thumb|250px|Nuvens ao longo da corrente de jato sobre o Canadá. As correntes de jato, ou simplesmente jatos (), são correntes de ar que ocorrem na atmosfera de alguns planetas, incluindo a Terra. Estes jatos de ar foram descobertos durante as incursões aéreas na Segunda Guerra Mundial. As principais correntes de jato localizam-se perto da tropopausa, na transição entre a troposfera (onde a temperatura diminui consoante a altitude) e a estratosfera (onde a temperatura aumenta com a altitude respectiva). As principais correntes de jato do planeta Terra são os ventos do oeste (que fluem para leste). Os seus percursos são determinados por formas sinuosas, onde a sua constância é indeterminável pelo seu carácter repentino de mudança de direção; os jatos podem surgir subitamente, cessar, dividirem-se em duas ou mais partes, convergirem-se num único fluxo, ou mesmo fluir em várias direções, incluindo na direção oposta à do próprio jato. Os jatos mais poderosos são os jatos polares, que ocorrem em torno dos 7 e 12 km (entre as latitudes de 40°-70°) acima do nível do mar, e os jatos subtropicais que andam entre 10 e 16 km (20° e 30°) de altitude. Cada um dos hemisférios Norte e Sul possuem tanto um jato polar como um jato subtropical. O jato polar do hemisfério norte flui sobre o meio das latitudes setentrionais da América do Norte, Europa e Ásia e nos oceanos que neles intervém; enquanto que o jato polar do hemisfério sul circunda principalmente a Antártica durante todo o ano.
As correntes de jato são provocados pela combinação da rotação do planeta sobre o seu eixo e o aquecimento da atmosfera (por radiação solar e, em outros planetas para além da Terra, pelo calor interno). As correntes de jato formam-se perto dos limites das massas de ar adjacentes com significantes diferenças de temperatura, tais como a região polar e o ar quente que segue em direção ao equador.
Outras correntes de jato são também conhecidas. Durante o verão no hemisfério norte, jatos do leste podem-se formar nas regiões tropicais, normalmente numa região onde o ar seco cruza o ar húmido a grandes altitudes. Jatos em níveis mais baixos são também comuns em várias regiões como no centro dos Estados Unidos.
Os meteorologistas utilizam dados fornecidos pela localização de algumas correntes de jato como referência para a previsão do tempo. A principal importância comercial das correntes de jato ocorre no tráfego aéreo, onde a economia de voo pode ser drasticamente afetada por qualquer um destes que adeja a favor do fluxo ou contra o fluxo de uma corrente. A turbulência de ar claro - um potencial risco para a segurança dos passageiros das aeronaves - é muitas vezes encontrado nas imediações de uma corrente de jato, porém não motiva qualquer alteração substancial no tempo de um voo. Ocorrendo nos níveis superiores da troposfera, esta corrente é de grande importância à aviação, podendo ser aproveitada para proporcionar economia de combustível nas aeronaves que as penetram aproveitando o impulso proporcionado pelos seus intensos ventos.
