Prayers for Bobby é um telefilme americano de 2009 dirigido por Russell Mulcahy. É um docudrama baseado no livro Prayers for Bobby: A Mother's Coming to Terms with the Suicide of Her Gay Son, de Leroy F. Aarons, que relata a história real da vida e do legado de Bobby Griffith, um jovem gay que se suicidou em 1983 devido ao fanatismo religioso e à homofobia de sua mãe. O filme é protagonizado por Ryan Kelley, que interpreta Bobby, e Sigourney Weaver, que interpreta sua mãe, Mary Griffith.

A ideia de adaptar o livro de Aarons para o cinema surgiu em meados da década de 1990, porém, a produção de um longa-metragem inspirado na história de Bobby não foi concretizada. A obra acabou originando um filme para a televisão, cujo roteiro adaptou alguns elementos do livro considerados pelos produtores como inadequados à programação da emissora. Nos Estados Unidos, o lançamento do filme ocorreu em 24 de janeiro de 2009, por transmissão televisiva; no Brasil, foi lançado em 2012 sob o título Rezando por Bobby, em DVD, com dublagem do estúdio Centauro. À época de seu lançamento original, o telefilme foi amplamente disseminado em blogues, redes sociais e sites direcionados principalmente ao público LGBT, sendo baixado por meio de servidores de arquivos no mundo inteiro.

Apesar de a película ter sido avaliada com comentários mistos, a atuação de Weaver foi bem recebida, a qual obteve diversas indicações e premiações, entre elas uma nomeação aos prêmios Emmy de Melhor Atriz em minissérie ou telefilme, ao Globo de Ouro, Satellite e ao Screen Actors Guild na mesma categoria. A produção, por sua vez, ganhou o Prêmio GLAAD Media de 2010, ao passo que os produtores foram nomeados aos prêmios Emmy e Producers Guild of America daquele mesmo ano. Em 2015, os produtores executivos Daniel Sladek e Chris Taaffe receberam um convite do vice-presidente da União Europeia para comparecerem ao Parlamento Europeu, em Bruxelas, onde apresentaram o filme aos membros da instituição no Dia Internacional contra a Homofobia.

Enredo Mary Griffith: Antes de ecoarem Amém em sua casa e no local de adoração, pensem, pensem e lembrem. Uma criança está ouvindo.

No final dos anos 70 e início dos 80, Mary Griffith (Sigourney Weaver) é uma cristã devota que cria seus filhos — Ed, Bobby, Joy e Nancy — de acordo com os ensinamentos evangélicos da Igreja Presbiteriana em Walnut Creek, Califórnia. Certo dia, Ed (Austin Nichols) encontra Bobby (Ryan Kelley) prestes a tentar suicídio por overdose de aspirina. Bobby confidencia que é gay ao irmão. A vida muda para toda a família depois que Mary descobre o segredo do filho, a quem tenta "curar" inicialmente com religião. Ela então o leva a uma psicoterapeuta, que explica que a homossexualidade é resultado da falta de um relacionamento próximo com figuras paternas. Assim, ela recomenda que o jovem passe um tempo maior ao lado do pai. Bobby revela ao pai (Henry Czerny) que deseja ser escritor, mas ouve dele que esse sonho não é "realista".

Aos poucos, o pai e os irmãos começam a aceitar a homossexualidade de Bobby, mas Mary acredita firmemente que Deus pode "curá-lo". Para fugir da família, Bobby visita sua prima Jeanette (Rebecca Louise Miller) em Portland, Oregon. Ela o encoraja a aceitar sua orientação sexual e ignorar a repressão de Mary. Entretanto, ele continua desesperado pela aprovação da mãe e resolve fazer o que ela lhe pedir. Desiludido com suas experiências na igreja e convencido de que sua mãe nunca o aceitará como ele é, o jovem vai ficando cada vez mais retraído e deprimido.

