Max und Moritz - Eine Bubengeschichte in sieben Streichen (Juca e Chico - História de Dois Meninos em Sete Travessuras, na versão brasileira, feita por Olavo Bilac), é o título do livro ilustrado infantil publicado em 4 de abril de 1865, pelo humorista, poeta e desenhista alemão Wilhelm Busch, e que narra as aprontações de dois irmãos, que dão título à obra. Esse livro consta entre os primeiros trabalhos do autor. O enredo apresenta padrões nítidos de conteúdo, estilo e efeito estético, o que se repetiu nos trabalhos posteriores de Busch. Muitas rimas dessa história se tornaram citações populares em alemão. É um dos livros infantis mais vendidos e foi traduzido para mais de 300 línguas e dialetos.

O livro é considerado como precursor das histórias em quadrinhos, por aliar os versos em que a obra é composta com desenhos ilustrativos de cada cena.

Contexto da criação thumb|Wilhelm Busch (1860) Depois de um curso incompleto em Düsseldorf e Antuérpia, Wilhelm Busch quis continuar seus estudos de artes em Munique, mas esse desejo resultou em um desentendimento com seu pai, que o mandou para Munique com um último auxílio financeiro. Contudo, o curso de artes na Academia de Belas Artes de Munique não correspondeu às suas expectativas. Busch entrou em contato com a cena artística de Munique no clube de artistas Jung München, em que se reuniam quase todos os pintores importantes da cidade. No jornal desse clube, Busch e vários outros artistas publicaram caricaturas e textos informativos. Kaspar Braun, que editava os jornais satíricos Münchener Bilderbogen e Fliegende Blätter interessou-se pelo estilo de Busch e ofereceu a ele um trabalho autônomo. Graças a essa remuneração, ele estava pela primeira vez com as contas em dia e tinha dinheiro o suficiente para seu sustento. thumb|Kaspar Braun Entre 1860 e 1863, Wilhelm Busch contribuiu com mais de cem trabalhos para o Münchener Bilderbogen e Fliegende Blätter. Busch achava que sua crescente dependência em Kaspar Braun o restringia, então ele procurou um novo editor: Heinrich Richter, filho do pintor saxônio Ludwig Richter. Na editora de Richter tinham sido publicadas até então apenas obras de seu pai, assim como livros infantis e de cunho religioso e edificante. Busch possivelmente não estava ciente da natureza do trabalho da editora quando combinou com Heinrich Richter a publicação de um livro ilustrado. Ele era livre para escolher o tema, porém, sua proposta encontrou objeções por parte de Richter. Busch começou a trabalhar no Max und Moritz em novembro de 1863, quando sua obra anterior Bilderpossen ainda estava no prelo. Em 12 de dezembro do mesmo ano ele tinha desenhado cerca de cem ilustrações que ofereceu para publicação a Richter em outubro de 1864.

As dúvidas de Heinrich Richter perante as histórias do Bilderpossen de 1864 foram confirmadas. O livro se mostrou um fracasso, pois não era nem uma coletânea de contos, um livro ilustrado ou de caricatura, e ainda superava em muito a crueldade encontrada em Struwwelpeter (traduzido para o português como João Felpudo). Ainda em novembro de 1864, o editor deu esperanças a Busch de que a vendagem no período de Natal aumentaria, o que, no entanto, não aconteceu. No começo do ano de 1865, Richter rejeitou o manuscrito de Max und Moritz por causa da baixa expectativa de venda. Além disso, seu pai, Ludwig Richter, havia concluído que as pessoas que gostavam desse gênero não compravam livros.

