Adolf Josef Ferdinand Galland (Westerholt, 19 de março de 1912 — Remagen, 9 de fevereiro de 1996) foi um piloto alemão, ás da aviação e general da Luftwaffe durante a Alemanha Nazi; serviu durante a Guerra Civil Espanhola da Legião Condor e ao longo de toda a Segunda Guerra Mundial na Europa. Ele voou em 705 missões de combate e combateu na Frente Ocidental e na Defesa do Reich. Em quatro ocasiões, ele sobreviveu ao ser abatido em combates aéreos, e ao longo da sua carreira obteve 104 vitórias aéreas, todas elas contra os aliados ocidentais.

Galland, que nasceu em Westerholt, Vestfália, tornou-se num piloto de planadores em 1929 antes de se juntar à Lufthansa. Em 1932 ele graduou-se como piloto na Deutsche Verkehrsfliegerschule em Braunschweig, antes de se dar como voluntário para a Reichswehr da República de Weimar no final do ano. Galland foi aceite na Reichswehr, contudo o próprio Galland nunca chegou a entrar para a força armada. Em Fevereiro de 1934, foi transferido para a Luftwaffe. Em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola, ele voluntariou-se para combater na Legião Condor, onde levou a cabo missões de ataque ar-terra em apoio às tropas nacionalistas de Francisco Franco. Em 1938 o seu tempo em Espanha chegou ao limite, e Galland voltou para a Alemanha para desempenhar funções no Ministério da Aviação; esta nova função consistia em escrever manuais doutrinários e técnicos sobre as suas experiências como piloto de ataque ar-terra. Durante este período Galland também serviu como instrutor em unidades de ataque terrestre. Durante a invasão alemã da Polónia em Setembro de 1939, Galland voltou a realizar missões operacionais. No início de 1940, Galland conseguiu persuadir os seus superiores para se tornar num piloto de combate.

Galland pilotou aviões Messerschmitt Bf 109 durante a Batalha de França e a Batalha de Inglaterra. No final de 1940, o seu total de vitórias aéreas estava nas 57. Em 1941 Galland ficou em França e foi um de muitos pilotos que combateu contra a Real Força Aérea nos céus do Canal da Mancha e no norte de França. Em Novembro de 1941 já detinha 96 vitórias aéreas confirmadas, altura pela qual foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho e Espadas. Neste mesmo mês, Werner Mölders, que comandava a força de combate aéreo da Luftwaffe como General der Jagdflieger, faleceu devido a um acidente aéreo, o que levou a Luftwaffe a escolher Galland como o seu substituto, posição que ocupou até Janeiro de 1945. Como General der Jagdflieger, Galland estava proibido de pilotar em missões de combate.

No final de Janeiro e início de Fevereiro de 1942, Galland começou primeiro por planear e depois por comandar a cobertura aérea na Operação Cerberus da Kriegsmarine, missão de grande sucesso para as forças alemãs. O seu desempenho nesta operação valeu-lhe a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes. Ao longo dos anos seguintes, os desentendimentos de Galland com o Reichsmarschall Hermann Göring, sobre a melhor forma de combater as forças aéreas aliadas que bombardeavam as cidades alemãs, foram deteriorando a relação entre ambos. A força de combate de Luftwaffe sofria imensa pressão já em 1944, e Galland era acusado por Göring pela ineficácia da defesa aérea contra os bombardeamentos estratégicos dos aliados na Alemanha. Em Janeiro de 1945 a relação entre ambos chegou ao fim, quando Galland foi dispensado do seu cargo devido ao constante criticismo da liderança da Luftwaffe. Galland foi então colocado em prisão domiciliar depois da Revolta dos Pilotos de Caças, na qual um grupo dos melhores e mais seniores pilotos da Luftwaffe confrontaram Göring sobre a forma como estava a conduzir a guerra aérea.

