A Segunda Crise do Estreito de Taiwan (também conhecida como Crise do Estreito de Taiwan de 1958) foi um conflito ocorrido entre os governos da República Popular da China (China comunista) e a República da China (Taiwan) em que a República Popular da China bombardeia as ilhas de Quemoy e Matsu no Estreito de Taiwan, na tentativa de tomá-las da República da China. Esta situação, continuou por 44 dias e custou cerca de 1 000 vidas. Foi uma continuação da Primeira Crise do Estreito de Taiwan, que teve início imediatamente após a Guerra da Coreia.

História

De novembro de 1954 a maio de 1955, a Primeira Crise do Estreito de Taiwan ocorre entre a China comunista e a República da China Nacionalista refugiada em Taiwan em decorrência da guerra civil chinesa. Pequim conseguiu capturar duas das ilhas próximas à costa que ainda estavam sob controle nacionalista, mas foi impedida pela ameaça de intervenção militar por parte dos Estados Unidos.

A segunda crise começou em 23 de agosto de 1958, quando a artilharia do Exército de Libertação Popular passou a bombardear as ilhas de Quemoy e Matsu no Estreito de Taiwan e ameaçar lançar uma invasão. Mao Tse Tung não queria que a questão de Taiwan permanecesse nas sombras, pretendendo protestar contra o contínuo apoio dos Estados Unidos à República da China (Taiwan) e mostrar a sua independência da União Soviética. Esses ataques causam a implantação da Sétima Frota dos Estados Unidos no Estreito. Depois de algumas semanas críticas, durante o qual as ilhas ficaram em sério risco, os estadunidenses conseguiram estabelecer uma linha de abastecimento em Quemoy, incluindo desembarque aberto, entre outros, de artilharia que poderia lançar ogivas nucleares táticas.

A primeira fase de bombardeios durou semanas, depois houve uma pausa e os bombardeios foram retomados por 29 dias, nos últimos dias adotou-se o padrão de efetuar bombardeios apenas nos dias ímpares, manobra que Mao descreveu como um ato de batalha política.KISSINGER, Henry, Sobre a China, p 178.

O conflito, que resultou em cerca de 1 000 mortos e feridos,KISSINGER, Henry, Sobre a China, p 180. terminou com um cessar-fogo entre as partes beligerantes, mas os bombardeios continuaram de forma intermitente por mais de uma década.

No início da crise, Mao Tsé-Tung afirmou que tais bombardeios seriam uma resposta chinesa à intervenção norte-americana no Líbano (Crise do Líbano de 1958), uma atitude que demonstraria sua oposição à política de coexistência pacífica sustentada pela União Soviética na época. Por outro lado, em 5 de setembro, Zhou Enlai afirmou que o objetivo de Pequim seria a retomada das conversações entre a China e os Estados Unidos ao nível de embaixadores, ou seja, seria uma resposta ao rebaixamento do caráter daquelas negociações,Que deixaram de ser realizadas entre embaixadores e passaram a ser realizadas entre os primeiros-secretários de embaixadas. Tal rebaixamento era relevante pois foi um retrocesso no caráter das conversações que inicialmente eram travadas por meros funcionários consulares, mas depois passaram a ser travadas por embaixadores, que são tecnicamente representantes pessoais do Chefe de Estado e contam com maior influência. Tal rebaixamento também conduziu a uma suspensão daquelas negociações (cf. KISSINGER, Henry, Sobre a China, p 167-168). em 1957, que ocorriam em Genebra desde o final da Primeira Crise do Estreito de Taiwan, em 1954. No dia seguinte, o Embaixador dos EUA em Varsóvia foi indicado para representar os EUA na retomada do diálogo.KISSINGER, Henry, Sobre a China, p 164,168,178-181.

Ao final da crise, Mao Tsé-Tung declarou:KISSINGER, Henry, Sobre a China, p 184.

Outra consequência da crise, foi o aprofundamento da ruptura sino-soviética, pois a União Soviética: pouco depois da crise, suspendeu a cooperação nuclear com Pequim; em junho de 1959, revogou a promessa de fornecer tecnologia necessária para a construção de uma bomba atômica pela China; em 1960, ordenou a saída de todos os seus especialistas estabelecidos na China e cancelou os projetos de cooperação técnica.KISSINGER, Henry, Sobre a China, p. 185.

Ver também Primeira Crise do Estreito de Taiwan Terceira Crise do Estreito de Taiwan Estatuto político de Taiwan Tratado de Defesa Mútua entre Estados Unidos e Taiwan

Fontes Mao Zedong's handling of the Taiwan Straits Crisis of 1958 First and Second Taiwan Strait Crisis, Quemoy and Matsu Islands of Taiwan from the Cold War Museum The Communist Threat in the Taiwan Area Contemparary US government reaction

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