Descoberta Após a erupção do vulcão de Krakatoa em 1883, observadores climáticos rastrearam e mapearam durante vários anos os efeitos das erupções na atmosfera, denominando o fenómeno de "corrente equatorial de fumo".Ver:
Bishop, Sereno E. (17 de janeiro de 1884) "Letters to the Editor: The remarkable sunsets," Nature, 29: 259-260; em page 260 , Bishop especula que uma corrente rápida na alta atmosfera transportava a poeira da erupção de Krakatau para oeste ao redor do equador. Bishop, S.E. (Maio de 1884) "The equatorial smoke-stream from Krakatoa," The Hawaiian Monthly, vol. 1, no. 5, páginas 106-110. Bishop, S.E. (29 de janeiro de 1885) "Letters to the Editor: Krakatoa," Nature, vol. 31, páginas 288-289. Rev. Sereno E. Bishop (1886) "The origin of the red glows," American Meteorological Journal, vol. 3, páginas 127-136 , 193-196 ; páginas 133-136, Bishop discute o "fluxo de fumo equatorial" que produzido pela erupção Krakatau. Hamilton, Kevin (2012) "Sereno Bishop, Rollo Russell, Bishop's Ring and the discovery of the "Krakatoa easterlies"," Atmosphere-Ocean, vol. 50, no. 2, páginas 169-175. Krakatoa Committee of the Royal Society [of London], The Eruption of Krakatoa and Subsequent Phenomena (London, England: Harrison and Sons, 1888). Evidência de uma corrente a equatorial a alta velocidade e a grande altitude (na verdade a Oscilação quase-bienal) está presente nas seguintes secções:
Parte IV., SecçãoII. Lista geral das datas da primeira aparição de todos os fenómenos ópticos. Pelo Exmo. Rollo Russell., páginas 263-312 . Parte IV., Secção III. (A). Distribuição geográfica geral de todos os fenómenos ópticos no espaço e tempo; incluindo também velocidade de translação do vento de fumo. Pelo Exmo. Rollo Russell., páginas 312-326 . Parte IV., Secção III. (B). Ligação entre a propagação da neblina do céu com os seus fenómenos ópticos que a acompanham, e a circulação geral da atmosfera. Pelo Sr. E. Douglas Archibald., pages 326-334 ; que Rev. S.E. Bishop de Honolulu primeiramente noticiou uma circulação oeste do pó do vulcão Krakatau, tratado na página 333. Parte IV., Secção III. (C). Abrange os fenómenos sobre o mundo, com mapas ilustrativos dos mesmos. Pelo Exmo. Rollo Russell., pages 334-339 ; após a página 334, existem inserções de mapas, demonstrando a progressiva propagação, ao longo do equador, da poeira do vulcão Krakatau. Em 1920, um meteorologista japonês, Wasaburo Oishi, detectou uma corrente de jato de um local perto do Monte Fuji e estudou-a mediante a utilização de um balão meteorológico (comummente usados para determinar ventos a grande atitude). O trabalho de Oshi, em grande parte fora do Japão, passou despercebido. Porém, a descoberta das correntes de jato é frequentemente atribuída ao piloto americano Wiley Post, o primeiro homem a voar sozinho ao redor do mundo em 1933. Post inventou um fato pressurizado que lhe permitiu voar até aos 50 mil pés (acima de 15 Km). Um ano antes da sua morte, Post realizou várias tentativas de voo transcontinental a alta altitude, e constatou que em determinados momentos, a velocidade atingida perto do solo excedia a do ar alto.
thumb|250px|Configuração geral das correntes de jato polares e subtropicais. thumb|250px|Secção das correntes de jato polares e subtropicais. O meteorologista alemão Heinrich Seilkopf é creditado pelo cunho de um termo próprio para este fenómeno atmosférico, Strahlströmung (literalmente correntes de jato) feito em 1939.Seilkopf, H., Maritime meteorologie, which is volume II of: R. Habermehl, ed., Handbuch der Fliegenwetterkunde [Handbook of Aeronautical Meteorology] (Berlin, Germany: Gebrüder Radetzke [Radetzke Brothers], 1939); Seilkopf assinala a palavra "Strahlströmung" na página 142 e discute as correntes de jato nas páginas 142-150.Arbeiten zur allgemeinen Klimatologie By Hermann Flohn p. 47 (O termo moderno alemão é Strahlstrom. Apesar disso, várias fontes atribuem a compreensão do funcionamento das correntes de jato aos voos realizados durante a Segunda Guerra Mundial por pilotos que notificaram a existência de ventos de cauda acima de 160 km/h em rotas feitas entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Durante a Segunda Grande Guerra, o exército japonês desenvolveu programa para o lançamento de dotados de um dispositivo barométrico que os permitia manter uma altitude entre 9 000 e 11 000 metros, com o objetivo de desembarque em solo dos EUA. O plano teve pouco sucesso, porém mostra que até então já eram conhecidos no Japão os efeitos de correntes de jato.Cfr, Mariano Medina, Introducción a la meteorología, Ed. Paraninfo, 1988, 7ª edição, pág. 87 y sig. Entretanto, uma extensa investigação sobre o fenómeno teve lugar após a Grande Guerra terminar. A descoberta das correntes de jato provou ser um marco na compreensão da circulação geral atmosférica terrestre, sendo atualmente usada pela meteorologia.