Cheio de culpa, Bobby encontra um namorado, David (Scott Bailey), em um bar gay. Após falar de David para sua família, Bobby ouve de Mary: "eu não terei um filho gay", ao que ele responde: "então você não tem um filho". Bobby continua a pensar nas palavras de preconceito de sua mãe, como quando ela dizia que "a homossexualidade é um pecado e (gays) estão condenados a passar a eternidade no inferno", ou quando se referia a ele como "pervertido" e "um perigo para nossos filhos." Além disso, ele descobre que David está o traindo com outro rapaz. Diante da depressão e auto-aversão que se intensificam, uma noite ele salta de um viaduto sobre uma estrada e morre instantaneamente, aos 20 anos de idade. A família recebe a notícia no dia seguinte e fica devastada.

thumb|esquerda|Mary Griffith (Sigourney Weaver) faz um discurso em defesa dos direitos dos jovens gays e lésbicas Diante da tragédia, Mary encontra os diários de seu filho, que revelam um garoto problemático lutando pelo amor de sua mãe e de Deus. Ela começa a questionar a si mesma e a interpretação que a Igreja faz das Escrituras. Através de sua longa e emocional jornada, Mary lentamente alcança a comunidade gay e descobre o inesperado apoio deles. Ela conhece um reverendo local (Dan Butler) da Igreja da Comunidade Metropolitana, que a convence a participar de uma reunião do grupo PFLAG (Pais, Familiares e Amigos de Lésbicas e Gays). Ela lembra o quanto Bobby era especial e compreende que Deus não o curou porque não havia doença a ser curada.

Mary, em seguida, faz um discurso em uma reunião do conselho municipal de Walnut Creek apoiando um "dia gay" local ao vivo pela televisão. Ela fala de suas experiências com Bobby, as dificuldades que ela inicialmente teve de lidar com ele saindo do armário e sua teimosia em reavaliar suas crenças religiosas que não eram nada mais do que "fanatismo" e "difamação desumana". Mary também reconhece como ela percebeu que a orientação sexual de Bobby era bastante natural à imagem de Deus e que seu suicídio foi consequência da má educação que deu aos filhos. Ela conclui seu discurso pedindo às pessoas que pensem antes de dizer, falar ou apoiar a homofobia porque "uma criança está ouvindo". A medida é rejeitada, mas Mary e sua família viajam para São Francisco com colegas membros da PFLAG e participam de uma parada LGBT, durante a qual ela vê um rapaz parecido com Bobby observando o desfile. Ela se aproxima e o abraça, prometendo trabalhar duro para tornar melhor e mais segura a vida dos jovens homossexuais em todo o mundo.

Elenco Na ordem dos créditos iniciais: Sigourney Weaver — Mary Griffith, uma mulher cristã que cria seus filhos segundo os princípios da fé evangélica. Henry Czerny — Robert Griffith, marido de Mary e pai de Bob; ele é orientado a passar mais tempo com o filho. Ryan Kelley — Bobby Griffith, o filho de Mary que se revela gay. Austin Nichols — Ed Griffith, irmão de Bobby que decide revelar a Mary o segredo do irmão. Carly Schroeder e Shannon Eagen — Joy e Nancy Griffith, duas irmãs de Bobby. Scott Bailey — David, o namorado de Bobby que acaba o traindo com outro homem. Rebecca Louise Miller — Jeanette, prima de Bobby e que lhe oferece um lugar para morar em Portland. Lee Garlington — psicoterapeuta de Bobby, que o encoraja a passar mais tempo com o pai. Madge Levinson — avó de Bobby e mãe de Mary. Marshall McClean — Reverendo Owens, padre da igreja que Mary frequenta. Susan Ruttan — Betty Lambert, uma amiga de Mary que a incentiva a participar de uma parada LGBT. Dan Butler — Reverendo Whitsell, um padre que convence Mary de que a homossexualidade não é um pecado. Mary Griffith faz uma participação especial na cena do desfile no final do filme; ela aparece ao lado do garoto que Weaver abraça.

