Batalhões de Estranhos é o segundo álbum de estúdio da banda brasileira Camisa de Vênus, gravado no primeiro semestre de 1985 nos Estúdios SIGLA e nos Estúdios Intersom, ambos em São Paulo, e lançado em julho do mesmo ano pela gravadora RGE.

Antecedentes Três meses após o lançamento do álbum anterior, a banda participou de uma reunião com os diretores da Som Livre na qual se negaram a alterar o nome do grupo, considerado anticomercial pela cúpula da gravadora. Assim, foram expulsos da gravadora e o disco retirado de catálogo. Após esses eventos, a banda resolveu que a melhor estratégia era realizar o máximo de apresentações que conseguissem - rodando o país inteiro - fazendo, então, o caminho inverso: primeiro construir uma base de fãs para, só então, gravar outro disco. Desse modo, mudam-se para São Paulo e passam a fazer shows, especialmente, na região Sul, no estado de São Paulo, e no Rio de Janeiro.Dapieve, 1995, pp. 160-162.Barcinski e Nova, 2017.

Gravação e produção Entre um show e outro, surgiu o interesse da gravadora RGE em gravar um novo álbum e comprar a matriz do primeiro disco e relançá-lo. Desse modo, o disco foi gravado nos Estúdios SIGLA e nos Estúdios Intersom, ambos localizados na cidade de São Paulo.

Resenha musical O disco abre com o seu grande sucesso radiofônico "Eu Não Matei Joana D'Arc", no qual o grupo dá ares de ficção e jornalismo popular à história da mártir francesa. Em seguida, vem "Casas Modernas" em que se critica as habitações produzidas em linha, assumindo uma linha ecológica que põe em questão as relações entre a habitação e a vida humana, animal e vegetal.Klein, 1985. "Lena" é a primeira das duas baladas que aparecem no disco. "Ladrão de Banco" é uma brincadeira com o artista plástico Miguel Cordeiro, que fazia grafites do seu personagem "Faustino" e participou da promoção da banda em Salvador no começo da carreira, com a confecção e distribuição de fanzines. Assim, esta canção baseia-se numa história: Miguel teria roubado um banco de jardim em uma praça de Salvador. "Gotham City" fecha o lado A e é uma regravação de uma música de Jards Macalé, com a qual ele participou do IV Festival Internacional da Canção. A canção é uma previsão sobre o futuro das metrópoles e a versão foi muito elogiada pela crítica, com esta enxergando ecos de The Velvet Underground e Lou Reed.

"Noite e Dia" tem como tema o cotidiano do homem comum que não consegue viver em condições dignas. "Rostos e Aeroportos" é a segunda balada do disco, sendo a canção preferida de Marcelo Nova deste disco. Em seguida, "Hoje" se tornaria uma das canções mais conhecidas do grupo.

Recepção Lançamento O álbum foi lançado em julho de 1985 pela gravadora RGE.Bahiana, 1985.

Fortuna crítica

Após os problemas que a banda enfrentou com a gravadora no primeiro disco, a crítica carioca esfriou em seu tratamento da banda. Em compensação, o sucesso de público que os shows da banda faziam em São Paulo e no sul do país abriram novas portas em São Paulo. Desse modo, Paulo Klein, na Folha de S.Paulo, foi um dos poucos críticos que resolveram resenhar o lançamento do segundo disco do grupo. E ele o fez de modo extremamente elogioso, ressaltando as diferenças entre o rock cru e pesado que o Camisa fazia e o "rock morno, mesclado com reggae e baladas" que fazia sucesso no Rio. O crítico elogia, também, os temas tratados nas canções do grupo.Wladimyr Cruz, escrevendo para a página Zona Punk, exalta a maior diversidade do disco em relação ao seu antecessor: "aqui o Camisa já se aventurava em fazer algumas baladas, músicas melancólicas que permearam todo o trabalho da banda, aparecendo as vezes aqui e acolá". Apesar disso, dá destaque às canções mais "punk" e de letras mais ácidas e controversas.

Relançamentos O disco foi relançado pela própria RGE em CD no ano de 1995.

Faixas

Certificações País Provedor Certificação Vendas Brasil ABPD Alberto Villas. Os filhos de Raul Seixas. Publicado em O Estado de S. Paulo, em 11 de novembro de 1986, p.1. : mais de 100 mil

Créditos Créditos dados pelo Discogs e pelo IMMUB.

Músicos Camisa de Vênus Marcelo Nova: Vocais Robério Santana: Baixo elétrico Karl Hummel: Guitarra base Gustavo Mullem: Guitarra solo Aldo Machado: Bateria

Músicos de apoio Manito: Teclado e Saxofone

Ficha técnica Produtor executivo: Hélio Costa Manso Produtor musical: Reinaldo Barriga Arranjos: Camisa de Vênus Engenheiros de som: Darci Ferreira, Ely Bon Tempo, José Blondin e José Carlos Leitão Mixagem: Renaldo Maziero Capa: Rogério A. Rodriguez Ilustrações da capa: Marla Nova Fotos da contracapa: Nicolau Maximiuc Júnior Fotos da capa: Edson dos Santos Fotos adicionais: Marcelo Nova e Marla Nova

Bibliografia . Dias de Luta: O rock e o Brasil dos anos 80. Porto Alegre: Arquipélago Editorial, 2017. . Passeio pelo front. Publicado em O Globo, em 20 de julho de 1985, p. 3. e . O galope do tempo: conversas com André Barcinski. São Paulo: Benvirá, 2017. . BRock: o rock brasileiro dos anos 80. São Paulo: Editora 34, 1995. . Batalhões de estranhos invadem as metrópoles. Publicado em Folha de S.Paulo, em 20 de agosto de 1985, p. 33. . Correndo o risco: identidade punk nas músicas da banda Camisa de Vênus. Revista Noctua, n. 5, 2012.

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