thumb|upright=1.33|Vista de Mrauk-U, ou Arrakan (cidade de Arracão) no primeiro plano o bairro português de Daingri-pet. In Wouter Schouten : Oost-Indische Voyagie, t.o. p. 148. 1676.

Mrauk-U (em birmanês: မြောက်‌ဦးမြို့, MLCTS=mrauk u: mrui), também chamada Mrohaung, a Cidade do Arracão dos relatos portugueses dos séculos XVI e XVII (mas Bocarro dá-lhe o nome de Borgolo), é uma cidade da Birmânia situada no norte do Arracão. Foi capital do reino deste mesmo nome, entre 1431ou 1443, segundo Louis Frédéric, in L'Art de l'Inde et de l'Asie du Sud-Est, Flammarion, 1994. e sua tomada pelos birmaneses em 1785.

Geografia thumb|upright=1.2|Mrauk-U de manhã cedo, setembro de 2007 A cidade encontra-se a oeste do rio Kaladan. É rodeada de serras ao norte e sul e produz grandes quantidades de arroz.

História Em 1431, o rei Min Saw Mon fez de Mrauk-U a capital do último reino de Arracão unificado. A cidade teve até 120,000 habitantes no meio do século XVI. Tinha relações comerciais com Portugal, Países Baixos, Ava, Pegu, Arábia, Pérsia e Índia. Nos seus arrabaldes existiu uma importante comunidade portuguesa, cujo bairro Daingri-pet, vem desenhado numa gravura do livro de Wouter Schouten: Die Reise nach Ostinden (Viagens às Índias Orientais), publicado em 1676. Era aí que os reis de Arracão, encontravam os seus melhores artilheiros e marinheiros. Comerciava entre outros, arroz, algodão, rubis, elefantes, cavalos, escravos, marfim, cauri e especiarias.

No momento da sua expansão máxima, Mrauk-U controlava a metade do atual Bangladexe, com Daca e Chatigão, o atual estado de Arracão e toda a parte oeste da Baixa Birmânia.

Durante esse período, os seus reis emitiam moedas estampadas em arracanês, em caracteres cúficos e em língua bengali. Utilisaram também, sendo budistas, um nome de rei muçulmano até 1635. Eles construíram numerosos templos e stûpas, cujo muitos existem ainda hoje. Os mais célebres são o templo de Shitthaung (Templo das Oitenta Mil Imagens ou Templo da Vitória), o templo de Htukkanthein (Sala de ordinação de Htukkan), o Koe-thaung (Templo das Noventa Mil Imagens) e os cinco pagodes de Mahn.

O templo de Shittaung, é uma espécie de fortaleza no cimo de uma pequena colina que dizem ter sido construído para celebrar a vitória frente a um ataque dos portugueses, em 1535. O nome significa Templo das Oitenta Mil Imagens, que tinham sido recolhidas pelo rei Minbin nos territórios budistas conquistados, e foi durante muito tempo a residência do sumo-sacerdote arracanês.

O rei birmanês Tabinshwehti atacou em vão Mrauk-U em 1546-1547. Em 1784 o rei Bodawpaya enviou uma expedição comandada pelo seu filho, que apoderou-se dela em 2 de janeiro de 1785. A cidade ficou sob domínio birmanês até a primeira Guerra anglo-birmanesa, ao fim da qual passou com todo o Arracão sob domínio britânico (1826). A sua população era então apenas de aproximadamente 20 mil habitantes.

Hoje Mrauk-U é um site arqueológico e turístico de grande importância, a dois dias de Rangum ou 3 a 5 horas desde Sittwe.

Templos de Mrauk-U thumb|upright=1.2|o templo de Shitthaung (2008) A lista que segue apresenta as construções religiosas mais notáveis da cidade e arredores. Templo de Shitthaung Templo de Htukkanthein Templo de Koe-thaung Sala de ordinação Andaw-thein Templo de Le-myet-hna Pagode dos cinco Mahn Pagode de Mingala-Mahn-Aung Pagode de Ratna-Mahn-Aung Pagode de Sakya-Mahn-Aung Pagode de Lawka-Mahn-Aung Pagode de Zina-Mahn-Aung Templo de Sanda Muni Mosteiro Bandoola Kyaung Os monumentos são principalmente budistas, mas encontram-se também de outras religiões, como a velha mesquita Santikan, construída durante o reino de Min Saw Mon no sul-oeste da cidade.

Bibliografia Jacques P.Leider Le royaume d’Arakan Birmanie « Son histoire politique entre le début du XVe siècle et la fin du XVIIe siècle » Monographie 190 École Française d’Extrême-Orient Paris 2004 The Land of the Great Image - Being Experiences of Friar Manrique in Arakan, Maurice Collis, 1943. Na Terra da Grande Imagem (aventuras de um Religioso português no Oriente). Maurício Collis. Tradução do inglês e notas de António Álvaro Dória. Livraria Civilização - Porto. 1944. Burma's Lost Kingdoms - Splendours of Arakan, Pamela Gutman

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