Charlie Chan é um detetive de ficção, de origem sino-americana, criado por Earl Derr Biggers em 1923 para um romance publicado em 1925. Biggers concebeu o personagem como uma alternativa a alguns estereótipos de outros detetives; ao contrário de vilões como Fu Manchu, Chan é o retrato da não-violência. Entretanto, também é mostrado como distinto e assexual, e enquanto sofre com preconceitos não fala abertamente sobre este assunto.
Mais de uma dúzia de filmes foram realizados com Charlie Chan, começando em 1926. O personagem foi primeiramente retratado por atores asiáticos, e os filmes não fizeram muito sucesso. Em 1931, a Fox Filmes escalou o ator sueco Warner Oland como Charlie Chan e o filme foi um sucesso. Então a Fox Filmes produziu mais 15 filmes com Oland como personagem principal. Após a morte de Oland, o ator escocês-americano Sidney Toler começou a interpretar Chan; Toler fez 22 filmes. Após a morte de Toler, mais seis filmes foram feitos, estrelando Roland Winters. Além destes vários outros filmes falados em espanhol e chinês foram realizados durante as décadas de 1930, 1940 e 1950 e todos levados à China onde o personagem era muito respeitado e popular. Adaptações mais recentes, na década de 1990 não tiveram sucesso.
O personagem também fez parte de programas de rádio, televisão e uma série de quadrinhos (todos nos EUA).
O personagem, entretanto, é controverso, com alguns críticos comentando que ele retrata os asiáticos de uma maneira positiva e outros que é um estereótipo ofensivo. Os que o adoram retratam um personagem inteligente, benevolente e honrado. Outros o criticam como sendo unidimensional, além de afeminado e subserviente aos "brancos", mesmo a série de filmes só fazendo sucesso quando o personagem foi interpretado por atores "brancos".
Livros O personagem de Charlie Chan foi criado por Earl Derr Biggers. Em 1919,Mitchell (1999), xxv. de férias no Havaí, Biggers planejava escrever um romance de detetive chamado "A casa sem chave". Ele não escreveu o romance até depois de quatro anos, quando foi inspirado por policiais sino-americanos, ao qual leu a história em um jornal, eram Chang Apana (张阿斑) e Lee Fook, dois detetives da polícia de Honolulu.
O chinês amável fez a sua estreia em "A casa sem chave" (filme de 1925). O personagem não era central no romance e não foi mencionado na primeira edição.Queen (1969), 102. A aparência de Chan é frequentemente comparada à de Buda, reforçando o controle da imagem do contentamento de Chan com as dificuldades da vida e a sua atitude de perdoar atos preconceituosos.Chan (2001), 56. Sua "barriga saliente"Behind That Curtain, quoted in Chan (2001), 65. e a figura "sem impressão" são marcantes em "A casa sem chave", "Atrás da cortina" e nos outros romances de Chan, enfatizando sua característica de assexualidade.Chan (2001), 65.
O crítico Jachinson Chan concorda que os livros retratam Charlie Chan como um personagem "subordinado, desprovido de qualquer poderes patriarcais e racial e culturalmente domesticado pelo preconceito".Chan (2001), 59. "A casa sem chave" relata Chan, bem como aos japoneses, a pessoas inferiores e servidores do "homem branco".Chan (2001), 60 O fato de Chan viver no Havaí permite que o homem branco do continente, onde acontece a maioria das histórias, usufrua dos serviços de Chan sem que este possa conviver com eles.name="Chan 2001, 59" Algumas vezes Chan é tratado como um tomador de nota da polícia "branca" para a qual ele trabalha, um fato que ele não protesta; muito pelo contrário, Chan trata os oficiais sem diferença.Chan (2001), 61. Embora Chan seja tratado como policial nos livros, seu papel é secundário aos "brancos", de classe social média e sempre pensando em sexo, em contraste a Chan que, apesar de ter 10 filhos, é tratado como assexuado.Chan (2001), 53. Chan geralmente responde ao preconceito com indignação, mas sempre silencioso ou se desculpando pelos seus erros.Chan (2001), 66-67. Além do mais, o inglês de Chan é fraco e ele usa algumas palavras "roubadas de alguns poetas".Mitchell (1999), xvi.
Filmes O primeiro filme de Charlie Chan foi A casa sem chave (1926), uma seriado de 10 capítulos produzida pelos estúdios Pathé, estrelada por George Kuwa, um ator japonês, fazendo o papel de Chan.Hanke (1989), xii. Um ano depois a Universal Pictures filmou "O Papagaio chinês", estrelado por outro ator japonês, Kamiyama Sojin, no papel principal. Em ambas produções, o papel de Charlie Chan foi minimizado.Mitchell (1999), xviii. Graças a Chan, mesmo com o papel minimizado, ter sido interpretado por atores asiáticos, as críticas não foram favoráveis.
Em 1929, a Fox Films adquiriu os direitos de Charlie Chan e produziu Atrás da Cortina, estrelado pelo ator coreano E.L. Park. novembro demente, o papel de Chan foi minimizado, com Chan aparecendo somente nos últimos 10 minutos do filme. O sucesso dos filmes de Charlie Chan começou em 1931 quando o ator sueco Warner Oland o interpretou. Oland interpretou um personagem mais gentil do que nos livros, talvez numa tentativa desesperada do estúdio de melhorar o sucesso dos filmes de Chan.Hanke (1989), 111. Oland estreou em mais 15 filmes pela Fox, sempre com Keye Luke que fazia o papel do filho número um de Chan, Lee Chan. Os filmes de Oland estavam entre os maiores sucessos da Fox desta década, atraindo as maiores plateias, principalmente nas altas classes sociais.Balio (1995), 317.