Em Março de 1945, Galland voltou a realizar voos operacionais, e foi-lhe permitido montar uma unidade de combate de caças a jacto chamada Jagdverband 44. Ele realizou missões nos céus da Alemanha até ao final da guerra em Maio. Depois da Guerra, Galland foi contratado pelo governo da Argentina e actuou como consultor para a Força Aérea Argentina. Mais tarde, regressou à Alemanha e geriu o seu próprio negócio. Galland, ao longo dos anos, tornou-se amigo de muitos antigos inimigos do tempo da guerra, como os ases britânicos Robert Stanford Tuck e Douglas Bader. Galland faleceu no dia 9 de Fevereiro de 1996.

Vida Família Galland nasceu em Westerholt (agora Herten), Vestfália, no dia 19 de Março de 1912, numa família de ascendência francesa.. O primeiro Galland em Westerholt era um refugiado da França em 1792. Ele tornou-se num oficial de justiça do conde de Westerholt, começando assim uma tradição que foi passando de pai para filho. Adolf Galland (júnior) foi o segundo de quatro filhos de Adolf Galland (sénior) e da sua mulher francesa Anna. Seguindo a tradição de família, Galland (sénior) seguiu os passos do seu pai e trabalhou para o conde de Westerholt. O irmão mais velho de Galland chamava-se Fritz e os seus dois irmãos mais novos chamavam-se Wilhelm-Ferdinand e Paul; estes dois irmãos mais novos tornaram-se também pilotos de caças e ases da aviação. Paul obteve 17 vitórias aéreas e faleceu em combate no dia 31 de Outubro de 1942, já Wilhelm-Ferdinand obteve 55 vitórias aéreas e também viria a falecer em combate, no dia 17 de Agosto de 1943.

Juventude Em 1927, o interesse de uma vida de Galland pela aviação começou quando um grupo de entusiastas da aviação levou um clube de planadores até Borkenberge, a leste da via ferroviária de Haltern-Münster e parte do estado de Westerholt. Foi aqui que o Gelsenkirchen Luftsportverein despoletou o interesse da aviação em muitos jovens alemães. Galland viajava a pé e de carruagem durante 30 quilómetros até ao local de clube, até ao dia que o seu pai lhe comprou uma motocicleta para o ajudar a ter mais tempo no clube. Devido ao Tratado de Versalhes de 1919, a Alemanha estava impedida de ter uma força aérea. Contudo, era permitido o uso de planadores e assim este veículo aéreo tornou-se popular e o primeiro meio aéreo para muitos futuros pilotos. Este desporto tornou-se tão popular que a própria Reichswehr abriu dez escolas de pilotagem de planadores, pelo menos uma em cada um dos sete distritos militares da Alemanha. Galland aprendeu tudo o que havia para aprender sobre as leis básicas e como tudo funcionava na teoria, contudo rapidamente descobriu que na realidade nem tudo funcionava como no papel, e a sua inexperiência fez com que sofresse alguns acidentes. Um dos seus tutores, Georg Ismer, ensinou-lhe várias técnicas de pilotagem e em 1929 o jovem Galland, com apenas 17 anos, recebeu o seu Certificado A. Este era um de três certificados necessários para se ter uma licença profissional. Quando eventualmente Galland adquiriu os certificados B e C, o seu pai prometeu que lhe comprava um planador se, da mesma forma, conseguisse passar nos exames de estudo, o que Galland conseguiu concluir com sucesso. Galland tornou-se num impressionante piloto de planadores, e já era instrutor de voo antes de sequer passar no Abitur.

Em Fevereiro de 1932, Galland graduou-se e foi um dos 20 seleccionados para integrar a escola de aviação da companhia aérea alemã Luft Hansa.

