thumb|Mapa da ilha do Faial mostrando a divisão administrativa (freguesias) e a localização da cidade da Horta. thumb|Costa da ilha do Faial com o Morro de Castelo Branco ao fundo, vista do Monte da Guia.
A ilha do Faial é uma ilha portuguesa situada no extremo ocidental do Grupo Central do arquipélago dos Açores. Está separada da ilha do Pico por um estreito braço de mar com de 8,3 km (ou 4,5 milhas náuticas) de largura, conhecido por canal do Faial.
A ilha tem a forma aproximada de um pentágono irregular, com 21 km de comprimento no sentido leste-oeste e uma largura máxima de 14 km, a que corresponde uma área de 172,43 km².
A população residente é de habitantes (censo de 2021), a maioria dos quais na Horta, cidade onde se localiza o parlamento açoriano e sede do único concelho da ilha.
O clima é temperado oceânico, com temperaturas médias anuais do ar que oscilam entre os 13 °C no inverno e os 22 °C no verão, com frequentes vendavais e uma humidade relativa do ar em média acima dos 79%. A ilha é servida pelo Aeroporto da Horta, com ligações aéreas regulares para as restantes ilhas e para o exterior do arquipélago.
O Porto da Horta foi um importante entreposto nas ligações marítimas e aéreas (hidroaviões) e por cabo submarino no Atlântico Norte, mantendo uma atividade relevante como porto comercial e local de escala de iates nas travessias entre o continente americano e a Europa.
A ilha é localmente conhecida por ilha Azul, designação que foi popularizada a partir da descrição de Raul Brandão em Ilhas Desconhecidas.Raul Brandão, As ilhas desconhecidas - Notas e paisagens, Lisboa, 1926. Na sequência de cores que Raul Brandão atribuiu a cada uma das ilhas do arquipélago, designou o Faial por ilha Azul devido à profusão de hortênsias (localmente chamados novelos) que floresciam ao longo das estradas aquando da sua visita à ilha no Verão de 1924, no âmbito das visitas dos intelectuais então organizadas sob a égide dos autonomistas.
O Vulcão dos Capelinhos, extremo Oeste da ilha, pode ser considerado também o extremo Oeste da Europa caso o Ilhéu de Monchique, nas Flores, seja considerado parte da América insular uma vez que assenta na Placa Norte-Americana.
Geomorfologia e geologia thumb|Vista atual do vulcão dos Capelinhos. Com uma forma quase pentagonal, a ilha emergiu de uma fratura tectónica de orientação ONO-ESE – a mesma que deu origem à Ilha do Pico –, denominada Fratura Faial-Pico, uma estrutura do tipo falha transformante leaky que se desenvolve ao longo de 350 km, desde a Crista Média do Atlântico (CMA) até uma área de fundos aplanados sita a sul da Fossa Hirondelle.
Constituída integralmente por materiais vulcânicos, a ilha do Faial estrutura-se em torno de um grande vulcão central, em cujo centro se situa uma profunda caldeira, com relevos muito jovens, pouco trabalhados pela erosão e pelo tectonismo. A presença dessa grande formação central, denominada Maciço da Caldeira (ou Serra da Feteira, nome em geral aplicado apenas ao seu bordo sul) faz com que as elevações da ilha convirjam, de um modo geral, para o centro da ilha, culminando no Cabeço Gordo, uma elevação sita no bordo sul da Caldeira com 1043 metros de altitude acima do nível médio do mar, a altura máxima na ilha.Victor Rui Dores, Faial in Triângulo – Livro de Ouro. Ponta Delgada: Clássica, Publicações, Publicidade e Marketing, Lda, 2006
No topo do Maciço da Caldeira, abre-se uma grande cratera de abatimento, a Caldeira do Faial, quase perfeitamente circular e com cerca de 2000 m de diâmetro no seu bordo interior. No fundo da Caldeira, a cerca de 570 metros acima do nível médio do mar e mais de 400 m abaixo da cumeeira, existe uma zona plana, quase perfeitamente circular, albergando no seu centro um pequeno cone rodeado por pequenos lagos e zonas pantanosas. Todo o interior da Caldeira, com as suas paredes quase verticais, é revestido por vegetação luxuriante, avultando diversas espécies da flora da Macaronésia, algumas das quais endémicas nos Açores.
thumb|O Pico, visto da Espalamaca, Faial. thumb|Interior da ilha do Faial, ilha do Pico ao fundo, Vista parcial. thumb|Paisagem da ilha do Faial. thumb|Paisagem da ilha do Faial.
