Djalma Maranhão (Natal, 27 de novembro de 1915 — Montevidéu, 30 de julho de 1971) foi um político brasileiro.

Biografia Foi prefeito de Natal, capital do Rio Grande do Norte e deputado estadual. Foi também professor de educação física e jornalista, fundador e diretor de jornais.Direitos Humanos na net - Djalma Maranhão (texto de Moacyr de Góes) Militou no Partido Comunista Brasileiro até o início da década de 1940. Após, entrou no Partido Trabalhista Nacional (PTN) e, posteriormente, no Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Foi eleito deputado estadual em 1954. Assumiu a Câmara Federal de 1959 a 1960, como primeiro suplente. Por duas vezes exerceu o cargo de prefeito de Natal: a primeira, na segunda metade da década de 1950, por nomeação do governador Dinarte Mariz e a segunda, em 1960, na primeira eleição direta para a prefeitura da capital.

Exilio e Morte Com o golpe de estado de abril de 1964, foi deposto da prefeitura, e teve seu mandato cassado. Ficou preso em quartéis do Exército em Natal, na ilha de Fernando de Noronha e no Recife. Foi libertado por ordem do habeas corpus do Supremo Tribunal Federal, em dezembro de 1964 e asilou-se na Embaixada do Uruguai. Morreu no exílio, aos 56 anos de idade. Seus restos mortais repousam no Cemitério do Alecrim.

Programa "De Pé no Chão, Também se Aprende a Ler" A campanha “De Pé no Chão Também se Aprende a Ler” foi uma experiência de educação popular desenvolvida em Natal, no Rio Grande do Norte, durante a gestão de Djalma Maranhão, no início da década de 1960. O projeto surgiu diante de um problema concreto: uma parcela significativa da população, principalmente aquela que vivia nas regiões mais pobres da cidade, não tinha acesso à educação formal. A quantidade de escolas existentes não era suficiente para atender à população e muitas comunidades não possuíam condições adequadas para frequentar os espaços escolares tradicionais. Nesse contexto, a campanha foi criada com o objetivo de ampliar o acesso à alfabetização, partindo da compreensão de que a educação deveria alcançar também aqueles que estavam afastados das instituições escolares. O próprio nome do projeto expressava essa proposta: era possível aprender mesmo quando não havia uma escola convencional, com salas estruturadas e todos os recursos normalmente associados a uma instituição de ensino.

Para colocar essa proposta em prática, foram criadas estruturas simples de ensino nos próprios bairros e comunidades. As chamadas “escolinhas” funcionavam, em muitos casos, em espaços construídos com materiais disponíveis e de baixo custo, como as palhoças. Essa escolha não representava apenas uma solução econômica, mas uma forma de aproximar a escola do cotidiano da população. Em vez de esperar que os moradores das regiões periféricas conseguissem se deslocar até os espaços educacionais existentes, o projeto procurava instalar os espaços de aprendizagem próximos aos locais onde essas pessoas viviam. Dessa forma, o território passava a ser considerado parte importante da política educacional. A campanha também não se restringia à alfabetização: desenvolvia atividades culturais, recreativas e de formação profissional, além de criar mecanismos para preparar os professores que atuariam nas comunidades. A educação era, portanto, compreendida de maneira mais ampla, relacionada à vida cotidiana e às necessidades sociais da população.

Outro aspecto importante do projeto foi a tentativa de construir uma política pública a partir das condições reais existentes, e não a partir de um modelo ideal de escola que dificilmente poderia ser aplicado naquele contexto. A ausência de prédios escolares, de recursos financeiros e de profissionais em quantidade suficiente não foi tratada simplesmente como motivo para não oferecer educação. Ao contrário, a campanha buscou criar alternativas para que essas limitações não impedissem o acesso da população ao ensino. Essa característica permite compreender a experiência como uma iniciativa que procurava enfrentar as desigualdades de acesso por meio da adaptação das próprias estruturas institucionais. A instituição, nesse caso, não permanecia distante da realidade social esperando que os indivíduos se adequassem a ela; procurava modificar sua forma de atuação para chegar até aqueles que historicamente estavam excluídos do sistema educacional.

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