right|thumb|310px|Protesto pelo impeachment do governador José Roberto Arruda, após o escândalo do mensalão no Distrito Federal.
O Escândalo do Mensalão no Distrito Federal, também conhecido como Mensalão do DEM, Mensalão no Distrito Federal, Mensalão do GDF, Mensalão do Democratas de Brasília, é o nome popular do escândalo de corrupção que surgiu no final de novembro de 2009 pela Polícia Federal, através da Operação Caixa de Pandora e baseada nos depoimentos de Durval Barbosa.
Entre os envolvidos destacavam-se diversos membro do DEM, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o vice-governador e empresário Paulo Octávio, o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, secretários do Governo do Distrito Federal (GDF), Júnior Brunelli, do PSC, corregedor da Câmara Legislativa, o deputado federal Augusto Carvalho, do PPS (segundo o jornal Correio Braziliense as acusações contra Augusto Carvalho mostraram-se inverídicas) e a líder do governo na Câmara Legislativa na época, Eurides Brito, PMDB.
Segundo a Folha de S.Paulo, José Roberto Arruda chegou a ser cogitado para ser o candidato à vice-presidente de José Serra na eleição presidencial brasileira de 2010, mas a eclosão do escândalo levou o DEM à começar a buscar outros nomes.
No dia 11 de fevereiro de 2010 , Arruda foi preso preventivamente pelo temor de que pudesse obstruir as investigações. O pedido de prisão foi feito após a tentativa de suborno do jornalista Edson Sombra. Arruda se encontra desde então encarcerado no presídio federal da Papuda.
Antecedentes thumb|esquerda|180px|O governador afastado, José Roberto Arruda. Em 2001, José Roberto Arruda, então líder do governo no senado no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, foi envolvido pelo Escândalo da Quebra do Sigilo do Painel no Senado (na época da cassação do mandato de Luiz Estêvão em 2000) que atingiu também Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho. Diante das evidências, renunciou ao mandato para evitar a cassação.
Porém, em 2002, se candidatou a deputado federal e foi eleito como o mais votado no Distrito Federal - e do país em termos proporcionais. No mesmo ano, Paulo Octávio foi eleito ao Senado Federal com a aprovação de 25% dos eleitores do DF, um total de 553.707 votos.
Em 2006, Arruda lança-se pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PFL e se elege junto com o vice Paulo Octávio em primeiro turno governador do Distrito Federal, com pouco mais de 50% dos votos válidos, com 663.364 votos, derrotando em primeiro turno as candidatas Maria de Lourdes Abadia, do PSDB, e Arlete Sampaio, do PT, entre outros candidatos. A chapa foi apelidada pela imprensa de "puro sangue" (governador e vice do mesmo partido político).
Com a posse de Arruda e Octávio em 1º de janeiro de 2007, o Governo do Distrito Federal iniciou suas obras, ganhando notoriedade nacional as demolições e implosões de diversos prédios inacabados, alguns que datavam mais de 20 anos atrás.
Estopim
No dia 27 de novembro de 2009, a Polícia Federal executou a Operação Caixa de Pandora, com o cumprimento de mandatos de busca e apreensão na residência oficial do governador José Roberto Arruda, em secretarias do governo e em gabinetes de deputados na Câmara Legislativa.
Nos 24 endereços onde foram realizadas as ações de busca e apreensão, foram apreendidos R$ 700 mil em dinheiro, US$ 30 mil, 5.000 euros, computadores, mídias e documentos.
No mesmo dia, o governador exonerou os envolvidos nas investigações, além de ter especulado que o desvio de recursos possa ter vindo desde o governo anterior de Joaquim Roriz.
Material da Polícia Federal thumb|right|250px|O ex-governador Joaquim Roriz. Segundo Durval Barbosa, o esquema de corrupção teve início sob os auspícios de Roriz. Na manhã do dia 27 de novembro, a Polícia Federal (PF) realizou buscas na Câmara Legislativa do Distrito Federal, na residência oficial do governador Arruda, nas casas de dois secretários dele e de quatro deputados distritais. As buscas também foram feitas em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. A PF apreendeu documentos e computadores na Câmara Legislativa do Distrito Federal, no Tribunal de Contas do Distrito Federal e em gabinetes e residências de secretários e assessores do governador. Um dos gabinetes fica anexo à residência oficial do governador, mas Arruda mora em uma casa particular. A PF também apreendeu R$ 700 mil em dinheiro. A Polícia Federal informou na noite do mesmo dia que teve de antecipar a operação por causa da suspeita de vazamento de informações para os investigados. Um inquérito será aberto para investigar o caso.
Investigações A investigação teve início em setembro de 2009. O secretário de Relações Institucionais do Governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, que ocupou cargos de confiança nos dois governos Roriz e Arruda, responde a pelo menos 28 processos na Justiça e foi interrogado pela Polícia Federal antes da operação. Barbosa aceitou colaborar com a Polícia Federal em troca de redução da pena em caso de condenação.
Em depoimento à Polícia Federal, o então secretário Durval Barbosa disse que o governador Arruda pedia adiantamentos, mais ou menos, de 15 em 15 dias para saldar despesas pessoais e que o desvio de recursos era tanto para enriquecimento pessoal quanto para pagamento da consciência de políticos. Em uma das negociações, um valor de R$ 178 mil foi dividido entre o governador, o vice, o assessor de imprensa, Omézio Pontes, e o chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, ficando 10% restantes à espera de comando.
Segundo despacho do Superior Tribunal de Justiça, no dia 21 de outubro, a Polícia Federal colocou equipamentos de gravação nas roupas de Durval Barbosa para registrar um encontro com o governador Arruda.
