira da Silva e outros - Por uma Sociologia do - São Paulo, Annablume, 2007, p. 185. ISBN 978-85-74-19-719-7Vista da pág 185 no google livros - Josué Pereira da Silva e outros, Por uma Sociologia do
Testemunho de casamento consumado Em A Vida Íntima das Palavras – Origens e Curiosidades da Língua Portuguesa, de Dionísio da Silva, nos ensina que «Do latim testículo, pequena testemunha. O ato de nascer, entre os romanos, era presenciado por testemunhas. … Por tais motivos, passou a designar os órgãos sexuais masculinos situados sob o pênis.» O Dicionário Morfológico da Língua Portuguesa apresenta uma definição assemelhada, afirmando que testis eram "os que testemunhavam a cópula dos recém-casados para atestar o casamento consumado".HECKLER, E., BACK, S., MASSING, E.R. - Dicionário Morfológico da Língua Portuguesa. São Leopoldo, Unisinos, 1984citado por Joffre M de Rezende - Linguagem Médica, 3a. ed., Goiânia, AB Editora e Distribuidora de Livros Ltda, 2004. ISBN 8574981060
Antenor Nascentes afirma que as pequenas testemunhas, os testículos, "não tomam parte ativa no ato da cópula: apenas a testemunham".NASCENTES, A. - Dicionario etimológico resumido. Rio de Janeiro, INL, 1966.
Relação com livro de Gênesis Segundo Joffre M de Rezende, “testículo provém do latim testiculus, i, diminutivo de testis, is, cujo plural é testes, ium”. Quanto às interpretações o professor Joffre aponta para o livro de Gênesis 24:2-3: Abraão, tendo sido abençoado pelo SENHOR em tudo, mas muito velho, fez seu servo jurar que traria uma mulher da sua parentela para que casasse com seu filho Isaac.Gênesis 24
E disse Abraão ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo SENHOR Deus dos céus e Deus da terra... (Gênesis 24:2-3)
Apesar da forma suis generis o qual Abraão faz seu servo jurar, o Dicionário de Bíblia de J Davis apresenta que isto apontava a apelação do patriarca que tanto desejava que saísse descendência “de seus lombos”, e que seria lembrado pelo servo na posteridade, que invocava uma possível promessa de vingança na violação do que fora prometido,DAVIS, J.D. - Dicionário da Bíblia, 2.ed., Rio de Janeiro, Casa Publicadora Batista, 1965, p. 350. e o comentário na Bíblia de Jerusalém afirma que o “contato com as partes vitais” era uma forma de “tornar o juramento inquebrável”.BÍBLIA DE JERUSALÉM: São Paulo, Edições Paulinas, 1985 (comentário à pág. 63)
Supérstite Nos trás mais luz para a inteira compreensão do significado de testemunha as explicações do mestre em História, filósofo espanhol, professor de pós-graduação da Unisinos, Castor Bartolomé Ruiz, a respeito de testemunha: “Sua relação com o acontecimento da violência lhe confere uma potencialidade política singular. A testemunha retém a memória direta da barbárie; ela contém a possibilidade de desarmar o pretenso naturalismo da biopolítica”.Castor Bartolomé Ruiz - A testemunha, um acontecimento
Citando Agamben,O que Resta de Auschwitz, o Arquivo e a Testemunha, Boitempo Editorial, São Paulo, 2008 que inicia seu livro com uma reflexão sobre a testemunha e a relação com os campos de extermínio nazistas, o professor Castor nos esclarece que as testemunhas “foram injustiçadas uma primeira vez quando sofreram a violência do Estado. Agora, pelas políticas de esquecimento, pretende-se cometer uma segunda injustiça, anulando-se seus rostos da história. No anverso do esquecimento da barbárie resiste a testemunha”. Resumindo, o testemunho é o que nos faz resistir à barbárie do esquecimento, resistir ao apagar da história e complementa: “A testemunha retém a memória direta da barbárie; ela contém a possibilidade de desarmar o pretenso naturalismo da biopolítica. Sua experiência direta do sofrimento outorga-lhe uma perspectiva histórica que lhe permite narrar em primeira pessoa as consequências perversas da violência.”
O professor Castor agora nos acrescenta o conhecimento que do latim, além do termo “testis”, dele também temos o termo “supertestis”. Ver nota Nota: Em português a palavra usual é "supérstite", originário « do latim superstite; superstes, -itis » - Michaelis - Priberam - contudo o professor Castor usa o termo “supertestis”, o qual não encontramos referência para sua citação. O uso "superstes" se dá não com a intenção de corrigir o digno professor, mas para honrar a fonte etimológica mais precisa que citamos. Enquanto “testis” etimologicamente significa o terceiro (latim terstis) que se coloca no lugar do testemunho, “testemunha externa (testis) narra fatos acontecidos fora de si como espetáculo objetivo ao que assistiu. Seu testemunho exibe a objetividade da distância como prova de seu testemunho. Ela se distancia para ser objetiva, e a objetividade distante é aferida pelo Direito como um elemento comprovante da verdade de seu testemunho”. Já o termo superstes “indica a pessoa que viveu em si mesma o evento do qual é testemunha. O superstes é a testemunha implicada no acontecimento”. Cita a obra de Agamben “a respeito dos campos de extermínio nazista”, e explica que o termo supertestis relaciona-se com o “tipo de testemunha que se conecta com todos aqueles que sofreram a repressão, violência e tortura em si mesmos”, não estando “distante do fato nem a distância é prova de objetividade do testemunho” sendo seu testemunho “singular, único, porque não tem distância da violência: ele é produto da violência. Ela se torna testemunha enquanto condição produzida pela violência. Pode testemunhar porque foi violentada. A violência a empurrou a tal condição e lhe conferiu uma relação singular com o próprio fato violento. Só a testemunha violentada poderá dar um testemunho desde essa posição”.
Superstes (testemunha direta), segundo Castor “tem um outro estatuto epistemológico”, porque “seu testemunho não tem o valor objetivo dos fatos empíricos, mas a potência histórica da significação desses fatos. … Os testemunhos das vítimas não se limitam a narrar o acontecido de forma abstrata. … ao ponto de se tornar um prolongamento do fato acontecido. O acontecimento da violência não se apaga no fato passado: ele repercute na vida dos que foram suas vítimas. … Quando é negada a possibilidade de ser da testemunha, a violência impõe seu sentido mais brutal”.