As faldas do Maciço da Caldeira são assimétricas, consequência das diferenças em idade das formações, da existência de vulcanismo secundário e da superimposição no relevo de estruturas tectónicas resultantes das tensões associadas à presença da fratura Faial-Pico, a formação que comanda a geomorfologia de toda esta região do arquipélago. Neste contexto, podem ser individualizadas três formações distintas: O Relevo Falhado da Costa Este, uma região profundamente trabalhada pela tectónica que ocupa todo o sector es-nordeste e norte da ilha, desde a Espalamaca até aos Cedros. Esta formação caracteriza-se pela presença de uma complexa estrutura tectónica, dominada por falhas sensivelmente paralelas, de direcção ONO-ESSE, manifestação local da fratura Faial-Pico. Algumas destas falhas apresentam grandes rejeitos, com levantamentos em horst (localmente chamados Lombas) e afundamentos em graben, ladeados por grandes falésias de blocos rochosos expostos. Em resultado dessa atividade tectónica surgiram vários cones periféricos com derrames lávicos associados, instalados ao longo das linhas de fratura. Esta é a região mais antiga da ilha (com formações que excedem os de idade), e aquela em que têm sido mais frequentes os sismos destrutivos. O graben da Praia do Almoxarife é uma formação imponente, mergulhando no mar sob a pequena praia que deu nome ao lugar, ladeado por falhas que continuam a libertar grandes quantidades de gases, com destaque para o dióxido de carbono. Plataforma da Horta — Complexo vulcânico do Capelo —
História geológica A história geológica da ilha do Faial compreende três grandes períodos:
Período pré-caldeira Pertence ao período pré-caldeira, o complexo vulcânico da Ribeirinha, datado em 800 mil anos, a parte mais antiga da ilha, sita na sua região nordeste. Imediatamente a noroeste daquele, surge o complexo vulcânico dos Cedros, com cerca de 580 mil anos de idade. Para oeste e sudoeste desta região, seguindo a tendência comum nas ilhas sitas a leste da Crista Média do Atlântico de crescer para oeste, entre há cerca de 400 mil anos e até há cerca de 10 mil anos, foi-se desenvolvendo um gigantesco cone vulcânico de tipo escudiforme, essencialmente constituído por derrames lávicos resultantes de uma actividade eruptiva predominantemente efusiva. Em resultado dessa massa e da presença da fratura Faial-Pico, há cerca de 50 mil anos instalou-se no flanco leste da ilha uma importante atividade tectónica e vulcânica fissural, que deu origem ao denominado Relevo Falhado da Costa Este. Esta formação constitui um relevo falhado, com levantamento (horst) e afundamento (graben) de grandes blocos separados por falésias quase verticais, pontuado por cones secundários instalados sobre as zonas de fractura.
Formação da caldeira thumb|Caldeira, Faial.
Há 10 mil anos, deu-se uma mudança de estilo eruptivo do vulcão central, entrando numa fase quase exclusivamente explosiva, a qual foi responsável pelos vastos depósitos de pedra-pomes e outros materiais piroclásticos que cobrem quase toda a ilha. Durante esta fase ocorreu o colapso da parte mais alta do vulcão, com afundamento do topo da câmara magmática, originando a formação da atual Caldeira. O colapso parecer ter ocorrido em dois episódios distintos: o primeiro ocorreu no topo da montanha, desenvolvendo-se para o seu interior; o segundo foi originado por um violenta erupção do tipo pliniano, com libertação de uma nuvem ardente. O abatimento da caldeira terá ocorrido ao mesmo tempo ou imediatamente depois dessa erupção, a qual recobriu mais de 40% da superfície da ilha com uma espessa camada de materiais piroclásticos, mais pujante para norte e leste do centro eruptivo. A maior parte da cobertura vegetal, se não a sua totalidade, foi destruída. A erupção foi acompanhada por poderosas enxurradas, que resultaram da precipitação intensa induzida pela condensação em torno das poeiras vulcânicas presentes na atmosfera, sobre um relevo íngreme caracterizado pela inconsistência do solo. Nas falésias da Praia do Norte encontram-se vestígios desses movimentos de massa.