Warner Oland morreu em 1938, enquanto ainda gravava alguns filmes. A Fox contratou outro ator branco, Sidney Toler para interpretar Chan e produziu mais 11 filmes até 1942.Hanke (1989), 169. O Chan de Toller tinha menos educação do que o de Oland, uma mudança radical dos livros para os filmes. Ele fica irritado mais facilmente pelo se filho número dois, Jimmy Chan, interpretado por Sen Yung.Hanke (1989), 111-114.
Quando a Fox decidiu não produzir mais filmes de Chan, Sidney Toler adquiriu os direitos de filmagem. e novembro des filmes foram realizados, com a produção de Philip N. Krasne e James S. Burkett da Monogram Pictures e estes filmes foram tidos como mais cômicos. Toler morreu em 1947 e foi sucedido por Roland Winters, para uma sequencia final de seis filmes.Hanke (1989), 220.
Adaptações para o espanhol Três filmes foram feitos entre as décadas de 1930 e 1950. Eran trece (Eram treze) de 1931 é uma versão em espanhol de Charlie Chan Carries On. A Serpenta Vermelha de 1937 e O Monstro na Sombra, de 1955
Adaptações para o chinês Durante as décadas de 1930 e 1940, cinco filmes foram produzidos em Xangai e Hong Kong
Adaptações modernas Em 1976, o filme Assassinato por Morte apresentava Peter Sellers fazendo o detetive Sidney Wang, considerado uma paródia de Chan.
Em 1980, foi lançado o multimilionário Charlie Chan and the Dragon Lady, com Peter Ustinovembro dee Angie Dickinson e foi um fracasso total de bilheteria. Mais sucesso obteve Chan is Missing, de 1982 com Wayne Wang.
Na década de 1970, a Hanna-Barbera produziu uma série de desenhos animado chamada de "As Aventuras de Charlie Chan", que fez bastante sucesso na época. Uma das dubladoras, de uma das filhas de Chan foi Jodie Foster
Histórias em quadrinhos miniaturadaimagem|Charlie Chan #4 dezembro de 1948 - janeiro de 1949, arte de Jack Kirby e Joe Simon.
Uma tira de jornal de Charlie Chan, desenhada por Alfred Andriola, foi distribuída pelo McNaught Syndicate a partir de 24 de outubro de 1938. Andriola foi escolhido por Biggers para desenhar o personagem. Após o ataque japonês a Pearl Harbor, a tira foi cancelada; a última tira foi publicada em 30 de maio de 1942.Holtz, Allan (2012). American Newspaper Comics: An Encyclopedic Reference Guide. Ann Arbor: The University of Michigan Press. p. 100. ISBN 9780472117567.
Ao longo das décadas, revistas em quadrinhos de Charlie Chan foram publicadas: Joe Simon e Jack Kirby criaram Charlie Chan (1948), da Prize Comics, que teve cinco edições. Em seguida, a Charlton Comics publicou um título que continuou a numeração (quatro edições, 1955). A DC Comics publicou The New Adventures of Charlie Chan uma revista derivada da série de TV de mesmo nome lançada em 1958; a série da DC durou seis edições. Em 1960, com o fim das histórias americanas, a editora O Cruzeiro encomenda histórias feitas no país, ilustradas por José Geraldo e Getulio Delphim.
A Dell Comics publicou o título por duas edições em 1965. Na década de 1970, a Gold Key Comics publicou uma série de curta duração de quadrinhos de Chan baseada na série animada da Hanna-Barbera. De março a agosto de 1989, a Eternity Comics/Malibu Graphics publicou una revista de Charlie Chan de números 1 a 6, reimprimindo as tiras diárias de 9 de janeiro de 1939 a 18 de novembro dembro de 1939.
Bibliografia nomes originais
Biggers, Earl Derr. The House Without a Key. New York: Bobbs-Merrill, 1925. —. The Chinese Parrot. New York: Bobbs-Merrill, 1926. —. Behind That Curtain. New York: Bobbs-Merrill, 1928. —. The Black Camel. New York: Bobbs-Merrill, 1929. —. Charlie Chan Carries On. New York: Bobbs-Merrill, 1930. —. Keeper of the Keys. New York: Bobbs-Merrill, 1932. Churchill, Edward. Charlie Chan on Broadway. novembro de 1937. Popular Detective. Michael Collins. Charlie Chan in The Temple of the Golden Horde. 1974. Charlie Chan's Mystery Magazine. republicado pela Wildside Press, 2003. ISBN 1592240143. Michael Collins. Charlie Chan Returns. New York: Bantam Books, 1974. ASIN B000CD3I22. Bill Pronzini e Jeffrey M. Wallman. Charlie Chan in the Pawns of Death. 1974. Charlie Chan's Mystery Magazine. republicado pela Borgo Press, 2003. ISBN 9781592240104. Michael Avallone. Charlie Chan and the Curse of the Dragon Queen. New York: Pinnacle, 1981. ISBN 0523415052. Robert Hart Davis. "The Silent Corpse". fevereiro de1974. Charlie Chan's Mystery Magazine. Robert Hart Davis. "Walk Softly, Strangler". novembro de 1973. Charlie Chan's Mystery Magazine. Jon L. Breen. "The Fortune Cookie". May 1971. Ellery Queen's Mystery Magazine. Swann, John L. Death, I Said: A Charlie Chan Mystery. Utica, New York: Nicholas K. Burns Publishing, 2023. ISBN 978-0-9755224-5-5. Swann, John L. The Tangled String: A Charlie Chan Mystery. Utica, New York: Nicholas K. Burns Publishing, 2024. ISBN 978-0975522479.
Filmografia nomes originais