Na gravação, Arruda disse a Durval para entregar ao chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, o dinheiro para pagamento da base aliada. Segundo a investigação, este valor de R$ 600 mil teria vindo de quatro empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal.
O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios investiga se o esquema de corrupção seria usado para comprar o apoio de deputados distritais aos projetos de interesse do governo.
Barbosa disse que o Governador Arruda ficava com 40% do total de recursos e o vice, Paulo Octávio, com 30%.
Vídeos thumb|left|250px|Protesto pela queda do governo. O ex-secretário entregou ao Ministério Público 30 vídeos com imagens de negociações feitas por ele mesmo, que participava do esquema. Já como colaborador da Justiça, em troca de redução de pena no caso de uma condenação, Durval usou câmeras escondidas e, com autorização da Justiça, gravou diálogos com o governador e com o primeiro escalão do GDF. Barbosa entregou as fitas de vídeo para ter a pena reduzida, no caso de ser condenado.
Na gravação, divulgada pela imprensa no dia da operação, Arruda disse ao Durval a entregar ao chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, o dinheiro para pagamento da base aliada. Segundo a investigação, o dinheiro, R$ 600 mil, teria vindo de quatro empresas que prestam serviços ao governo do Distrito Federal.
Em 28 de novembro, o Jornal Nacional, da Rede Globo, mostrou trechos do vídeo, realizado em 21 de outubro desse ano, em que ele conversa com o governador. A reunião seria para prestar contas da divisão do dinheiro. No segundo momento, a conversa é com o chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel. Eles acertam a partilha do dinheiro, com R$50 mil para cada um. Em outro trecho, Arruda quer saber como anda a despesa com políticos. Ao todo, são 55 minutos de gravação.
Em 30 de novembro, Arruda aparece recebendo R$ 50 mil de Barbosa, em gravação ocorrida em agosto de 2006, quando Arruda estava na disputa pelo governo, o que levanta a suspeita de que o esquema havia começado antes de ser eleito governador. O então candidato pensa melhor e pede para um assessor levar o dinheiro. No inquérito, Barbosa diz que um funcionário de Paulo Octavio, Marcelo Carvalho, era quem buscava o dinheiro. Dinheiro que era distribuído fartamente sempre a portas trancadas. Leonardo Prudente, presidente da Câmara Legislativa, recebeu uma quantia tão grande de dinheiro que ficou sem espaço nos bolsos e escondeu nas meias.
A líder do governo na Câmara Legislativa, Eurides Brito, também recebe. O deputado distrital, corregedor da Câmara Legislativa (responsável por investigar eventuais desvios de conduta de parlamentares), que é também representante da bancada evangélica, Junior Brunelli (PSC), o presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente, e Durval Barbosa fazem oração para agradecer o dinheiro recebido:
"Pai, eu quero te agradecer por estarmos aqui. Sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica de todo bem. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval, que tem sido um instrumento de benção para nossas vidas, para essa cidade. Que o senhor contemple a questão do seu coração."
Durval Barbosa diz, em depoimento à polícia, que os empresários já não aguentavam mais a cobrança de propina. A diretora da Uni Repro, Nerci Soares, uma empresa de São Paulo que prestava serviços ao governo, entrega uma sacola ao então secretário de relações institucionais e ele conta o dinheiro. Nerci deixa a sala e Durval mostra uma caixa cheia de dinheiro. Outro empresário, Gilberto Lucena, dono da Linknet, uma empresa de tecnologia, reclama muito a cobrança de propina.
Envolvidos
Entre os envolvidos, estão o ex-chefe de gabinete de Arruda, Domingos Lamoglia, que foi nomeado pelo governador conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, o atual chefe de gabinete, Fábio Simão, o chefe da Casa Civil, José Geraldo Maciel, o secretário de educação, José Luiz Valente, e o assessor de imprensa, Omézio Pontes, além da líder do governo, deputada distrital Eurides Brito, e do presidente na Câmara Legislativa, Leonardo Prudente. E dois deputados distritais, Rogerio Ulysses e Pedro do Ovo.
Em 28 de novembro, Arruda é apontado pela Polícia Federal como o comandante de um esquema de arrecadação e distribuição de propina a deputados da base de apoio ao governo distrital.
Durval Barbosa acusou tanto políticos como donos de empresas. Os citados estão sendo investigados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), sendo que até o momento ninguém foi indiciado e os elementos ainda não foram considerados conclusivos pela Justiça.
Pedidos de cassações dos mandatos thumb|right|250px|Os deputados Doutor Charles, Batista das Cooperativas, Érica Kokay e Alírio Neto, em reunião do Conselho de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Impeachment de Arruda No dia 28 de novembro, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estuda o pedido do impeachment de Arruda. Em 30 de novembro, a OAB decidiu pedir o impeachment do governador. "Não pode se tirar do meio da discussão o processo de afastamento político. Ele é fundamental até pra dar uma liberdade maior de investigação", disse o presidente da OAB, Cezar Britto, que buscou o apoio da CNBB para o afastamento de Arruda. "Todos estamos perplexos com aquilo que vimos e queremos que as investigações sejam ágeis e o quanto antes ética possa prevalecer e os fatos sejam devidamente esclarecidos", disse o secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara. Em 3 de dezembro, os conselheiros da OAB, seccional do Distrito Federal, decidiram por 31 a 1, protocolar na Câmara Legislativa do Distrito Federal um processo de impeachment contra Arruda e vice Octávio.
Deputados distritais Em 14 de dezembro, a OAB protocolou o pedido de cassação aos três deputados distritais. A OAB anunciou ainda que iria protocolar outros quatro pedidos de cassação nos dias seguintes.
Paulo Octávio A OAB fez também pedido de cassação do vice-governador, Paulo Octávio.
A vez do PMDB