Carreia militar inicial Treino de pilotagem Durante os anos finais da República de Weimar, os empregos eram escassos e a vida tornou-se economicamente mais difícil para a família Galland. Adolf tinha alguma experiência em pilotar planadores e então candidatou-se à Deutsche Verkehrsfliegerschule que recebia grandes subsídios da Luft Hansa. Ele foi um dos 100 candidatos admitidos de uma lista de 4000. Depois de dez dias de avaliações, ele estava entre os 18 escolhidos para começar o treino de pilotagem. Adolf foi então avaliado no desempenho. Aqueles que não conseguissem atingir os requisitos mínimos eram enviados para casa. O primeiro voo de Galland foi realizado num Albatros Al 101. A sua carreira no início foi complicada; num voo, ele realizou uma aterragem pesada e danificou o trem de aterragem da aeronave. Mais tarde, enquanto liderava três aeronaves numa formação, duas delas colidiram. Ninguém faleceu neste acidente, contudo Galland foi responsabilizado por ter empregue tácticas de voo deficientes. Estes incidentes afectaram-no tanto que ele acreditava piamente que mais tarde ou mais cedo o enviariam de volta para casa, por isso candidatou-se ao Exército Alemão. Entretanto, ele continuaria com o treino de pilotagem. Galland não recebeu qualquer resposta do Exército Alemão e, assim, deixou-se ficar na escola e continuou a instrução. Por conseguir pilotar um Albatros L 75 e ter um Certificado B, Galland tinha permissão para pilotar aeronaves com mais de 25000 quilos, o que fez com que voltasse a ganhar confiança nas suas aptidões. Por esta altura, o Exército aceitou a sua candidatura, contudo, dado o sucesso do seu treino de pilotagem e pelo facto de, com o passar do tempo, se estar a tornar num piloto cada vez melhor, a escola de pilotagem recusou desfazer-se de um dos seus melhores alunos. No natal de 1932, ele já tinha 150 horas de voo e o Certificado B2.

No início de 1933, Galland foi enviado para uma base de treino aéreo no Mar Báltico, em Warnemuende, para o treino de pilotagem de hidroaviões. Galland não ficou muito contente com esta ideia, contudo ainda chegou a fazer 25 horas de voo em hidroaviões. Pouco tempo depois, juntamente com outros pilotos, ele foi entrevistado na Zentrale der Verkehrsflieger Schule (ZVS—Escola Central de Pilotos Comerciais). Aqui o grupo foi entrevistado por militares em roupas civis. Depois de tomarem conhecimento de um programa secreto de treino militar que estava a ser construído e que envolvia a pilotagem de aeronaves de alta performance, todos os pilotos aceitaram o convite para integrarem a organização.

Incorporação na Luftwaffe thumb|Um biplano FW44J. Galland treinava neste tipo de aeronave Em Maio de 1933, Galland foi ordenado a comparecer num encontro em Berlim como um dos 12 pilotos civis de entre 70 aviadores que vinham de programas clandestinos; nesse encontro, conheceu Hermann Göring pela primeira vez. Galland ficou impressionado e acreditava que Göring era um líder competente. Em Julho de 1933, Galland viajou para a Itália para treinar com a Regia Aeronautica. Inicialmente os alemães foram tratados como inferiores pelos italianos, mas depois de Galland ter realizado alguns voos impressionantes e manobras a baixa altitude, o contingente alemão ganhou o respeito dos italianos.

Em Setembro de 1933, Galland regressou à Alemanha e voou em algumas pequenas competições como piloto de planadores, nas quais ganhou alguns prémios. Pouco tempo depois ele regressou à ZVS para receber instrução em instrumentos de voo e em pilotagem de grandes aeronaves de transporte aéreo, registando mais 50 horas de voo. Como parte do seu treino, que começou em Outubro de 1933, Galland passou a pilotar aeronaves da Luft Hansa. Nestes voos, ele começou a pilotar o Junkers G 24 de Estugarda até Barcelona, em Espanha, via Geneva e Marselha. Em Dezembro de 1933, Galland foi chamado ao quartel-general da ZVS e foi-lhe oferecida a oportunidade de se juntar à recém-criada Luftwaffe. Galland hesitou em decidir porque apesar de desejar a aventura de uma carreira militar como aviador, como piloto de companhias aéreas podia continuar a pilotar e ao mesmo tempo visitar locais exóticos, sendo este um factor muito importante para ele. Mesmo assim, ele aceitou o convite para se juntar à Luftwaffe.