Antônio dos Três Reis Oliveira (Tiros, 19 de novembro de 1946 – São Paulo, 10 de maio de 1970) foi um estudante universitário e ativista político brasileiro.Tortura Nunca Mais – RJ. S/D Antônio dos Três Reis Oliveira . Acessado em 14 de junho de 2014
Oliveira permanece na condição de desaparecido pelas comissões não-governamentais que investigam mortes de militantesDossiê Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil. S/D Antônio dos Três Reis Oliveira. Acessado em 15 de junho de 2014 no regime ditatorial, pois seus restos mortais encontram-se em situação que diverge dos documentos oficiais, que declaram Antônio como morto em 17 de maio de 1970.
Biografia Filho de Ageu de Oliveira e Glaucia Maria Abadia de Oliveira, Antônio mudou-se para a cidade de Apucarana, interior do Paraná, onde estudou no Colégio Nilo Cairo durante a adolescência e ganhou o apelido de Preguinho. Em seguida, ingressou na Faculdade de Apucarana para realizar o curso de Ciências Econômicas.
Ativo militante estudantil e político era membro da União Paranaense dos Estudantes. Na faculdade, participou do quadro de membros da ALN (Ação Libertadora Nacional). Além disso, tornou-se delegado da União Nacional dos Estudantes (UNE) no estado do Paraná e produziu programas para a rádio local; também militou na Dissidência do PCB e, em 1969, ingressou na ALN com José Idésio Brianezi.
Envolvido no 30° Congresso da União Nacional dos Estudantes, marcado para outubro de 1968 cidade de Ibiúna, em São Paulo, foi investigado e indiciado pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).
Morte Resgatado pelo jornal O Estado de S. Paulo,http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/20090802-42292-nac-10-pol-a10-not/busca/Ant%C3%B4nio+Tr%C3%AAs+Reis+Oliveira "Ustra assinou documento em 1972 sobre morte de estudante da ALN", por Marcelo Godoy no jornal O Estado de S. Paulo de 2 de agosto de 2009 o ofício nº 532/72-E/2-DOI, assinado pelo major Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do Destacamento de Operações de Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), menciona a prisão de Osvaldo Soares, dirigente da Vanguarda Popular Revolucionária (grupo da esquerda armada que tinha ligações com a ALN). Capturado em 17 de maio de 1970, Soares foi interrogado e declarou residir em aparelho situado no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo, juntamente com Alceri Maria Gomes da Silva e de Eloi (nome de guerra de Oliveira).
No documento, Ustra ainda diz que foram enviados elementos do DOI ao local indicado, a fim de efetuar a prisão dos moradores. Na residência, foram encontrados materiais considerados subversivos, como armamento, munição e explosivos. Ao fazerem uma revista minuciosa, de acordo com o documento, os agentes encontraram um alçapão, no qual estavam uma mulher e um homem, que começaram a disparar suas armas. Assim, começou um tiroteio, que levou à morte de Alceri e de Oliveira. Relatórios oficiais da época indicam que o estudante foi morto em decorrência de “averiguações de aparelhos” pela polícia, no dia 17 de maio. A família só tomou conhecimento de sua morte em 1973 quando a sua irmã, a jornalista Maria do Socorro que trabalhando no jornal Diário do Paraná, teve conhecimento de uma lista de mortos elaborada com denúncias da igreja católica e distribuída pela United Press.
Apenas em 1991, com a abertura dos arquivos do DOPS do Paraná, foi possível encontrar dados sobre a morte e o local em que Antônio foi enterrado. O nome de Antônio foi encontrado em um arquivo, com a inscrição "falecidos"; nela, havia também informações de que foi enterrado no Cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, no dia 21 de maio de 1970.
Corpo localizado Na edição de 30 de junho de 1981– 11 anos depois do desaparecimento de Oliveira – do jornal O Estado de S. Paulo (página 10), a notícia de que o corpo do estudante havia sido localizado. O responsável pelo feito foi o advogado do Comitê Brasileiro pela Anistia. Enterrado com o nome incorreto de Antônio dos Três Rios de Oliveira, no cemitério da Vila Formosa, em São Paulo, o jornal cita que, naquele mesmo dia, a família encaminharia um pedido de retificação de óbito para o Fórum do Tatuapé, onde foi registrada a morte de Oliveira em 17 de maio de 1970.
Em 1991, familiares de Antônio tentaram recuperar seus restos mortais"Irmãos do Estudante Fuzilado vão a SP Recuperar a Ossada", Folha de Londrina, em 23 de julho de 1991 quando o então governador do Paraná abriu os arquivos do DOPS/PR e as informações sobre o local da sepultura ao público. Com o auxilio do governador do estado Roberto Requião e da então prefeita de São Paulo Luiza Erundina, procuraram o local exato onde o estudante havia sido enterrado.Redação. Tarefa Árdua na Busca dos Desaparecidos. Folha de Londrina, Londrina, 21 jul. 1991 Entretanto, as buscas foram em vão. A quadra onde deveria estar enterrado Antônio e pelo menos outros dois presos políticos da época sofreu alterações de sepulturas, sendo exumados em 1976 e transferidos para novas sepulturas, no mesmo cemitério, sem a devida identificação.
Em 1995, a Lei Federal n° 9149/95 reconheceu como mortas pessoas desaparecidas em decorrência de atividades políticas entre o período de setembro de 1961 a agosto de 1979.
Homenagens Em respeito à memória do estudante, a cidade de São Paulo denominou uma de suas vias com o nome de Rua Antônio dos Três Reis Oliveira e em Apucarana, cidade em que Antônio Oliveira morou e estudou, a Lei Estadual n°15883/2008 concedeu o nome de um colégio local, inaugurado em janeiro de 2010, como sendo Colégio Estadual Antônio dos Três Reis Oliveira na forma de homenagear não só o ex-estudante de Ciências Econômicas como todas as pessoas que foram oprimidas durante a ditadura militar.
Antônio dos Três Reis de Oliveira faz parte de uma lista de 58 pessoas, mortas durante o período da ditadura civil-militar, que foram homenageadas em um monumento na cidade de Belo Horizonte. Entre 1964 e 1985, 85 mineiros morreram após sessões de tortura ou foram executadas antes de serem presas enquanto lutavam contra o regime militar, e a obra visa homenagear aqueles que nasceram no estado. Fica localizada em frente à antiga sede do Dops (Delegacia de Segurança Pessoal e de Ordem Política e Social), na Avenida Alfonso Pena.
A mineira é apenas a primeira das capitais brasileiras a receber o monumento, cujos traços remetem à da bandeira nacional de forma vazada, traz os nomes dos mortos e também um espaço dedicado à colocação de flores para as vítimas. Foi idealizado pelo arquiteto gaúcho Tiago Balem e inaugurado em maio de 2013 pelo então Secretário Nacional de Justiça Paulo Abrão. Em seu discurso, disse que o monumento não apenas presta homenagem às pessoas que lutaram pela democracia, como também servem de exemplo para que os atos praticados no período da ditadura não voltem a ocorrer. Ainda falou sobre as opiniões que se referem à ditadura como positiva: "esse tipo de fala revela desconhecimento sobre o período”.
Ver também Ditadura militar no Brasil (1964-1985) Anos de Chumbo Desaparecidos políticos no Brasil Lista de mortos e de desaparecidos políticos na ditadura brasileira
Categoria:Naturais de Tiros Categoria:Brasileiros assassinados Categoria:Mortos e desaparecidos no combate à ditadura militar no Brasil (1964–1985)