Wilhelm Busch se comunicou novamente com seu antigo editor Kaspar Braun em 5 de fevereiro, embora desde algum tempo eles não se falavam nem se correspondiam:Kaspar Braun autorizou a publicação em fevereiro de 1865, sem comentar sobre o desentendimento entre ambos, e só pediu a Busch para aperfeiçoar novamente o texto e as imagens. Diferente do que Wilhelm Busch propôs, Braun não queria publicar a história no Fliegende Blätter, mas sim aumentar a seção de livros infantis da editora Braun & Schneider. Pelos direitos autorais, Braun pagou à vista 1000 florins a Wilhelm Busch, o que correspondia a quase dois anos de salário de um trabalhador braçal e foi uma soma considerável para ele. Para Kaspar Braun e sua editora, o negócio da publicação se mostrou um golpe de sorte a médio e longo prazo. Em agosto de 1865, Wilhelm Busch desenhou a trama em uma prensa de madeira e em outubro a história ilustrada foi publicada com uma tiragem de 4000 exemplares. A vendagem dessa primeira edição, com encadernação simples de papelão claro, estendeu-se até 1868. Um exemplar dessa primeira edição foi vendido, em um leilão em 1998, por um valor equivalente a 125.000 euros. Enredo thumb|409x409px|"Vai-se embora; e, sem cautela,Deixa no fogo a panela.Junto ao fogão, fica sóO vigilante Totó" Juca e seu irmão Chico aprontam com várias pessoas do vilarejo em que vivem: ao sacristão colocam pólvora no cachimbo, explodindo-o; às galinhas da velha senhora, atam anzois que as matam e, após pranteadas e cozidas, roubam os assados, fazendo com que o pobre cão da mulher receba toda a culpa.Versão on line - BUSCH, Wilhelm. Juca e Chico. História de Dois Meninos em Sete Travessuras. (tradução: Olavo Bilac) 11ª edição. São Paulo: Melhoramentos, s/d. (página acessada em 14 de dezembro de 2009)

Seguem aprontando com várias pessoas, e até com o próprio tio, até que o padeiro, vendo que os dois lhe roubavam os biscoitos, resolve vingar-se, num final trágico a que todos da cidade apoiam.

A história começa com o narrador fazendo uma introdução de caráter moralista, que apresenta os nomes dos dois pestinhas Max e Moritz (na tradução de Bilac nomeados de Juca e Chico):Põem toda a gente malucaMas ao invés de diabinhos tenebrosos, o que o leitor encontra são dois meninos atrevidos:Antes a troça e a preguiça!Este prólogo se refere de maneira satírica e parodística à perversidade comumente encontrada nas crianças, o que é demonstrado através de exemplos. Em cinco capítulos, os dois garotos pregam peças maldosas nos habitantes da cidadezinha onde viviam, no sexto, a travessura fracassa e, no sétimo, eles morrem.

A vítima da primeira e segunda travessuras é a viúva Bolte, que possui três galinhas e um galo. Depois de engolirem uma das iscas deixadas pelos meninos, essas galinhas encontram a morte ao se enroscarem na macieira com os barbantes que ainda amarravam essas armadilhas. Então, desolada com a morte das galinhas, a viúva Bolte as frita e, ao ir buscar chucrute no porão, Max e Moritz pescam as galinhas fritas da panela através da chaminé.

Para a terceira travessura, os dois elegem como vítima o alfaiate Böck. Eles serram uma fenda na ponte de madeira perto da casa do alfaiate e o provocam com xingamentos. Então, quando ele corre sobre a ponte com uma trena de madeira na mão para castigar os vilões, o pontilhão se quebra e ele cai no riacho, só sendo salvo quando um par de gansos o tira de lá. thumb|Quarta travessura: professor Lämpel A quarta travessura eles pregam no mestre Lämpel. Durante sua ausência, invadem sua casa e enchem o cachimbo do amante de tabaco com pólvora. Quando Lämpel volta, acende o cachimbo, como de costume, e sofre graves queimaduras com a explosão que se seguiu. thumb|Quinta travessura: tio Fritz Igualmente bem sucedida é a quinta travessura, em que eles colocam besouros na cama de tio Fritz, que deve travar uma violenta batalha noturna, resultando no extermínio dos insetos. thumb|Sexta travessura: mestre Bäcker Na sexta travessura, os dois não obtêm sucesso. Eles conseguem entrar em uma padaria pela chaminé, de onde caem direto em uma caixa de farinha e sobem enfarinhados em uma cadeira para conseguir alcançar pretzels açucarados. A cadeira quebra e os dois caem no pote da massa. O padeiro pega os meninos cobertos de massa, os molda em forma de pão e os joga no forno. Porém, os dois sobrevivem comendo através da casca de pão e conseguem escapar.