Período pós-caldeira thumb|Farol dos Capelinhos. thumb|Vista do Monte da Espalamaca, a ilha do Pico do outro lado do Canal.
Do período anterior resultou a Caldeira, constituída pela acumulação de materiais de projecção – pedra pomes e cinzas – que atingem notável espessura nas proximidades do bordo da cratera, diminuindo gradualmente à medida que se afastam da caldeira. A formação, talvez devido à sua juventude, tem mostrado relativa estabilidade, embora as suas encostas leste e norte apresentem claros sinais de múltiplos deslizamentos de terras, alguns dos quais (como o que resultou do sismo de 9 de Julho de 1998) já ocorridos depois do povoamento da ilha. O interior da caldeira mantém vulcanismo ativo, como testemunha a erupção, com derrame lávico no seu interior, ocorrida há cerca de mil anos, e a atividade freato-vulcânica patente durante a erupção do vulcão dos Capelinhos, em 1957-1958. Embora se desconheça a idade do pequeno cone no seu interior, e se estará relacionado com o complexo vulcânico do Capelo, segundo a descrição Gaspar Frutuoso (1570-1580),Gaspar Frutuoso, Saudades da Terra. Ponta Delgada: Instituto Cultural de Ponta Delgada, 2005. 124p. (ISBN 972-9216-70-3). a Caldeira manteve-se praticamente idêntica até à erupção dos Capelinhos, quando, no decurso da crise sísmica de maio de 1958, se abriram fendas no seu interior que romperam a impermeabilização do fundo da Caldeira. Este facto levou ao escoamento da água dos pequenos lagos ali existentes para interior do cone central, desencadeando violentas explosões freáticas e a ocorrência de atividade fumarólica temporária. Em resultado do sismo de 9 de julho de 1998, deram-se derrocadas nas paredes quase verticais da cratera. Também pertence a este período a formação do complexo vulcânico do Capelo, datado de cerca de 5000 anos atrás, resultado de uma importante atividade vulcânica fissural ao longo de uma linha de fratura que produziu um alinhamento de cones. Naquela região, para oeste da Caldeira, registaram-se duas erupções históricas que destruíram as freguesias do Capelo e da Praia do Norte:
A erupção do Cabeço do Fogo, em 1672-1673. A erupção na Ponta dos Capelinhos, em 1957-1958, esta acompanhada pelo aparecimento de fumarolas no fundo da Caldeira, em Maio de 1958.
Durante o século XX, a ilha registou fortes sismos em 31 de Agosto de 1926, em 13 de Maio de 1958 (associado à erupção dos Capelinhos), em 23 de Novembro de 1973 e a 9 de Julho de 1998.
Informações recolhidas por pescadores apontam para a ocorrência de uma erupção vulcânica submarina a 22 de julho de 2007, num segmento próximo da Crista Média-Atlântica, a cerca de 180 km a sudoeste da Ponta da Capelinhos, na ilha do Faial. O evento foi detectado a partir do equipamento de sonar de uma embarcação, tendo na ocasião sido recolhidos alguns cabos com vestígios de terem sido expostos a altas temperaturas.
O Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos dos Açores, conjuntamente com o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, informou que esta ocorrência não foi acompanhada por qualquer atividade sísmica registada nas estações do arquipélago, resultado da baixa magnitude dos eventos que normalmente se encontram associados a estes fenómenos e à distância de terra a que o episódio se desenvolve.
História thumb|Vista da zona ribeirinha da cidade da Horta.
Descoberta e povoamento thumb|Marina da Horta, aspectos. thumb|Marina da Horta, aspectos. thumb|Interior montanhoso da ilha do Faial.