Descrição Os jatos polares estão normalmente localizados próximos de 250 hPa da pressão atmosférica, entre 7 a 12 quilómetros acima do nível médio do mar; enquanto que as correntes subtropicais, significativamente mais fracas, encontram-se a uma maior altitude (entre 10 e 16 km). Em cada hemisfério, as correntes de jato formam-se perto da tropopausa, uma camada da atmosfera terrestre que no equador atinge uma maior altitude comparativamente aos pólos, e na qual ocorrem importantes variações do sistema atmosférico. No hemisfério norte, a corrente de jato encontra-se geralmente entre os 30ºN e os 60ºN de latitude, enquanto que a corrente subtropical habita os 30ºN. Alega-se que a corrente de jato do nível superior "segue o sol" à medida que este se move em direção ao norte durante a estação quente e finais da primavera e verão, durante o outono e inverno move-se para o sul.
A largura de uma corrente de jato é geralmente de algumas centenas de quilómetros ou milhas e a sua espessura vertical alcança menos de cinco quilómetros.
thumb|350px|Evolução dos meandros da corrente de jato do hemisfério norte (a), (b); ao final, uma queda de ar frio se separa da corrente principal (c). A laranja: a massa de ar quente; a rosa: corrente de jato; a azul: ar frio. As correntes de jato são normalmente continuas ao longo de grandes distâncias, porém é comum existiram descontinuidades no seu percurso. Os circuitos das correntes de jato apresentam formas ondulantes, pelo que os meandros se movem para leste em velocidades menores que o vento da corrente principal. Cada meandro ou onda é denominado por onda de Rossby nas correntes de fluidos. As ondas de Rossby são criadas por alterações do efeito de Coriolis, em função da latitude, e propagam-se em direção a oeste, enquanto que o fluxo no qual estão inseridos, se movimentam para leste, retardando assim a migração global das cristas e cavados de pressão a leste em comparação com as depressões atmosféricas de ondas curtas em que estão inseridas.
As depressões (ou zonas de baixa pressão) de ondas curtas são pequenos pacotes de energia de alto nível, de uma escala de 1 000 a 4 000 quilómetros de comprimento, que se movem através do fluxo principal, ou de extensas ondas, cristas e depressões dentro das ondas de Rossby. As correntes de jato podem dividir-se em duas partes, devido à formação de uma zona de baixa pressão, o que faz desgarrar uma porção do fluxo da sua própria base, enquanto que o resto do fluxo se movimenta para norte. Os jatos polares e subtropicais podem-se convergir num só, apesar disso só ocorrer em situações mais invulgares, permanecendo a maior parte do tempo separados.
A velocidade do vento pode variar, dependendo da gradiente de temperatura, que facilmente excede os 90 km/h. Alguns registos, inclusive, apontam para ventos superiores a 398 quilómetros por hora. Hoje em dia, os meteorologistas assumem que o percurso das correntes de jato são responsáveis pelos sistemas ciclónicos de tempestades nos níveis baixos da atmosfera, e o conhecimento daí adquirido tornou-se uma parte importante da previsão do tempo. Um exemplo foi no ano de 2007 quando a Alemanha foi vítima de graves inundações como resultado do jato polar que se estabilizou em latitudes meridionais durante o verão.Blackburn, Mike; Hoskins, Brian; Slingo, Julia:
Causas thumb|250px|direita|Ilustração idealizada da circulação geral atmosférica. As correntes de jato tendem a fluir latitudinalmente ao longo dos limites das células.
No geral, os ventos são mais fortes na tropopausa (exceto durante os tornados, ciclones tropicais e outros fenômenos similares). Se duas massas de ar de diferentes temperaturas ou densidades se encontram, a diferença de pressão daí resultante, causada pela diferença de densidade (que origina o vento) é mais elevada no interior da zona de transição. O vento não flui diretamente das regiões de maior pressão para as de menor pressão, mas é desviado pelo efeito de Coriolis e flui ao longo dos limites das duas massas de ar.