A sétima travessura tem como consequência a morte dos dois. O agricultor Mecke os captura quando eles fazem furos em seus sacos de grãos e os leva ao moinho onde são triturados pelo moleiro, para, então, os dois patos do moleiro devorarem tudo o que restou dos dois. 

No epílogo todas as vítimas ficam contentes com o fim dos malfeitores:Mais nada. Ponto final!

Características da obra

Estrutura Max und Moritz, como todas as obras ilustradas de Busch, não é contada somente com imagens, mas através de um texto com uma sequência de episódios individuais. A história da vida curta dos pivetes possui um prólogo e um epílogo, e relata sete travessuras, atingindo seu ponto alto na sexta e terminando com a morte de ambos protagonistas na sétima. É característica da história um constante jogo de contrastes entre ordem e caos, resultante de conflitos entre os dois personagens e suas vítimas. Esse jogo de contrastes é introduzido por uma detalhada descrição da ordem, que é convertida em caos por Max e Moritz. thumb|228x228px|Primeira travessura: retrato da viúva Bolte A gente dorme com gosto...                        As vítimas das outras travessuras, com exceção da sétima, são apresentadas de maneira semelhante. A mudança da ordem para o caos pode ser observada na rápida mudança de cenas da quinta travessura, em que o tio Fritz se dirige à sua cama e nela relaxa por três cenas, enquanto besouros se aproximam. As cinco cenas seguintes mostram sua batalha contra os insetos, e as duas últimas cenas finalmente mostram Fritz vitorioso após tê-los destruído. thumb|Terceira travessura: o alfaiate Böck é puxado por dois gansos do riacho Os dois malfeitores normalmente não testemunham as consequências de suas tropelias. Apenas o leitor vê a morte das galinhas da viúva Bolte, as dores de estômago do alfaiate Böck, o ataque noturno dos insetos ao tio Fritz e a explosão do cachimbo do mestre Lämpel. A moral de que o crime não compensa é evidenciada pelo fim da história, em que Max e Moritz são moídos com o trigo e, em seguida, seus restos são devorados por patos. A reação das vítimas à morte dos dois ressalta essa moral irônica: “Eu cá fiz o meu serviço, Não tenho nada com isso...” comenta o moleiro. Nessa cena, percebe-se o humor negro de Busch, presente em todas as suas obras.

A cronologia dos episódios é apenas insinuada, e em partes contraditória. Os besouros da quinta travessura, por exemplo, ao invés de zumbirem em maio ou junho, manifestam-se na história antes da primavera europeia, sendo a Páscoa o período em que ocorre a sexta travessura.  Outros fatos que contrariam a realidade são que os besouros têm o tamanho de uma mão humana e os dois gansos são suficientemente fortes para carregarem o alfaiate Böck.

Linguagem A tradução brasileira é estruturada em redondilhas maiores, ou seja, em versos com sete sílabas métricas:Pa/dei/ros/ e /con/fei/TEIros...Há também um contraste visível entre os desenhos cômicos e a escrita aparentemente séria de Busch, característica típica das suas histórias posteriores, mas que já pode ser encontrada em múltiplos pontos de Max e Moritz e que foi mantida na tradução de Olavo Bilac para o português. O sofrimento da viúva Bolte após a morte de suas galinhas, por exemplo, é desproporcional ao que acontece. thumb|324x324px|Primeira travessura: viúva Bolte Descansar de tanta mágoa!”Wilhelm Busch descreve o sofrimento de modo igualmente irônico e grotesco quando o mestre Lämpel fica temporariamente incapaz de trabalhar após Max e Moritz explodirem seu cachimbo. thumb|Professor Lämpel em uma versão colorida do Max und Moritz Já foi cachimbo, e ... morreu?!O uso de onomatopeias também caracteriza o trabalho de Busch. “Certas coisas são vistas mais claramente com os ouvidos”, argumentou ele ao seu amigo, Franz von Lembach. Há um exemplo logo na primeira travessura: Vêm as galinhas em bando...

Personagens

Protagonistas thumb|Cena individual