Produção Desenvolvimento Prayers for Bobby é uma adaptação do livro Prayers for Bobby: A Mother's Coming to Terms with the Suicide of Her Gay Son, de Leroy Aarons, lançado em 1995. A obra é inspirada na vida de Mary Griffith e sua família. Em 1983, seu filho Robert ("Bobby") tirou a própria vida aos vinte anos, ao ter saltado de um viaduto em Portland (Oregon), por não conseguir viver no conflito entre o fato de ser gay e as reações de sua mãe. Sua morte forçou-a a rever seus conceitos e ela então percebeu que a fé religiosa não a permitia aceitar a homossexualidade de seu filho e concluiu que seu fanatismo religioso levou-o ao suicídio. Mary declarou: "Minha mente estava completamente amarrada às palavras do Evangelho, e eu não conseguia ouvir nada diferente. Não teria feito diferença se tivesse acontecido ontem ou há vários anos".

thumb|esquerda|A família Griffith, cuja vida inspirou o filme. Mary está ladeada por seus filhos Bobby (o primeiro à esquerda de camisa azul), Ed, Joy e Nancy. Bobby está com aproximadamente 16 anos nesta foto.A partir de então, Mary tornou-se uma ativista conhecida por sua atuação na organização PFLAG (Pais, Familiares e Amigos de Lésbicas e Gays), que fornece assistência psicológica e apoio a jovens LGBT e seus pais. Ela liderou, por vários anos, a seção da PFLAG na Área da baía de São Francisco e participou incansavelmente de inúmeras campanhas pela Semana da Liberdade Gay e de apoio a adolescentes homossexuais em escolas públicas. Griffith também orienta outros pais a lidarem com os filhos homossexuais, aconselhando-os a seguir seus instintos de mãe e pai e não a preceitos que os "induzam a violar sua consciência parental". Mary apareceu em diversos talk shows, nos quais geralmente se apresentava usando dois botões: um com uma foto de Bobby e o outro com o lema da PFLAG: "Nós amamos nossos filhos gays e lésbicas". Entre os programas de televisão nos quais ela falou sobre a morte de Bobby, destacam-se o 20/20 e o The Oprah Winfrey Show.

A história da família Griffith refletia a própria experiência de Aarons, um dos primeiros jornalistas abertamente homossexuais dos Estados Unidos, que, por mais de 25 anos, fez parte de uma associação de jornalistas gays e lésbicas que lutavam pela defesa dos direitos LGBT no país. Para escrever seu livro, ele fez um estudo detalhado da tragédia da família e realizou diversas entrevistas com Mary. O redator teve acesso ao diário de Bobby, no qual o jovem relatava com detalhes seus sentimentos, aflições e desespero; o autor incluiu em seu livro trechos autênticos desse material.

Em 1996, o produtor Chris Taaffe, que na época também era ator, encontrou o livro de Aarons em uma livraria de West Hollywood e ficou impressionado com a história. Ele recomendou a obra a seu amigo, o produtor cinematográfico Daniel Sladek, que ficou igualmente entusiasmado. Percebendo que o livro tinha grande potencial de ser adaptado em um longa-metragem, eles contataram o produtor executivo David Permut, que se disponibilizou a levar a ideia adiante e afirmou: "Achei que era um livro magnífico. Otimista cego que sou, pensei que estaríamos em produção dentro de um ano." Os produtores conheceram pessoalmente o autor Leroy Aarons e a família Griffith. Sladek afirmou que, ao se encontrarem, eles descobriram que tinham "uma incrível conexão" e desde então desenvolveram uma amizade duradoura.

Entretanto, a produção do longa-metragem não aconteceu. Passaram-se quase doze anos até que alguém assumisse a adaptação do livro para filme. Aarons faleceu em 2004, não chegando a ver a versão audiovisual de sua obra ser finalmente concretizada. Taaffe, Sladek e Permut estavam finalizando um acordo para produzirem um longa-metragem a um orçamento de menos de dois milhões de dólares, o que o caracterizaria como um filme independente, quando os executivos do canal de televisão americano Lifetime encomendaram-lhes a produção de um telefilme inspirado no livro. A emissora prometeu-lhes uma ampla audiência, a qual incluía mães das cidades e subúrbios dos Estados Unidos, para as quais os produtores pretendiam direcionar mais enfaticamente a mensagem do filme. Eles aceitaram a proposta do canal e a produção do telefilme foi autorizada após o fim da greve dos roteiristas americanos entre 2007 e 2008. O filme foi realizado pela produtora de David Permut, a Permut Presentations, em associação com a Sladek Taaffe Productions, de Daniel Sladek e Chris Taaffe. Stanley M. Brooks, da produtora independente Once Upon a Time Films Ltd., juntou-se ao trio, completando, assim, a equipe de produtores executivos.