Maria Schneider (Paris, 27 de março de 1952 — Paris, 3 de fevereiro de 2011) foi uma atriz francesa. Ela é mais conhecida por interpretar a personagem Jeanne, protagonista do filme O Último Tango em Paris, de 1972.
Biografia Maria nasceu em Paris, em 1952. Era filha do ator francês Daniel Gélin e de Marie-Christine Schneider, da Romênia, dona de uma livraria. Daniel era casado com a atriz e produtora Danièle Delorme na época em que teve um caso com Marie-Christine, do qual nasceu Maria, mas ele nunca a reconheceu como filha. Maria viu o pai apenas três vezes em encontros supervisionados pela mãe.
Quando adolescente, ela já amava o cinema, indo assistir filmes pelo menos quatro vezes por semana. Aos 15 anos, ela saiu de casas após discutir com a mãe e começou a trabalhar como atriz de teatro na mesma época. Para ganhar algum dinheiro, trabalhou também como modelo e como figurante em filmes. Foi trabalhando como figurante que ela conheceu Brigitte Bardot, que conhecia seu pai. Sabendo da situação da moça, Bardot lhe deu abrigo em sua casa e foi assim que Maria conheceu pessoas importantes na indústria do cinema, como William Morris Agency. Maria tinha apenas 18 anos quando ganhou um importante papel, no filme de 1970, The Love Mates, com Alain Delon.
Carreira Maria ganhou projeção internacional com o filme O Último Tango em Paris, de 1972, com apenas 19 anos, em uma cena de sexo explícito, dirigida por Bernardo Bertolucci. Em uma entrevista de 2007, Maria disse que Bernardo era manipulador e fazia de tudo, qualquer coisa, para obter reações dela. Marlon Brando, seu co-protagonista, disse que mantinha uma relação amigável com ela, mas sugeriu a cena do estupro para Bernardo, que aceitou. Porém, Maria não foi informada do teor da cena.
Em 2013, Bernardo Bertolucci admitiu que manteve a informação para si para poder gerar uma reação "real e de frustração" da atriz. Já Marlon Brando alegou que Bertolucci queria uma cena de sexo real entre os personagens, mas o diretor e a própria Maria disseram que foi simulado, o que ainda não diminui o sofrimento da atriz.
Muitas atrizes e diretoras se pronunciaram contra a atitude de Bertolucci, como a atriz Jessica Tovey, que escrevendo para o The Guardian, disse que perseguir a visão artística não podia ferir a integridade dos artistas. Jessica também disse que é difícil pensar numa inversão de papéis, onde Brando seria brutalizado sem seu consentimento apenas para gerar reações reais, enquanto Maria e Bertolucci soubessem de tudo e o ator não.
Em 2001, Maria comentou:
O escândalo em torno do filme foi extremamente prejudicial para sua carreira. Maria lutou contra a depressão profunda, se tornou viciada em drogas e tentou o suicídio várias vezes. Ela acabou se tornando uma defensora dos direitos das mulheres, especialmente no cinema, pedindo por mais mulheres na cadeira de direção, por mais respeito às atrizes e melhor representação das mulheres na mídia e no cinema. Processos criminais contra Bertolucci foram abertos na Itália por conta da cena de estupro; o filme foi censurado pela comissão italiana e todas as cópias foram destruídas. Uma corte italiana revogou os direitos civis de Bertolucci por cinco anos e lhe deu uma sentença de quatro meses de prisão. Em 1978, a Corte de Apelações de Bolonha ordenou que três cópias do filme fossem preservadas na filmoteca nacional, com a condição de que elas não pudessem ser visualizadas, até que Bertolucci pudesse, mais tarde, reenviá-la para distribuição geral sem cortes.
Vida pessoal Em 1974, Maria se declarou bissexual. Em 1976, ela abandonou os sets do filme Calígula por conta do conteúdo pornográfico explícito e se internou em um hospital de Roma por vários dias. Por não querer fazer as cenas de sexo e nudez e por sumir dos sets, a fez ser dispensada da gravação, sendo substituída por Teresa Ann Savoy.
Maria largaria várias produções na década seguinte por diferenças criativas, por não se sentir adequada para o papel ou por cenas de sexo e nudez. A década de 1970 foi muito turbulenta, marcada por uso de drogas, overdoses e tentativas de suicídio. O sucesso instantâneo dado por O Último Tango em Paris.
Os traumas psicológicos vividos pela atriz após a gravação de "O Último Tango em Paris" tem relação com a cena de estupro com Marlon Brando, sob direção do cineasta Bernardo Bertolucci. Segundo o próprio cineasta, a cena de sexo forçado foi feita com o uso de manteiga, sem qualquer tipo de ciência da atriz. Ainda, declarou Bertolucci que tinha como objetivo gravar a reação mais espontânea da atriz.
A situação melhoraria na década de 1980. Depois de perder muitos amigos para as drogas, ela conseguiu ajuda e largou o vício. Com a ajuda de uma companheira, com quem ela ficou até a morte, ela a apoiou e ajudou a sair das drogas.
Morte Maria morreu devido a um câncer de mama em 3 de fevereiro de 2011, aos 58 anos, em Paris. Seu funeral foi em 10 de fevereiro de 2011, na Igreja de São Roque de Montpellier, que teve a presença de astros do cinema francês como Dominique Besnehard, Bertrand Blier, Christine Boisson, Claudia Cardinale, Alain Delon e Andréa Ferreol. Um tributo escrito por Brigitte Bardot foi lido por Alain Delon.
Maria foi cremada e depois suas cinzas foram espalhadas no oceano no topo do Rochedo da Virgem, em Biarritz, seguindo seu último desejo, na presença de sua companheira, Maria Pia Almadio, de suas meio-irmãs e meio-irmão, o também ator Xavier Gélin.
Filmografia
Les Femmes, 1969 La Vieille fille, 1971 Hellé, 1971 Cari genitori (Dear Parents), 1972 Último Tango em Paris, 1972 Reigen, 1973 Jeune fille libre le soir, 1975 Profissão: Repórter, 1975 Violanta, 1977 Io sono mia, 1978 Schöner Gigolo, armer Gigolo, 1979 Haine, 1979 La Dérobade, 1979 Een Vrouw als Eva, 1979 Weiße Reise, 1980 Mamma Dracula, 1980 Sezona mira u Parizu, 1981 Merry-Go-Round, 1981 Cercasi Gesù, 1982 Balles perdues, 1982 Résidence surveillée, 1987 Bunker Palace Hôtel, 1989 Écrans de sable, 1992 Au pays des Juliets, 1992 Savage Nights (Les Nuits fauves), 1992 Jane Eyre, 1996 Something to Believe In, 1998 Les Acteurs, 2000 La Clef'', 2007
Ligações externas
Biografia no Allocine.com Biografia curta por Jason Buchanan, Allmovie Entrevista para o Daily Mail, 19 de julho de 2007
Schneider, Maria Categoria:História LGBT na França